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Esporte

Há 70 anos, uma tragédia para o Torino e para a história do futebol

Por Flavio Rogério Lopes
18 de mai de 2019

Torino da década de 1940, considerado um dos melhores times do mundo naquela época

Torino F.C

As lembranças do dia 4 de maio de 1949 comovem os italianos mesmo após 70 anos da tragédia de Superga, como ficou conhecida. O Torino, tradicional equipe do futebol italiano, considerada uma das melhores do mundo na época, teve sua trajetória interrompida por volta das 17h daquele dia nublado em Turim.

O avião que transportava o elenco, comissão técnica, dirigentes e jornalistas se chocou contra a Basílica de Superga, e todos a bordo morreram. O episódio jamais foi superado pelos italianos e, todo dia 4 de maio, uma missa no local do acidente lembra os falecidos, e centenas de pessoas realizam homenagens em frente ao monumento dedicado aos mortos.

 

GRANDE TORINO

O futebol foi um refúgio para os italianos após as destruições no País em decorrência da 2ª Guerra Mundial. O esporte foi um grande motivo de alegria durante a reconstrução do País. Os Touros, que eram comandados pelo craque Valentino Mazolla, encantavam com seu jogo ofensivo e muita velocidade que conquistavam seus torcedores.

“Este 4 de maio é uma data que, mesmo após 70 anos, ainda machuca o torcedor italiano e quem ama o futebol. A tragédia de Superga mudou toda a história do futebol, não só no aspecto do jogo, mas da filosofia de estilo, da tática e de números que mostravam a evolução do futebol”, disse Rafael de Carvalho, historiador e torcedor do Torino em entrevista ao O SÃO PAULO.

O clube foi pentacampeão italiano (1945–46, 1946–47, 1947–48, 1948–49), o último título dado pela Federação Italiana em homenagem aos falecidos no acidente. A equipe, também, era a base da seleção nacional: “Quando eu dizia que essa tragédia mudou a história do futebol mundial é porque o Torino tinha 11 jogadores na seleção italiana, e dez deles eram titulares. Era uma base muito forte, ouso até dizer que se não tivesse acontecido a tragédia, a história da Copa do Mundo de 1950 teria sido muito diferente”, afirmou Rafael.

 

TRAGÉDIA INSUPERÁVEL

Em 27 de fevereiro de 1949, Itália e Portugal se enfrentaram em Gênova, para um jogo amistoso. Foi nessa ocasião que Valentino Mazzola (Torino) e Francisco Ferreira (Benfica), respectivos capitães das duas seleções e de seus clubes, marcaram no amistoso.

O jogo, em 3 de maio daquele ano, em Portugal, terminou com a Vitória do Benfica por 4 a 3. Na manhã seguinte, os italianos embarcaram e, às 13h, reabasteceram em Barcelona, na Espanha. Quatro horas depois, problemas meteorológicos obrigaram o avião a iniciar o processo de aterrissagem em Turim. Durante a manobra, a aeronave se chocou com a Basílica de Superga e toda a tripulação a bordo morreu.

 

PADRE LOMBARDI

O Padre Federico Lombardi, Ex-Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, na época da tragédia de Superga, tinha 6 anos e meio de idade. As lembranças daquele 4 de maio de 1949 emergem em suas palavras: “Eu me lembro que era um dia com mau tempo, era tarde e esta notícia dramática se espalhou como um raio”, disse em entrevista ao Vatican News.

O Sacerdote também recordou que o processo de reconstrução não foi apenas esportivo, pois Turim era uma cidade renascida da guerra e tinha o clube como inspiração e símbolo de força.

“A morte é certamente o destino comum, quando chega de forma trágica e súbita, como nesse caso, percebe-se que há grandes coisas que duram e, portanto, fazem você imaginar, pensar, que a morte não é a última palavra. É positivo, porque é um sinal de que, apesar da morte física, há coisas que duram e vão além”, concluiu Padre Lombardi.

 

LEGADO

O processo de reconstrução foi muito difícil, tanto da equipe quanto do povo italiano. Muitos clubes da Itália e outros europeus, como o Benfica, ajudaram nesse processo. A Seleção Italiana na Copa de 1950, no Brasil, não passou da primeira fase. O Torino só voltou a ser campeão em 1968 da Copa da Itália, e o jejum da série A terminou 27 anos depois, na temporada de 1975/76.

Segundo Rafael, o grande legado do clube foi sua evolução tática, além da contribuição para a Seleção Italiana. O método de contratação com inteligência também era uma marca da equipe, que procurava nos jogadores as características específicas do clube. “O Torino teve cinco técnicos que trabalharam e, a cada ano, foram aperfeiçoando o time. É curioso que, nos cinco títulos italianos do Torino, trocou-se de técnico, porque eles não queriam cair na mesmice, queriam evoluir cada vez mais”, conclui.

 

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