SÃO PAULO

Abas primárias

CENTENÁRIO

Há 100 anos sob a intercessão de Nossa Senhora da Saúde

Por Nayá Fernandes
28 de setembro de 2017

Paróquia na zona Sul de São Paulo foi criada em 19 de abril de 1917 e conta com os trabalhos dos Agostinianos Recoletos

Luciney Martins/O SÃO PAULO

A Paróquia Nossa Senhora da Saúde, da Arquidiocese de São Paulo, comemora em 2017 seu centenário. Localizada no bairro da Saúde, ao lado do Metrô Santa Cruz, na zona sul de São Paulo, a Paróquia foi erigida canonicamente no dia 19 de abril de 1917 e dedicada à Nossa Senhora da Saúde, devoção portuguesa iniciada no século XVI.

Em entrevista ao jornal O SÃO PAULO, Frei Adilson Miranda, que está na Paróquia desde 2016, contou a história da construção da atual igreja e falou sobre as diferentes pastorais e grupos que a compõem hoje. Natural de Belém (PA), o Frei pertence à Ordem dos Agostinianos Recoletos e é o 17º pároco da Nossa Senhora da Saúde.

Os Agostinianos Recoletos chegaram no Brasil em 1899 e desembarcaram em Santos (SP). “Muitos frades vieram para o Brasil quando foram expulsos das Ilhas Filipinas. Anteriormente, no século XVI, houve agostinianos na Bahia, mas depois eles acabaram saindo do País para voltar somente no século XIX”, comentou Frei Adilson.

“No bairro da Saúde, eles instalaram-se no dia 1º de abril de 1916 e assumiram uma pequena capela que se chamava ‘Capela de Santa Cruz’. Com o aumento da população e do número de fiéis na Paróquia, perceberam que era preciso começar a construção de uma nova igreja, cujas paredes foram sendo levantadas em torno da pequena capela.

A pedra fundamental da nova igreja, que comporta cerca de 500 pessoas, foi colocada no dia 4 de maio de 1928, e as obras só terminaram em 1959, com a colocação do altar-mor e do restante do presbitério”, contou o Religioso.

Quando foi construída, as únicas igrejas que existiam na região eram a Catedral da Sé e a Paróquia Santa Generosa. Outras igrejas que hoje são também paróquias pertenceram à Nossa Senhora da Saúde, como a Santo Inácio de Loyola, a Santa Margarida Maria e a Santa Rita de Cássia, todas na região da Vila Mariana.

A devoção

A devoção a Nossa Senhora da Saúde teve início em Portugal, na época da peste negra, no século XVI, quando morreram muitas pessoas no país. O dia 20 de abril foi escolhido como data para celebrar Nossa Senhora da Saúde, após o episódio em que um coveiro, enquanto abria covas para os muitos mortos pela peste, encontrou, na terra, uma pequena imagem de Nossa Senhora. No ano seguinte, em 1570, o número de mortes foi diminuindo gradativamente, até acabar.

“Em São Paulo, havia muitos portugueses e, além disso, estávamos no contexto da Primeira Guerra Mundial e da Gripe Espanhola, quando morreram muitas pessoas, inclusive padres. Esses fatores contribuíram para que a devoção crescesse na cidade”, explicou o Frei.

A imagem que está no altar na Paróquia Nossa Senhora da Saúde foi trazida de Portugal, e a festa da Padroeira é celebrada no dia 15 de agosto. Ao lado da Imagem da Padroeira, estão outros santos agostinianos, como Santo Agostinho e Santa Mônica, além de Santo Tomás de Vila Nova e Santa Isabel de Portugal.

Pertença

No boletim paroquial publicado no mês de maio de 2012, por ocasião do aniversário de 95 anos, paroquianos e pessoas que participam da Paróquia há muitos anos deram seu testemunho. Emídio Borges Gomes, por exemplo, participa da Paróquia desde a década de 1950, quando passando em frente à igreja, ele, por curiosidade entrou e, desde lá, nunca mais deixou de frequentá-la. Depois de casado, começou a ir às missas aos domingos com a esposa e os filhos e a participar ainda mais da vida paroquial, através da Conferência Vicentina.

“Vi o sofrimento de alguns pobres morando em péssimas condições, em cortiços. Sob a orientação dos freis, mensalmente distribuíamos leite e sacolas com alimentos”, contou Emídio, que hoje é membro da Pastoral da Liturgia e do canto, além da Fraternidade Secular Agostiniana.

A Paróquia hoje

A Paróquia Nossa Senhora da Saúde mantém um grande número de pastorais, associações e movimentos. Um deles, relacionado à Padroeira, é o serviço Pastoral da Saúde, que conta com atendimento de profissionais voluntários que oferecem atendimento às pessoas carentes, que precisam de algum cuidado médico.

Nesse sentido, há nas dependências da igreja, atendimento odontológico, que ocorre quinzenalmente, aos sábados, das 8h30 às 11h30; atendimento psicológico, que é de responsabilidade de psicólogas que atendem todas as quartas-feiras, no período da manhã e a tarde, a partir das 16h, e aos sábados, às 9h; e uma farmácia, que distribui medicamentos para pessoas de baixa renda, mediante apresentação de receita médica. A distribuição acontece nas terças-feiras, das 14h às 16h, e os remédios são doados por laboratórios, médicos e particulares.

Outro serviço prestado à comunidade é a celebração da missa, diariamente, às 20h. “Em geral, essa missa tem muita participação, pois as pessoas que trabalham até mais tarde ou aquelas que tem algum compromisso aos domingos, podem participar”, disse Frei Adilson.

Pastorais como a Catequese ou Grupos como a Legião de Maria e o Apostolado da Oração fazem parte da vida da Paróquia, bem como aquelas que pretendem prestar serviços às pessoas mais necessitadas, como é o caso das ‘Artesãs de Santa Rita’, que realizam pinturas, bordados e costuras e montam enxovais para bebês cujas mães passam por dificuldades financeiras. Alfabetização de adultos, serviço de escuta, a Pastoral da Comunicação (Pascom) e uma livraria paroquial fazem parte do grande número de serviços comunitários da Paróquia.

Centenário

Como parte das comemorações do centenário, celebrou-se, no dia 7 de maio, um missa solene de abertura, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano e, segundo o Pároco, “todas as festas estão sendo celebradas motivadas pelo centenário”. Um novo projeto de iluminação da igreja foi iniciado e, para outubro, está prevista uma mostra de fotografias.

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