SÃO PAULO

Arquitetura

Em 2019, Cripta da Catedral da Sé completa 100 anos

Por Nayá Fernandes
10 de mai de 2019

O espaço, inaugurado em 1919, foi pensado pelo arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl e abriga obras de arte e restos mortais de bispos e arcebispos de São Paulo, além de personalidades importantes da história do Brasil

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Ao descer as escadas para adentrar a Cripta da Catedral da Sé, uma sensação de mistério e recolhimento parece compor o local cheio de histórias e espiritualidade cristã. Ali, sete metros abaixo do altar-mor da Catedral, estão os restos mortais de bispos e arcebispos de São Paulo, falecidos desde 1748, do Cacique Tibiriçá, do Regente Feijó e do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.

Ao descer as escadas para adentrar a Cripta da Catedral da Sé, uma sensação de mistério e recolhimento parece compor o local cheio de histórias e espiritualidade cristã. Ali, sete metros abaixo do altar-mor da Catedral, estão os restos mortais de bispos e arcebispos de São Paulo, falecidos desde 1748, do Cacique Tibiriçá, do Regente Feijó e do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.

Os restos mortais de Tibiriçá, por exemplo, foram levados da Igreja Imaculado Coração de Maria, no bairro de Santa Cecília, para a cripta da Catedral em 1930. Já o Padre inventor do balão teve o corpo transladado de Toledo, na Espanha, para a Capital Paulista em 2004, e foi também levado à cripta.

Mas as câmaras mortuárias, que são 32, das quais 18 já foram ocupadas, são apenas alguns dos elementos que valem a visita à cripta. Obras de arte e uma arquitetura única e capaz de deixar vislumbrado quem entra fazem parte do conjunto que contém mármore de carrara e pedra vulcânica no piso em branco e preto, contrastando com os arcos de tijolos com cor quente. Colunas e outros detalhes de granito e uma exposição permanente do Santo Sudário fazem parte do espaço.

No dia da visita da reportagem à cripta, turistas de diversos lugares do Brasil e do mundo conheceram o local pela primeira vez. Entre eles, da cidade do Rio de Janeiro (RJ), de Berilo (MG) e um grupo de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Thais Amanda de Sousa estava com o esposo, Marcos de Figueiredo, e com a filha, Maria Isadora Sousa Figueiredo, de 7 anos de idade.

“Separamos a manhã para conhecer o centro da cidade e fiquei encantada em conhecer a cripta”, disse Thais, que veio do Vale do Jequitinhonha, região nordeste de Minas Gerais, e ouviu falar da cripta na secretaria da Catedral. A maioria dos turistas, porém, obtém informações sobre as visitas guiadas na internet e já chega à Catedral com o objetivo de conhecer o espaço.

 

ARQUITETURA E ARTE

A cripta foi projetada pelo arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl, que projetou também a Catedral da Sé e a Catedral de Santos (SP). Com estilo neogótico, o templo – um dos cinco maiores deste estilo no mundo – foi inaugurado em 1954, ainda em fase de acabamento.

A cripta, por sua vez, foi inaugurada às 8h no dia 16 de janeiro de 1919, quando houve a celebração da primeira missa, presidida pelo Arcebispo à época, Dom Duarte Leopoldo e Silva, responsável pela pedra fundamental da Catedral da Sé, colocada no dia 29 de junho de 1913.

Dom Duarte faleceu no dia 13 de novembro de 1938, antes de a Catedral estar terminada. Na cripta, há uma capela, onde são celebradas missas em ocasiões especiais e acontecem concertos e eventos culturais. 

 

ESCULTURAS

O artista brasileiro Francisco Leopoldo é o autor de duas esculturas de mármore que estão nas laterais da cripta. Uma delas é a representação de Jó e a outra, de São Jerônimo, Doutor da Igreja e tradutor da Bíblia. Francisco era irmão de Dom Duarte e estudou na mesma escola de Victor Brecheret, em Paris, na França, sendo um escultor muito aclamado, tanto em sua época quanto ao longo dos anos.

 

CIDADÃO ILUSTRES

Abaixo da escada, estão os restos mortais de Tibiriçá (nascimento desconhecido-1562) e de Diogo Antônio Feijó (1784-1843). Tibiriçá foi o primeiro indígena a ser catequizado pelo Padre jesuíta José de Anchieta. Já Feijó foi padre e regente do Império, de 1835 a 1837, assumindo o comando do País na ausência de um monarca. Foi sepultado na Igreja da Ordem Terceira Carmelitana e só depois transladado para a cripta.

 

QUEM FOI BARTOLOMEU DE GUSMÃO?

Nascido em Santos (SP), o Padre Bartolomeu de Gusmão, conhecido também como “padre voador”, faleceu em 1724, aos 39 anos, em Toledo, na Espanha, lugar em que ficou sepultado por longo tempo e, só em 2004, foi transladado para o Brasil. 

Os experimentos com uma máquina voadora chamada de aeróstato (balão de ar quente) foram realizados em 8 de agosto de 1709, diante do rei de Portugal Dom João V. A experiência surgiu quando o Padre viu cascas de cebolas se elevarem no ar aquecidas por uma fogueira.

Estéban Náhuel é músico e trabalha como guia da cripta há cinco anos. Como fala Inglês e Espanhol, o jovem recebe muitos grupos estrangeiros e disse que a maior parte dos visitantes se surpreende ao saber que os restos mortais de pessoas tão importantes para a história do Brasil estão ali.

“Além disso, saber que foi um brasileiro, padre, que inventou o balão também é uma descoberta para a maioria dos visitantes”, disse Estéban, que explica todos os detalhes do espaço, bem com a história dos sepultados.

 

SELO COMEMORATIVO

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Brasil lançará, em 5 de setembro de 2019, selos comemorativos por ocasião do centenário da cripta. Será uma série de seis selos, que estão sendo desenvolvidos por um desenhista. O lançamento acontecerá na cripta.

“Essa iniciativa é muito importante, pois envolve um meio de comunicação antigo, o selo e, ao mesmo tempo, abre possibilidades de exploração do espaço. Estamos trabalhando diversas perspectivas de detalhes. Um dos selos, por exemplo, homenageará Dom Duarte Leopoldo”, explicou Camilo Cassoli, do Estúdio Centro.

 

CONCERTOS ESPECIAIS

Para comemorar os 100 anos de inauguração da cripta, serão realizados 30 concertos temáticos em diferentes espaços da Catedral da Sé. Os concertos, promovidos pelo Estúdio Centro, começarão em junho. A programação será divulgada posteriormente nas redes sociais da Catedral da Sé.

 


 

SERVIÇO

Para entrar na Cripta, é necessário adquirir o ingresso na secretaria da Catedral da Sé. A visita é acompanhada de um guia e custa R$ 7,00 por pessoa. Crianças de até 7 anos não pagam.

 

HORÁRIOS:

Segunda-feira: das 9h às 11h30 e das 13h às 16h30

Terça, quarta e quinta-feira: das 9h30 às 16h30

Sexta-feira: das 10h às 16h30

Sábado: das 9h às 15h30

Domingo: das 12h30 às 15h30

Praça da Sé, s/n – Centro

Contatos 

(11) 3107-6832

Site 

Facebook

 

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