INTERNACIONAL

Esporte

Em busca da paz, esporte une as Coreias e o mundo

Por Flavio Rogério Lopes
29 de janeiro de 2018

Às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno, Thomas Bach, Presidente do COI, recebe representantes dos comitês olímpicos das duas Coreias
 

COI/Greg Martin

Após meses de crescente tensão militar entre os dois vizinhos, a Coreia do Norte decidiu retomar o diálogo com a Coreia do Sul, o que não acontecia desde dezembro de 2015. Nesse diálogo histórico, foi revelada a intenção dos nortecoreanos de enviar uma delegação de atletas aos Jogos Olímpicos de Inverno, que terão início em 9 de fevereiro, no condado sul-coreano de PyeongChang. 

“A Trégua Olímpica é tão relevante atualmente como era nos tempos antigos. Mais do que nunca, o mundo precisa do espírito olímpico de paz e solidariedade”, afirmou Thomas Bach, Presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI).

COREIA DO NORTE NOS JOGOS DE INVERNO

No sábado, 20, foi realizada uma reunião entre os representantes dos dois países, na sede do COI, em Lausanne, na Suíça, na qual o Comitê autorizou o envio da delegação de atletas norte-coreanos, por meio da assinatura da “Declaração Olímpica na Península da Coreia”. 

“Os Jogos Olímpicos nos mostram o que o mundo poderia parecer se fôssemos guiados pelo espírito olímpico de respeito e compreensão - essa é a mensagem olímpica que PyeongChang está prestes a transmitir ao mundo”, afirmou Bach. 

A Coreia do Norte enviará 22 atletas, que irão competir em três esportes: esqui, patinação artística e hóquei sobre gelo - que pela primeira vez na história terá uma seleção feminina mista, com atletas dos dois países. Também ficou acordado que os atletas da Coreia do Sul e os da Coreia do Norte marcharão juntos sobre uma mesma bandeira na cerimônia de abertura.

AS COREIAS EM JOGOS OLÍMPICOS

As Coreias que estiveram em guerra entre 1950 e 1953, mais uma vez decidiram se unir pelo esporte. A Coreia do Sul participou pela primeira vez das Olimpíadas em 1948, e enviou participantes em todos os Jogos de Verão desde então, com exceção de 1980, em Moscou, na Rússia. 

Nos Jogos de Inverno, os sul-coreanos participaram de todas as edições desde 1948, com exceção de 1952 em Oslo, na Noruega. Os atletas conquistaram um total de 246 medalhas, somadas as participações nos Jogos Olímpicos. 

A primeira participação da Coreia do Norte nas Olimpíadas de Inverno foi em 1964, e a partir de 1972 participou dos Jogos de Verão. O País esteve em quase todos os Jogos, exceto em 1984, em Los Angeles, nos Estados Unidos, e em 1988, em Seul, capital da Coreia do Sul. 

Já nos Jogos de Inverno, os nortecoreanos não mantiveram a mesma fre- quência, tendo apenas sete participações nas últimas 12 edições. Os atletas conseguiram um total de 43 medalhas, somadas as participações nos Jogos. 

TRÉGUA OLÍMPICA 

A Trégua Olímpica não se limita ao recente diálogo entre as Coreias, mas é uma tradição que tem origem na Grécia antiga, berço dos Jogos Olímpicos em 776 a.C. Junto com os Jogos, surgiu o primeiro tratado de paz que se tem registro, prevendo que sete dias antes e sete dias depois dos Jogos Olímpicos qualquer guerra ou disputa estava proibida. Assim, atletas e espectadores podiam viajar para Olimpíada para participar das festividades e voltar para casa em segurança. 

Em 1896, ocorreram em Atenas os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, por iniciativa do francês Barão Pierre de Coubertin, que esperava que os Jogos ajudassem a fomentar a comunicação e a paz internacional. Foi o renascimento dos Jogos, interrompidos na Grécia antiga.

Uma parceria da ONU com o COI negociou o retorno da tradição da Trégua Olímpica, permitindo, assim, que os atletas da extinta Iugoslávia, que enfrentava uma guerra civil, participassem dos Jogos em Barcelona, na Espanha, em 1992.

“Desde a Antiguidade, o esporte age pela paz. Os Jogos Olímpicos da Antiguidade foram criados, e, para o deslocamento, alojamento e retorno ao lar dos atletas, espectadores e comerciantes, foi instituída a Trégua Olímpica.” afirmou Marcos Wilson, colaborador da Pastoral do Esporte da Arquidiocese do Rio de Janeiro durante os Jogos Rio 2016.

Em outubro de 2015, a Assembleia Geral da ONU aprovou a observação da Trégua Olímpica durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, juntamente com a resolução “Esporte para o desenvolvimento e a paz: construindo um mundo mais pacífico e melhor por meio do esporte e do ideal olímpico”. 

“A resolução foi apoiada por 180 dos 193 países membros da ONU, e teve como fato mais relevante o apelo para a ajuda dos países membros para identificar os atletas de alto rendimento que se encontram em situação de refugiados.” concluiu Marcos Wilson.

(Com informações de G1, Agência Brasil, Univesp, ONU e COI) (Colaborou: Daniel Gomes)
 

 

 

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