NACIONAL

Confissão

‘Eu te absolvo dos teus pecados’

Por Bruno Muta Vivas
05 de abril de 2019

O tempo da Quaresma é propício para a conversão e reconciliação, para se aproximar do sacramento da Confissão

Jovens da Cruz

O Catecismo da Igreja Católica, em seu parágrafo 1457, afirma que “todo fiel que tenha atingido a idade da razão está obrigado a confessar fielmente os pecados graves, ao menos uma vez por ano”. Muitos cristãos, movidos por esse mandamento da Igreja, privilegiam o tempo da Quaresma, propício para a conversão e reconciliação, para se aproximar do sacramento da Confissão.

Contudo, da mesma forma que as práticas da oração, do jejum e da esmola não se resumem somente ao tempo quaresmal, também a confissão dos pecados não pode ser praticada de uma forma minimalista, como algo extraordinário, mas deve fazer parte de uma vida cristã corrente.

 

FONTE DE GRAÇA

A confissão – instituída por Jesus Cristo na tarde da Páscoa, quando disse aos Apóstolos: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados lhes serão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes lhes serão retidos” (Jo 20, 22-23) – não é só uma obrigação de todos e cada um dos cristãos, mas, antes, é um canal de Graça, que perdoa-nos os pecados, reconcilia-nos com Deus e a Igreja e nos confere as forças necessárias e abundantes para lutar pela santidade.

Tal sacramento, muitas vezes chamado de Sacramento da Alegria, pois traz ao coração a paz e a alegria da amizade com Deus, não é uma simples conversa com o padre, nem ao menos um aconselhamento espiritual, em que se pedem luzes para melhor praticar as virtudes cristãs, mas é, sim, um encontro pessoal com Cristo, que diz a cada um dos penitentes: “Meu filho, os teus pecados te são perdoados”; é um correr ao encontro do Pai, como o filho pródigo, e deixar-se amar e querer por Ele.

 

PRÁTICA DE CONFISSÃO

Assim, entende-se o motivo da atual prática da confissão, individual e auricular. No começo do Cristianismo, a prática era a acusação pública dos pecados, e só se admitia a confissão de um mesmo pecado, em algumas regiões, uma vez na vida. Era algo raro e extremamente árduo conseguir o perdão vindo de Deus.

A partir do século VII, os missionários irlandeses, dentre eles São Patrício, levaram à Europa continental a prática privada da penitência, em que a confissão se dava somente entre o sacerdote, que age na pessoa de Cristo, e o penitente, que quer se reconciliar com Deus. Abriase, assim, a possibilidade de, guardada a privacidade e, até mesmo, o anonimato – se usado o confessionário –, os cristãos se aproximarem com mais frequência da misericórdia divina, experimentando em suas vidas o amor individual que Deus tem por cada um.

 

MAS COMO ME CONFESSAR?

Para fazer uma boa confissão, a Igreja aconselha a seguir cinco passos, chamados os atos do penitente, que vão desde a preparação para a confissão até a penitência que se faz depois dela.

 

1° PASSO: O EXAME DE CONSCIÊNCIA

Auxiliado pela luz do Espírito Santo, ver quais são os pecados que mancham a alma. Partindo da verdade revelada por Cristo, o pecador veja em que ainda não está de acordo com a vontade de Deus. 

 

2° PASSO: A CONTRIÇÃO

Buscar ter um sincero arrependimento por ter ofendido a Deus e ao próximo; não é necessário nenhum tipo de sentimento, mas, sim, uma dor interior por ter ofendido Aquele que tanto amou, e ama, a humanidade!

 

3° PASSO: PROPÓSITO DECONVERSÃO

Fazer o firme propósito diante de Deus de não pecar mais, de mudar de vida, de se converter; é olhar para os pecados, para o mal que foi feito, e decidir-se, de uma vez para sempre, nunca mais abandonar o amor de Deus.

 

4° PASSO: A CONFISSÃO

Fazer a confissão a um sacerdote, que tem a autoridade dada por Deus para perdoar. O ato de confessar deve ser objetivo, de forma clara, concisa e completa. Deve-se confessar todos os pecados mortais de que se tiver consciência, chamando-os pelo nome, mas de forma muito breve, sem ficar entrando em detalhes ou tentando se justificar.

 

5° PASSO: A SATISFAÇÃO

Tendo o sacerdote dado a absolvição e algum conselho oportuno, o penitente, já reconciliado, deve cumprir a penitência que o padre indicar para pagar a pena temporal que se deve pelo pecado. É, ainda, a hora de agradecer a Deus a graça de ter concedido o perdão.

 

EXEMPLO DE EXAME DE CONSCIÊNCIA

Neguei ou abandonei a minha fé? Tenho a preocupação de conhecê-la melhor? Recusei-me a defender a minha fé ou tive vergonha dela?

Disse o nome de Deus em vão? Fiz juramentos falsos? Tenho sido supersticioso ou realizei práticas religiosas estranhas à fé cristã? Manifestei falta de respeito pelas pessoas, lugares ou coisas santas?

Faltei voluntariamente à missa aos domingos ou dias de preceito? Recebi a Sagrada Comunhão tendo algum pecado grave não confessado? Recebi a Comunhão sem agradecimento ou sem a devida reverência?

Fui impaciente, fiquei irritado ou fui invejoso? Guardei ressentimentos ou fiquei relutante em perdoar? Fui violento nas palavras ou ações com outros? Fui intolerante alimentando discórdias e inimizades com pessoas que têm opiniões diferentes? Colaborei ou encorajei alguém a fazer um aborto, a praticar eutanásia ou qualquer outro meio de acabar com a vida? Tive ódio ou fiz juízos críticos, em pensamentos ou ações? Falei mal dos outros, levando à maledicência? Abusei de bebidas alcoólicas? Usei drogas?

Vi vídeos pornográficos? Cometi atos impuros, sozinho ou com outras pessoas? Vivo com alguém como se fosse casado, sem que o seja na Igreja? Se sou casado, procuro amar o meu cônjuge mais do que a qualquer outra pessoa? Coloco o meu casamento em primeiro lugar?

E os meus filhos? Tenho uma atitude aberta a novos filhos?

Trabalho de modo desordenado, ocupando o tempo e energias que deveria dedicar à minha família e amigos? Fui orgulhoso ou egoísta nos meus pensamentos e ações? Deixei de ajudar os pobres e os necessitados? Gastei dinheiro com o meu conforto e luxo, esquecendo as minhas responsabilidades para com os outros e para com a Igreja?

Disse mentiras? Fui desonesto ou displicente no meu trabalho? Roubei ou enganei alguém no trabalho? Cedi à preguiça? Preferi a comodidade ao serviço aos outros? Descuidei da minha responsabilidade de aproximar os outros de Deus?

 

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