SÃO PAULO

Combate ao coronavírus

Governo de São Paulo não descarta adoção de medidas mais restritivas

Por Daniel Gomes
26 de março de 2020

Circulação de pessoas, em especial de idosos, pode ser limitada se houver aumento de casos do novo coronavírus

Agência Brasil

Em coletiva de imprensa no início da tarde desta quinta-feira, 26, no Palácio dos Bandeirantes, o governador de São Paulo, João Doria Junior, disse que não está descartada a possibilidade de restringir a circulação de pessoas com mais de 60 anos, diante do aumento dos casos do novo coronavírus.

 “Ontem falei com o prefeito Bruno Covas sobre essa perspectiva, e devo informar que ela é real. Se nós continuarmos ainda vendo nas ruas e em áreas de circulação de pessoas que visivelmente têm mais de 60 anos, elas poderão ser abordadas por policiais militares ou agentes da Guarda Civil Metropolitana, recomendando que sigam para suas casas”, afirmou o governador.

Doria disse que ainda não há condições de avaliar se será preciso prorrogar a quarentena sanitária em todo o Estado de São Paulo, que, inicialmente, seguirá até 7 de abril. O governador afirmou que analisa a situação diariamente e toma decisões com base em indicadores e recomendações dos grupos de trabalho.

O Estado de São Paulo registra 862 casos da doença, que nacionalmente já infectou 2.433 pessoas até o começo da tarde desta quinta-feira, um mês após o primeiro caso do novo coronavírus no pais.

O Secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann, lembrou que no início São Paulo concentrava cerca de 90% dos casos, hoje são aproximadamente 30% do total, o que indica a expansão da epidemia por todo o país. Para ele, a situação só não é ainda pior graças às medidas de restrição de mobilidade.

O Secretário disse que talvez sejam necessárias medidas de maior restrição de circulação de pessoas: “Hoje não se está fazendo um isolamento, mas sim um distanciamento social. O próximo passo, se houver necessidade, será o isolamento domiciliar ou social, e se tiver de apertar este cinto ainda mais, teríamos o lockdown, que é o uso da força policial para manter as pessoas em casa. Não estamos nessa situação ainda, mas não sei se estaremos um dia, mas se mantivermos os idosos em casa tal qual um lockdown, nós teremos um comportamento da crise que, talvez, nos favoreça para não colapsar o sistema de saúde”, analisou.

Doria voltou a pedir às famílias que convençam os idosos a permanecer em suas casas e que protejam os grupos mais vulneráveis à doença.

Repasse de verbas

O governador também anunciou que o Estado de São Paulo vai repassar R$ 218 milhões para enfrentamento ao novo coronavírus em 80 cidades paulistas com mais de 100 mil habitantes. O dinheiro será usado para a instalação de centros de referência e hospitais de campanha.

Na sexta-feira, 27, será feito o anúncio de repasses específicos para programas contra o avanço da COVID-19 na cidade de São Paulo; e na segunda-feira, 30, vai ser apresentado o repasse que será feito aos demais municípios do Estado.

Encontros religiosos

Mesmo diante do decreto do Governo Federal que declara as atividades religiosas como essenciais, Doria voltou a pedir aos líderes religiosos que se atentem para a gravidade da pandemia e mantenham os cultos e missas sem a presença de pessoas.

“Eu tenho certeza que aqueles que são dirigentes de Igrejas católicas, evangélicas, anglicanas e de todas as manifestações religiosas, todos eles têm bom senso, equilíbrio e a capacidade de compreender a gravidade da situação em que estamos. Boa parte das igrejas já iniciou missas e cultos não presenciais, estimulando o uso da televisão e de outros canais pela internet, permitindo que os milhões de fiéis possam seguir processando sua fé. Faço um apelo para que os dirigentes de igrejas compreendam a gravidade e as igrejas possam fazer seus cultos virtualmente e não presencialmente”, afirmou Doria.

Para pesquisar, digite abaixo e tecle enter.