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Esporte

Etiene Medeiros: a desbravadora de pódios

Por Daniel Gomes
12 de agosto de 2017

A pernambucana de 26 anos, ganhadora da medalha de ouro nos 50m costas no Mundial de Esportes Aquáticos, tem uma instensa de treinos

Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos/Divulgação

Uma das primeiras coisas que Etiene Medeiros fez ao retornar a São Paulo após ganhar a medalha de ouro nos 50m costas no Mundial de Esportes Aquáticos, em Budapeste, na Hungria, em 27 de julho, foi treinar. 

“Na próxima semana, tem o Troféu José Finkel [Campeonato Brasileiro de Natação, entre os dias 8 e 12, em Santos (SP)]. Ontem já treinei, hoje vou treinar também, e nossos planos é de treinar dia a dia, buscando sempre se aprimorar”, disse Etiene, em coletiva de imprensa, no dia 2. 

Aos 26 anos, a atleta do Sesi-SP, nascida em Pernambuco, só não treina aos domingos. Essa é uma das marcas da esportista que agora é a primeira nadadora do País a ser campeã mundial em piscina longa (50m de comprimento); mas que essa rotina não seja confundida com uma pressão por resultados. 

“Comecei este ano bem tranquila. Ter ganho essa medalha foi uma coisa natural”, disse Etiene, que no mundial conquistou o ouro com apenas um centésimo de vantagem sobre a segunda colocada, a chinesa Fu Yuanhui. “Iniciar um ciclo olímpico com uma medalha no mundial é muito bom. Em 2013, no começo do ciclo olímpico passado, fiquei em quarto no Mundial, então agora já foi mais expressivo”, declarou. 

Ser desbravadora de pódios na natação feminina do País tem virado rotina para Etiene. Em 2014, ela foi a primeira brasileira campeã do mundo em piscina curta (25m de comprimento), nos 50m costas. No ano seguinte, no Mundial, em Doha, no Qatar, nessa mesma categoria, ela fez a bandeira do Brasil tremular pela primeira vez em um pódio feminino dessa competição, ao conquistar a prata, além de ter alcançado no Pan de Toronto 2015 dois bronzes, uma prata e um ouro, este nos 100m costas, tornando-se a primeira nadadora do País campeã na história dos Jogos Pan-americanos. 

“Tenho ouvido muito esse nome de pioneira. Fico muito feliz e espero que eu inspire outras atletas a estar entre as melhores do Brasil. Venho quebrando barreiras, venho me sentindo muito mais experiente. Agora é tentar juntar toda essa energia para os Jogos de Tóquio 2020”.

 

Reviravolta e Fé

Hoje consagrada, Etiene passou por momentos de tensão no ano passado. A dois meses do início dos Jogos Rio 2016, a atleta, em um exame antidoping, teve resultado positivo para uma substância proibida, que depois se descobriu estar em um remédio que ela usava para o controle da asma, doença respiratória que a acomete desde a infância. A menos de um mês da Olimpíada, a brasileira foi inocentada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. 

Nos Jogos Rio 2016, Etiene competiu em quatro provas e, embora não tenha conquistado medalhas, foi finalista em uma delas, os 50m livre. 

Em 24 de junho deste ano, Etiene e outros nadadores se encontraram com o Papa Francisco, no Vaticano, um momento que a fez refletir sobre a vida.

“Tem duas coisas que nos fazem acreditar naquilo que fazemos: amor e fé! Quando fui recebida pelo Papa, uma pessoa cheia de luz, o sentimento era só de gratidão. Gratidão por todas as pessoas que acreditam no bem, pela minha família, amigos e todos os guerreiros desse mundo que batalham não só pelas suas conquistas, mas também daqueles que estão ao seu redor; pelos que fazem a natação brasileira, saibam que o verdadeiro topo do pódio é poder compartilhar o que sabemos com os outros e vê-los crescer”, postou em sua página no Facebook, em 29 de junho.

(Com informações da CBDA)
 

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