INTERNACIONAL

Esporte e equilíbrio mental

Fator psicológico pode ser decisivo para vencer a Copa

Por Flavio Rogério Lopes
14 de julho de 2018

Especialista em Psicologia do Esporte, afima que a Psicologia é de extrema importância para vitória no campeonato.

Fifa World Cup - Rússia 2018

São 32 seleções, 64 jogos, em um mês de competição. A Copa do Mundo é um torneio curto, de apenas sete jogos para as seleções finalistas, mas intenso e de grande repercussão mundial. Os atletas, portanto, precisam estar preparados para lidar com situações adversas e, diante da pressão, o fator decisivo na disputa pelo título pode estar fora de campo: o psicológico.
 

O SUCESSO SUECO 

Para chegar à Copa do Mundo, a Seleção Sueca superou equipes como Itália e Holanda, nas eliminatórias europeias, e conseguiu uma façanha ainda maior no Mundial: liderar o grupo F, superando o México, Coreia do Sul e a atual campeã mundial, a Alemanha. 

A união da equipe e a solidez defensiva chamaram a atenção na Seleção Sueca, que foi eliminada nas quartas de final da Copa, com a derrota por 2 a 0 para Inglaterra, mas deixou ensinamentos. O conselheiro de psicologia esportiva da Suécia, Daniel Ekvall, recebeu muitos elogios por sua atuação. 

O conselheiro falou sobre a importância do trabalho psicológico e uma boa dinâmica de grupo, para uma equipe como a Suécia, que não tem a mesma qualidade individual de adversários como Alemanha, Itália ou França: “Pode ser uma vantagem competitiva. Há muitas coisas que afetam um jogo e, se pudermos fazer o maior número delas, fortalece nossas chances. Isso inclui bom trabalho em equipe, união e comunicação”, afirmou Daniel Ekvall, em entrevista ao site da Fifa.

“Eu sempre digo que se você trouxer todos os melhores cirurgiões individuais para realizar uma operação juntos, não é certo que eles serão capazes de cooperar bem e a operação será um sucesso. Então, se cobrirmos bem esses outros elementos, será possível vencer as equipes que, no papel, têm indivíduos melhores”, completou. 

O técnico Janne Andersson e o zagueiro Andreas Granqvist, capitão da equipe, destacaram o trabalho do Psicólogo como um componente-chave no sucesso da equipe. “Eu sei muito bem que estamos fazendo isso juntos, trabalhando juntos na equipe de treinamento, os jogadores. Mas é claro que 
me faz feliz se eles pensam que eu sou uma pequena peça do quebra-cabeça”, concluiu Ekvall.

 

O PSICOLÓGICO BELGA 

Quando o espanhol Roberto Martínez, técnico da Bélgica, pediu a contratação do francês Thierry Henry para a comissão técnica belga, o treinador queria colocar junto com os jogadores alguém com a mentalidade vencedora. O carrasco do Brasil na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, quando fez o gol que eliminou a Seleção Brasileira nas quartas de final, percebeu que deveria dar uma atenção especial ao atacante Lukaku. 

Henry era admirador do jovem jogador, mas o via como alguém sem objetividade e que se abatia facilmente, por exemplo, devido a algumas críticas recebidas por sua origem congolesa. Primeiro, o ex-jogador francês procurou conquistar a confiança de Lukaku. Depois, começou a trabalhar em duas frentes: ensinar-lhe os segredos da área e torná-lo mais confiante. O atacante, hoje com 25 anos, seguiu os conselhos, e seu futebol cresceu. Prova disso é que, nos últimos 11 jogos, fez 13 gols. 

Roberto Martínez garantiu na sextafeira, 6, que o estado mental da Bélgica foi mais importante que as alterações feitas antes do jogo com a Seleção Brasileira, que terminou com vitória e classificação belga às semifinais da Copa do Mundo.

“Quando você enfrenta o Brasil, sabe que joga contra os melhores. Você pode tentar fazer coisas e mudanças táticas, mas o mais importante era poder romper a barreira psicológica que representa enfrentar uma equipe como Brasil”, afirmou o comandante, em entrevista coletiva.

Apesar da eliminação belga nas semifinais, após a derrota por 1 a 0 para França, desde que Martínez e seu auxiliar assumiram, em 2016, a Bélgica perdeu uma vez em 24 jogos - para a Espanha por 2 a 0, em 1.º de setembro daquele ano, na estreia da dupla. Depois disso, foram 18 vitórias e cinco empates.

 

MENTALMENTE FORTE 

Segundo Rodrigo Scialfa Falcão, psicólogo, especialista em Psicologia do Esporte, a Psicologia sozinha não ganha campeonato sem as outras áreas, mas é de extrema importância. 

“Sem dúvida, a seleção que tiver o triângulo - parte física, tática e técnica -, e a psicológica for bem trabalhada, terá mais sucesso. Então, não é só a parte psicológica, são várias questões. A Alemanha tem um trabalho psicológico desenvolvido há muitos anos, e é uma referência mundial. Se fosse só pela questão psicológica, eles não teriam sido eliminados da Copa”, afirmou ao O SÃO PAULO

Segundo o especialista, o acompanhamento psicológico é um processo de médio a longo prazo, que precisa ser feito com todo o grupo e não apenas individualmente: “Não adianta, de repente, chegar um psicólogo que não conhece o grupo e a comissão técnica e já esperar resultado”, destacou.

Rodrigo lembrou que fracassos como a derrota do Brasil por 7 a 1 para a Alemanha, em 2014, precisam ser muito bem trabalhados, e, no caso da Seleção Brasileira, que é pentacampeã, há o “peso da camisa”. A questão da mídia e da torcida acompanharem de perto o futebol também influencia. 

“O brasileiro, como já ganhou várias vezes, acha que é simples, que só a gente sabe jogar, e menospreza um pouco o adversário. Então, se não tiver um trabalho psicológico para blindar essas questões, isso acaba afetando os atletas”, concluiu.

(Com informações da Fifa, Terra e Uol)
 
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