Olimpíada de Matemática terá a participação de 900 mil estudantes

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14 de setembro de 2018

Mais de 900 mil estudantes do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio participam amanhã, 15, da segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). A prova terá início às 14h30, no horário de Brasília.

A Obmep é considerada a maior competição científica do país e tem por objetivo estimular o estudo da matemática e o interesse dos estudantes pela área. Ao todo, participam mais de 50 mil escolas públicas e privadas do país. Foram classificados para esta segunda fase os 5% dos competidores mais bem colocados de cada colégio.

O Ministério da Educação (MEC) recomenda que os estudantes classificados cheguem ao local da prova com pelo menos 30 minutos de antecedência. É necessário apresentar documento original de identificação, como carteira de identidade, certidão de nascimento ou carteira escolar, e o cartão informativo da Obmep.

Tanto o cartão para impressão, quanto informações sobre os locais de prova estão disponíveis na página da competição na internet. A pasta diz ainda que é imprescindível levar lápis, borracha e caneta.

A prova da segunda fase é discursiva e composta por seis questões valendo até 20 pontos cada. Ela é dividida de maneira diferenciada por níveis – o nível 1, para os 6º e 7º anos do ensino fundamental; o nível 2, para o 8º e 9º anos; e o nível 3, para o ensino médio.

 

Recorde de participação

Para a segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática foram aprovados 952.839 alunos, a maioria deles, 906.688 estudantes, de escolas públicas. A primeira fase da Obmep teve a participação de 18,2 milhões estudantes de 54.496 escolas.

Segundo a organização, esta edição da Olimpíada teve um número recorde de estabelecimentos de ensino inscritos, o que representou um envolvimento de 99,4% dos municípios brasileiros na competição.

O evento é promovido pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCT) e realizado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

 

Vencedores

O anúncio dos vencedores está previsto para ocorrer no dia 21 de novembro, na página da competição. Para os estudantes de escolas públicas serão 500 medalhas de ouro, 1,5 mil de prata, 4,5 mil de bronze.

Já os estudantes de escolas particulares receberão 75 medalhas de ouro, 225 de prata, 675 de bronze. A Obmep também homenageará estudantes com menções honrosas. Serão até 46,2 mil menções honrosas para estudantes de escolas públicas e 5,4 mil menções para estudantes de escolas privadas.

 

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USP terá curso gratuito e meninas podem se tornar cientistas

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13 de setembro de 2018

Meninas que sonham ser cientistas contam agora com o incentivo de um grupo de pesquisadoras e cientistas de São Paulo. Trata-se do projeto “Meninas com Ciência – 2ª edição SP: de mulheres cientistas para meninas que sonham”, que pretende levar meninas para a área científica.

“O objetivo é incentivar a inserção de mulheres nas ciências, humanizar a figura de uma cientista, destacar a importância das ciências na formação dessas meninas e para o desenvolvimento do País. Esperamos que, desde pequenas, elas tenham essa mensagem”, explicou a coordenadora do evento, Camila Negrão Signori, professora doutora da Universidade de São Paulo (USP) e atuante na área de Oceanografia Microbiana.

“O ‘Meninas com Ciências’ surgiu no Museu Nacional do Rio de Janeiro, voltado para Paleontologia e Geologia. Lá, elas já estão na quarta edição. No ano passado, foi realizada a primeira edição na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e eu fui uma das palestrantes convidadas. Assim, com amigas pesquisadoras, tivemos a ideia de trazer o projeto para a USP, na expectativa de expandir mais os temas científicos e ter uma procura grande dessas meninas”, contou a coordenadora do evento.

O curso é gratuito e começa no dia 27 de outubro. Serão apresentados conteúdos teóricos e práticos, lecionados por diferentes professoras e pesquisadoras, com os temas oceanografia, astronomia, neurociência, engenharia elétrica, farmacologia, educação, paleontologia, astrobiologia, microbiologia e zoologia. Serão cinco sábados de palestras e atividades práticas em laboratórios do Instituto Oceanográfico (IO-USP), das 9h às 17h.

“Participarão professoras e especialistas de diferentes áreas das ciências. O curso terá uma parte teórica numa linguagem mais acessível a essas meninas, e haverá a parte prática. Nós temos [na USP] uma infraestrutura de laboratórios e de espaço onde essa parte prática pode ser desenvolvida e mostrada para as meninas”, detalhou Camila.

As inscrições podem ser feitas até o dia 10 de outubro Meninas Com CIência. O curso é aberto a garotas que estejam matriculadas entre o 5º e o 9º ano do Ensino Fundamental, tanto em escolas da rede pública como da particular do Estado de São Paulo. De acordo com as organizadoras, as 50 vagas oferecidas serão divididas entre as participantes por meio de sorteio.

Fonte: Agência Brasil

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STF deve retomar hoje julgamento sobre legalidade do ensino domiciliar

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12 de setembro de 2018

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar hoje, 12, a partir das 14h, o julgamento sobre a legalidade do ensino domiciliar de crianças, conhecido como homeschooling.
 
O julgamento foi suspenso na semana passada e houve somente o voto do relator, ministro Luís Roberto Barroso, a favor da modalidade de ensino. Faltam os votos de mais dez ministros.

O homeschooling acontece quando os pais não matriculam seus filhos em escolas públicas ou particulares e orientam os estudos em casa.
 
Em seu voto, Barroso se manifestou a favor do ensino domiciliar por entender que a Constituição trata somente do ensino oficial e não há norma específica para impedir a educação domiciliar.

 

Argumentação

Para o ministro, alguns pais preferem comandar a educação de seus filhos diante das políticas públicas ineficazes na área de educação e dos resultados na qualidade no sistema de avaliação básica, além de convicções religiosas.  
 
Barroso também citou que o homeschooling está presente nos Estados Unidos, Finlândia e Bélgica, entre outros países.
 
“Sou mais favorável à autonomia e emancipação das pessoas do que ao paternalismo e às intervenções do Estado, salvo onde eu considero essa intervenção indispensável", argumentou.
 
Durante o julgamento, o advogado Gustavo Saboia, representante da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), defendeu o ensino domiciliar e disse que cerca de 15 mil crianças estudam por meio desta modalidade no Brasil.
 
A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu a obrigatoriedade da matrícula no ensino regular e o dever de o Estado assegurar a educação gratuita e obrigatória.

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Brasil amplia investimento em educação infantil, diz OCDE

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11 de setembro de 2018

Nos últimos anos, o Brasil aumentou os investimentos em educação infantil até os 5 anos de idade, e ficou à frente de países latino-americanos, de acordo com o relatório Education at a Glance 2018 (Um olhar sobre a educação, em tradução livre), publicado hoje, 11, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O montante gasto por criança, no entanto, ainda é pouco e está entre os mais baixos dos países analisados.

Segundo o relatório, o Brasil passou de um investimento equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas pelo país, em 2010, para o equivalente a 0,7% em 2015 em creches e pré-escolas.

O nível de investimento está abaixo da média dos 35 países que compõem a OCDE, que é 0,8% do PIB, mas está acima de países da América Latina, como Argentina, Colômbia, Costa Rica e México.

Apesar disso, o Brasil investe apenas US$ 3,8 mil por criança por ano nas creches públicas, um dos mais baixos investimentos, tanto entre os países membros da OCDE, maioria formada por países ricos, quanto entre as economias parceiras.  

“Há uma consciência crescente do papel fundamental que a educação e os cuidados na primeira infância desempenham no desenvolvimento, aprendizagem e bem-estar das crianças”, diz o relatório.

E acrescenta: “Pesquisas mostram que o desenvolvimento de áreas de grande importância, como controle emocional, habilidades sociais, linguagem e contagem, atinge o auge nos primeiros 3 anos de vida de uma criança”.

 

Inclusão

Em termos de inclusão, o Brasil também está à frente de países latinos. Segundo o estudo, 22% das crianças de até 3 anos estão na escola. Dados mais atualizados, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que essa porcentagem chegou a 30,4% em 2015.

O índice brasileiro é maior que outros países como Argentina (5%); Chile (20%); Costa Rica (2%) e México (2%). A única exceção é a Colômbia, que incluiu 49% das crianças nas creches. Na pré-escola, de acordo com o relatório, o acesso no Brasil é maior, chega aos 90% aos 4 anos de idade, 97% aos 5 anos e 100% aos 6 anos.

Por lei, pelo Plano Nacional de Educação (PNE), o Brasil tem que ampliar o atendimento para 50% das crianças de até 3 anos de idade até 2024. A estimativa é que 2,4 milhões de crianças precisarão ser incluídas. O país deveria ter universalizado o acesso à pré-escola, aos 4 e 5 anos de idade, até o ano passado.

 

Jovens e adultos

Se na infância o Brasil supera países latino- americanos em inclusão, o mesmo não ocorre na medida em que a idade avança. O país registrou uma das maiores porcentagens de adultos sem ensino médio entre todos os países analisados.

Após os 14 anos, as taxas de educação vão caindo. Entre 15 e 19 anos, 69% seguem estudando e, entre 20 e 24 anos, apenas 29%. Em média, essas porcentagens chegam, entre os países da OCDE, a 85% e 42%, respectivamente.

“Um fator de risco potencial que pode ser associado à queda considerável nas matrículas, particularmente nas idades em que os estudantes deveriam cursar o ensino médio, é a alta incidência de frequência acima da idade no Brasil”, diz o texto.

Para a OCDE, os alunos são considerados acima da idade quando são pelo menos 2 anos mais velhos do que a idade pretendida para a série, principalmente porque repetem de ano.

No Brasil, cerca de 14% dos alunos do último ano do ensino fundamental estão acima da idade pretendida de 14 anos. Entre os países da OCDE, em média apenas 2% dos estudantes estão nessa situação.

 

Investimentos

Em relação ao investimento em toda a educação brasileira, os dados do ensino infantil se repetem: o Brasil investe uma parcela relativamente alta de seu Produto Interno Bruto e no seu gasto público total em educação, no entanto, a despesa por aluno ainda está aquém da maioria dos países da OCDE e das nações parceiras.

O Brasil investe o equivalente a 5,5% do seu PIB. Considerando apenas os investimentos públicos em educação pública, esse percentual chega a 5%. Em média, os países da OCDE investem também 5% do PIB em educação.

Em valores, no entanto, o montante brasileiro é menor. Segundo o relatório, o governo brasileiro aplica, em média, em todos os níveis de ensino, US$ 3,8 mil por aluno, o que equivale a menos da metade da média dos países da OCDE.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que o investimento público em educação no Brasil caiu porque era equivalente a 6% do PIB em 2014.

A meta estipulada pelo PNE é o investimento anual equivalente a pelo menos 10% do PIB em educação pública a partir de 2024.

O plano estabelece ainda a meta intermediária de investimento de 7% do PIB em 2019. De acordo com Inep, para a meta de 2019 ser atingida, será necessário o incremento de aproximadamente R$ 120 bilhões nos recursos para educação pública.

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Alfabetizar é preciso

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08 de setembro de 2018

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), 20% da população mundial é analfabeta. Diante disso, a Organização das Nações Unidas instituiu em 1967 o Dia da Alfabetização, comemorado sempre em 8 de setembro.

Embora a situação da educação no Brasil tenha apresentado melhorias significativas nas últimas décadas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,8 milhões de brasileiros acima dos 15 anos não são alfabetizados. Isso sem contar os chamados analfabetos funcionais que, segundo pesquisas, chegam a 75% da população.

Mas o que é alfabetização? Segundo o dicionário Aurélio, alfabetização é o ato de ensinar os códigos alfabéticos e numéricos e tornar o indivíduo capaz de ler, escrever e interpretar o que lê ou reexplicar o que leu com suas próprias palavras.

 

ANALFABETISMO FUNCIONAL

Analfabetismo funcional é a incapacidade de captar integralmente o sentido do que se lê. Mesmo capacitados para ler frases ou trechos curtos, os analfabetos funcionais não conseguem decodificar e explicar letras, números, dados ou mesmo sentenças curtas. Em outras palavras, são capazes de ler o que está escrito, sem, contudo, compreender o que é dito.

Segundo os dados do Indicador Funcional, resultante de um estudo realizado pelo Instituto Paulo Montenegro (PIM), pela ONG Ação Educativa em parceria com o Ibope Inteligência, apenas 8% da população brasileira entre 15 e 64 anos é plenamente capaz de entender o que lê e expressar-se corretamente.

Segundo o indicador, existe uma escala de classificação de alfabetismo: analfabeto (4%), rudimentar (23%), elementar (42%), intermediário (23%) e proficiente (8%). O índice de leitura do brasileiro também é preocupante. Dados mostram que o brasileiro lê, em média, apenas 1,7 livro per capita por ano, um número menor do que o de países vizinhos mais pobres.

Faculdades e universidades têm oferecido, como disciplina complementar, cursos de Português para alunos de diferentes áreas. A iniciativa é uma maneira de auxiliar os jovens que ingressam no Ensino Superior a recuperar possíveis deficiências do Ensino Básico, Fundamental e Médio.

 

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Diferentes grupos, instituições e movimentos auxiliam na tarefa de alfabetizar adultos. É o caso do Movimento de Educação de Adultos (Mova). Duas turmas funcionam nas dependências da Paróquia São Luís Maria Grignion de Montfort, da Região Episcopal Brasilândia, no Jardim Rincão.

Maria do Carmo Ferreira Braga, 63, trabalha como facilitadora no Mova há 25 anos. Ela é professora de artes plásticas e comerciante. “Comecei na Ação Educativa Católica e, na época, há mais de 20 anos, existia um grupo chamado ‘Projeto’ que recebeu verbas da Alemanha para começar uma escola na Paróquia. Com o tempo, o formato foi mudando, com várias fontes de financiamento. Fiquei quatro anos trabalhando sem receber nenhuma ajuda de custo, e a Paróquia também cedia o espaço de maneira totalmente gratuita. Depois, começamos a receber uma ajuda de custo para levar adiante um projeto”, explicou Carminha, como é conhecida.

Com cerca de 40 alunos matriculados, que têm idade entre 40 e 70 anos, ou mesmo, em alguns casos, com idade mais avançada, as aulas acontecem de segundafeira a quinta-feira, das 19h30 às 22h, e o ensino oferecido corresponde ao Ensino Fundamental, até o 5º ano.

“Os alunos têm dificuldade de participar, mas quando vêm, estão por inteiro. Os mais jovens por causa do trabalho, e os mais velhos por questões de saúde. Mas a ideia do Mova é não discriminar ninguém e integrá-los o máximo possível”, continuou Carminha.

A educadora salientou que a Paróquia sempre cedeu o espaço e ofereceu a todos uma ótima estrutura para as aulas, desde o começo. A experiência de educação de jovens e adultos se repete, e muitas paróquias e comunidades cedem ambientes para atividades que têm como fim a educação.

 

PROJETO ÂNCORA

O Projeto Âncora começou em 1995, inspirado na Escola da Ponte, iniciativa de Educação em Portugal. “Eu e meu marido demos início ao Projeto Âncora, eu arquiteta, ele empresário. No fim de 1996, começamos a receber crianças a partir de um ano e meio na entidade e a oferecer atividades circenses para as crianças do Âncora, e com isso acertamos em cheio. O circo é lúdico por si só, seu espaço circular já é um convite à cooperação, as atividades privilegiam o trabalho coletivo e a disciplina. Tudo é uma grande brincadeira, e como tal, muito séria”, explicou à reportagem do O SÃO PAULO, Regina Celi de Albuquerque Machado, fundadora do Projeto.

Em 1999, em contato com Maria Amélia Pereira, fundadora da Casa Redonda, eles definiram qual caminho educacional seria seguido no Projeto Âncora. “Passamos sete anos frequentando a Casa Redonda diariamente. E quando, há quatro anos, tornamo-nos também uma escola de Ensino Fundamental, essa pedagogia continuou a nos inspirar e alimentar”, continuou Regina.

“Acredito que a criança traz dentro de si os recursos para o seu processo de desenvolvimento físico, emocional e mental, que brincar socializa e é o modo privilegiado de como a criança se apropria do mundo”, disse Regina.

O Âncora foi eleito, em agosto de 2016, uma das 12 escolas mais inovadoras do mundo por um levantamento que rodou o globo, feito por educadores da Fundação Roberto Marinho e seus parceiros, Sesi Nacional e Instituto Inspirare. O levantamento virou uma série do Canal Futura, “Destino: educação – Escolas inovadoras”, com 13 episódios, e um livro com o mesmo nome.

 

BREVÍSSIMA HISTÓRIA DA SOCIEDADE ALFABETIZADA

⇒ As sociedades letradas nasceram entre os séculos V e VI a.C., concomitante ao surgimento do pensamento lógicoempírico na Grécia.

⇒ Os livros começaram a difundir-se após a invenção da máquina de impressão tipográfica, inventada pelo alemão Johann Gutenberg na década de 1430.

⇒ Após as revoluções francesa e industrial, no século XVIII e início do século XIX, a alfabetização se tornou indispensável para a sociedade em geral e difundiu-se na Europa.

 

PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO E BASE NACIONAL COMUM

O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece que, até 2024, todas as crianças sejam alfabetizadas até o 3º ano do Ensino Fundamental. Um total de 77,8% das crianças, até 2014, tinham aprendizado adequado em leitura dentro desse prazo; 65,5%, em escrita; e, 42,9%, em matemática.

A Base Nacional Comum Curricular estabelece conteúdos e competências que todo estudante deve dominar na Educação Básica. A Base será referência obrigatória na elaboração dos currículos de escolas públicas e particulares de todo o Brasil.

Além de dar visibilidade a conteúdos essenciais, a Base determina o que os alunos devem saber a cada ano de escolarização. Desse modo, ajudará professores e escolas a organizar a progressão das aprendizagens em todo o território nacional.

Outro programa que busca diminuir os índices de analfabetismo no País é o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic). A ação é um compromisso formal assumido pelos governos federal, estaduais, municipais e do Distrito Federal para assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade, ao fim do 3º ano do Ensino Fundamental. Isso implica uma articulação entre todos os secretários estaduais e municipais de Educação, com o objetivo de ofertar cursos de formação continuada a professores alfabetizadores, com tutoria permanente e auxílio de orientadores de estudo.

 

——  ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL ——

1549 | Quinze dias depois de os jesuítas chegarem ao Brasil, em 1549, já funcionava uma escola de ler e escrever, que se pode entender como uma das primeiras iniciativas para a alfabetização no Brasil. 

1554 | Em 1554, com a intenção de ensinar e catequizar os indígenas que viviam neste planalto de Piratininga (atual cidade de São Paulo), os jesuítas constroem a primeira escola, feita de pau a pique (técnica de construção com barro, bambu e palha).

1880 a 1920 | Entre 1880 e 1920, aprender a ler era sinônimo de possibilidade de aquisição de novos e variados conhecimentos e escrever era muito mais um ato de boa caligrafia que um meio de se comunicar.

1882 | Em 1882, foi instaurada a Lei Saraiva, que impedia o voto de analfabetos. Como na época a população era de 80% de analfabetos, houve um movimento para a alfabetização

1930 | Quando foi fundado, em 1930, o Ministério da Educação (MEC) era Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública, e além da educação, desenvolvia atividades pertinentes à saúde, ao esporte e ao meio ambiente.

1932 | Em 1932, um grupo de intelectuais, preocupados em elaborar um programa de política educacional amplo e integrado, lançou o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.

1934 | A primeira biblioteca infantil do Brasil foi fundada em 1934, por Cecília Meireles (1901-1964), no Pavilhão Mourisco, no Rio de Janeiro. Em 1934, com a nova Constituição Federal, a educação passou a ser vista como um direito de todos, a ser ministrada pela família e pelos poderes públicos.

1961 | Com a aprovação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em 1961, os órgãos estaduais e municipais ganharam autonomia, com diminuição da centralização do MEC.

1971 | Em 1971 o ensino passou a ser obrigatório dos 7 aos 14 anos.

1980 | No fim da década de 1980, o analfabetismo chegava a 25,41% e 19,9% da população não conseguia concluir os anos iniciais do Ensino Fundamental.

1996 | Uma nova reforma na educação brasileira foi implantada em 1996. Trata-se da mais recente LDB, que trouxe diversas mudanças nas leis anteriores, com a inclusão da educação infantil (creches e pré-escola).


 

PROFESSORA DE CORAÇÃO

Kamila Gomes Fonseca é professora da Rede Municipal de Ensino de São Paulo desde 2006, quando começou como estagiária.

“Ao longo destes anos, percebi que alfabetizar vai além de ensinar as palavras. Cada criança tem o seu tempo, e entre tantas metodologias, acredito que a melhor é aquela que faz a criança ter mais vivências significativas, ou seja, que a possibilite conhecer o mundo da palavra pelo seu próprio mundo”, disse.

Professora na Educação Infantil, Kamila acredita que é essencial possibilitar que as crianças conheçam o mundo da palavra de forma lúdica e tenham um ambiente com letramento.

 

BIBLIOTECA EM CASA

Lydia Silva Gonçalves, 79, mora na Estância Santa Cruz, na cidade de Itanhaém, litoral paulista. Sua garagem transformou-se numa biblioteca improvisada que, além das tantas histórias contadas nos livros, carrega em si a história de Lydia, que em 2016, prestou vestibular para começar outra faculdade, desta vez, de Direito

Analfabeta até os 65 anos, Lydia disse em uma reportagem publicada pela revista Família Cristã, que “começou a viver depois que aprendeu a ler”. Ela ia a pé até o asfalto, a uma distância de pouco mais de dois quilômetros da sua casa, pegar um ônibus até o centro da cidade de Itanhaém. Lá, ela fez Educação de Jovens e Adultos (EJA) para concluir o Ensino Médio e terminou sua primeira graduação, em Pedagogia.

“Tudo começou quando pedi para uma amiga ler o contrato para tentar recuperar algumas terras que eram do meu pai. Mas o contrato dizia que metade das terras iriam para o advogado, se eu ganhasse a causa. Fiquei extremamente chateada e, a partir daquele dia, prometi que não iria mais ser enganada por ninguém”, contou.

Quando terminou a graduação em Pedagogia, a estudante foi convidada para ocupar uma cadeira na Academia de Letras de Itanhaém. Atualmente, Lydia, mãe de cinco filhos, ministra palestras para adolescentes, jovens e adultos, cuida da casa, do quintal e da biblioteca que funciona na garagem de sua casa e é aberta ao público.

Informações e doações: (13) 3429-3228.

 

Fonte: MEC
 

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Desafio do próximo presidente é melhorar qualidade do ensino no país

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06 de setembro de 2018

Os números da educação brasileira são tão grandes quanto o desafio do próximo presidente da República para impulsionar a educação no país. Para assegurar a melhoria da qualidade, serão necessários investimentos em áreas distintas: garantir um ensino médio mais inclusivo e atrativo, ampliar o acesso e o financiamento ao ensino superior e melhorar a formação de docentes.

Na primeira matéria da série sobre desafios da educação, a Agência Brasil aponta os principais problemas do ensino médio, o maior gargalo da educação básica.

A reportagem também apresenta experiências educacionais inovadoras na rede pública. Em parceria com institutos e entidades privadas, essas escolas são exemplos de como a rede pública pode atender com excelência, priorizar currículos que preparem para o mercado de trabalho, além de se preocupar com a diversidade e o desenvolvimento socioemocional de jovens.

 

Educação básica

Na educação básica, atualmente 48,6 milhões de estudantes de 4 a 17 anos estão matriculados em 184,1 mil escolas públicas e privadas, mas cerca de 2,5 milhões não frequentam as salas de aula.

Isso significa que as redes pública e privada atendem 96,4% das crianças e adolescentes brasileiros. Em 1970, esse índice era de 48%, o que mostra a evolução do acesso à educação nos últimos anos no Brasil. O nível de aprendizagem, porém não acompanhou a universalização do acesso.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador de qualidade da educação do país, que mede tanto a aprovação dos estudantes quanto o nível de aprendizagem dos estudantes em português e matemática, mostra que o país cumpre as metas estipuladas apenas até o 5º ano do ensino fundamental. No ensino médio, a meta não é cumprida desde 2013.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), quando saem da escola, ao final do ensino médio, sete a cada 10 estudantes não aprendem o básico em português. O mesmo número tem aprendizado insuficiente em matemática. Na outra ponta, apenas 4,5% dos estudantes alcançaram um nível de aprendizagem considerada adequada pelo MEC em matemática e 1,6% em língua portuguesa.

 

Graduação

No ensino superior, o desafio ainda é a ampliação de matrículas. Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), lei em vigor desde 2014, a taxa bruta de matrículas, ou seja, o número total de estudantes matriculados, independente da idade, dividido pela população de 18 a 24 anos, deve chegar a 50% até 2024 - atualmente é 34,6%. Esse número tem caído nos últimos anos, tanto no setor público quanto no setor privado. Políticas como o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) reduziram o número de beneficiados.

Nas universidades públicas, o orçamento não acompanhou, de acordo com os reitores, o aumento das matrículas e a expansão das instituições que ocorreu nos últimos anos. Os recursos previstos para investimentos em 2018 caíram para quase um quarto do que eram em 2013.

Além disso, sem a ampliação do número de bolsas permanência e outros auxílios - ofertados pelas instituições para estudantes de baixa renda - muitos estudantes que precisariam dos recursos acabam abandonando os estudos.

 

Formação de professores

Os próximos governantes também terão que voltar a atenção a quem trabalha diariamente em sala de aula. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostram que muitos professores não têm formação nas disciplinas que lecionam.  Em 2016, na educação infantil, 53,4% não tinham formação superior adequada à área. No ensino fundamental, o percentual chegava a 49,1% nos anos finais (do 6º ao 9º ano) e 41% nos anos iniciais (do 1º ao 5º ano). No ensino médio, 39,6% não tinham formação adequada.

Há ainda o desafio de valorizar esses profissionais. Atualmente, professores de escolas públicas ganham, em média, 74,8% do que ganham profissionais assalariados de outras áreas, ou seja, cerca de 25% a menos.

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Após um ano no ensino médio, 1 em cada 4 estudantes deixa a escola

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04 de setembro de 2018

O 1º ano do ensino médio e o 6º ano do ensino fundamental têm as maiores taxas de reprovação e abandono dos estudantes, de acordo com dados divulgados hoje, 3, pelo Ministério da Educação (MEC). Essas taxas diminuem ano a ano, mas na avaliação da pasta, ainda são preocupantes.

No 6º ano do ensino fundamental, 15,5% dos estudantes reprovaram ou abandonaram os estudos em 2017. No 1º ano do ensino médio, esse índice aumenta para 23,6%, ou seja, quase um estudante a cada quatro ou repete ou deixa a escola após cursar um ano do ensino médio.

“Quando todos os alunos aprendem, eles não são reprovados. É simples, não estamos falando de coisas distintas. É preciso olhar para a aprendizagem para permitir que meninos e meninas aprendam na escola”, diz o ministro da Educação, Rossieli Soares.

Os dados, divulgados pelo MEC e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), fazem parte do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o principal indicador de qualidade da educação brasileira, que mede tanto a aprendizagem quanto a aprovação dos estudantes. O Ideb é calculado a cada dois anos. Os dados divulgados hoje referem-se a 2017.

O 6º ano do ensino fundamental e o 1º ano do ensino médio são anos que marcam mudanças de etapa. A partir do 6º ano, os estudantes passam a ter aula com vários professores e, no 1º, ingressam no ensino médio. “Essas etapas precisam de atenção, e os estudantes, de acompanhamento escolar, para que aprendam o esperado e possam passar de ano”, disse o ministro da Educação, Rossieli Soares.

Apesar de ainda altos, os índices têm melhorado. Em 2005, a taxa de aprovação no 6º ano era 72,9% e, em 2017, subiu para 84,5%. No 1º ano do ensino médio, no mesmo período, passou de 65,6% para 76,4%.

 

Qualidade

Além do fluxo escolar, o Ideb leva em consideração o aprendizado dos estudantes em português e matemática, medido pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O MEC divulgou as notas das avaliações na semana passada. Os dados mostram que 70% dos estudantes terminam o ensino médio com aprendizado insuficiente em português. A mesma porcentagem se repete em matemática.

Levando em consideração as avaliações do Saeb e o fluxo, o Brasil ficou abaixo da meta estabelecida pelo Ideb para os anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. A meta foi cumprida apenas nos anos iniciais do ensino fundamental.

Sobre os resultados, o ministro Rossieli Soares disse que os anos finais do ensino fundamental merecem atenção, mas que a etapa mais crítica é o ensino médio. “Novamente vemos uma estagnação do ensino médio, que cada vez mais se distancia da meta. Há necessidade muito grande de que a gente logo faça mudanças estruturantes para o ensino médio”.

 

Ensino médio

Segundo a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Cecilia Motta, representante dos secretários estaduais, responsáveis por gerir a maior parte do ensino médio do país, os resultados não são novidades e tem se repetido nos últimos anos. Ela destaca o novo ensino médio, aprovado em lei no ano passado e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como reformas que podem melhorar o ensino. Pelo novo ensino médio, parte da etapa passa a ser flexível e os estudantes podem escolher se aprofundar em matemática, linguagens, ciências humanas, ciências da natureza ou ensino técnico. A BNCC vai orientar a parte comum a todos os estudantes.

“É o momento de repensarmos porque estamos parados há tanto tempo, estagnados há tanto tempo. Professor precisa de formação, o regime de parceria está sendo feito, estamos pensando em uma nova formação, temos a BNCC, o novo ensino médio”, disse Cecilia Motta

“Voltemos a nossos estados e partamos para um novo momento de implementação dos novos currículos, assim que a BNCC for implementada”, conclamou.

Neste ano, pela primeira vez, o Inep divulga o Ideb por escola, no ensino médio. Até a última divulgação, em 2015, eram apresentados apenas os índices do ensino fundamental. Assim, segundo o MEC, será possível mapear onde estão as maiores dificuldades e os maiores gargalos também no ensino médio.

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O desafio da educação segundo Papa Francisco

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31 de agosto de 2018

“O desafio da educação sempre ocupou um lugar central no pensamento do atual Pontífice”. Assim inicia uma longa matéria do padre Antonio Spadaro na última edição da revista dos jesuítas Civiltà Cattolica intitulada: “Sete pilares da educação segundo Jorge Mario Bergoglio”. Padre Spadaro escreve sobre o pensamento e a ação educadora do Pontífice na época que morava na Argentina como pastor e bispo em Buenos Aires. Os sete elementos fundamentais identificados pelo jesuíta são: 1) educar é integrar 2) acolher e respeitar as diversidades 3) enfrentar a mudança antropológica 4) a importância da inquietação como motor educativo 5) a pedagogia da pergunta 6) conhecer os próprios limites 7) viver uma fecundidade generativa e familiar.

A ação educacional amplia os horizontes

Ao lado destes sete pontos, o diretor da Civiltà Cattolica encontra também “palavras chave” que caracterizam a educação: “escolha, exigência e paixão”. Porém para o jesuíta há “uma expressão extremamente sintética que Bergoglio escreveu aos educadores para relançar a ação educacional: “Educar é uma das artes mais apaixonantes da existência e requer incessantemente que se ampliem os horizontes”. Na matéria, também é recordado que “a educação não é um fato exclusivamente individual, mas popular” e que “Bergoglio sempre considerou a escola como um importante meio de integração social”.

Educadores audaciosos e criativos

Para o Papa Francisco é também importante “o acolhimento da diversidade” e que as diferenças devem ser consideradas como “desafios, mas desafios positivos, não problemas”. O desafio educativo, segundo Bergoglio, está ligado “ao desafio antroplógico”. Por isso, escreve Spadaro, “não se pode fingir que não se vê”. Outro tema presente nos pilares educativos de Bergoglio é “a inquietação entendida como motor de educação”. Por isso “o apelo aos educadores para que sejam audaciosos e criativos” e para que nunca se tornem “funcionários fundamentalistas ligados à rigidez de planificações”. Enfim, anota Antonio Spadaro, para Francisco “a educação não é uma técnica, mas uma fecundidade generativa”, “a educação é um fato familiar que implica a relação entre as gerações e a narração de uma experiência”.

 

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STF julga constitucionalidade do ensino domiciliar no Brasil

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30 de agosto de 2018

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar hoje, 30, a constitucionalidade do ensino domiciliar no Brasil. Desde 2015, o tema aguarda uma determinação da Corte. A disputa coloca em lados opostos pais que desejam educar seus filhos em casa e o Poder Público que defende a obrigatoriedade da matrícula e a frequência escolar de crianças e adolescentes. O relator do caso é o ministro Luís Roberto Barroso.

De acordo com Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), o número de famílias que optam pela educação em casa, prática conhecida como homeschooling, tem crescido no Brasil. Em 2018 chegou a 7,5 mil famílias, mais que o dobro das 3,2 mil famílias identificadas em 2016. A estimativa é que 15 mil crianças recebam educação domiciliar no país atualmente.

O julgamento no Supremo deve definir um entendimento único para todos os casos desse tipo que tramitam na Justiça brasileira, estabelecendo o que o tribunal chama de tese de repercussão geral.

Histórico

O caso que será julgado em plenário e servirá de parâmetro para os demais foi levado ao Supremo pelo microempresário Moisés Dias e sua mulher, Neridiana Dias. Em 2011, o casal decidiu tirar a filha de 11 anos da escola pública em que estudava no município de Canela (RS), a aproximadamente 110 km de Porto Alegre, e passar a educá-la por conta própria.

Eles alegaram que a metodologia da escola municipal não era adequada por misturar, na mesma sala, alunos de diferentes séries e idades, fugindo do que consideravam um “critério ideal de sociabilidade”. O casal disse que queria afastar sua filha de uma educação sexual antecipada por influência do convívio com colegas mais velhos.

A família argumenta ainda que, por ser cristã, acredita no criacionismo – crença segundo a qual o homem foi criado por Deus à sua semelhança – e por isso “não aceita viável ou crível que os homens tenham evoluído de um macaco, como insiste a Teoria Evolucionista [de Charles Darwin]”, que é ensinada na escola.

Em resposta, a família recebeu um comunicado da Secretaria de Educação de Canela ordenando a “imediata matrícula” da menina em uma escola. O Conselho Municipal de Educação também deu parecer contra o ensino domiciliar, “por não se encontrar regulamentado no Brasil”.

O casal recorreu à Justiça, mas teve negado um mandado de segurança em primeira e segunda instâncias. Em sua sentença, o juiz Franklin de Oliveira Neto, titular da Comarca de Canela, escreveu que a escola é “ambiente de socialização essencial” e que privar uma criança do contato com as demais prejudica sua capacidade de convívio.

“O mundo não é feito de iguais”, escreveu o juiz. “Uma criança que venha a ser privada desse contato possivelmente terá dificuldades de aceitar o que lhe é diferente. Não terá tolerância com pensamentos e condutas distintos dos seus”.

Diversidade na escola

Para a Advocacia-Geral da União (AGU), as normas brasileiras estabelecem que a educação deve ser oferecida de forma gratuita e obrigatória pelo Poder Público.

“É muito importante destacar que a escola possibilita um aprendizado muito mais amplo que aquele que poderia ser proporcionado pelos pais, no âmbito domiciliar, por maiores que sejam os esforços envidados pela família. Isso porque ela prepara o indivíduo para situações com as quais inevitavelmente haverá de conviver fora do seio familiar, além de qualificá-lo para o trabalho”, diz a AGU.

Para a instituição, nenhum núcleo familiar será capaz de propiciar à criança ou ao adolescente o convívio com tamanha diversidade cultural, como é próprio dos ambientes escolares. "Sendo assim. a escola é indispensável para o pleno exercício da cidadania”, acrescenta. 

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, a educação familiar não encontra amparo na Constituição. “A utilização de instrumentos e métodos de ensino domiciliar para crianças e adolescentes em idade escolar, em substituição à educação em estabelecimentos escolares, por opção dos pais ou responsáveis, não encontra fundamento próprio na Constituição Federal".

Há oito anos, o Conselho Nacional de Educação (CNE) emitiu um parecer orientando que as crianças e os adolescentes sejam matriculados em escolas devidamente autorizadas. O CNE também entende que a legislação vigente enfatiza “a importância da troca de experiências, do exercício da tolerância recíproca, não sob o controle dos pais, mas no convívio das salas de aula, dos corredores escolares, dos espaços de recreio, nas excursões em grupo fora da escola, na organização de atividades esportivas, literárias ou de sociabilidade, que demandam mais que os irmãos apenas, para que reproduzam a sociedade, onde a cidadania será exercida”.

Direito à dignidade

Na avaliação das famílias favoráveis ao homeschooling, a educação domiciliar garante o direito à dignidade e ao respeito, assegurando uma educação mais individualizada e, portanto, mais efetiva.

“Mesmo nas melhores escolas, a educação necessariamente é provida de forma massificada, sem atentar para as necessidades específicas de cada criança e sem prover a elas as técnicas, os instrumentos e as metodologias do ensino-aprendizagem mais adequadas e qualificadas ao tempo presente”, diz a Aned.

“Estamos buscando a autonomia educacional da família, não somos antiescola, não estamos lutando contra escola, apenas somos a família buscando uma nova opção que, no nosso entender, é melhor para o nosso filho”, diz o presidente da Aned, Rick Dias.

Ele conta que tirou os filhos da escola há oito anos, quando a mais velha tinha 12 anos e o mais novo, 9. Hoje, a mais velha cursa relações internacionais em uma universidade particular. “Não cremos que o Estado deva definir como devemos educar nossos filhos”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ACNUR e parceiros lançam relatórios em SP sobre educação de pessoas refugiadas

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29 de agosto de 2018

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) lança nesta quarta-feira, 29, em São Paulo, na Faculdade Belas Artes (Rua Dr Álvaro Alvim, 90), o relatório global “Turn the Tide: Refugee Education in Crisis” (Inverter a Tendência: Educação de Refugiados em Crise, tradução literal).

O documento mostra que, apesar dos esforços de governos, ACNUR e parceiros, a matrícula de crianças refugiadas em instituições de ensino no mundo não está acompanhando o crescimento da população refugiada. São 4 milhões de crianças refugiadas que estão fora da escola, um aumento de 500 mil pessoas em um ano.

Outro relatório a ser lançado na ocasião é o “Cidadãs do Mundo”, que trata do desenvolvimento escolar de crianças que são atendidas pela ONG Eu Conheço Meus Direitos/I Know My Rights (IKMR) na cidade de São Paulo e região metropolitana, cujo projeto é financiado pelo ACNUR.

A Compassiva, outra organização parceira do ACNUR, apresentará dados mais recentes sobre o processo de revalidação de diplomas de pessoas refugiadas no Brasil, elemento fundamental para fazer com que possam conquistar postos de trabalhos condizentes com suas respectivas formações e dar continuidade aos estudos.

O Sesc-SP também compõe a mesa de debates para apresentar dados e informações referentes aos cursos de aprendizagem de português para refugiados e sobre as capacitações que a instituição realiza junto aos professores da rede pública de ensino em São Paulo.

Serviço

Lançamento de relatórios sobre o contexto de educação de refugiados no Brasil e no mundo
Dia: 29 de agosto de 2018 (quarta-feira)
Horário: 15h00
Local: Faculdade Belas Artes – Auditório da Unidade 2 – Rua Dr Álvaro Alvim, 90 – São Paulo

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