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Esporte

Estádio do Juventus: um patrimônio histórico na Mooca

Por Flavio Rogério Lopes
22 de abril de 2019

Estádio da Rua Javari ‘contribui para a identidade da paisagem urbana paulistana’, diz Conpresp

Joca Duarte

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) publicou no Diário Oficial do Município, no dia 10, o tombamento do Estádio Conde Rodolfo Crespi, do Clube Atlético Juventus, na Mooca, zona Leste da Capital Paulista. A medida é a confirmação de uma publicação de 18 de agosto de 2017 do Conpresp, que determinava o tombamento.

O principal objetivo é a preservação dos bens de valor histórico, cultural, arquitetônico e ambiental para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados. Para o tombamento do local, o Conselho considerou que o estádio “contribui para a identidade da paisagem urbana paulistana” e “tem valor afetivo, reconhecido pela população local”. Dessa forma, as “características arquitetônicas externas” do estádio deverão ser preservadas.

 

FAMÍLIA CRESPI

A Mooca abriga, desde 26 de abril de 1925, o estádio popularmente conhecido como Rua Javari, inaugurado em 11 de novembro de 1929. Mas há quem diga que não é o bairro que abriga o estádio e, sim, o inverso.

A história começa na fábrica de tecidos da Família Crespi e seus dois times de futebol de várzea: o Extra São Paulo F.C. e o Cavalheiro Crespi F.C. Da união dos dois times, surgiu o Cotonifício Rodolfo Crespi F.C., em 20 de abril de 1924.

O dono da fábrica de tecidos, o imigrante italiano Cavalheiro Rodolfo Crespi, em um gesto de profunda gratidão, deu ao clube que carregava o nome de sua família e de sua fábrica um espaço para que o futebol, que nessa época começava a se popularizar na cidade, pudesse ser jogado em melhores condições. O terreno cedido estava situado na Alameda Javry, 117 – hoje Rua Javari. Naquele momento, mesmo que ainda não existisse, o Clube Atlético Juventus dava seus primeiros passos.

 

MOLEQUE TRAVESSO

No dia 19 de fevereiro de 1930, numa assembleia geral extraordinária, a diretoria do Clube da Mooca resolveu mudar o nome da agremiação. Saía de cena o romântico Cotonifício Rodolfo Crespi F.C. e surgia o Clube Atlético Juventus.

A sugestão do novo nome partiu do conde Rodolfo Crespi. As cores oficiais do clube passam a ser grená e branco. Em setembro do mesmo ano, um fato marcante entraria para a história do Juventus.

Disputando pela primeira vez a elite do futebol profissional, o “Garoto”, como era conhecido, surpreendeu a todos ao vencer a forte equipe corintiana em pleno Parque São Jorge, por 2 a 1. Nascia ali a mística do “Moleque Travesso”, imortalizada nas palavras do jornalista esportivo Thomas Mazzoni, que batizou o feito do novato time da Mooca como uma travessura de um moleque que ousou vencer um gigante em seus próprios domínios.

 

PELÉ NA RUA JAVARI

Foi nesse mesmo estádio, há 60 anos, que Pelé, com apenas 19 anos, marcou, segundo o próprio ex-jogador, o gol mais bonito de sua carreira. Infelizmente, não há qualquer registro em vídeo desse gol. Apenas fotos e a memória de quem estava na Rua Javari, em 2 de agosto de 1959, assistindo àquela partida do Campeonato Paulista permitem recordar o lance com direito a três chapéus em cima de jogadores do Juventus, incluindo o goleiro, na vitória por 4 a 0 do Santos.

O lance aconteceu aos 40 minutos do segundo tempo: o camisa 10 recebeu cruzamento do lateral Dorval, aplicou três chapéus seguidos nos zagueiros Homero e Clóvis. O goleiro Mão de Onça se adiantou tentando parar Pelé, mas levou um chapéu. Antes de a bola cair, Pelé cabeceou para as redes e, em um desabafo, comemorou dando socos no ar, comemoração essa que se tornou sua marca registrada.

(Com informações de Clube Atlético Juventus, Gazeta Esportiva e Prefeitura de São Paulo)
 
 

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