SÃO PAULO

Enchentes

Enchentes em São Paulo preocupam população e poder público

Por Fernando Geronazzo
19 de janeiro de 2019

Conforme projeções do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC-INPE), a estação este ano deve ter temperaturas acima da média histórica

Luciney Martins/O SÃO PAULO

O verão chegou e com ele as fortes chuvas e os transtornos por elas causados. Conforme projeções do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC-INPE), a estação este ano deve ter temperaturas acima da média histórica. O aquecimento é consequência da formação do fenômeno El Niño, que também impacta na incidência das chuvas.

O El Niño ocorre quando há o aquecimento das águas superficiais da porção equatorial do Oceano Pacífico. O vapor d’água mais quente altera os padrões de ventos, causando a variação na distribuição e intensidade das chuvas e na temperatura.

 

40 ANOS DE ALAGAMENTOS

Os fiéis da Paróquia São José, no Jardim Monte Alegre, zona Oeste de São Paulo, enfrentam os constantes alagamentos de suas casas e da igreja-matriz há pelo menos 40 anos. Localizada à margem do córrego Ribeirão Vermelho, na rua José Vicente Ramos, que transborda sempre que chove forte, o templo foi inundado três vezes só no mês de dezembro. No primeiro dia de 2019, houve outro alagamento, que provocou o cancelamento da missa da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.

Os moradores do bairro já perderam as esperanças de ver uma solução, pois, segundo relatam, a briga com o poder público por melhorias no córrego já existe há 40 anos. “Já perdemos as contas de quantas vezes tivemos que cancelar missas e reuniões por causa da chuva. Mesmo quando a água não invade a igreja, o alagamento na rua impede o acesso das pessoas à Paróquia”, relatou o secretário paroquial, Edmilson Gonçalves.

 

TRANSTORNOS

Já virou rotina dos paroquianos lidar com entulhos, lixo e mau cheiro das águas sem canalização que emergem a céu aberto, além dos danos materiais. Quando há o transbordamento do córrego, a água invade a igreja não apenas pelas portas, mas também pelos encanamentos de esgoto.

Apesar dos transtornos, o povo não desanima: ao visitar a igreja no dia seguinte ao último alagamento, a reportagem do O SÃO PAULO encontrou o templo limpo, organizado, sem nenhum sinal de que havia sofrido uma enchente. Ao mesmo tempo, percebeu-se o clima de tensão com a iminência de chuva a qualquer momento.

Padre Jaidan Gomes Freire, Administrador Paroquial, contou que já houve situações em que ele ou o Vigário Paroquial, Padre Admário Gama Cambrainha, tiveram que mandar mensagens aos fiéis para informar que “dessa vez não entrou água na Igreja”.

 

O CÓRREGO

O Ribeirão Vermelho é um córrego de divisa intermunicipal entre São Paulo e Osasco (SP). Em contato com a Arquidiocese de São Paulo, a Prefeitura Regional de Pirituba/Jaraguá, responsável pela área, explicou que o córrego não comporta o volume de água nesta época de chuvas pelo fato de haver construções irregulares ao longo de suas margens, extinguindo praticamente toda a sua área de várzea, que naturalmente serviria para o escoamento das águas nas cheias.

Atualmente, só é possível fazer a limpeza manual do córrego e das margens, pois um serviço com máquinas para o desassoreamento ou aprofundamento da calha tornou-se inviável por causa das ocupações no seu entorno.

 

LIXO E ESGOTO

A Prefeitura Regional também chamou a atenção para o fato de os moradores jogarem muito lixo no córrego, o que agrava o risco de transbordamento, bem como o fato de boa parte do esgoto das moradias do bairro ser despejada nele, sem tratamento.

Em 2017, foi inaugurado o Piscinão Anhanguera, na divisa entre São Paulo e Osasco, que consegue reter o volume de água da chuva que seguiria para Osasco, não alterando muito a situação do trecho da rua da igreja.

A administração regional reconhece a necessidade de outro piscinão acima do vale onde fica o córrego, a fim de conter o volume de água pluvial e o esgoto que desce para o Ribeirão Vermelho, mas não há previsão para essa obra.

A única boa notícia que os moradores do Jardim Monte Alegre receberam nos últimos dias é a aprovação da licitação da limpeza manual das margens do córrego, que será realizada até o fim do mês.

 

OPERAÇÃO CHUVAS DE VERÃO

Para enfrentar esse período, a Prefeitura de São Paulo implantou, em dezembro, a Operação Chuvas de Verão 2018/2019, que tem o objetivo de reunir recursos de órgãos e secretarias municipais, procurando realizar ações de caráter preventivo, de socorro, assistencial e recuperativo. O plano vigora de novembro a abril ou sempre que houver necessidade.

Esses órgãos, em suas áreas de atuação, realizam operações de desobstrução de bueiros e limpeza de ruas, transporte e alojamento de desabrigados, acampamentos e abrigos de emergência, suprimentos para desabrigados e assistência social a vítimas de emergência.

Desse modo, a cidade se organiza para as ocorrências do período intenso de chuvas, como inundações e deslizamentos de encostas, evitando ou minimizando os danos causados.

 

'RESPEITE A CHUVA'

O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), da Prefeitura, também possui um serviço disponível na internet (chuvasdeverao.prefeitura.sp.gov.br), com boletins diários da previsão do tempo, alerta de chuvas fortes e pontos de alagamento.

O canal também contém dicas sobre medidas de segurança a serem tomadas em casos de tempestades, informações sobre o trabalho realizado pela Prefeitura para conter as enchentes, além de orientações sobre como a população pode fazer a sua parte para evitar os alagamentos.

(Com informações da Prefeitura de São Paulo e G1)
 

Responsabilidade de todos

Além das obras e políticas públicas para o combate às enchentes, é importante que cada cidadão tome consciência de sua responsabilidade para que não haja alagamentos na cidade. Para isso, é preciso ter certas atitudes, como:

Contribuir para uma cidade limpa, não jogando lixo nas ruas, rios, lagoas, terrenos baldios etc.;

O lixo deve ser colocado em sacos plásticos, respeitando-se os dias e horários da coleta, de forma a evitar que ele seja espalhado na rua por animais e que seja carregado pelas águas das chuvas;

Não colocar lixo nos vasos sanitários e pias, evitando entupimento da rede de esgotos e da rede de drenagem;

Não deixar materiais de construção sem proteção das chuvas, seja na calçada, seja no terreno, de forma a evitar que parte desses materiais seja levada pelas chuvas para a rede de drenagem e para os rios;

Dar destino adequado ao entulho (resíduos da construção civil), entrando em contato com a empresa de limpeza urbana ou com a Prefeitura, a fim de viabilizar sua coleta;

Se sua comunidade contar com o serviço de coleta seletiva, cada cidadão deve separar o lixo reciclável (metais, plásticos, vidros e papel) do lixo orgânico (restos de alimentos).

Se não tiver, ajude a organizar, procure uma cooperativa de catadores;

Denuncie casos de lançamento irregular de lixo, entulho e esgoto a céu aberto, terrenos baldios, espaços públicos ociosos, beira de rios, encostas etc.

Ligue para a central de atendimento da Prefeitura de São Paulo, pelo telefone 156.

 

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