Brasil terá Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio

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15 de dezembro de 2018

Aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) no dia 4, após mais de três anos de discussão, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio depende apenas da homologação do Ministério da Educação para entrar em vigor. 

Com a medida, haverá pela primeira vez no País um currículo nacional obrigatório, porém isso não significa uniformização, pois se prevê maior flexibilidade para que o agrupamento dos conteúdos se adeque às realidades regionais e às escolhas dos estudantes. 

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS EM EDUCAÇÃO

‘É um grande retrocesso’

Essa é a avaliação de Heleno Araújo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) sobre o texto da BNCC do Ensino Médio. Araújo considera que a Base aumentará ainda mais o número de 1,7 milhão de jovens, entre 15 e 17 anos, que não cursam o Ensino Médio, e afetará a formação cidadã dos estudantes. “O foco dessa Base é na ação privatista, na mão de obra barata e imediata para atender à demanda do capital. Isso será péssimo para a formação humana dos nossos estudantes”. Ele disse que a entidade irá à Justiça para impedir que a Base seja homologada e colocada em prática nos estados.

‘Precisamos de uma base comum porque temos uma nação continental, com muitas características regionais’

Esse é o entender do professor Ítalo Francisco Curcio, pós-doutor em Educação e coordenador do curso de Pedagogia da Universidade Mackenzie. Curcio considera que um dos principais desafios da BNCC do Ensino Médio será “a adequação das matrizes curriculares regionalizadas, em especial nas redes estaduais”, notadamente por causa do momento de transição dos governos estaduais. “Será que aquilo que se ensina ao estudante na região Nordeste tem que seguir o mesmo encaminhamento, método e estratégias do trabalhado em outras regiões? Claro que não. A realidade é regionalizada, porém, precisamos de algo comum, pois a nação é uma só”, avaliou à reportagem. 

O Pós-Doutor em Educação relativiza os argumentos de que com a Base se passará de uma escola “conteudista” para uma escola “tecnicista”. “Isso vai depender de como cada secretário de estado encaminhará a questão. Será preciso trabalhar com os objetivos atitudinais e comportamentais, com as habilidades, pois o que vemos hoje, infelizmente, na rede pública, é um conteúdo não contextualizado: o estudante aprende algo em Matemática, mas não sabe para que vai usar esse assunto específico em sua vida, por exemplo”. 

‘Implementar com qualidade e equidade será o desafio’

Assim se manifestou o Movimento pela Base Nacional Comum, um grupo não governamental de profissionais da educação. Em seu site, o grupo também afirma que “na construção e implementação dos novos currículos, a atenção se voltará, por exemplo, para como organizar a progressão das aprendizagens e como equilibrar a parte comum com a flexível (os itinerários formativos determinados pela Lei do Novo Ensino Médio)”. 

‘No arranjo curricular, o aluno pode deixar de ver  conteúdos muito importantes’

O alerta é feito pelo professor Antonio Carlos Caruso Ronca, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Educação da PUC-SP. Ronca considera importante que o País tenha uma BNCC, mas acredita que a versão aprovada para o Ensino Médio é ruim, “peca pelo exagero de habilidades e competências, e assim haverá uma complicação no trabalho do professor”. Ele também criticou a supervalorização dada às disciplinas de Português e Matemática. “O estudante deve ter o direito de conhecer todo o conteúdo historicamente acumulado, de se situar sobre a região onde está, de perceber os problemas da região e de se formar na qualidade de cidadão”, comentou. 

‘A organização deixa ser estanque e se torna mais focada no cotidiano’

Assim avaliou, em entrevista ao portal G1, Eduardo Deschamps, presidente da comissão da BNCC no Conselho Nacional de Educação. “Em vez de estudar especificamente uma disciplina de Física ou Química, eu posso tratar de um problema de Matemática e Meio Ambiente, aplicar os conhecimentos conjugados”, exemplificou.

(Com informações de G1, MEC, Agência Brasil  e Movimento pela Base Nacional Comum) (Colaborou: Fernando Geronazzo)
 

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MEC libera recursos para educação em tempo integral

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04 de dezembro de 2018

O Ministério da Educação (MEC) autorizou, na segunda-feira, 26, a transferência de recursos para que os estados implementem a educação em tempo integral no Ensino Médio. Ao todo, serão liberados R$ 99 milhões, distribuídos entre todos os estados e o Distrito Federal, com exceção do Mato Grosso.

A liberação foi feita no âmbito do Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral, para complementar o pagamento da primeira parcela de recursos correspondentes ao ano de 2019.

O dinheiro do programa pode ser usado, entre outras coisas, para remuneração e aperfeiçoamento de professores e dos demais profissionais da educação; para aquisição, manutenção, construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino; aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar.

O programa busca viabilizar uma das ações previstas no novo Ensino Médio, aprovado em 2017, de ampliar a educação em tempo integral. Os estudantes passarão a participar de atividades na escola por até 7 horas por dia.

Fonte: Agência Brasil
 

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‘A educação é uma questão urgente no País’

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04 de dezembro de 2018

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o professor Antonio Carlos Caruso Ronca falou sobre os desafios da educação básica no Brasil. Atual coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Educação na PUC-SP, Ronca já foi reitor dessa universidade, presidente do Conselho Nacional de Educação e assessor do Ministério da Educação. Para ele, a educação precisa ser considerada como um único processo, independentemente da sua esfera de competência. Leia a íntega a seguir. 

 

O SÃO PAULO - QUAL É A ATUAL SITUAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA NO BRASIL?

Professor Antonio Carlos Caruso Ronca - Antes, eu preciso fazer algumas observações preliminares. A primeira é que, ao contrário do que se tem dito, a educação tem melhorado no Brasil e alguns números mostram essa evolução. No entanto, o conjunto de problemas é tão grande que ainda resta muito por fazer. Só que também temos evoluído em alguns aspectos, sendo que um deles é a taxa de atendimento escolar. Segundo dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em 2017, nós atingimos 96,4% de atendimento escolar. O primeiro ano do Ensino Fundamental chega a atingir 98%, porém o número vai caindo nos anos seguintes. No entanto, precisamos considerar que, em 1970, essa taxa era de 40%.  Então, o índice de acesso está muito melhor , o que mostra que a educação tem jeito. 

Há, ainda, a questão da desigualdade, ou seja, a diferença entre a educação pública e a privada, que é brutal. Nós temos uma educação pública que apresenta problemas muito graves. A meu ver, a educação privada deve existir. A Constituição Federal acerta quando diz que a educação privada é uma opção das famílias, mas respeitando-se essa opção das famílias, o Estado tem por obrigação oferecer a todas as famílias, crianças e jovens a possibilidade de ter um educação pública de qualidade e universal. 

 

QUAIS OUTROS ASPECTOS O SENHOR DESTACA?

Olhando para o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, há uma questão grave e que muitas vezes não é considerada com a devida importância. Trata-se da ineficiência dos sistemas estaduais e municipais para aprovar o aluno na idade certa. Essa é uma verdadeira chaga na educação, pois, uma vez reprovado, esse aluno vai repetir o ano, ficando defasado e, muitas vezes, a escola não está preparada pedagogicamente para lidar com essa situação, o que gera o abandono e a evasão escolar. Hoje, há alguns estados com um índice de distorção entre idade e série de 25% a 30%. Isso acarreta atraso, gasto financeiro, problemas para os professores e para as próprias escolas. Essa distorção tem repercussão no Ensino Fundamental que, geralmente, é de competência do governo estadual, que nem sempre dialoga com o município. A repercussão será maior nas últimas etapas do Ensino Fundamental que, por sua vez, repercutirá no Ensino Médio. Há estados em que o índice de reprovação no 3º ano chega a 10%, é alto!

 

E COMO EVITAR O ALTO ÍNDICE DE REPROVAÇÃO?

A escola não foi feita para reprovar. Se acontecer, deve ser uma exceção. Só que, em muitos casos, por diversas situações, como a ausência de um trabalho pedagógico coletivo, muito professores têm a reprovação como único recurso. É absolutamente importante que haja um trabalho de coordenação pedagógica, que corrige os problemas no desempenho do aluno no decorrer do processo. No entanto, isso exige um trabalho coletivo na escola. Por outro lado, aprovar automaticamente também não é a solução. Eu sou contra uma reprovação precipitada e generalizada, assim como sou contra uma aprovação indiferente, automática. Educação é um fenômeno complexo e precisa ser considerado como um único processo, independentemente da sua esfera de competência. 

 

EM QUAIS ETAPAS OS NÚMEROS SÃO MAIS PREOCUPANTES?

Os quatro anos finais do Ensino Fundamental mereceriam maior atenção da nossa parte. Segundo dados do Inep, 1,7 milhão de estudantes dos últimos anos Ensino Fundamental foram reprovados ou abandonaram a escola em 2017. Esse dado é três vezes maior que nos primeiros anos do Ensino Fundamental, o que já exigiria que o poder público chamasse os secretários de educação e organizasse alguma ação coletiva para identificar o que está acontecendo. Outro dado da mesma pesquisa: em 2017, 40% dos jovens com 19 anos não concluíram o Ensino Médio. Isso é alarmante para qualquer governante. Esses 40% não podem seguir adiante nos estudos. Na região Sudeste, o índice de conclusão escolar é de 70%; já no Nordeste o número cai para 50%. Há estados do Nordeste em que metade dos jovens de 14 anos nem sequer frequenta o Ensino Médio.

 

E QUANTO À QUALIDADE DA EDUCAÇÃO DOS QUE PERMANECERAM NA ESCOLA?

De fato, além da questão do acesso e permanência, há a questão grave da baixa qualidade. Se tomarmos a faixa etária de 18 a 24 anos, 17% estão na universidade. É um contingente baixo e que também é fraco do ponto de vista da qualidade. Há dados que mostram que o conhecimento sobre Língua Portuguesa e Matemática, Ciências etc., que são básicos, é muito reduzido, o que dificulta a frequência à universidade. Sem contar que muitos desses nem sempre concluem o Ensino Superior. 

 

QUAL A OPINIÃO DO SENHOR SOBRE A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR QUE ESTÁ EM DISCUSSÃO?

Acredito que a existência de uma Base Nacional Comum Curricular é importante. No entanto, não sei se eu, como dirigente, começaria por ela. Penso que há alguns problemas que vão além dessa dimensão, como mencionei anteriormente. Creio que, uma vez aprovada a Base Curricular, ela dê uma organicidade para a educação. No entanto, o aluno tem a necessidade de uma educação integral, que envolva formação de valores, em ética, em atitudes. Se a escola fica preocupada apenas em transmitir conteúdos, isso será arriscado. 

 

NESSE SENTIDO, A ESCOLA EM TEMPO INTEGRAL AJUDA?

Sim, desde que haja um projeto político-pedagógico da escola e não seja mais do mesmo, simplesmente aumentando a carga horária. Não sou favorável que a criança permaneça mais de 8 horas na escola. Outro cuidado com essa questão é não criar ilhas de excelência, em que apenas poucas escolas em determinado local ofereçam ensino em tempo integral, porque isso vai aumentar a desigualdade. Se é para implantar o ensino integral, deve ser um direito para todos, com uma proposta curricular específica para essa modalidade.

 

A POUCA VALORIZAÇÃO DOS PROFESSORES TAMBÉM CONTRIBUI PARA OS PROBLEMAS DA EDUCAÇÃO?

Essa situação me angustia muito. Há, na verdade, uma desvalorização dos professores. Primeiro, a profissão do professor não é mais um objeto de desejo das pessoas. Temos um bom número de instituições de Ensino Superior responsáveis por uma formação de professores de baixa qualidade. Esse professor, por sua vez, ganha pouco, não é valorizado no contexto em que trabalha. Por outro lado, há professores com medo, pois são ameaçados por alunos e também por pais, chegando a sofrer violências.

 

APESAR DE TUDO ISSO, HÁ ESPERANÇAS PARA A EDUCAÇÃO?

Com certeza. Estou na educação há 50 anos. Penso que estamos vivendo um momento crítico no Brasil. Nós conseguimos solução para alguns dos graves problemas, mas o caminho está sendo lento e precisa ser mais rápido. As nossas crianças não podem esperar esse ritmo de decisão que os governantes têm. A educação é uma questão urgente no País, não dá para esperar. Esse é um problema de toda a sociedade. Os governantes falam que educação é prioridade, mas isso não é levado à prática. Não digam que faltam recursos. Claro que há! Nós não temos uma prioridade. Educação tem de ser agora! 

 

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A família e a escola unidas no processo educativo

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24 de novembro de 2018

Quem não gostaria de ser descrito desta maneira: “Ele é uma pessoa segura, não se deixa manipular, faz escolhas com liberdade e reconhece quando errou”? Formar um ser humano com essas e outras virtudes é a base da educação personalizada. Criado no início dos anos 1960, esse modelo educativo é adotado por diferentes colégios no mundo, sendo que ao menos dez destes estão no Brasil (veja a relação na página ao lado). 

 

ORIGENS

Em 1963, na Espanha, um grupo de pais e professores sistematizou uma instituição educativa – Fomento de Centros de Ensino – com a proposta de que as famílias e as escolas atuassem conjuntamente na educação das novas gerações. Essa iniciativa ganhou o apoio de São Josemaría Escrivá, o fundador do Opus Dei, que sempre dizia aos pais que a primeira missão que lhes cabia era a de educar bem os filhos. 

As bases da educação personalizada foram arquitetadas por Víctor García Hoz, fundador da Sociedade Espanhola de Pedagogia. “A partir de uma concepção antropológica cristã, ele desenvolveu um modelo pedagógico muito completo, que conta com a família e com a comunidade social em que a criança ou adolescente está inserido. Dessa unidade entre família e colégio, se consegue o desenvolvimento das virtudes, que são as forças interiores, hábitos arraigados, que vão se tornando permanentes na vida de uma pessoa, de modo que ela possa fazer as coisas por motivação própria e de uma maneira cada vez mais perfeita”, explicou, ao O SÃO PAULO, Cláudio Alberto Rigo da Silva, diretor-geral do Colégio Catamarã Referência, localizado no Jardim Europa, na zona Sul da Capital Paulista.  

 

NO BRASIL E NO MUNDO

Fundado em 1995, o Colégio Catamarã, em suas duas unidades – Referência (masculina) e Vita (feminina) - adota o modelo de educação personalizada, que também é seguido no Brasil por, ao menos, outras nove instituições de ensino ligadas à rede Solar Colégios, a representante oficial no País da Fomento de Centros de Ensino. 

Além de Brasil e Espanha, esse modelo educativo é utilizado em colégios de outros países, como Reino Unido, Portugal, França, Polônia, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Suécia, Itália, Estados Unidos, México, Honduras, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala, Panamá, Peru, Equador, Bolívia, Paraguai, Chile, Argentina, Uruguai, El Salvador, Emirados Árabes, Líbano, Nigéria, Congo, Indonésia, Filipinas e Austrália.

 

DESENVOLVIMENTO HUMANO INTEGRAL

A base da escola personalizada é olhar para cada estudante como uma pessoa única, tal qual cada pai enxerga um filho. “Não é somente um olhar para o cognitivo, para o que a criança está aprendendo, mas também para como se desenvolve em suas virtudes, potencialidades, capacidades, a fim de que alcance o máximo que pode dar”, detalhou Cláudio Rigo. 

Além desse olhar singular, a educação personalizada ajuda na promoção da autonomia do estudante, na medida em que ele próprio passa a dominar seu desenvolvimento e aprendizagem.

De acordo com Patricia Fleury, diretora-geral do Colégio Catamarã Vita, a educação personalizada permite um olhar integral para todas as dimensões do ser humano. “Para efeitos pedagógicos e para que possamos entender o que significa a pessoa, dividimos essas dimensões em intelectual, afetiva, volitiva (a educação da vontade), transcendental (sair de si mesmo ao encontro dos outros e abertura a Deus) e física”, explicou à reportagem, destacando, ainda, que tais dimensões nunca são analisadas em separado: “Vê-se o aluno na sua integralidade. Então, por exemplo, se eu não tenho controle das minhas emoções, elas afetam o que eu faço. Se eu não tenho a vontade bem formada, também não vou conseguir ter um desempenho acadêmico bom. Se eu tenho alguma questão física, isso vai afetar as demais dimensões”, exemplificou. 

Ainda segundo Patricia, na educação personalizada “há todo um plano para se trabalhar as virtudes nas diferentes etapas, para que os valores sejam incorporados de uma forma ativa na vida de cada um, ou seja, é um hábito que é adquirido com esforço e com base na repetição, mas não fica em um valor abstrato. É algo que cada pessoa incorpora para a própria vida, é a formação do caráter”. 

 

ACOMPANHAMENTO INDIVIDUAL

Para o crescente desenvolvimento das virtudes dos estudantes, é fundamental a atuação dos tutores, professores da própria escola que acompanham os alunos individualmente ao longo de toda a vida acadêmica. A cada 15 dias, tutor e tutorado conversam pessoalmente, e a cada dois meses o diálogo do tutor é com os pais, a fim de traçar um Plano Pessoal de Melhora (PPM), alinhando ações e metas que cada estudante deve cumprir tanto no ambiente escolar quanto em casa.

“Esse tutor sempre vai olhar o aluno naquelas cinco dimensões e vai conversar com ele para ajudar que desenvolva suas virtudes, principalmente por meio do trabalho acadêmico. O esforço que o aluno precisa colocar em sua aprendizagem é o canal para o desenvolvimento de todas as virtudes que ele vai adquirir”, explicou Cláudio Rigo, destacando, ainda, que uma tutoria bem-sucedida colabora com a eficácia do trabalho dos demais professores, na medida em que o corpo docente, ciente das dificuldades de cada estudante, poderá encontrar caminhos para melhor motivá-lo a superá-las.

 

UNIDADES DIFERENCIADAS

Embora não seja padrão em todos os colégios adeptos da educação personalizada, o modelo “single sex education”, ou seja, de unidades de ensino distintas para meninos e meninas, é um instrumental considerado importante para a eficácia do processo de aprendizagem.

Desde 2015, o Catamarã adota essa diferenciação: as meninas de 6 a 17 anos estudam na unidade Vita, no bairro do Itaim Bibi, onde também há a educação infantil mista de 2 a 5 anos, e os meninos de 6 a 17 anos ficam na unidade Referência, no Jardim Europa. 

Em ambas, os alunos estudam em período integral, das 8h às 16h, com os mesmos objetivos pedagógicos, programas de estudos e ferramentas didáticas, em turmas com média de 15 a 20 estudantes. 

“Parece um contrassenso, mas ao diferenciar, você faz com que todos tenham oportunidades iguais. Os colégios andam juntos. A grade curricular de um é igual à do outro, e, ao fugir dos estereótipos, se dá a igualdade de oportunidades. Em aulas mistas, muitas vezes, as meninas são vistas de uma maneira, os meninos de outra, há estereótipos por parte de professores de que meninas não são tão boas em Matemática, de que meninos não são tão bons em línguas, por exemplo. Em um colégio só com meninos ou só com meninas, há uma libertação desses rótulos, pois cada um pode ser como de fato é”, explicou Patricia Fleury, chamando a atenção para alguns detalhes comportamentais das estudantes. 

“Aqui no Vita, vemos que as meninas não estão preocupadas em aparentar, estão preocupadas em ser. Elas não vêm para a escola toda produzidas, maquiadas, tentando se mostrar para os outros. Elas são quem são, e isso dá uma liberdade para que cresçam e se desenvolvam plenamente, que é a proposta da educação personalizada”, destacou a educadora. 

Claudio Rigo assegurou que essa educação diferenciada traz resultados melhores que os alcançados em uma escola mista, e tem sido vista como uma boa solução em países desenvolvidos com elevados índices de abandono escolar masculino. “Nos Estados Unidos, havia duas escolas públicas de educação diferenciada até 1995; agora já são quase 120. Se formos contar as escolas privadas, no início dos anos 2000 eram quase 40; hoje são quase mil”, comentou, recordando, ainda, que entre os dez melhores colégios ingleses sete adotam esse modelo que agrupa meninos e meninas em unidades escolares diferenciadas. 

Os dois diretores ressaltaram que o fato de estudarem em escolas separadas não implica que meninos e meninas não interajam ao longo da vida acadêmica, pois são realizados eventos escolares conjuntos e a proximidade entre as famílias proporciona muitos momentos de socialização entre os estudantes fora do ambiente escolar. 

 

A CAMINHO DA UNIVERSIDADE E DO MUNDO ADULTO

Em um modelo educativo centrado no desenvolvimento das virtudes humanas, o futuro profissional dos estudantes também é tratado com atenção, incluindo a preparação para o ingresso nas melhores universidades do Brasil e do exterior.  

“Nós percebemos que se o aluno está bem nas demais dimensões, o acadêmico passa a ser mais um fruto. O aluno que tem fortaleza, resiliência, que faz um trabalho até o final, é um aluno bem mais engajado academicamente, porque ele se esforça por melhorar. Então, esse olhar integral para com o aluno potencializa a parte acadêmica”, comentou Patricia. 

Cláudio Rigo destacou que, ao longo de toda a formação escolar, os estudantes do Colégio Catamarã são preparados para pensar criticamente: “Eles aprendem a argumentar, pois no Ensino Médio é o momento de enfrentar aqueles temas polêmicos na área de Biologia, de Filosofia, como as questões do aborto, células-tronco, as ideologias marxistas. Os professores procuram fazer com que os estudantes abordem cientificamente esses problemas, de forma que o aluno tenha as respostas científicas para tomar uma postura ética correta ao longo da vida”.

 

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Qual é o papel da família na educação?

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08 de novembro de 2018

Em setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) trouxe à tona no cenário nacional a discussão sobre a possibilidade de pais educarem seus filhos em casa, em vez de colocá-los na escola. Nessa ocasião, a maioria dos ministros decidiu não autorizar a prática até que seja criada uma legislação específica que regulamente essa modalidade de ensino.

Ainda pouco conhecida pela maioria dos brasileiros, a educação domiciliar ou homeschooling (em Inglês) já é adotada por mais de 7 mil famílias, segundo informações da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned).

Tema de divergências entre educadores e pais, o fenômeno da educação domiciliar tem crescido e chamado a atenção da sociedade para a reflexão sobre o papel da família e da própria escola no processo educativo de crianças, adolescentes e jovens. Para compreender esse debate, é preciso conhecer um pouco mais sobre essa proposta educacional.

 

O QUE É?

A educação domiciliar é a modalidade na qual os pais assumem por completo o controle do processo global de educação dos filhos, ou seja, além do ensino de valores, hábitos, costumes e crenças, também se responsabilizam pela formação acadêmica que, geralmente, é de responsabilidade da escola.

Outra característica do homeschooling é seu aspecto integral, pois envolve todos os âmbitos da educação e conduz os filhos à autonomia no processo de aprendizado.

Essa modalidade é regulamentada em mais de 60 países, dentre os quais Estados Unidos, Canadá, México, Chile, Equador, Paraguai, Porto Rico, Portugal, Áustria, Bélgica, Bulgária, Dinamarca, Estônia, França, Finlândia, Itália, Noruega, Rússia, Reino Unido, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

 

POR QUÊ?

São várias as razões que levam os pais a optar pela educação domiciliar. As principais são o desejo de oferecer uma educação de qualidade para os filhos, explorando ao máximo seu potencial; uma formação que preserve os princípios morais da família; e uma socialização mais ampla com indivíduos de todas as idades.

O homeschooling também é uma opção diante de fatores como a insatisfação com o ambiente escolar, motivada pela violência, bullying, pressões sociais inadequadas, insegurança e exposição dos filhos a amizades indesejadas; má qualidade da educação escolar; e ensinamentos sobre valores contrários àqueles ensinados no seio da família do estudante; e o preço das mensalidades nas escolas particulares.

Os adeptos do homeschooling defendem que essa modalidade proporciona maior amadurecimento, a disciplina de estudo e o gosto pelo aprendizado. A prática também ajuda a desenvolver estratégias de aprendizado, gera adultos seguros e com uma autoestima sólida. Favorece, ainda, o empreendedorismo e produz bons resultados acadêmicos.

 

PAIS EDUCADORES

Os pais que optam pela educação domiciliar precisam estar dispostos a investir tempo e recursos na formação intelectual de seus filhos.

Os chamados pais educadores não se entendem como professores nem querem assumir esse papel. Segundo a proposta do homeschooling, os pais são facilitadores entre os filhos e o seu conhecimento. Para isso, é importante que tanto o pai quanto a mãe estejam de acordo com essa decisão para poderem se dedicar aos estudos, mudar a rotina e conhecer as implicações legais dessa opção.

 

EM CASA

A veterinária Angela Caldas, 30, e seu esposo, o economista Gustavo Caldas, 35, vivem em Curitiba (PR) e optaram pela educação domiciliar de suas duas filhas: Catarina, 4, e Olívia, 3. Ela contou ao O SÃO PAULO que já vinha “namorando” a proposta do homeschooling havia algum tempo. Nos últimos anos, dedicada à carreira acadêmica, terminando um doutorado e com horários mais flexíveis, começou a pensar mais concretamente na ideia.

“Optamos, em primeiro lugar, pelo convívio familiar, para termos mais oportunidade de convivência com elas. Depois, porque avalio que a escola não tem muito a contribuir na primeira infância, uma vez que é uma idade em que a questão mais sensível é justamente a construção da afetividade. Nesse aspecto, não há nada que substitua a família”, afirmou Angela.

Catarina segue um currículo voltado para sua idade, preparado pela mãe. Como falta material didático próprio para essa modalidade no Brasil, Angela tomou como base o currículo norte-americano. “Esse currículo é mais amplo em matérias. Tem a linguagem, literatura e artes. É uma mistura com a educação clássica e muitas atividades pedagógicas. Permite que a criança trabalhe a sua realidade, por meio do mecanismo natural da observação da natureza, do belo e do bom”, explicou.

Já Olívia não está em idade escolar obrigatória e, por isso, ainda não segue um currículo formal. “Ela circunda todas essas atividades da irmã. Agora estou introduzindo atividades de desenvolvimento de motricidade, por exemplo”, acrescentou a mãe.

Angela também é formada em Pedagogia e reconhece que isso a ajudou na elaboração do currículo das filhas. Porém, ela explicou que os pais têm acesso a diversos materiais e grupos de formação. Uma dificuldade dos pais educadores é a falta de material em Português, justamente por ainda não haver regulamentação do homeschooling.

 

ECONOMIA

“Embora não seja a principal razão apontada pelos pais, o homeschooling impacta positivamente na economia da família. Claro que a preocupação maior é a formação; se não fosse isso, ninguém faria essa opção, pois dá um trabalho enorme. É muita dedicação, é quase uma escolha de vida”, disse Angela, que além da educação das filhas está concluindo o doutorado e vivencia a fase final de sua terceira gestação. 

RESSALVAS

Educadora há mais de 30 anos, Simone Fuzaro, que também é colunista do O SÃO PAULO, reconhece os as pectos positivos do homeschooling, mas chama a atenção para algumas questões que considera importantes.

Uma das principais ressalvas feitas sobre a educação domiciliar é a dificuldade para o desenvolvimento da sociabilidade das crianças e adolescentes. Simone enfatizou que é importante para as crianças o convício com outras da mesma faixa etária. “Quando esse trabalho é feito em casa, mesmo que se tenha muitos filhos, o relacionamento é afetivamente de outra natureza, pois são irmãos. Portanto, já existe um vínculo pautado de outro modo. Não é como um amigo que ele conhece na escola, com a mesma idade, interesses parecidos, mas com outro vínculo que precisa ser construído”. Ainda segundo a educadora, o conhecimento produzido no grupo é sempre rico. “São pontos de vista e focos de interesse diferentes. Um motiva o outro com o seu olhar. As situações de aprendizagem são muito enriquecedoras no ambiente escolar”, acrescentou, alertando para o perigo de, mesmo com as melhores intenções, “superproteger os filhos”.

 

COLABORAÇÃO

Nesse aspecto, os pais educadores afirmam que o fato de optarem pela educação em casa não significa que ela ficará restrita ao núcleo familiar. Existem redes de apoio que promovem atividades complementares, trocas de experiências e interação entre os estudantes.

Em Curitiba, Angela e suas filhas participam de encontros semanais com outras famílias adeptas do homeschooling, com filhos de diversas idades, de bebês a adolescentes. Esse grupo promove feiras de artes e ciências, festas temáticas, passeios a museus e parques.

Os defensores da modalidade ressaltam que educar em casa não significa ensinar conteúdos, como acontece na educação formal, mas é treinar o filho para aprender. Por isso, os pais não têm o dever de compreender todas as áreas do conhecimento. “As crianças não são homogêneas, assim como suas habilidades também não. Quando uma criança ficar mais velha, o pai não precisa dominar o assunto de Física, por exemplo. Ele pode contratar um professor ou colocar seu filho em um curso de robótica, por exemplo, no qual ele vai aprender os conceitos de Física”, ressaltou Angela.

 

 

Regulamentação trará segurança às famílias

No julgamento de 12 de setembro, a maioria do STF entendeu que é necessária a frequência da criança na escola formal, para que seja garantida a convivência com os estudantes de origens, valores e crenças diferentes, por exemplo. Os ministros argumentaram, ainda, que, conforme a Constituição Federal, o dever de educar implica cooperação entre Estado e família, sem exclusividade dos pais.

Os ministros, no entanto, dividiram-se sobre uma possibilidade futura de adoção dessa modalidade de ensino no País. Para a maioria – Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello e Cármen Lúcia – a prática poderá se tornar válida se aprovada uma lei que permita avaliar não só o aprendizado, mas a socialização do estudante educado em casa. Dois ministros – Luiz Fux e Ricardo Lewandowski – entenderam que a Constituição não admite a educação domiciliar.

O único que votou pela permissão do homeschooling foi o relator, Luís Roberto Barroso, condicionando a prática à obrigação dos pais de submeterem os filhos educados em casa às mesmas avaliações dos alunos de uma escola.

Em novembro de 2016, o próprio Barroso determinou a suspensão dos vários processos abertos contra pais por descumprirem a obrigatoriedade de matricular as crianças na escola. Em geral, essas ações são civis e as condenações resultam em multas, não havendo risco concreto de os pais serem presos ou perderem a guarda dos filhos por educá-los em casa. Com a decisão do STF, esses processos correm o risco de serem retomados, assim como outras famílias de serem processadas.

 

PROJETO DE LEI 

A esperança das famílias educadoras está no fato de o Supremo não ter declarado a inconstitucionalidade do homeschooling, pois, no momento, a Constituição não proíbe nem garante sua prática até que seja regulamentada.

Desde 2012, tramita no Congresso um projeto de lei (PL 3179/2012) que trata do acréscimo de um parágrafo ao art. 23 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), para dispor sobre a possibilidade de oferta domiciliar da Educação Básica.

Para Angela Caldas, a regulamentação garantirá uma educação domiciliar com qualidade. “Nós já temos um currículo mínimo estabelecido para as escolas e não precisamos de nada além disso. As famílias têm condições de conduzir o aprendizado dos filhos em volta desse currículo básico. Eu acho que isso não vai ser incompatível com nenhuma família”, defendeu

De igual modo, os pais não se opõem à existência de uma avaliação do desempenho de seus filhos. “Nos países onde o homeschooling é formalizado, é exatamente isso que acontece. As crianças são avaliadas”, enfatizou Angela, ressaltando que quem opta pela educação domiciliar não é contra a escola. “Eu estudei na escola e adorava, mas é um direito dos pais optar pela educação domiciliar, uma vez que não causa nenhum malefício”, concluiu.

(Colaborou: Jenniffer Silva)
 

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História de ‘gênio’ da educação no Brasil desperta interesse de pesquisadora italiana

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05 de novembro de 2018

O que há em comum entre uma pesquisadora italiana e uma escola estadual de Ensino Médio na zona Leste de São Paulo?  O nome de uma pessoa pouco conhecida tanto na Itália quanto no Brasil, mas dotada de uma genialidade que influenciou o movimento pedagógico brasileiro: trata-se do professor Clemente Quaglio. 

Sua história veio à tona quando a bibliotecária Valeria Duò, durante uma pesquisa acadêmica em sua cidade natal, Villa d’Adige, província de Rovigo, na Itália, descobriu a existência do “el professore merican” (professor americano no dialeto local) que dá nome à escola na Vila Oratório. Quanto mais pesquisava, mais se encantava por essa “figura desconhecida”.

Nascido em 7 de junho de 1872, em Villa d’Adige, ele emigrou para o Brasil aos 16 anos, com seus pais e irmãos, fixando-se na cidade Serra Negra (SP). Intelectual autodidata e sem títulos acadêmicos, Quaglio foi nomeado, em 1895, professor primário após exames de ingresso no magistério público, sendo indicado para uma escola em Serra Negra.

 

PESQUISAS

No início do século XX, o italiano saiu do anonimato ao implantar, em 1909, nas dependências de uma escola de sua propriedade na cidade de Amparo (SP), um dos primeiros gabinetes de Antropologia Pedagógica e Psicologia Experimental no Brasil, influenciado pelo pedagogo Ugo Pizzoli, contemporâneo da famosa pedagoga Maria Montessori. Ali, deu vazão à atração pessoal pela pesquisa, ao promover estudos analíticos sobre a infância, com destaque para experiências sensoriomotoras. 

Quaglio esteve à frente do gabinete até 1930, ano de sua aposentadoria. Na mesma década, o laboratório foi incorporado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.

O Pedagogo falava nove línguas fluentemente. Proferiu conferências em Espanhol, Italiano, Alemão e Esperanto, em capitais culturais estrangeiras. Ele foi eleito conselheiro do Instituto Ítalo -Brasileiro de Alta Cultura de São Paulo, sócio honorário da Biblioteca Partenopeu de História, Ciência, Letras e Arte “Ernesto Palumbo”, de Nápoles, na Itália, e recebeu o título de Grande Officiale di Grazia Registrale da Ordem Militar de Santa Brígida, Svezia, na Itália. 

Valeria considera Quaglio um verdadeiro gênio. “Quando ele partiu da Itália era apenas um adolescente. Sua cidade era muito pequena, com cerca de 600 habitantes e lá ainda não havia escola. Ele aprendeu tudo no Brasil, sozinho. E foi esse desejo pelo saber que motivou toda a sua contribuição para a educação”. 

 

LEGADO

Clemente Quaglio morreu em 16 de maio de 1948, em São Paulo, deixando mais de 50 publicações científicas. Dez anos depois de sua morte, Jânio Quadros, então governador do Estado de São Paulo, assinou o decreto que dava o nome de Professor Clemente Quaglio a um grupo escolar na Vila Oratório, hoje uma escola de Ensino Médio em tempo integral. 

“Desde que soube da existência dessa escola, eu senti o desejo de conhecê-la. No primeiro número do jornalzinho da escola, feito pelos alunos, há um resumo da história de Clemente Quaglio. Fiquei muito feliz em saber que os estudantes se interessam por conhecer melhor uma personalidade importante não só para a escola como para a educação. Seu exemplo pode inspirá-los a se interessarem pela transformação do mundo à sua volta”, contou Valéria, que visitou a instituição no dia 8 de outubro. 

 

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Enem começa no domingo, 4

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01 de novembro de 2018

Todos os anos, milhares de estudantes de todo o País participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

Desde 1998, ele é utilizado para avaliar a qualidade da educação no Brasil e, ao longo dos anos, passou a desempenhar outras funções. Uma delas é o acesso ao nível superior.

As provas acontecem nos dias 4 e 11 de novembro e compõem-se de um extenso conteúdo programático, principalmente porque, em tese, a avaliação abrange todos os assuntos do Ensino Médio. Por isso, muitas escolas e cursinhos optam por estudar todo o conteúdo e, assim, aumentar as chances de ter um bom desempenho.

A redação é uma das tarefas mais complexas do Enem, e as dicas de especialistas é que os alunos devem manter-se atualizados, sobretudo no que se refere às matérias mais polêmicas. 

04/11: 1º dia de provas

Provas: Linguagens (45 questões), Ciências Humanas (45 questões) e Redação

Duração: 5h30

Abertura dos portões: 12h

Fechamento dos portões: 13h

Início das provas: 13h30

Encerramento das provas: 19h

11/11: 2º dia de provas

Provas: Ciências da Natureza (45 questões) e Matemática (45 questões)

Duração: 5h

Abertura dos portões: 12h

Fechamento dos portões: 13h

Início das provas: 13h30

Encerramento das provas: 18h30

 

 

Fonte: Agência Brasil
 

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‘O maestro que rege uma orquestra: tem que saber dar direito, voz e vez a cada um’

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15 de outubro de 2018

A história que começa a ser contada nasce na rua Brigadeiro Godinho dos Santos, número 374, na Vila Pirituba, em São Paulo (SP). Lá pelas 7h, quando toca o sinal, os alunos vão entrando e cada um se dirige à sua sala de aula. Pouco a pouco, o encontro com os professores acontece. Desde o berçário até o 9º ano do Ensino Fundamental, vindos das redondezas do bairro e, quem sabe, de outros mais distantes, trazem sonhos, dúvidas e o ‘esperançar’ que faz com que o verbo se torne a mudança social, por meio da transformação das pessoas.

No meio deles, está ela, Maria Lúcia Peviani Jacob, 70, a mais antiga, a idealizadora do Colégio Aldeia dos Pandavas. Comemorando em 2018 Bodas de Ouro, em 1968, não nascia apenas uma professora, mas uma mulher que buscaria por meio da educação compreender o ser humano da maneira mais ampla possível.

A professora que, ao longo de 50 anos, passou por vários lugares da cidade e pôde experimentar toda forma de educar, salientou que a escolha pela profissão vem da estrutura familiar e do amor por crianças: “Um pai que sempre amou o conhecimento, instruiu a família a ser curioso, buscar respostas. Uma mãe que ensinou que amar é muito importante e ter consideração é indispensável, eu já gostava do ser humano desde pequena”.

O SINAL TOCA PELA PRIMEIRA VEZ

Ao terminar o Ensino Médio, à época chamado ginásio, no Colégio Sagrado Coração de Jesus, iniciou a formação para ser Docente, ainda era pouco comum o estudo em faculdade, a formação em Pedagogia ocorreu quando já estava grávida do terceiro filho.

Em 1971, ainda como substituta, ingressou na Prefeitura de São Paulo, três anos mais tarde, efetivada, permaneceu em sala de aula até 1985, a partir disso, assumiu cargos de direção até se aposentar em1996. No ano seguinte, inaugurou o colégio que, em 2018, completou 21 anos.

UMA CAIXA DE BIS

Era período de Páscoa. Trabalhando na Escola Municipal Tenente Aviador Frederico Gustavo dos Santos, quando a cidade chegava ao fim, local em que a realidade periférica era exorbitante. Em memória da data, sugeriu aos 38 alunos da classe que levassem algo para que fosse partilhado.

“Era o terceiro mês que eu estava dando aula lá, e eu recebi uma caixa de bis, para 38 crianças. Eu nunca vou esquecer do ‘escasco’ [do quão trabalhoso] que foi ter que sair para dar conta, pois eu não conseguia olhar para uma classe de 38 alunos, olhando para uma caixa de bis. Eu tive que aprender a lidar com o meu fazer com as coisas a partir da realidade local”, contou.

Ter sensibilidade para perceber a realidade que está a sua volta faz toda a diferença no ato de educar.  

Outro aspecto tratado por Maria Lúcia é a questão da proximidade com os alunos e do amor que é depositado nesta missão: “Para mim, é um desafio eterno vencer essas distancias, ter que trabalhar em prol de alguém –, existem tantas crianças, com tantas nomeações, mas cada uma com um grau de conhecimento, de compreensão”.

MAESTRO

“Entender de ser humano eu digo que foi o grande desafio da minha vida. Eu entendo muito de criança e gosto muito de enxergar as questões que estão por de trás, pois o que está muito aparente, as pessoas captam com facilidade”, contou.

Sobre o contato com os alunos e possíveis estratégias, a educadora enfatizou que ao longo de tantos anos, pôde aprender muitas coisas e, principalmente, de que não se deve fazer uma descrição prévia dos alunos.

É importante, segundo ela, construir mediações capazes de revelar o melhor do outro, considerando o que aquela criança traz dentro de si, a história por trás das ações: “Eu já vi tantos alunos se transformarem no processo educativo, ser capaz de tantas façanhas”.

A disponibilidade é para ela, o princípio mais importante do educador, reconhecer o que faz um aluno ter dificuldades em apreender, a decisão tomada por um adolescente que passa por algum momento conturbado: “É como um maestro que rege uma orquestra – ele tem que saber dar direito, voz e vez a cada um”, completou.

Como diretora, Maria Lúcia busca sempre valorizar o trabalho coletivo e deixa de conselho, para os profissionais que com ela estão, o pensamento de que jamais é permitido desistir, que a coragem é a essência do professor: “Nós vencemos dragões quando temos ânimo, entusiasmo e, quando damos valor aquilo que vem as nossas mãos. Eu não gostaria nunca de perder o otimismo”, concluiu.

 

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‘O Brasil não é um país leitor, que incentiva a prática da leitura de forma constante e prazerosa’

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12 de outubro de 2018

No Brasil, existem diferentes datas celebrativas sobre a prática da leitura. Além de ser o dia dedicado às crianças e a Nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro, é desde 2009, o Dia Nacional da Leitura. Pretendendo estimular a sociedade sobre sua importância já nos primeiros anos de vida e contribuir com o aumento da produção literária no País, que a lei Nº 11.899/09 prevê que, anualmente, este dia seja enaltecido no meio cultural e escolar.

Entretanto, ainda é pouco comum entre os brasileiros o ato de ler, muitos alegam falta de tempo, e até mesmo desinteresse. Fato é, que não se estimula a leitura logo no início da vida e quanto mais tarde for, menos provável a sociedade se tornará consciente nos benefícios que a leitura oferece.

CULTURA DO LER

O pedagogo Rodrigo França salientou que o Brasil não um país que estimula a leitura, pelo contrário, é apresentado como algo de obrigatoriedade: “O Brasil não é um país leitor, que incentiva a prática da leitura de forma constante e prazerosa. Infelizmente em algumas escolas, a leitura é vista com algo direcionado a execução de tarefas – ‘leia para responder às perguntas’, ‘leia para fazer resumo’. Assim, constrói-se uma cultura de leitura obrigatória, maçante e não prazerosa”.

Rodrigo disse, ainda, que tal prática deve ser estabelecida já durante a gestação, por meio do diálogo, e da leitura nesse período e logo nos primeiros anos de vida da criança, deve ser contínua e ligadas a imaginação, dramatização e exploração de diversos portadores textuais. Segundo ele, isso irá contribuir com a familiarização da criança com as palavras.

No âmbito escolar, a metodologia deve ser semelhante, utilizando a leitura no processo de socialização, proporcionando o acesso a diferentes livros e temas: “Isso não garante uma pessoa assídua à leitura, mas sim, um incentivo a ela, pois devemos nos lembrar que o processo é de mão dupla, e conta com o interesse de todos os envolvidos: escola, família e criança”.

Ainda na perspectiva de formação social da criança, o pedagogo reiterou que o avanço do letramento influencia nas relações interpessoais são maiores do que de uma criança que ainda não tenha aprendido a ler. Ele caracteriza a importância como a possibilidade de ser, sonhar, viver, participar de forma ativa e crítico-produtivo nos meios, respondendo às demandas sociais.

Rodrigo rememorou que mudanças podem ser percebidas ao longo dos anos, e destacou que a tecnologia é um dos responsáveis pelo aumento no número de leitores. Feira de livros - como a Bienal Internacional de São Paulo, implantação de bibliotecas nas escolas e discussão curricular que contempla a leitura nas práticas pedagógicas.

AINDA FALTA MUITO

“Mesmo diante desses avanços, ainda estamos engatinhando na disseminação da cultura da leitura no Brasil, e não adianta ter diferentes formas e possibilidades de acesso e práticas, se não aceitarmos dentro de nós, educadores, essa importância, necessidade, condição e assim buscarmos mudar nosso perfil, na intenção de melhoria de um todo”, disse.

Para ele, faltam medidas que possibilitem ainda mais esse acesso aos livros e existe uma condição capitalista, que resulta em valores altos, que não consideram a diferença socioeconômicas do País.

PLANO NACIONAL DO LIVRO E LEITURA

Iniciada em 2006, com a Portaria Interministerial Nº 1.442, de 10 de agosto, firmada pelos Ministérios da Cultura e Educação e instituída em 1º de setembro de 2011 pelo decreto Nº 7.559 assinado pela ex-presidente Dilma Rousseff, sua proposta central é propor uma dimensão de Política de Estado, que contemple de forma orgânica, programas e projetos que abrangem os Ministérios da Cultura e Educação, os governos estaduais e municipais e todos os setores interessados no tema.

Quatro eixos orientam o plano, são eles: Democratização do acesso, Fomento à leitura e à formação de mediadores, Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico e Desenvolvimento da economia do livro.

Durante 2005 e 2006, 150 reuniões foram realizadas para compor o documento. Contribuíram com sugestões toda a cadeia produtiva do livro – editores, livreiros, distribuidores, gráficas, fabricantes de papel, escritores, administradores, gestores públicos e outros profissionais do livro –, bem como educadores, bibliotecários, universidades, especialistas em livro e leitura, organizações da sociedade, empresas públicas e privadas, governos estaduais, prefeituras e interessados em geral.

O texto final só foi aprovado em 19 de dezembro de 2006, durante um encontro na Câmara Setorial do Livro e Leitura (CSLL). Este texto esteve em vigor até a realização de uma edição em 2010, antes da assinatura do decreto pelo Governo Federal.

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(Com informações Ministério da Cultura)

 

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Escolas públicas abrem inscrições para alunos que ingressarão em 2019

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01 de outubro de 2018

O ano letivo ainda está longe para os alunos que abandoram a escola ou aqueles que ainda não ingressaram no ensino público, mesmo assim já estão abertas para as rede de ensino estadual e municipal as incrições de novos alunos.

A partir desta segunda-feira, 1, as escolas públicas – municipais e estaduais – de São Paulo abrem as inscrições de novos alunos para 2019. Crianças, jovens e adultos que hoje estão fora da rede devem fazer o pré-cadastro presencial até 31 de outubro.

Atualmente, estudam na rede estadual paulista cerca de 3 milhões e seiscentos mil alunos. Para eles a inscrição para o próximo ano é automática e também, mediante consulta prévia dos pais, para crianças com idade mínima de seis anos completos que estão na pré-escola pública.

 

FUNCIONAMENTO E INSCRIÇÃO

De acordo com o Estado, os sistemas são integrados e há vagas do ensino fundamental (1º ao 9º ano) e médio (1ª a 3ª série) regular, integral e EJA (Educação para Jovens e Adultos).

Para menores de 18 anos, o processo é realizado por pais ou responsáveis. Os interessados precisam informar nome completo do estudante, data de nascimento, endereço residencial e telefone para contato. A Secretaria da Educação também recomenda a apresentação dos documentos de certidão de nascimento e comprovante de residência. 

A lista de endereços das escolas da Secretaria do Estado de São Paulo está disponível no Portal da Educação. Na página, clique na opção "Localize uma escola” e inicie a busca por Diretoria de Ensino, município, ciclo escolar ou pelo nome da unidade de ensino. 

A confirmação será divulgada em dezembro na mesma unidade onde foi feito o cadastramento. 

(Com informações de Rádio 9 de julho e "A cidade on")
 

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