SÃO PAULO

Igreja de São Paulo

‘Formação sacerdotal deve corresponder às necessidades da evangelização hoje’

Por Fernando Geronazzo
12 de março de 2018

É o que afirmou o Cardeal Odilo Scherer em encontro com seminaristas e formadores da Arquidiocese, em 28 de fevereiro

Luciney Martins/O SÃO PAULO

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo  Metropolitano,  reuniu-se  com os seminaristas e formadores da Arquidiocese de São Paulo, em 28 de fevereiro. O encontro, realizado no Santuário Nossa Senhora Aparecida, no Ipiranga, marcou o início do ano letivo das casas de formação que compõem o Seminário Arquidiocesano.

A reunião foi a oportunidade de o Arcebispo conversar e celebrar a Eucaristia com os candidatos ao sacerdócio, além de acolher os que ingressaram no Seminário Propedêutico neste ano e saudar os 11 padres e os cinco diáconos ordenados no final de 2017. Também foram apre- sentadas as principais atividades do Se- minário neste ano, com destaque para as missões de férias, que acontecerão entre os dias 30 de junho e 9 de julho.

Na reflexão com os seminaristas, Dom Odilo falou da importância do processo formativo na vida dos sacerdotes e desta- cou alguns aspectos da formação, como a recém-publicada Constituição Apostólica Veritatis  Gaudium,  do  Papa  Francisco, que trata das universidades e faculdades eclesiásticas.  O  Arcebispo  entregou  um exemplar do documento a cada casa de formação, para que seja estudado em vista de uma adequação dos currículos forma- tivos dos candidatos ao sacerdócio. “Que a formação, sacerdotal esteja cada vez mais no ritmo daquilo que é a necessidade da evangelização  hoje,  daquelas  que  são  as grandes urgências. É o que o Papa Fran- cisco deseja e tem manifestado”, afirmou.

O Cardeal Scherer aproveitou a oca- sião para tratar com os futuros padres sobre  o  sínodo  arquidiocesano  de  São Paulo. Segundo ele, o seminário também é uma comunidade da Igreja e, por isso, deve também realizar as reuniões men- sais propostas para este ano de reflexões na base. Os seminaristas também foram orientados  a  participarem  das  ativida- des sinodais das paróquias onde atuam pastoralmente. “O sínodo é um grande momento da vida eclesial. Vocês têm o privilégio de participar desse momento histórico”, salientou.

 

SEMINÁRIO

Fundado há 161 anos, o Seminário Arquidiocesano Imaculada Conceição pas- sou por diversas configurações para cor- responder  às  necessidades  da  formação presbiteral da Igreja em São Paulo. Atu- almente, é constituído do Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Assunção, na Vila Nova Cachoeirinha; do Seminário de Filosofia Santo Cura d’Ars, na Freguesia do Ó; e do Seminário de Teologia Bom Pastor, no Ipiranga. Desde 2011, a Arquidiocese também conta com o Seminário Missionário Arquidiocesano Internacional Redemptoris Mater São Paulo Apóstolo, no Jaraguá, voltado especificamente para a formação de padres do clero secular pre- parados para serem enviados em missão.

Hoje, o Seminário Arquidiocesano conta com 63 seminaristas, sendo seis no Propedêutico, 16 na Filosofia, 21 na Teo- logia, 15 no Redemptoris Mater, além de cinco diáconos.

 

VOCAÇÕES

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Dom José Roberto Fortes Palau, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga e referencial para a Pastoral Vocacional e o Seminário Arquidiocesano, informou que em 2019 acontecerá o 4º Congresso Vocacional o Brasil, que tem a finalidade de trabalhar uma cultura vocacional no País. “Nós estamos percebendo a redução no número de vocações, tanto ao sacerdócio quanto à vida religiosa consagrada masculina e feminina”, disse, dando como exemplo o núme- ro de vocacionados que ingressaram no Propedêutico este ano.

Dom José Roberto reforçou que Deus continua chamando rapazes e moças para a consagração, mas reconhece os desafios para o despertar vocacional. “Hoje nós vivemos numa cultura marcada por uma secularização acentuada. Nas grandes cidades como São Paulo, os jovens têm muitos outros atrativos que fazem com que Deus seja uma opção entre tantas outras”.

 

ETAPAS

Após o despertar vocacional, há um acompanhamento de, no mínimo, um ano feito pela Pastoral Vocacional. Depois, os candidatos ingressam no Propedêutico, etapa preparatória para a Filosofia e Teologia. Desde dezembro de 2016, com a publicação da nova Ratio Fundamentalis, documento da Congregação para o Clero sobre a formação dos sacerdotes, o propedêutico passou a ser uma exigência. “Esta etapa não simplesmente prepara o seminarista para os estudos  filosóficos. É muito mais ampla. Trabalha, por exemplo, a cultura religiosa do seminarista. Atualmente, muitos jovens chegam ao seminário sem uma boa formação religiosa, até sem uma iniciação à vida cristã sólida. Por isso, é oferecida uma formação religiosa complementar”, destacou Dom José Roberto.

A etapa seguinte acontece no Seminário de Filosofia, em que o seminarista permanece por três anos para os estudos filosóficos feitos no Centro Universitário Assunção (Unifai). “A Filosofia ajuda o seminarista a pensar, a refletir, a ter um senso crítico apurado, além de passar a conhecer o pensamento dos principais filósofos, dentre os quais os cristãos, que muito contribuíram para o pensamento filosófico”, explicou o Bispo Auxiliar.

Em seguida, os seminaristas iniciam os estudos teológicos, por quatro anos, na Faculdade de Teologia da PUC-SP. A Teologia proporciona a formação básica para o exercício do sacerdócio. Segundo Dom Odilo, é a parte mais prazerosa dos estudos dos seminaristas, pois permite ao candidato “saborear o mistério da fé a partir dos estudos daquilo que a Igreja crê, prática, celebra e testemunha”. Ao concluírem a Teologia, os candidatos são ordenados diáconos e passam por um ano exercendo o diaconato em paróquias e conhecendo as diferentes realidades pastorais da Arquidiocese.

 

FORMAÇÃO INTEGRAL

Em seu discurso aos membros do Colégio Espanhol São José, em Roma, em abril de 2017, o Papa Francisco destacou que a formação do sacerdote não pode ser apenas universitária, mas deve se apoiar em quatro colunas: formação universitária, formação espiritual, formação comunitária e formação apostólica. “E devem interagir umas com as outras. Se faltar uma delas, a formação começará a claudicar e o sacerdote acabará por ficar paralítico. Portanto, por favor, as quatro juntas, em interação”, disse.

“O mundo atual exige que o presbítero seja preparado intelectualmente, mas tam- bém tem de ser alguém que tenha intimidade com Deus e uma intensa de oração. O padre precisa, ainda, ser um homem equilibrado, sensato, ponderado, mesmo porque é um líder, está à frente de uma comunidade. Nesse aspecto, a formação pas- toral é igualmente importante, pois dá-se no contato com a pastoral em si e seus métodos, a convivência com os párocos e com os fiéis, nas diferentes realidades da Ar-quidiocese”, disse o Bispo Auxiliar. “Tudo isso é avaliado para que, no final de todo esse processo, o candidato tenha as con- dições mínimas para poder ser um bom sacerdote”, completou Dom José Roberto.

 

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