NACIONAL

Dia Internacional da Mulher

Elas fizeram toda a diferença

Por Nayá Fernandes
08 de março de 2019

Na história da Igreja, muitas mulheres tiveram a graça de ser elevadas aos altares e de deixar para todos os cristãos testemunhos de vida e santidade

Ao longo da história do povo de Deus, desde o Antigo Testamento, antes mesmo do nascimento de Jesus Cristo, a presença e a força das mulheres foram registradas pelos livros bíblicos. Rute, Raquel, Ana e, já no Novo Testamento, Nossa Senhora, Lídia, Marta, Maria e tantas outras fizeram a diferença e demonstraram grande capacidade de seguir a Deus, respeitando seus mandamentos e ouvindo atentamente a sua Palavra.

Na história da Igreja, muitas mulheres tiveram a graça de ser elevadas aos altares e de deixar para todos os cristãos testemunhos de vida e santidade. São mulheres que deram a vida pela causa do Evangelho e, em muitos casos, tiveram a santidade reconhecida pela Igreja.

O SÃO PAULO selecionou as histórias de algumas dessas mulheres que fizeram a diferença em suas comunidades e cidades de origem e são exemplos para outras de todo o mundo e em todos os tempos.

Alguns dos textos foram retirados do livro “Mulheres que tocam o coração de Deus”, que está em fase de pré-lançamento pela editora Vozes. No livro, Maria Cecília Domezi resgata as histórias dessas mulheres, desde as parteiras do Antigo Testamento até as contemporâneas.

 

MARIA 

Jesus encarnou-se no seio de Maria. Na história da salvação da humanidade, Deus quis contar com uma mulher. A figura da Mãe de Deus representa uma grande fonte de inspiração não apenas para a prática religiosa, mas também para a cultura cristã.

Maria é mãe de Jesus e sua melhor discípula. Venerada e respeitada em muitas religiões, tem um lugar especial na Igreja dos discípulos e das discípulas de Jesus Cristo, como Mãe sempre presente. Os católicos têm para com ela um amor filial e especial veneração, valendo-se da sua intercessão como caminho para chegar a Deus.

Hoje invocada por diferentes títulos, Nossa Senhora é a mulher que precedeu a todos no caminho da esperança, rumo ao Reino de Deus. Sendo a Mãe de Deus, Maria enfrentou muitos desafios. Fiel até a cruz, momento em que ela demonstrou a intensidade de sua fé em Deus, é mãe de Jesus e de todos os que peregrinam rumo à pátria eterna.

 

CECÍLIA

Santa Cecília, conhecida como padroeira dos músicos, foi uma jovem romana que morreu como mártir no fim do século III. Cecília nasceu em Roma, filha de uma família nobre romana. Ela participava da Eucaristia nas catacumbas da via Ápia, onde o Papa Urbano estava refugiado. Ela levava às catacumbas doações para os pobres, que sempre a esperavam por ali.

Noiva de Valeriano, Cecília fez voto de virgindade sem que sua família soubesse e, na noite de núpcias, disse ao seu noivo que, se ele quisesse ser batizado, poderia ver um anjo. Ele assim o fez e, ao voltar para casa, viu o Anjo da Guarda de Cecília. Por causa do testemunho de Cecília, também seu irmão Tibúrcio se converteu ao Cristianismo.

Condenada à morte por ser cristã, Cecília foi decapitada em sua própria casa e permaneceu em agonia por três dias, tempo suficiente para que ela doasse aos pobres todos os seus bens. Sua casa foi transformada em uma igreja.

 

GIANNA BERETTA

Ginna Beretta nasceu em Milão, na Itália, em 4 de outubro de 1922. Desde a juventude, acolheu plenamente o dom da fé e a educação cristã, recebidas de seus pais. Durante os anos de estudos e na universidade, vivenciou sua fé como um compromisso generoso de apostolado entre os jovens da Ação Católica e de caridade para com os idosos e os necessitados nas Conferências de São Vicente de Paulo.

Laureada em Medicina e Cirurgia em 1949 pela Universidade de Pavia (Itália), em 1950 abriu seu consultório médico em Mêsero e especializou-se em Pediatria. Enquanto exercia sua profissão médica, que considerava uma missão, aumentou seu generoso compromisso para com a Ação Católica, e consagrou-se intensivamente em ajudar as adolescentes.

Gianna casou-se em 1955 com o engenheiro Pedro Molla com quem teve três filhos. Mas em 1962, devido a uma complicação do parto, sacrificou a vida pela filha, após repetir muitas vezes a jaculatória “Jesus, eu te amo, eu te amo”. Tinha 39 anos. Foi proclamada santa por São João Paulo II, em 16 de maio de 2004.

 

HILDEGARDA

Hildegarda de Bingen nasceu em Bermershein, na Alemanha, em 1098. Décima filha de uma família, desde pequena demonstrava grande sensibilidade e tinha visões místicas. Aos 8 anos, começou a viver em um eremitério ao lado do mosteiro beneditino, onde recebeu educação e instrução cristãs. Aos 16 anos, ingressou na Ordem Beneditina.

Aos 42 anos, outra visão marcou a vida de Hildegarda, que viu o céu se abrir e uma luz muito intensa que penetrou seu cérebro e aqueceu seu coração. Desde então, começou a compreender os textos bíblicos de maneira intensa e ouviu uma voz que ordenava que ela escrevesse o que via.

Somente após seis anos, ela escreveu uma carta a Pedro de Claraval, pedindo-lhe orientação para o seu dom. Ele recomendou-lhe que escrevesse ao Papa Eugênio III. O Papa enviou uma comissão para examinar os escritos e depois mandou uma carta a Hildegarda aprovando suas visões.

Tornando-se uma das figuras mais importantes da Europa no século XII, foi mística, teóloga, cientista, compositora musical, pregadora, médica naturalista, escritora. Mulher de grande carisma e beleza, também era uma cientista muito popular que cuidava da saúde das pessoas. Falava e agia com autoridade. Foi abadessa de dois mosteiros e escreveu obras muito importantes de Medicina, Teologia e Filosofia, como também composições musicais. Também escreveu muitas cartas endereçadas a papas, bispos, reis e imperadores, sem medo de reprová-los em algumas atitudes.

Hildegarda de Bingen morreu aos 81 anos, em 1179. Em 2012, o Papa Bento XVI a proclamou doutora da Igreja.

 

CATARINA DE SENA

Catarina nasceu em Sena, na Itália, em 1347. Filha caçula de 25 filhos, com pais muito pobres, Catarina não pôde estudar e cresceu com a saúde muito debilitada. Ainda na infância, teve uma visão de Jesus com os apóstolos Pedro, Paulo e João, o que a fez compreender a Igreja como corpo místico de Cristo.

Aos 23 anos, ela teve uma visão de São Domingos e entrou em êxtase e, a partir de então, compreendeu que sua missão era convidar a Igreja e a sociedade a uma reforma, a trilhar um caminho de santidade, justiça e solidariedade. Na busca do bom entendimento e da paz, foi falar com o Papa, com outras autoridades da Igreja e com governantes.

Em Avinhão, na França, o Papa recebeu Catarina e sua comitiva com todas as honras. Além disso, ela falou com muitos cardeais. Alguns deles reconheceram: era o Espírito Santo quem falava por meio dela!

Santa Catarina de Sena morreu em Roma, em 1380. Em 1979, São Paulo VI proclamou-a doutora da Igreja.

 

AGNES BOJAXHIU

Teresa, que nasceu em 1910, na cidade de Skopje, hoje capital da Macedônia, foi batizada com o nome de Agnes Bojaxhiu. Ao completar 18 anos, Agnes sentiu que queria dedicar sua vida ao Reino de Deus e ingressou na Congregação das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, indo em missão para a Índia, em 1929. Após emitir os votos religiosos, escolheu o nome Teresa, devido à sua devoção a Santa Terezinha do Menino Jesus.

Logo depois, Irmã Teresa foi enviada para Calcutá e recebeu a tarefa de se tornar professora em uma importante escola da cidade.

No dia 10 de setembro de 1946, Madre Teresa foi a outra cidade na Índia para um retiro espiritual e, a cada estação em que o trem parava, via uma multidão de desesperados com fome, leprosos, crianças e pessoas com todo tipo de doenças que pediam esmola. Após os dias de retiro, Madre Teresa tomou a decisão radical de deixar a Congregação. Tempos depois, revelou que naquela noite sentiu um chamado de Deus que a levou a tomar tal atitude.

Contudo, só em 1948 Madre Teresa conseguiu a licença do Papa Pio XII para continuar vivendo como religiosa, mas fora do convento. A partir de então, ela estava sozinha e resolveu voltar para um bairro pobre de Calcutá. Começou ali a ajudar os pobres naquilo que fosse possível.

Em 1948, entrou a primeira irmã na ordem que ela fundaria e, em 1950, a Santa já tinha escrito as constituições da nova congregação por ela fundada. Madre Teresa foi canonizada no Jubileu Extraordinário da Misericórdia, em outubro de 2016.

 

EDITH STEIN

Edith Theresa Hedwing Stein, filha de judeus alemães, nasceu em 1891, em Vrastilávia. Seu pai morreu quando ela ainda era pequena, e a mãe a educou segundo os princípios do Judaísmo. Porém, Edith era estudiosa incansável e, aos 13 anos, dizia que era ateia.

Durante a 1ª Guerra Mundial, ela foi para um hospital militar, dedicando-se ao trabalho voluntário, como enfermeira da Cruz Vermelha Alemã. Voltou para a sua cidade em 1916, trabalhando como professora e, no mesmo ano, alcançou brilhantemente o doutoramento em Filosofia. 

Em seus estudos, buscava inspirações cristãs e, ao ler a autobiografia de Teresa de Ávila, entendeu que Jesus Cristo resplandecia no mistério da cruz. Abriu-se ao Evangelho e mudou radicalmente sua vida. Em 1922, foi batizada na Igreja Católica, com o nome de Teresa.

Em 1933, ela ingressou na Ordem das Carmelitas Descalças, fez os votos e seu nome de freira passou a ser Teresa Benedita da Cruz. Em 1942, ela foi aprisionada, levada para o campo de concentração de Auschiwitz e morta na câmara de gás. Foi canonizada por São João Paulo II, em 11 de outubro de 1998.

 

AMÁBILE LÚCIA

Amábile Lúcia Visintainer, Madre Paulina, foi a primeira brasileira a ser canonizada. Ela nasceu no dia 16 de dezembro de 1865, em Vígolo Vattaro, Trentino Alto Ádige, norte da Itália, e recebeu o nome de Amábile Lúcia Visintainer. Imigrou para o Brasil com seus pais, seus irmãos e outras famílias da região Trentina no ano de 1875.

Em 12 de julho de 1890, com sua amiga Virginia Rosa Nicolodi, deu início à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Em 1903, Santa Paulina foi eleita, pelas Irmãs, superiora geral por toda a vida. Nesse mesmo ano, deixou Nova Trento para cuidar dos escravos libertos e dos pobres no Ipiranga, em São Paulo (SP). Morreu aos 77 anos, na Casa Geral em São Paulo, em 9 de julho de 1942, com fama de santidade. No dia 19 de maio de 2002, São João Paulo II canonizou Santa Paulina, reconhecendo suas virtudes em grau heroico: humildade, caridade, fé, simplicidade e vida de oração.

 

TERESA DE ÁVILA

Teresa nasceu em Ávila, na Espanha, em 1515. Teve uma cuidadosa educação cristã e gostava muito de ler a vida dos santos. Ela queria muito ir para a África com seu irmão mais velho e lá converter os mouros.

Aos 13 anos, após a morte da mãe, Teresa foi internada num colégio de monjas agostinianas. Mas, três anos depois, ela fugiu para ser freira no Mosteiro Carmelita da Encarnação, em Ávila. Ali fez os votos com a idade de 27 anos.

Fundadora da Ordem das Carmelitas Descalças, Santa Teresa de Ávila foi responsável por uma grande reforma no Carmelo, fundando 32 mosteiros, 17 femininos e 15 masculinos, com novas regras e uma vida de trabalho e silêncio.

Em seus ensinamentos, que estão em numerosas obras escritas, ela mostra que Deus vive naqueles que nele acreditam. A imagem do castelo interior, muito conhecida, é usada pela Santa para ilustrar esse mistério.

Teresa de Ávila morreu em 1582, com a idade de 67 anos. Em 1970, São Paulo VI a proclamou doutora da Igreja.

 

FRANCISCA DE PAULA

Francisca de Paula de Jesus nasceu no sul de Minas Gerais, em São João del Rei, em 1810. Era neta da escrava Rosa Benguela e filha da ex-escrava Izabel Maria.

A menina era pequena quando sua mãe foi morar em Baependi (MG). De família simples, entre os poucos pertences na mudança estava uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Francisca ficou órfã de mãe aos 10 anos e Nhá Chica se consagrou a Deus em sua própria comunidade, vivendo para socorrer as pessoas necessitadas.

Mesmo analfabeta, conhecia a Bíblia porque outras pessoas liam a Palavra para ela e chegou a compor uma novena à Senhora da Conceição, para quem construiu uma igrejinha ao lado de sua casa, ajudada pelo seu irmão.

Faleceu em 1895, com 87 anos, e foi sepultada na capela por ela construída. Nhá Chica foi beatificada em 2013, em Baependi (MG).

Com informações do livro “Mulheres que tocam o coração de Deus” e do site VaticanVa.
 
 

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