‘O maestro que rege uma orquestra: tem que saber dar direito, voz e vez a cada um’

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15 de outubro de 2018

A história que começa a ser contada nasce na rua Brigadeiro Godinho dos Santos, número 374, na Vila Pirituba, em São Paulo (SP). Lá pelas 7h, quando toca o sinal, os alunos vão entrando e cada um se dirige à sua sala de aula. Pouco a pouco, o encontro com os professores acontece. Desde o berçário até o 9º ano do Ensino Fundamental, vindos das redondezas do bairro e, quem sabe, de outros mais distantes, trazem sonhos, dúvidas e o ‘esperançar’ que faz com que o verbo se torne a mudança social, por meio da transformação das pessoas.

No meio deles, está ela, Maria Lúcia Peviani Jacob, 70, a mais antiga, a idealizadora do Colégio Aldeia dos Pandavas. Comemorando em 2018 Bodas de Ouro, em 1968, não nascia apenas uma professora, mas uma mulher que buscaria por meio da educação compreender o ser humano da maneira mais ampla possível.

A professora que, ao longo de 50 anos, passou por vários lugares da cidade e pôde experimentar toda forma de educar, salientou que a escolha pela profissão vem da estrutura familiar e do amor por crianças: “Um pai que sempre amou o conhecimento, instruiu a família a ser curioso, buscar respostas. Uma mãe que ensinou que amar é muito importante e ter consideração é indispensável, eu já gostava do ser humano desde pequena”.

O SINAL TOCA PELA PRIMEIRA VEZ

Ao terminar o Ensino Médio, à época chamado ginásio, no Colégio Sagrado Coração de Jesus, iniciou a formação para ser Docente, ainda era pouco comum o estudo em faculdade, a formação em Pedagogia ocorreu quando já estava grávida do terceiro filho.

Em 1971, ainda como substituta, ingressou na Prefeitura de São Paulo, três anos mais tarde, efetivada, permaneceu em sala de aula até 1985, a partir disso, assumiu cargos de direção até se aposentar em1996. No ano seguinte, inaugurou o colégio que, em 2018, completou 21 anos.

UMA CAIXA DE BIS

Era período de Páscoa. Trabalhando na Escola Municipal Tenente Aviador Frederico Gustavo dos Santos, quando a cidade chegava ao fim, local em que a realidade periférica era exorbitante. Em memória da data, sugeriu aos 38 alunos da classe que levassem algo para que fosse partilhado.

“Era o terceiro mês que eu estava dando aula lá, e eu recebi uma caixa de bis, para 38 crianças. Eu nunca vou esquecer do ‘escasco’ [do quão trabalhoso] que foi ter que sair para dar conta, pois eu não conseguia olhar para uma classe de 38 alunos, olhando para uma caixa de bis. Eu tive que aprender a lidar com o meu fazer com as coisas a partir da realidade local”, contou.

Ter sensibilidade para perceber a realidade que está a sua volta faz toda a diferença no ato de educar.  

Outro aspecto tratado por Maria Lúcia é a questão da proximidade com os alunos e do amor que é depositado nesta missão: “Para mim, é um desafio eterno vencer essas distancias, ter que trabalhar em prol de alguém –, existem tantas crianças, com tantas nomeações, mas cada uma com um grau de conhecimento, de compreensão”.

MAESTRO

“Entender de ser humano eu digo que foi o grande desafio da minha vida. Eu entendo muito de criança e gosto muito de enxergar as questões que estão por de trás, pois o que está muito aparente, as pessoas captam com facilidade”, contou.

Sobre o contato com os alunos e possíveis estratégias, a educadora enfatizou que ao longo de tantos anos, pôde aprender muitas coisas e, principalmente, de que não se deve fazer uma descrição prévia dos alunos.

É importante, segundo ela, construir mediações capazes de revelar o melhor do outro, considerando o que aquela criança traz dentro de si, a história por trás das ações: “Eu já vi tantos alunos se transformarem no processo educativo, ser capaz de tantas façanhas”.

A disponibilidade é para ela, o princípio mais importante do educador, reconhecer o que faz um aluno ter dificuldades em apreender, a decisão tomada por um adolescente que passa por algum momento conturbado: “É como um maestro que rege uma orquestra – ele tem que saber dar direito, voz e vez a cada um”, completou.

Como diretora, Maria Lúcia busca sempre valorizar o trabalho coletivo e deixa de conselho, para os profissionais que com ela estão, o pensamento de que jamais é permitido desistir, que a coragem é a essência do professor: “Nós vencemos dragões quando temos ânimo, entusiasmo e, quando damos valor aquilo que vem as nossas mãos. Eu não gostaria nunca de perder o otimismo”, concluiu.

 

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‘O Brasil não é um país leitor, que incentiva a prática da leitura de forma constante e prazerosa’

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12 de outubro de 2018

No Brasil, existem diferentes datas celebrativas sobre a prática da leitura. Além de ser o dia dedicado às crianças e a Nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro, é desde 2009, o Dia Nacional da Leitura. Pretendendo estimular a sociedade sobre sua importância já nos primeiros anos de vida e contribuir com o aumento da produção literária no País, que a lei Nº 11.899/09 prevê que, anualmente, este dia seja enaltecido no meio cultural e escolar.

Entretanto, ainda é pouco comum entre os brasileiros o ato de ler, muitos alegam falta de tempo, e até mesmo desinteresse. Fato é, que não se estimula a leitura logo no início da vida e quanto mais tarde for, menos provável a sociedade se tornará consciente nos benefícios que a leitura oferece.

CULTURA DO LER

O pedagogo Rodrigo França salientou que o Brasil não um país que estimula a leitura, pelo contrário, é apresentado como algo de obrigatoriedade: “O Brasil não é um país leitor, que incentiva a prática da leitura de forma constante e prazerosa. Infelizmente em algumas escolas, a leitura é vista com algo direcionado a execução de tarefas – ‘leia para responder às perguntas’, ‘leia para fazer resumo’. Assim, constrói-se uma cultura de leitura obrigatória, maçante e não prazerosa”.

Rodrigo disse, ainda, que tal prática deve ser estabelecida já durante a gestação, por meio do diálogo, e da leitura nesse período e logo nos primeiros anos de vida da criança, deve ser contínua e ligadas a imaginação, dramatização e exploração de diversos portadores textuais. Segundo ele, isso irá contribuir com a familiarização da criança com as palavras.

No âmbito escolar, a metodologia deve ser semelhante, utilizando a leitura no processo de socialização, proporcionando o acesso a diferentes livros e temas: “Isso não garante uma pessoa assídua à leitura, mas sim, um incentivo a ela, pois devemos nos lembrar que o processo é de mão dupla, e conta com o interesse de todos os envolvidos: escola, família e criança”.

Ainda na perspectiva de formação social da criança, o pedagogo reiterou que o avanço do letramento influencia nas relações interpessoais são maiores do que de uma criança que ainda não tenha aprendido a ler. Ele caracteriza a importância como a possibilidade de ser, sonhar, viver, participar de forma ativa e crítico-produtivo nos meios, respondendo às demandas sociais.

Rodrigo rememorou que mudanças podem ser percebidas ao longo dos anos, e destacou que a tecnologia é um dos responsáveis pelo aumento no número de leitores. Feira de livros - como a Bienal Internacional de São Paulo, implantação de bibliotecas nas escolas e discussão curricular que contempla a leitura nas práticas pedagógicas.

AINDA FALTA MUITO

“Mesmo diante desses avanços, ainda estamos engatinhando na disseminação da cultura da leitura no Brasil, e não adianta ter diferentes formas e possibilidades de acesso e práticas, se não aceitarmos dentro de nós, educadores, essa importância, necessidade, condição e assim buscarmos mudar nosso perfil, na intenção de melhoria de um todo”, disse.

Para ele, faltam medidas que possibilitem ainda mais esse acesso aos livros e existe uma condição capitalista, que resulta em valores altos, que não consideram a diferença socioeconômicas do País.

PLANO NACIONAL DO LIVRO E LEITURA

Iniciada em 2006, com a Portaria Interministerial Nº 1.442, de 10 de agosto, firmada pelos Ministérios da Cultura e Educação e instituída em 1º de setembro de 2011 pelo decreto Nº 7.559 assinado pela ex-presidente Dilma Rousseff, sua proposta central é propor uma dimensão de Política de Estado, que contemple de forma orgânica, programas e projetos que abrangem os Ministérios da Cultura e Educação, os governos estaduais e municipais e todos os setores interessados no tema.

Quatro eixos orientam o plano, são eles: Democratização do acesso, Fomento à leitura e à formação de mediadores, Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico e Desenvolvimento da economia do livro.

Durante 2005 e 2006, 150 reuniões foram realizadas para compor o documento. Contribuíram com sugestões toda a cadeia produtiva do livro – editores, livreiros, distribuidores, gráficas, fabricantes de papel, escritores, administradores, gestores públicos e outros profissionais do livro –, bem como educadores, bibliotecários, universidades, especialistas em livro e leitura, organizações da sociedade, empresas públicas e privadas, governos estaduais, prefeituras e interessados em geral.

O texto final só foi aprovado em 19 de dezembro de 2006, durante um encontro na Câmara Setorial do Livro e Leitura (CSLL). Este texto esteve em vigor até a realização de uma edição em 2010, antes da assinatura do decreto pelo Governo Federal.

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Alfabetizar é preciso

(Com informações Ministério da Cultura)

 

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Escolas públicas abrem inscrições para alunos que ingressarão em 2019

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01 de outubro de 2018

O ano letivo ainda está longe para os alunos que abandoram a escola ou aqueles que ainda não ingressaram no ensino público, mesmo assim já estão abertas para as rede de ensino estadual e municipal as incrições de novos alunos.

A partir desta segunda-feira, 1, as escolas públicas – municipais e estaduais – de São Paulo abrem as inscrições de novos alunos para 2019. Crianças, jovens e adultos que hoje estão fora da rede devem fazer o pré-cadastro presencial até 31 de outubro.

Atualmente, estudam na rede estadual paulista cerca de 3 milhões e seiscentos mil alunos. Para eles a inscrição para o próximo ano é automática e também, mediante consulta prévia dos pais, para crianças com idade mínima de seis anos completos que estão na pré-escola pública.

 

FUNCIONAMENTO E INSCRIÇÃO

De acordo com o Estado, os sistemas são integrados e há vagas do ensino fundamental (1º ao 9º ano) e médio (1ª a 3ª série) regular, integral e EJA (Educação para Jovens e Adultos).

Para menores de 18 anos, o processo é realizado por pais ou responsáveis. Os interessados precisam informar nome completo do estudante, data de nascimento, endereço residencial e telefone para contato. A Secretaria da Educação também recomenda a apresentação dos documentos de certidão de nascimento e comprovante de residência. 

A lista de endereços das escolas da Secretaria do Estado de São Paulo está disponível no Portal da Educação. Na página, clique na opção "Localize uma escola” e inicie a busca por Diretoria de Ensino, município, ciclo escolar ou pelo nome da unidade de ensino. 

A confirmação será divulgada em dezembro na mesma unidade onde foi feito o cadastramento. 

(Com informações de Rádio 9 de julho e "A cidade on")
 

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Olimpíada de Matemática terá a participação de 900 mil estudantes

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14 de setembro de 2018

Mais de 900 mil estudantes do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio participam amanhã, 15, da segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). A prova terá início às 14h30, no horário de Brasília.

A Obmep é considerada a maior competição científica do país e tem por objetivo estimular o estudo da matemática e o interesse dos estudantes pela área. Ao todo, participam mais de 50 mil escolas públicas e privadas do país. Foram classificados para esta segunda fase os 5% dos competidores mais bem colocados de cada colégio.

O Ministério da Educação (MEC) recomenda que os estudantes classificados cheguem ao local da prova com pelo menos 30 minutos de antecedência. É necessário apresentar documento original de identificação, como carteira de identidade, certidão de nascimento ou carteira escolar, e o cartão informativo da Obmep.

Tanto o cartão para impressão, quanto informações sobre os locais de prova estão disponíveis na página da competição na internet. A pasta diz ainda que é imprescindível levar lápis, borracha e caneta.

A prova da segunda fase é discursiva e composta por seis questões valendo até 20 pontos cada. Ela é dividida de maneira diferenciada por níveis – o nível 1, para os 6º e 7º anos do ensino fundamental; o nível 2, para o 8º e 9º anos; e o nível 3, para o ensino médio.

 

Recorde de participação

Para a segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática foram aprovados 952.839 alunos, a maioria deles, 906.688 estudantes, de escolas públicas. A primeira fase da Obmep teve a participação de 18,2 milhões estudantes de 54.496 escolas.

Segundo a organização, esta edição da Olimpíada teve um número recorde de estabelecimentos de ensino inscritos, o que representou um envolvimento de 99,4% dos municípios brasileiros na competição.

O evento é promovido pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCT) e realizado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

 

Vencedores

O anúncio dos vencedores está previsto para ocorrer no dia 21 de novembro, na página da competição. Para os estudantes de escolas públicas serão 500 medalhas de ouro, 1,5 mil de prata, 4,5 mil de bronze.

Já os estudantes de escolas particulares receberão 75 medalhas de ouro, 225 de prata, 675 de bronze. A Obmep também homenageará estudantes com menções honrosas. Serão até 46,2 mil menções honrosas para estudantes de escolas públicas e 5,4 mil menções para estudantes de escolas privadas.

 

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USP terá curso gratuito e meninas podem se tornar cientistas

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13 de setembro de 2018

Meninas que sonham ser cientistas contam agora com o incentivo de um grupo de pesquisadoras e cientistas de São Paulo. Trata-se do projeto “Meninas com Ciência – 2ª edição SP: de mulheres cientistas para meninas que sonham”, que pretende levar meninas para a área científica.

“O objetivo é incentivar a inserção de mulheres nas ciências, humanizar a figura de uma cientista, destacar a importância das ciências na formação dessas meninas e para o desenvolvimento do País. Esperamos que, desde pequenas, elas tenham essa mensagem”, explicou a coordenadora do evento, Camila Negrão Signori, professora doutora da Universidade de São Paulo (USP) e atuante na área de Oceanografia Microbiana.

“O ‘Meninas com Ciências’ surgiu no Museu Nacional do Rio de Janeiro, voltado para Paleontologia e Geologia. Lá, elas já estão na quarta edição. No ano passado, foi realizada a primeira edição na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e eu fui uma das palestrantes convidadas. Assim, com amigas pesquisadoras, tivemos a ideia de trazer o projeto para a USP, na expectativa de expandir mais os temas científicos e ter uma procura grande dessas meninas”, contou a coordenadora do evento.

O curso é gratuito e começa no dia 27 de outubro. Serão apresentados conteúdos teóricos e práticos, lecionados por diferentes professoras e pesquisadoras, com os temas oceanografia, astronomia, neurociência, engenharia elétrica, farmacologia, educação, paleontologia, astrobiologia, microbiologia e zoologia. Serão cinco sábados de palestras e atividades práticas em laboratórios do Instituto Oceanográfico (IO-USP), das 9h às 17h.

“Participarão professoras e especialistas de diferentes áreas das ciências. O curso terá uma parte teórica numa linguagem mais acessível a essas meninas, e haverá a parte prática. Nós temos [na USP] uma infraestrutura de laboratórios e de espaço onde essa parte prática pode ser desenvolvida e mostrada para as meninas”, detalhou Camila.

As inscrições podem ser feitas até o dia 10 de outubro Meninas Com CIência. O curso é aberto a garotas que estejam matriculadas entre o 5º e o 9º ano do Ensino Fundamental, tanto em escolas da rede pública como da particular do Estado de São Paulo. De acordo com as organizadoras, as 50 vagas oferecidas serão divididas entre as participantes por meio de sorteio.

Fonte: Agência Brasil

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STF deve retomar hoje julgamento sobre legalidade do ensino domiciliar

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12 de setembro de 2018

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar hoje, 12, a partir das 14h, o julgamento sobre a legalidade do ensino domiciliar de crianças, conhecido como homeschooling.
 
O julgamento foi suspenso na semana passada e houve somente o voto do relator, ministro Luís Roberto Barroso, a favor da modalidade de ensino. Faltam os votos de mais dez ministros.

O homeschooling acontece quando os pais não matriculam seus filhos em escolas públicas ou particulares e orientam os estudos em casa.
 
Em seu voto, Barroso se manifestou a favor do ensino domiciliar por entender que a Constituição trata somente do ensino oficial e não há norma específica para impedir a educação domiciliar.

 

Argumentação

Para o ministro, alguns pais preferem comandar a educação de seus filhos diante das políticas públicas ineficazes na área de educação e dos resultados na qualidade no sistema de avaliação básica, além de convicções religiosas.  
 
Barroso também citou que o homeschooling está presente nos Estados Unidos, Finlândia e Bélgica, entre outros países.
 
“Sou mais favorável à autonomia e emancipação das pessoas do que ao paternalismo e às intervenções do Estado, salvo onde eu considero essa intervenção indispensável", argumentou.
 
Durante o julgamento, o advogado Gustavo Saboia, representante da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), defendeu o ensino domiciliar e disse que cerca de 15 mil crianças estudam por meio desta modalidade no Brasil.
 
A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu a obrigatoriedade da matrícula no ensino regular e o dever de o Estado assegurar a educação gratuita e obrigatória.

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Brasil amplia investimento em educação infantil, diz OCDE

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11 de setembro de 2018

Nos últimos anos, o Brasil aumentou os investimentos em educação infantil até os 5 anos de idade, e ficou à frente de países latino-americanos, de acordo com o relatório Education at a Glance 2018 (Um olhar sobre a educação, em tradução livre), publicado hoje, 11, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O montante gasto por criança, no entanto, ainda é pouco e está entre os mais baixos dos países analisados.

Segundo o relatório, o Brasil passou de um investimento equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas pelo país, em 2010, para o equivalente a 0,7% em 2015 em creches e pré-escolas.

O nível de investimento está abaixo da média dos 35 países que compõem a OCDE, que é 0,8% do PIB, mas está acima de países da América Latina, como Argentina, Colômbia, Costa Rica e México.

Apesar disso, o Brasil investe apenas US$ 3,8 mil por criança por ano nas creches públicas, um dos mais baixos investimentos, tanto entre os países membros da OCDE, maioria formada por países ricos, quanto entre as economias parceiras.  

“Há uma consciência crescente do papel fundamental que a educação e os cuidados na primeira infância desempenham no desenvolvimento, aprendizagem e bem-estar das crianças”, diz o relatório.

E acrescenta: “Pesquisas mostram que o desenvolvimento de áreas de grande importância, como controle emocional, habilidades sociais, linguagem e contagem, atinge o auge nos primeiros 3 anos de vida de uma criança”.

 

Inclusão

Em termos de inclusão, o Brasil também está à frente de países latinos. Segundo o estudo, 22% das crianças de até 3 anos estão na escola. Dados mais atualizados, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que essa porcentagem chegou a 30,4% em 2015.

O índice brasileiro é maior que outros países como Argentina (5%); Chile (20%); Costa Rica (2%) e México (2%). A única exceção é a Colômbia, que incluiu 49% das crianças nas creches. Na pré-escola, de acordo com o relatório, o acesso no Brasil é maior, chega aos 90% aos 4 anos de idade, 97% aos 5 anos e 100% aos 6 anos.

Por lei, pelo Plano Nacional de Educação (PNE), o Brasil tem que ampliar o atendimento para 50% das crianças de até 3 anos de idade até 2024. A estimativa é que 2,4 milhões de crianças precisarão ser incluídas. O país deveria ter universalizado o acesso à pré-escola, aos 4 e 5 anos de idade, até o ano passado.

 

Jovens e adultos

Se na infância o Brasil supera países latino- americanos em inclusão, o mesmo não ocorre na medida em que a idade avança. O país registrou uma das maiores porcentagens de adultos sem ensino médio entre todos os países analisados.

Após os 14 anos, as taxas de educação vão caindo. Entre 15 e 19 anos, 69% seguem estudando e, entre 20 e 24 anos, apenas 29%. Em média, essas porcentagens chegam, entre os países da OCDE, a 85% e 42%, respectivamente.

“Um fator de risco potencial que pode ser associado à queda considerável nas matrículas, particularmente nas idades em que os estudantes deveriam cursar o ensino médio, é a alta incidência de frequência acima da idade no Brasil”, diz o texto.

Para a OCDE, os alunos são considerados acima da idade quando são pelo menos 2 anos mais velhos do que a idade pretendida para a série, principalmente porque repetem de ano.

No Brasil, cerca de 14% dos alunos do último ano do ensino fundamental estão acima da idade pretendida de 14 anos. Entre os países da OCDE, em média apenas 2% dos estudantes estão nessa situação.

 

Investimentos

Em relação ao investimento em toda a educação brasileira, os dados do ensino infantil se repetem: o Brasil investe uma parcela relativamente alta de seu Produto Interno Bruto e no seu gasto público total em educação, no entanto, a despesa por aluno ainda está aquém da maioria dos países da OCDE e das nações parceiras.

O Brasil investe o equivalente a 5,5% do seu PIB. Considerando apenas os investimentos públicos em educação pública, esse percentual chega a 5%. Em média, os países da OCDE investem também 5% do PIB em educação.

Em valores, no entanto, o montante brasileiro é menor. Segundo o relatório, o governo brasileiro aplica, em média, em todos os níveis de ensino, US$ 3,8 mil por aluno, o que equivale a menos da metade da média dos países da OCDE.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que o investimento público em educação no Brasil caiu porque era equivalente a 6% do PIB em 2014.

A meta estipulada pelo PNE é o investimento anual equivalente a pelo menos 10% do PIB em educação pública a partir de 2024.

O plano estabelece ainda a meta intermediária de investimento de 7% do PIB em 2019. De acordo com Inep, para a meta de 2019 ser atingida, será necessário o incremento de aproximadamente R$ 120 bilhões nos recursos para educação pública.

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Alfabetizar é preciso

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08 de setembro de 2018

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), 20% da população mundial é analfabeta. Diante disso, a Organização das Nações Unidas instituiu em 1967 o Dia da Alfabetização, comemorado sempre em 8 de setembro.

Embora a situação da educação no Brasil tenha apresentado melhorias significativas nas últimas décadas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,8 milhões de brasileiros acima dos 15 anos não são alfabetizados. Isso sem contar os chamados analfabetos funcionais que, segundo pesquisas, chegam a 75% da população.

Mas o que é alfabetização? Segundo o dicionário Aurélio, alfabetização é o ato de ensinar os códigos alfabéticos e numéricos e tornar o indivíduo capaz de ler, escrever e interpretar o que lê ou reexplicar o que leu com suas próprias palavras.

 

ANALFABETISMO FUNCIONAL

Analfabetismo funcional é a incapacidade de captar integralmente o sentido do que se lê. Mesmo capacitados para ler frases ou trechos curtos, os analfabetos funcionais não conseguem decodificar e explicar letras, números, dados ou mesmo sentenças curtas. Em outras palavras, são capazes de ler o que está escrito, sem, contudo, compreender o que é dito.

Segundo os dados do Indicador Funcional, resultante de um estudo realizado pelo Instituto Paulo Montenegro (PIM), pela ONG Ação Educativa em parceria com o Ibope Inteligência, apenas 8% da população brasileira entre 15 e 64 anos é plenamente capaz de entender o que lê e expressar-se corretamente.

Segundo o indicador, existe uma escala de classificação de alfabetismo: analfabeto (4%), rudimentar (23%), elementar (42%), intermediário (23%) e proficiente (8%). O índice de leitura do brasileiro também é preocupante. Dados mostram que o brasileiro lê, em média, apenas 1,7 livro per capita por ano, um número menor do que o de países vizinhos mais pobres.

Faculdades e universidades têm oferecido, como disciplina complementar, cursos de Português para alunos de diferentes áreas. A iniciativa é uma maneira de auxiliar os jovens que ingressam no Ensino Superior a recuperar possíveis deficiências do Ensino Básico, Fundamental e Médio.

 

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Diferentes grupos, instituições e movimentos auxiliam na tarefa de alfabetizar adultos. É o caso do Movimento de Educação de Adultos (Mova). Duas turmas funcionam nas dependências da Paróquia São Luís Maria Grignion de Montfort, da Região Episcopal Brasilândia, no Jardim Rincão.

Maria do Carmo Ferreira Braga, 63, trabalha como facilitadora no Mova há 25 anos. Ela é professora de artes plásticas e comerciante. “Comecei na Ação Educativa Católica e, na época, há mais de 20 anos, existia um grupo chamado ‘Projeto’ que recebeu verbas da Alemanha para começar uma escola na Paróquia. Com o tempo, o formato foi mudando, com várias fontes de financiamento. Fiquei quatro anos trabalhando sem receber nenhuma ajuda de custo, e a Paróquia também cedia o espaço de maneira totalmente gratuita. Depois, começamos a receber uma ajuda de custo para levar adiante um projeto”, explicou Carminha, como é conhecida.

Com cerca de 40 alunos matriculados, que têm idade entre 40 e 70 anos, ou mesmo, em alguns casos, com idade mais avançada, as aulas acontecem de segundafeira a quinta-feira, das 19h30 às 22h, e o ensino oferecido corresponde ao Ensino Fundamental, até o 5º ano.

“Os alunos têm dificuldade de participar, mas quando vêm, estão por inteiro. Os mais jovens por causa do trabalho, e os mais velhos por questões de saúde. Mas a ideia do Mova é não discriminar ninguém e integrá-los o máximo possível”, continuou Carminha.

A educadora salientou que a Paróquia sempre cedeu o espaço e ofereceu a todos uma ótima estrutura para as aulas, desde o começo. A experiência de educação de jovens e adultos se repete, e muitas paróquias e comunidades cedem ambientes para atividades que têm como fim a educação.

 

PROJETO ÂNCORA

O Projeto Âncora começou em 1995, inspirado na Escola da Ponte, iniciativa de Educação em Portugal. “Eu e meu marido demos início ao Projeto Âncora, eu arquiteta, ele empresário. No fim de 1996, começamos a receber crianças a partir de um ano e meio na entidade e a oferecer atividades circenses para as crianças do Âncora, e com isso acertamos em cheio. O circo é lúdico por si só, seu espaço circular já é um convite à cooperação, as atividades privilegiam o trabalho coletivo e a disciplina. Tudo é uma grande brincadeira, e como tal, muito séria”, explicou à reportagem do O SÃO PAULO, Regina Celi de Albuquerque Machado, fundadora do Projeto.

Em 1999, em contato com Maria Amélia Pereira, fundadora da Casa Redonda, eles definiram qual caminho educacional seria seguido no Projeto Âncora. “Passamos sete anos frequentando a Casa Redonda diariamente. E quando, há quatro anos, tornamo-nos também uma escola de Ensino Fundamental, essa pedagogia continuou a nos inspirar e alimentar”, continuou Regina.

“Acredito que a criança traz dentro de si os recursos para o seu processo de desenvolvimento físico, emocional e mental, que brincar socializa e é o modo privilegiado de como a criança se apropria do mundo”, disse Regina.

O Âncora foi eleito, em agosto de 2016, uma das 12 escolas mais inovadoras do mundo por um levantamento que rodou o globo, feito por educadores da Fundação Roberto Marinho e seus parceiros, Sesi Nacional e Instituto Inspirare. O levantamento virou uma série do Canal Futura, “Destino: educação – Escolas inovadoras”, com 13 episódios, e um livro com o mesmo nome.

 

BREVÍSSIMA HISTÓRIA DA SOCIEDADE ALFABETIZADA

⇒ As sociedades letradas nasceram entre os séculos V e VI a.C., concomitante ao surgimento do pensamento lógicoempírico na Grécia.

⇒ Os livros começaram a difundir-se após a invenção da máquina de impressão tipográfica, inventada pelo alemão Johann Gutenberg na década de 1430.

⇒ Após as revoluções francesa e industrial, no século XVIII e início do século XIX, a alfabetização se tornou indispensável para a sociedade em geral e difundiu-se na Europa.

 

PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO E BASE NACIONAL COMUM

O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece que, até 2024, todas as crianças sejam alfabetizadas até o 3º ano do Ensino Fundamental. Um total de 77,8% das crianças, até 2014, tinham aprendizado adequado em leitura dentro desse prazo; 65,5%, em escrita; e, 42,9%, em matemática.

A Base Nacional Comum Curricular estabelece conteúdos e competências que todo estudante deve dominar na Educação Básica. A Base será referência obrigatória na elaboração dos currículos de escolas públicas e particulares de todo o Brasil.

Além de dar visibilidade a conteúdos essenciais, a Base determina o que os alunos devem saber a cada ano de escolarização. Desse modo, ajudará professores e escolas a organizar a progressão das aprendizagens em todo o território nacional.

Outro programa que busca diminuir os índices de analfabetismo no País é o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic). A ação é um compromisso formal assumido pelos governos federal, estaduais, municipais e do Distrito Federal para assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade, ao fim do 3º ano do Ensino Fundamental. Isso implica uma articulação entre todos os secretários estaduais e municipais de Educação, com o objetivo de ofertar cursos de formação continuada a professores alfabetizadores, com tutoria permanente e auxílio de orientadores de estudo.

 

——  ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL ——

1549 | Quinze dias depois de os jesuítas chegarem ao Brasil, em 1549, já funcionava uma escola de ler e escrever, que se pode entender como uma das primeiras iniciativas para a alfabetização no Brasil. 

1554 | Em 1554, com a intenção de ensinar e catequizar os indígenas que viviam neste planalto de Piratininga (atual cidade de São Paulo), os jesuítas constroem a primeira escola, feita de pau a pique (técnica de construção com barro, bambu e palha).

1880 a 1920 | Entre 1880 e 1920, aprender a ler era sinônimo de possibilidade de aquisição de novos e variados conhecimentos e escrever era muito mais um ato de boa caligrafia que um meio de se comunicar.

1882 | Em 1882, foi instaurada a Lei Saraiva, que impedia o voto de analfabetos. Como na época a população era de 80% de analfabetos, houve um movimento para a alfabetização

1930 | Quando foi fundado, em 1930, o Ministério da Educação (MEC) era Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública, e além da educação, desenvolvia atividades pertinentes à saúde, ao esporte e ao meio ambiente.

1932 | Em 1932, um grupo de intelectuais, preocupados em elaborar um programa de política educacional amplo e integrado, lançou o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.

1934 | A primeira biblioteca infantil do Brasil foi fundada em 1934, por Cecília Meireles (1901-1964), no Pavilhão Mourisco, no Rio de Janeiro. Em 1934, com a nova Constituição Federal, a educação passou a ser vista como um direito de todos, a ser ministrada pela família e pelos poderes públicos.

1961 | Com a aprovação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em 1961, os órgãos estaduais e municipais ganharam autonomia, com diminuição da centralização do MEC.

1971 | Em 1971 o ensino passou a ser obrigatório dos 7 aos 14 anos.

1980 | No fim da década de 1980, o analfabetismo chegava a 25,41% e 19,9% da população não conseguia concluir os anos iniciais do Ensino Fundamental.

1996 | Uma nova reforma na educação brasileira foi implantada em 1996. Trata-se da mais recente LDB, que trouxe diversas mudanças nas leis anteriores, com a inclusão da educação infantil (creches e pré-escola).


 

PROFESSORA DE CORAÇÃO

Kamila Gomes Fonseca é professora da Rede Municipal de Ensino de São Paulo desde 2006, quando começou como estagiária.

“Ao longo destes anos, percebi que alfabetizar vai além de ensinar as palavras. Cada criança tem o seu tempo, e entre tantas metodologias, acredito que a melhor é aquela que faz a criança ter mais vivências significativas, ou seja, que a possibilite conhecer o mundo da palavra pelo seu próprio mundo”, disse.

Professora na Educação Infantil, Kamila acredita que é essencial possibilitar que as crianças conheçam o mundo da palavra de forma lúdica e tenham um ambiente com letramento.

 

BIBLIOTECA EM CASA

Lydia Silva Gonçalves, 79, mora na Estância Santa Cruz, na cidade de Itanhaém, litoral paulista. Sua garagem transformou-se numa biblioteca improvisada que, além das tantas histórias contadas nos livros, carrega em si a história de Lydia, que em 2016, prestou vestibular para começar outra faculdade, desta vez, de Direito

Analfabeta até os 65 anos, Lydia disse em uma reportagem publicada pela revista Família Cristã, que “começou a viver depois que aprendeu a ler”. Ela ia a pé até o asfalto, a uma distância de pouco mais de dois quilômetros da sua casa, pegar um ônibus até o centro da cidade de Itanhaém. Lá, ela fez Educação de Jovens e Adultos (EJA) para concluir o Ensino Médio e terminou sua primeira graduação, em Pedagogia.

“Tudo começou quando pedi para uma amiga ler o contrato para tentar recuperar algumas terras que eram do meu pai. Mas o contrato dizia que metade das terras iriam para o advogado, se eu ganhasse a causa. Fiquei extremamente chateada e, a partir daquele dia, prometi que não iria mais ser enganada por ninguém”, contou.

Quando terminou a graduação em Pedagogia, a estudante foi convidada para ocupar uma cadeira na Academia de Letras de Itanhaém. Atualmente, Lydia, mãe de cinco filhos, ministra palestras para adolescentes, jovens e adultos, cuida da casa, do quintal e da biblioteca que funciona na garagem de sua casa e é aberta ao público.

Informações e doações: (13) 3429-3228.

 

Fonte: MEC
 

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Desafio do próximo presidente é melhorar qualidade do ensino no país

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06 de setembro de 2018

Os números da educação brasileira são tão grandes quanto o desafio do próximo presidente da República para impulsionar a educação no país. Para assegurar a melhoria da qualidade, serão necessários investimentos em áreas distintas: garantir um ensino médio mais inclusivo e atrativo, ampliar o acesso e o financiamento ao ensino superior e melhorar a formação de docentes.

Na primeira matéria da série sobre desafios da educação, a Agência Brasil aponta os principais problemas do ensino médio, o maior gargalo da educação básica.

A reportagem também apresenta experiências educacionais inovadoras na rede pública. Em parceria com institutos e entidades privadas, essas escolas são exemplos de como a rede pública pode atender com excelência, priorizar currículos que preparem para o mercado de trabalho, além de se preocupar com a diversidade e o desenvolvimento socioemocional de jovens.

 

Educação básica

Na educação básica, atualmente 48,6 milhões de estudantes de 4 a 17 anos estão matriculados em 184,1 mil escolas públicas e privadas, mas cerca de 2,5 milhões não frequentam as salas de aula.

Isso significa que as redes pública e privada atendem 96,4% das crianças e adolescentes brasileiros. Em 1970, esse índice era de 48%, o que mostra a evolução do acesso à educação nos últimos anos no Brasil. O nível de aprendizagem, porém não acompanhou a universalização do acesso.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador de qualidade da educação do país, que mede tanto a aprovação dos estudantes quanto o nível de aprendizagem dos estudantes em português e matemática, mostra que o país cumpre as metas estipuladas apenas até o 5º ano do ensino fundamental. No ensino médio, a meta não é cumprida desde 2013.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), quando saem da escola, ao final do ensino médio, sete a cada 10 estudantes não aprendem o básico em português. O mesmo número tem aprendizado insuficiente em matemática. Na outra ponta, apenas 4,5% dos estudantes alcançaram um nível de aprendizagem considerada adequada pelo MEC em matemática e 1,6% em língua portuguesa.

 

Graduação

No ensino superior, o desafio ainda é a ampliação de matrículas. Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), lei em vigor desde 2014, a taxa bruta de matrículas, ou seja, o número total de estudantes matriculados, independente da idade, dividido pela população de 18 a 24 anos, deve chegar a 50% até 2024 - atualmente é 34,6%. Esse número tem caído nos últimos anos, tanto no setor público quanto no setor privado. Políticas como o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) reduziram o número de beneficiados.

Nas universidades públicas, o orçamento não acompanhou, de acordo com os reitores, o aumento das matrículas e a expansão das instituições que ocorreu nos últimos anos. Os recursos previstos para investimentos em 2018 caíram para quase um quarto do que eram em 2013.

Além disso, sem a ampliação do número de bolsas permanência e outros auxílios - ofertados pelas instituições para estudantes de baixa renda - muitos estudantes que precisariam dos recursos acabam abandonando os estudos.

 

Formação de professores

Os próximos governantes também terão que voltar a atenção a quem trabalha diariamente em sala de aula. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostram que muitos professores não têm formação nas disciplinas que lecionam.  Em 2016, na educação infantil, 53,4% não tinham formação superior adequada à área. No ensino fundamental, o percentual chegava a 49,1% nos anos finais (do 6º ao 9º ano) e 41% nos anos iniciais (do 1º ao 5º ano). No ensino médio, 39,6% não tinham formação adequada.

Há ainda o desafio de valorizar esses profissionais. Atualmente, professores de escolas públicas ganham, em média, 74,8% do que ganham profissionais assalariados de outras áreas, ou seja, cerca de 25% a menos.

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Após um ano no ensino médio, 1 em cada 4 estudantes deixa a escola

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04 de setembro de 2018

O 1º ano do ensino médio e o 6º ano do ensino fundamental têm as maiores taxas de reprovação e abandono dos estudantes, de acordo com dados divulgados hoje, 3, pelo Ministério da Educação (MEC). Essas taxas diminuem ano a ano, mas na avaliação da pasta, ainda são preocupantes.

No 6º ano do ensino fundamental, 15,5% dos estudantes reprovaram ou abandonaram os estudos em 2017. No 1º ano do ensino médio, esse índice aumenta para 23,6%, ou seja, quase um estudante a cada quatro ou repete ou deixa a escola após cursar um ano do ensino médio.

“Quando todos os alunos aprendem, eles não são reprovados. É simples, não estamos falando de coisas distintas. É preciso olhar para a aprendizagem para permitir que meninos e meninas aprendam na escola”, diz o ministro da Educação, Rossieli Soares.

Os dados, divulgados pelo MEC e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), fazem parte do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o principal indicador de qualidade da educação brasileira, que mede tanto a aprendizagem quanto a aprovação dos estudantes. O Ideb é calculado a cada dois anos. Os dados divulgados hoje referem-se a 2017.

O 6º ano do ensino fundamental e o 1º ano do ensino médio são anos que marcam mudanças de etapa. A partir do 6º ano, os estudantes passam a ter aula com vários professores e, no 1º, ingressam no ensino médio. “Essas etapas precisam de atenção, e os estudantes, de acompanhamento escolar, para que aprendam o esperado e possam passar de ano”, disse o ministro da Educação, Rossieli Soares.

Apesar de ainda altos, os índices têm melhorado. Em 2005, a taxa de aprovação no 6º ano era 72,9% e, em 2017, subiu para 84,5%. No 1º ano do ensino médio, no mesmo período, passou de 65,6% para 76,4%.

 

Qualidade

Além do fluxo escolar, o Ideb leva em consideração o aprendizado dos estudantes em português e matemática, medido pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O MEC divulgou as notas das avaliações na semana passada. Os dados mostram que 70% dos estudantes terminam o ensino médio com aprendizado insuficiente em português. A mesma porcentagem se repete em matemática.

Levando em consideração as avaliações do Saeb e o fluxo, o Brasil ficou abaixo da meta estabelecida pelo Ideb para os anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. A meta foi cumprida apenas nos anos iniciais do ensino fundamental.

Sobre os resultados, o ministro Rossieli Soares disse que os anos finais do ensino fundamental merecem atenção, mas que a etapa mais crítica é o ensino médio. “Novamente vemos uma estagnação do ensino médio, que cada vez mais se distancia da meta. Há necessidade muito grande de que a gente logo faça mudanças estruturantes para o ensino médio”.

 

Ensino médio

Segundo a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Cecilia Motta, representante dos secretários estaduais, responsáveis por gerir a maior parte do ensino médio do país, os resultados não são novidades e tem se repetido nos últimos anos. Ela destaca o novo ensino médio, aprovado em lei no ano passado e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como reformas que podem melhorar o ensino. Pelo novo ensino médio, parte da etapa passa a ser flexível e os estudantes podem escolher se aprofundar em matemática, linguagens, ciências humanas, ciências da natureza ou ensino técnico. A BNCC vai orientar a parte comum a todos os estudantes.

“É o momento de repensarmos porque estamos parados há tanto tempo, estagnados há tanto tempo. Professor precisa de formação, o regime de parceria está sendo feito, estamos pensando em uma nova formação, temos a BNCC, o novo ensino médio”, disse Cecilia Motta

“Voltemos a nossos estados e partamos para um novo momento de implementação dos novos currículos, assim que a BNCC for implementada”, conclamou.

Neste ano, pela primeira vez, o Inep divulga o Ideb por escola, no ensino médio. Até a última divulgação, em 2015, eram apresentados apenas os índices do ensino fundamental. Assim, segundo o MEC, será possível mapear onde estão as maiores dificuldades e os maiores gargalos também no ensino médio.

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