VATICANO

5 ANOS DE PONTIFICADO

Há 5 anos, cardeais elegeram o 1º papa latino-americano

Por Redação
13 de março de 2018

Após dois dias de Conclave, os sinos da Basílica de São Pedro anunciaram ao mundo que a Igreja Católica Apostólica Romana tinha um novo Papa

Vatican Media

Eram 19h07, em Roma - 15h07 no Brasil -, do dia 13 de março de 2013, quando a fumaça branca começou a sair da chaminé da Capela Sistina, no Vaticano. Imediatamente, os sinos da Basílica de São Pedro iniciaram um repicar alegre, se estendendo, depois às demais igrejas de Roma, anunciando ao mundo que a Igreja Católica Apostólica Romana tinha um novo Papa.

Foram cinco votações, uma a mais do que na escolha do papa anterior, em dois dias de Conclave, após 13 dias da renúncia de Bento XVI, em 28 de fevereiro de 2013. Os fiéis não arredaram o pé da praça São Pedro durante todo o dia apesar da chuva e clima frio, até que o mundo conhecesse, finalmente, o sucessor de Pedro.

Biografia do primeiro papa latino-americano contada por quem o conhece

Foram necessários 60 minutos para que o Cardeal Protodiácono, o francês Jean-Louis Tauran, chegasse à sacada do palácio apostólico para anunciar: “Eu vos anuncio uma grande alegria: temos Papa! O eminentíssimo e reverendíssimo senhor Jorge Mario, Cardeal da Santa Madre Igreja, Bergoglio, que escolheu como nome Francisco”.

A multidão, ainda aos gritos pelo anúncio, quase não se conteve quando Cardeal Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires, com 76 anos à época, apareceu no balcão da Basílica. Visivelmente emocionado, ele permaneceu mudo por quase 20 segundos olhando com ar grave os fiéis de todas as nacionalidades que o saudavam “O Papa do fim do mundo”. Eram 20h22 em Roma – 16h22 no Brasil.

Francisco, o primeiro Papa latino-americano, primeiro jesuíta e 167º Papa religioso depois de Gregório XVI (1831 a 1846), surpreendeu o povo que estava na praça, ao pedir “um favor”, no encontro inicial: “Peço-vos que rezem ao Senhor para que me abençoe, a oração do povo pedindo a bênção pelo seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração”, declarou, conseguindo calar a multidão que se encontrava em festa há cerca de uma hora, após a saída da fumaça branca, da chaminé, colocada sobre a Capela Sistina.

Rezou com o povo o Pai Nosso e a Ave-Maria. Após a oração, as feições do novo pontífice se abriram e, já mais descontraído, brincou com os fiéis, dizendo: “Sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo à Roma: parece que os meus irmãos Cardeais foram buscá-lo quase ao fim do mundo”. Então, Francisco deu a tradicional bênção papal Urbi et Orbi (à cidade e ao mundo), marcando sua primeira ação.

Não passou despercebido a quantos viram ou pessoalmente ou pela televisão, seu primeiro pronunciamento, as palavras ditas, que, de acordo com Padre Marcial Maçaneiro, indicavam a linha de pontificado que seria dada por ele. “Fraternidade, amor e confiança mútua”, foram as primeiras palavras pronunciadas pelo nosso querido Papa Francisco. Uma verdadeira mensagem de esperança e de paz de que nosso mundo tanto necessita”, analisou o então Bispo da Diocese de Santo André, Dom Nelson Westrupp. O próprio nome escolhido, sugerido pelo Arcebispo Emérito de São Paulo, Dom Cláudio Hummes, também é sinal de que a Igreja sairá da Cúria romana para estar mais próxima dos pobres.

Ao quebrar protocolos após a eleição, dispensando os paramentos papais, ao retornar ao hotel, onde estava hospedado antes do Conclave, pagar a conta, dispensar a limusine do Vaticano e voltar para a Basílica de São Pedro, sua nova residência, de ônibus, continuar usando sapatos pretos, ao invés do tradicional mocassim vermelho, na primeira entrevista com os 5.500 jornalistas do mundo inteiro, afagar o cão-guia labrador de um jornalista deficiente visual, e tantas outras, o Papa deu mostras disso. “Sinais que Francisco nos transmite, com muita naturalidade, de que pretende estar num encontro direto com o Povo de Deus e fazer com que todos se sintam membros da Igreja, essa grande família, como ele falou”, analisou monsenhor André Sampaio, mestre e doutor em direito canônico, em Março de 2013, no Rio de Janeiro.

Matéria originalmente publicada na edição especial do O SÃO PAULO, de 19 a 25 de Março de 2013.

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