SÃO PAULO

IGREJA

Há 65 anos, Catedral da Sé é dedicada a Deus na metrópole

Por Flavio Rogério Lopes
16 de setembro de 2019

Centenária, Cripta tem selo comemorativo

No dia 5 de setembro de 1954, a Catedral da Sé foi dedicada solenemente pelo enviado pontifício, Cardeal Adeodato Giovanni Piazza, durante o 1º Congresso Nacional da Padroeira do Brasil, realizado na capital paulista e em Aparecida (SP). O templo foi inaugurado em 25 de janeiro daquele ano, data do IV Centenário de fundação da cidade de São Paulo. 


A inauguração deveria ter acontecido em 1922, mas a falta de verbas e as duas guerras mundiais dificultaram a importação dos materiais de construção. A pedra fundamental já tinha sido colocada em 29 de junho de 1913, em missa presidida por Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro Arcebispo Metropolitano de São Paulo. 


Com 111 metros de comprimento, 46 metros de largura e 65 metros de altura (com exceção das torres), a Catedral de estilo neogótico é considerada peculiar, devido ao ecletismo de seus estilos arquitetônicos. Nas colunas alçadas a 70 metros de altura, encontram-se elementos típicos da fauna e da flora brasileiras.

ENCONTRO COM DEUS
Na quinta-feira, dia 5, data que marcou os 65 anos da dedicação, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, presidiu missa solene às 12h, concelebrada por Dom Eduardo Vieira dos Santos, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, pelo Padre Luiz Eduardo Pinheiro Baronto, Cura da Catedral, os cônegos do Cabido Metropolitano e demais padres. 


“Deus, de muitas maneiras, se faz presente no meio de nós e quer se encontrar conosco. Os nossos templos, como essa Catedral, desempenham um papel importante e simbólico como casa de Deus e de famílias que se reúnem para o encontro com o Senhor. Por isso, as nossas igrejas são também casa daqueles que procuram a Deus e onde nossas comunidades se encontram”, reiterou o Cardeal, na homilia.


Dom Odilo recordou que a Catedral foi dedicada a Deus, mas também a Nossa Senhora da Assunção e a São Paulo Apóstolo, sendo local muito importante para a história da cidade. Lembrou, também, que os fiéis devem se encontrar nas igrejas para participar da Eucaristia e depois retornar para as tarefas cotidianas, alimentados, alegres e fortalecidos para a continuidade da missão. 


“Os templos contribuem para que tenhamos mais claramente a percepção de que Deus está morando entre nós. Nós acolhemos essa presença de Deus e não queremos ficar sem ela. Por isso, o simbolismo do templo também é expressivo para nossa fé e para o testemunho da fé na nossa cidade e nas nossas comunidades urbanas”, concluiu o Cardeal. 

 

PESSOAS EMPENHADAS
A Catedral da Sé possui uma programação extensa com celebrações eucarísticas, oferta dos demais sacramentos, visitas guiadas e outras atividades. 


Um dos trabalhos mais efetivos é o do sacramento da Reconciliação. Diariamente, padres se revezam para atender os fiéis de segunda a sexta-feira, das 9h às 11h e das 14h30 às 16h30. Segundo o Padre Baronto, os serviços dos confessores, dos leigos, voluntários e da equipe de funcionários são essenciais para a manutenção e funcionamento da igreja-mãe da Arquidiocese. 


“O aniversário de dedicação da Catedral é uma ocasião muito feliz e, também, para nós agradecermos a tantos que se empenham a ela. A Catedral é dedicada a Deus, mas muitas pessoas se dedicam a ela, e gostaria de agradecer a todos, de forma particular a Dom Odilo, pois essa é a Igreja do Bispo, e nós sabemos o carinho e o zelo que o Cardeal tem por esta Catedral”, disse o Cura.

                                                                                 

Centenária, Cripta tem selo comemorativo

Sete metros abaixo do altar-mor da Catedral da Sé, existe uma joia arquitetônica da cidade de São Paulo, que em 2019 completa 100 anos. A cripta foi o primeiro local do templo a ser inaugurado, no dia 16 de janeiro de 1919.


O local, repleto de histórias e espiritualidade, abrange restos mortais de bispos e arcebispos de São Paulo, e de personagens importantes da cidade, como o Cacique Tibiriçá, o Regente Feijó e o Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.


Projetada pelo arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl, o mesmo que realizou o projeto da Catedral Metropolitana, possui 32 câmaras mortuárias, das quais 18 já foram ocupadas, além das obras de arte e uma arquitetura única. Após a missa solene do dia 5, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Brasil (Correios) realizou a cerimônia de lançamento dos selos comemorativos (imagem acima) por ocasião do centenário. 


O Arcebispo de São Paulo participou da cerimônia, que contou com a presença de autoridades, funcionários da Catedral e representantes da família de Dom Duarte Leopoldo e Silva. 


Dom Odilo relembrou a importância da cripta para a história da cidade e agradeceu aos Correios a iniciativa. Também recordou a importância e a coragem de Dom Duarte por realizar o projeto para a construção da Catedral, e que é dever de todos preservar esse patrimônio para novas gerações.


“A cripta, essa joia, não deve ficar escondida, mas colocada a público, e este momento é propicio para que isso aconteça. Agradeço mais uma vez aos Correios que também ajudam a divulgar este local e o seu significado para a cidade e para a história do Brasil”, concluiu Dom Odilo.   


A direção de arte do selo comemorativo é do Estúdio Centro, com ilustrações em lápis e aquarela de Eduardo Bajzek, arquiteto especializado em desenhos de perspectivas. Composta por um se-tenant de seis selos, traz detalhes importantes da Cripta, como o teto, as escadarias, esculturas e a medalha que orna o túmulo do primeiro Arcebispo de São Paulo. Com tiragem de 180 mil selos (30 mil se-tenants) e valor de R$ 1,30 cada unidade, as peças estarão disponíveis nas principais agências dos Correios e também na loja virtual.


 “É com muita satisfação que nesta data os Correios oficializam e trazem a público a emissão comemorativa em honra à centenária cripta da Catedral da Sé, um lugar arrebatador que nos remete à contemplação e ao recolhimento, que perpassa espiritualidade cristã e que    nos leva à reflexão sobre sua importância arquitetônica e histórica”, afirmou Sidnei Lemos de Moraes, gerente de atendimento dos Correios. (FRL)

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