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EM MADRI

Guadalupe Ortiz de Landázuri será beatificada no dia 18

Por Redação/com Opus Dei
10 de mai de 2019

Química espanhola, uma das pioneiras do Opus Dei, vivenciou no trabalho profissional o amor a Jesus Cristo

Arquivo Opus Dei

A cidade de Madri, na Espanha, será o local da cerimônia de beatificação da Venerável Guadalupe Ortiz de Landázuri, que acontecerá no sábado, 18 de maio, presidida pelo representante do Papa Francisco, o Cardeal Angelo Becciu, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

Em outubro de 2018, o Papa Francisco acolheu a petição dirigida pelo Prelado do Opus Dei, o Monsenhor Fernando Ocáriz, e estabeleceu a data de cerimônia de beatificação.

“Guadalupe soube encontrar Deus no desempenho diário do seu trabalho científico e educacional, nas várias tarefas de formação e governo que São Josemaria [Escrivá, fundador do Opus Dei] lhe confiou, e na doença, recebida com grande espírito cristão”, escreveu o Monsenhor na ocasião. Ela será a primeira leiga do Opus Dei a ser beatificada.

 

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Um lar cristão

Guadalupe Ortiz de Landázuri nasceu em Madri, em 12 de dezembro de 1916. Era a quarta filha e única menina do casal Manuel Ortiz de Landázuri e Eulogia Fernández-Heredia, que a educaram na fé cristã.

Manuel Ortiz era militar, e quando a menina tinha 10 anos, por força do trabalho, toda a família mudou-se para Tetuán, no norte de África. Em 1932, voltaram para Madri, onde Guadalupe terminou o Ensino Médio no Instituto Miguel de Cervantes. Em 1933 matriculou-se no curso de Ciências Químicas na Universidade Central. Mais tarde, iniciou o doutorado, porque se queria dedicar à docência universitária.

Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), o pai foi feito prisioneiro, sendo condenado à morte por fuzilamento. Em 1937, Guadalupe, junto com sua mãe e seu irmão Eduardo, conseguiu passar para outra zona de Espanha, onde já se encontrava seu outro irmão, Manolo. Instalaram-se em Valladolid, onde permaneceram até o final da guerra.

Discernimento

Em 1939, os três voltaram a Madri. Guadalupe começou a dar aulas no colégio da Bem-aventurada Virgem Maria e no Liceu Francês. Em 1944, ao assistir uma missa dominical, sentiu-se “tocada” pela graça de Deus. Depois, encontrou um amigo a quem manifestou o desejo de falar com um sacerdote e chegou a Josemaria Escrivá. Em 25 de janeiro daquele ano, foi a um encontro com o sacerdote no primeiro centro de mulheres do Opus Dei.

Por muitas vezes, Guadalupe recordava desse encontro como a sua descoberta da chamada de Jesus Cristo a amá-lo sobre todas as coisas por meio do trabalho profissional e da vida diária. Despois de considerar o assunto na oração e de fazer um retiro espiritual, em 19 de março decidiu responder que sim ao Senhor. Guadalupe tinha 27 anos. A partir desse momento, intensificou o seu trato com Deus. Cumpria com amor as suas ocupações e procurava passar tempos de oração junto ao sacrário.

Missões no Opus Dei

O Opus Dei estava nos seus primeiros anos e, entre as tarefas que havia que realizar, era importante atender a administração doméstica das residências de estudantes que estavam começando, em Madri e em Bilbao. Guadalupe dedicou-se durante uns anos a estes trabalhos. Eram anos de escassez e de racionamento e, a estas dificuldades exteriores, juntava-se o seu esforço por aprender um trabalho para o qual não tinha especial habilidade.

No dia 5 de março de 1950, por convite de São Josemaria, foi para o México levar a mensagem do Opus Dei a essas terras. Matriculou-se no doutorado em Ciências Químicas, que tinha começado em Espanha. Com as que a acompanharam, pôs em funcionamento uma residência universitária. Animava as residentes a levarem a sério os seus estudos e abria-lhes horizontes de serviço à Igreja e à sociedade de que faziam parte. Destacava-se a sua preocupação pelos pobres e idosos.

Com uma amiga médica, criou um dispensário ambulante: iam de casa em casa nos bairros mais necessitados, atendendo às pessoas que moravam ali e facilitando-lhes os medicamentos gratuitamente. Também impulsionou a formação cultural e profissional de camponesas, que viviam em zonas montanhosas e isoladas do país e que muitas vezes não contavam com a instrução básica.

Em 1956, mudou-se para Roma para colaborar mais diretamente com São Josemaria no governo do Opus Dei. Nesse ano surgiram os primeiros sintomas de uma doença cardíaca e teve que ser operada em Madri. Apesar da boa recuperação, a sua cardiopatia tornou-se mais grave e precisou regressar definitivamente à Espanha.

Em seu país natal, retomou a atividade acadêmica e começou uma pesquisa sobre refratários isolantes e o valor das cinzas da casca de arroz para os mesmos. Este trabalho ganhou o prêmio Juan de la Cierva e terminou numa tese de doutorado que defendeu no dia 8 de julho de 1965. Ao mesmo tempo, desenvolveu as suas tarefas docentes como professora de Química no Instituto Ramiro de Maeztu durante dois anos, e na Escola Feminina de Formação Industrial — de que chegou a ser subdiretora — durante os dez anos seguintes. A partir de 1968, participou no planejamento e início do Centro de Estudos e Investigação de Ciências Domésticas (CEICID), de que seria subdiretora e professora de Química de têxteis.

Os que conviveram com ela recordam que era mais compreensiva do que exigente com os outros, e que se percebia que procurava a Deus ao longo do dia: sabia-se olhada por Ele e pela Santíssima Virgem, sempre que podia fazia breves visitas ao sacrário, para falar a sós com Jesus sacramentado, ao mesmo tempo que pensava nos seus alunos ao preparar com rigor e dedicação as aulas.

Sempre com fé

Apesar da sua doença cardíaca, Guadalupe não se queixava e procurava que não se notasse o cansaço que tinha para as tarefas diárias. Esforçava-se por escutar com interesse os outros e queria passar inadvertida.

Em 1975, os médicos decidiram operá-la. Por isso, ela deixou a sua casa em Madri para ingressar na Clínica Universitária de Navarra. Em 1º de julho foi operada. Poucos dias antes, em 26 de junho, tinha falecido em Roma o fundador do Opus Dei. Guadalupe recebeu a notícia com grande dor. Passados poucos dias, quando ainda se recuperava da cirurgia, sofreu uma repentina insuficiência respiratória. Morreu no dia 16 de julho de 1975, festa de Nossa Senhora do Carmo. Em 5 de outubro de 2018, seus restos mortais foram transferidos de Pamplona para o Real Oratório de Caballero de Gracia, em Madri.

O texto do decreto sobre as virtudes heroicas, promulgado pela Congregação para as Causas dos Santos, testemunha como Guadalupe viveu as virtudes em grau heroico e “se entregou inteiramente e com alegria a Deus e ao serviço da Igreja, e experimentou intensamente o amor divino”.

Cura milagrosa atribuída à intercessão de Guadalupe

Durante o verão de 2002, Antonio Jesús Sedano Madrid, de 76 anos, teve uma lesão na pele - semelhante a uma espinha - no canto interno do olho direito que ardia e, às vezes, doía. A lesão não desaparecia e, durante várias semanas, os seus três filhos e alguns amigos o notaram. No entanto, não chegaram a fazer nenhum tratamento.

Em 2 de agosto daquele ano, durante uma consulta oftalmológica em Barcelona, para possível operação de catarata, aproveitou para mostrar ao oftalmologista a lesão da pele ao lado do olho. O médico o encaminhou diretamente para o Hospital de Clínicas de Barcelona, pois suspeitava que tratava de um tumor. Posteriormente, foi diagnosticado um carcinoma basocelular, na forma conhecida como ulcus rodens, um dos tumores malignos mais frequentes da superfície cutânea, quee geralmente acomete idosos e aparece com mais frequência na cabeça e no pescoço. Sua evolução é progressiva e envolve destruição local de tecidos. O tratamento geralmente é cirúrgico e na maioria das vezes resulta na cura do paciente.

No caso de Antonio, o tumor apresentava uma gravidade superior à habitual, já que, pela sua localização - muito próxima ao olho - poderia facilmente invadir os órgãos vizinhos. O médico informou a Antonio que a sua lesão requeria remoção cirúrgica e o reenviou para o especialista em cirurgia plástica. O cirurgião confirmou o diagnóstico: era um carcinoma basocelular. Decidiu-se fazer uma operação urgente para retirá-lo e se explicou ao paciente que era, sem dúvida, um tumor maligno, mas que era possível eliminá-lo por meio de uma cirurgia que deveria ser realizada o mais breve possível.

Antes da cirurgia, Antonio foi ao Oratório de Santa Maria de Bonaigua, onde encontrou uma estampa para devoção privada à Serva de Deus Guadalupe Ortiz de Landázuri e informação sobre a sua vida. Então, começou a pedir-lhe por sua cura. Seus filhos e outros parentes fizeram o mesmo, e Antonio distribuiu várias estampas da Serva de Deus.

Antes de saber quando ia ser operado, Antonio ficou desanimado e assustado. Uma noite, quando ele estava especialmente nervoso, segurando uma estampa de Guadalupe nas mãos, ele disse a ela espontaneamente, com grande fé: “Você pode fazer este milagre, faz com que eu não tenha que ser operado, isso não custa nada, é pouca coisa para você”.

Depois de rezar a Guadalupe, Antonio acalmou-se, dormiu sem interrupção e na manhã seguinte acordou sereno e descansado. Quando se olhou no espelho, descobriu que o ferimento havia desaparecido. Não podia acreditar. Seu humor mudou completamente e naquela manhã até brincou quando deu a notícia a uma filha, que ficou estupefata. A mesma coisa aconteceu com outra filha quando descobriu que o tumor tinha desaparecido de um dia para o outro, sem sequer deixar um sinal.

Quando o cirurgião plástico checou o paciente, constatou o desaparecimento absoluto do câncer, devido a causas desconhecidas. Sua impressão inicial foi de choque. A primeira pergunta que fez foi: "Onde você fez a cirurgia?" Em seguida, Antonio contou-lhe os detalhes da sua cura e a intercessão de Guadalupe Ortiz de Landázuri. A cura, que ocorreu da noite para o dia, foi inexplicável. Na história clínica dessa data está escrito: “O ferimento desapareceu depois de rezar a serva de Deus Guadalupe Ortiz de Landázuri”. Em sucessivas revisões, a cura foi confirmada.

Antonio Jesús Sedano Madrid morreu doze anos depois, em 2014, devido a uma patologia cardíaca. Ele tinha 88 anos de idade. O câncer de pele, que foi curado pela intercessão de Guadalupe Ortiz de Landázuri, nunca mais apareceu.

Processo de beatificação

Como a cura parecia um acontecimento extraordinário, de acordo com histórias clínicas semelhantes, o arcebispo de Barcelona decretou no dia 18 de maio de 2007 a instrução de um processo canônico sobre o milagre e nomeou um tribunal diocesano para a investigação. O processo ocorreu de 25 de maio de 2007 a 17 de janeiro de 2008. No dia 24 de outubro de 2008, a Congregação para as Causas dos Santos confirmou a validade desse processo diocesano.

No dia 5 de outubro de 2017, o conselho médico da Congregação para as Causas dos Santos examinou o caso. Os médicos destacaram os aspectos mais relevantes da cicatrização em estudo: o diagnóstico adequado da lesão, confirmado por médicos especialistas e, principalmente, a sua cicatrização instantânea, sem nenhum tratamento. Os especialistas daquela Congregação declararam que os fatos não são explicáveis do ponto de vista científico.

Sucessivamente, o caso foi submetido ao exame dos teólogos consultores, que na sessão de 1 de março de 2018 declararam comprovada, sem lugar a dúvidas, a relação entre a cura milagrosa de Antonio e a invocação de Guadalupe Ortiz de Landázuri.

Finalmente, na sessão ordinária de 5 de junho de 2018, os cardeais e bispos, membros da Congregação para as Causas dos Santos decidiram que existem elementos suficientes para comprovar que essa cura possa ser considerada um milagre.

No dia 8 de junho de 2018, o Santo Padre, depois de receber do cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, um relatório com toda esta informação, declarou que existem provas do milagre realizado por Deus pela intercessão da venerável Serva de Deus Guadalupe Ortiz de Landázuri.

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