Qual é o papel da família na educação?

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08 de novembro de 2018

Em setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) trouxe à tona no cenário nacional a discussão sobre a possibilidade de pais educarem seus filhos em casa, em vez de colocá-los na escola. Nessa ocasião, a maioria dos ministros decidiu não autorizar a prática até que seja criada uma legislação específica que regulamente essa modalidade de ensino.

Ainda pouco conhecida pela maioria dos brasileiros, a educação domiciliar ou homeschooling (em Inglês) já é adotada por mais de 7 mil famílias, segundo informações da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned).

Tema de divergências entre educadores e pais, o fenômeno da educação domiciliar tem crescido e chamado a atenção da sociedade para a reflexão sobre o papel da família e da própria escola no processo educativo de crianças, adolescentes e jovens. Para compreender esse debate, é preciso conhecer um pouco mais sobre essa proposta educacional.

 

O QUE É?

A educação domiciliar é a modalidade na qual os pais assumem por completo o controle do processo global de educação dos filhos, ou seja, além do ensino de valores, hábitos, costumes e crenças, também se responsabilizam pela formação acadêmica que, geralmente, é de responsabilidade da escola.

Outra característica do homeschooling é seu aspecto integral, pois envolve todos os âmbitos da educação e conduz os filhos à autonomia no processo de aprendizado.

Essa modalidade é regulamentada em mais de 60 países, dentre os quais Estados Unidos, Canadá, México, Chile, Equador, Paraguai, Porto Rico, Portugal, Áustria, Bélgica, Bulgária, Dinamarca, Estônia, França, Finlândia, Itália, Noruega, Rússia, Reino Unido, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

 

POR QUÊ?

São várias as razões que levam os pais a optar pela educação domiciliar. As principais são o desejo de oferecer uma educação de qualidade para os filhos, explorando ao máximo seu potencial; uma formação que preserve os princípios morais da família; e uma socialização mais ampla com indivíduos de todas as idades.

O homeschooling também é uma opção diante de fatores como a insatisfação com o ambiente escolar, motivada pela violência, bullying, pressões sociais inadequadas, insegurança e exposição dos filhos a amizades indesejadas; má qualidade da educação escolar; e ensinamentos sobre valores contrários àqueles ensinados no seio da família do estudante; e o preço das mensalidades nas escolas particulares.

Os adeptos do homeschooling defendem que essa modalidade proporciona maior amadurecimento, a disciplina de estudo e o gosto pelo aprendizado. A prática também ajuda a desenvolver estratégias de aprendizado, gera adultos seguros e com uma autoestima sólida. Favorece, ainda, o empreendedorismo e produz bons resultados acadêmicos.

 

PAIS EDUCADORES

Os pais que optam pela educação domiciliar precisam estar dispostos a investir tempo e recursos na formação intelectual de seus filhos.

Os chamados pais educadores não se entendem como professores nem querem assumir esse papel. Segundo a proposta do homeschooling, os pais são facilitadores entre os filhos e o seu conhecimento. Para isso, é importante que tanto o pai quanto a mãe estejam de acordo com essa decisão para poderem se dedicar aos estudos, mudar a rotina e conhecer as implicações legais dessa opção.

 

EM CASA

A veterinária Angela Caldas, 30, e seu esposo, o economista Gustavo Caldas, 35, vivem em Curitiba (PR) e optaram pela educação domiciliar de suas duas filhas: Catarina, 4, e Olívia, 3. Ela contou ao O SÃO PAULO que já vinha “namorando” a proposta do homeschooling havia algum tempo. Nos últimos anos, dedicada à carreira acadêmica, terminando um doutorado e com horários mais flexíveis, começou a pensar mais concretamente na ideia.

“Optamos, em primeiro lugar, pelo convívio familiar, para termos mais oportunidade de convivência com elas. Depois, porque avalio que a escola não tem muito a contribuir na primeira infância, uma vez que é uma idade em que a questão mais sensível é justamente a construção da afetividade. Nesse aspecto, não há nada que substitua a família”, afirmou Angela.

Catarina segue um currículo voltado para sua idade, preparado pela mãe. Como falta material didático próprio para essa modalidade no Brasil, Angela tomou como base o currículo norte-americano. “Esse currículo é mais amplo em matérias. Tem a linguagem, literatura e artes. É uma mistura com a educação clássica e muitas atividades pedagógicas. Permite que a criança trabalhe a sua realidade, por meio do mecanismo natural da observação da natureza, do belo e do bom”, explicou.

Já Olívia não está em idade escolar obrigatória e, por isso, ainda não segue um currículo formal. “Ela circunda todas essas atividades da irmã. Agora estou introduzindo atividades de desenvolvimento de motricidade, por exemplo”, acrescentou a mãe.

Angela também é formada em Pedagogia e reconhece que isso a ajudou na elaboração do currículo das filhas. Porém, ela explicou que os pais têm acesso a diversos materiais e grupos de formação. Uma dificuldade dos pais educadores é a falta de material em Português, justamente por ainda não haver regulamentação do homeschooling.

 

ECONOMIA

“Embora não seja a principal razão apontada pelos pais, o homeschooling impacta positivamente na economia da família. Claro que a preocupação maior é a formação; se não fosse isso, ninguém faria essa opção, pois dá um trabalho enorme. É muita dedicação, é quase uma escolha de vida”, disse Angela, que além da educação das filhas está concluindo o doutorado e vivencia a fase final de sua terceira gestação. 

RESSALVAS

Educadora há mais de 30 anos, Simone Fuzaro, que também é colunista do O SÃO PAULO, reconhece os as pectos positivos do homeschooling, mas chama a atenção para algumas questões que considera importantes.

Uma das principais ressalvas feitas sobre a educação domiciliar é a dificuldade para o desenvolvimento da sociabilidade das crianças e adolescentes. Simone enfatizou que é importante para as crianças o convício com outras da mesma faixa etária. “Quando esse trabalho é feito em casa, mesmo que se tenha muitos filhos, o relacionamento é afetivamente de outra natureza, pois são irmãos. Portanto, já existe um vínculo pautado de outro modo. Não é como um amigo que ele conhece na escola, com a mesma idade, interesses parecidos, mas com outro vínculo que precisa ser construído”. Ainda segundo a educadora, o conhecimento produzido no grupo é sempre rico. “São pontos de vista e focos de interesse diferentes. Um motiva o outro com o seu olhar. As situações de aprendizagem são muito enriquecedoras no ambiente escolar”, acrescentou, alertando para o perigo de, mesmo com as melhores intenções, “superproteger os filhos”.

 

COLABORAÇÃO

Nesse aspecto, os pais educadores afirmam que o fato de optarem pela educação em casa não significa que ela ficará restrita ao núcleo familiar. Existem redes de apoio que promovem atividades complementares, trocas de experiências e interação entre os estudantes.

Em Curitiba, Angela e suas filhas participam de encontros semanais com outras famílias adeptas do homeschooling, com filhos de diversas idades, de bebês a adolescentes. Esse grupo promove feiras de artes e ciências, festas temáticas, passeios a museus e parques.

Os defensores da modalidade ressaltam que educar em casa não significa ensinar conteúdos, como acontece na educação formal, mas é treinar o filho para aprender. Por isso, os pais não têm o dever de compreender todas as áreas do conhecimento. “As crianças não são homogêneas, assim como suas habilidades também não. Quando uma criança ficar mais velha, o pai não precisa dominar o assunto de Física, por exemplo. Ele pode contratar um professor ou colocar seu filho em um curso de robótica, por exemplo, no qual ele vai aprender os conceitos de Física”, ressaltou Angela.

 

 

Regulamentação trará segurança às famílias

No julgamento de 12 de setembro, a maioria do STF entendeu que é necessária a frequência da criança na escola formal, para que seja garantida a convivência com os estudantes de origens, valores e crenças diferentes, por exemplo. Os ministros argumentaram, ainda, que, conforme a Constituição Federal, o dever de educar implica cooperação entre Estado e família, sem exclusividade dos pais.

Os ministros, no entanto, dividiram-se sobre uma possibilidade futura de adoção dessa modalidade de ensino no País. Para a maioria – Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello e Cármen Lúcia – a prática poderá se tornar válida se aprovada uma lei que permita avaliar não só o aprendizado, mas a socialização do estudante educado em casa. Dois ministros – Luiz Fux e Ricardo Lewandowski – entenderam que a Constituição não admite a educação domiciliar.

O único que votou pela permissão do homeschooling foi o relator, Luís Roberto Barroso, condicionando a prática à obrigação dos pais de submeterem os filhos educados em casa às mesmas avaliações dos alunos de uma escola.

Em novembro de 2016, o próprio Barroso determinou a suspensão dos vários processos abertos contra pais por descumprirem a obrigatoriedade de matricular as crianças na escola. Em geral, essas ações são civis e as condenações resultam em multas, não havendo risco concreto de os pais serem presos ou perderem a guarda dos filhos por educá-los em casa. Com a decisão do STF, esses processos correm o risco de serem retomados, assim como outras famílias de serem processadas.

 

PROJETO DE LEI 

A esperança das famílias educadoras está no fato de o Supremo não ter declarado a inconstitucionalidade do homeschooling, pois, no momento, a Constituição não proíbe nem garante sua prática até que seja regulamentada.

Desde 2012, tramita no Congresso um projeto de lei (PL 3179/2012) que trata do acréscimo de um parágrafo ao art. 23 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), para dispor sobre a possibilidade de oferta domiciliar da Educação Básica.

Para Angela Caldas, a regulamentação garantirá uma educação domiciliar com qualidade. “Nós já temos um currículo mínimo estabelecido para as escolas e não precisamos de nada além disso. As famílias têm condições de conduzir o aprendizado dos filhos em volta desse currículo básico. Eu acho que isso não vai ser incompatível com nenhuma família”, defendeu

De igual modo, os pais não se opõem à existência de uma avaliação do desempenho de seus filhos. “Nos países onde o homeschooling é formalizado, é exatamente isso que acontece. As crianças são avaliadas”, enfatizou Angela, ressaltando que quem opta pela educação domiciliar não é contra a escola. “Eu estudei na escola e adorava, mas é um direito dos pais optar pela educação domiciliar, uma vez que não causa nenhum malefício”, concluiu.

(Colaborou: Jenniffer Silva)
 

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História de ‘gênio’ da educação no Brasil desperta interesse de pesquisadora italiana

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05 de novembro de 2018

O que há em comum entre uma pesquisadora italiana e uma escola estadual de Ensino Médio na zona Leste de São Paulo?  O nome de uma pessoa pouco conhecida tanto na Itália quanto no Brasil, mas dotada de uma genialidade que influenciou o movimento pedagógico brasileiro: trata-se do professor Clemente Quaglio. 

Sua história veio à tona quando a bibliotecária Valeria Duò, durante uma pesquisa acadêmica em sua cidade natal, Villa d’Adige, província de Rovigo, na Itália, descobriu a existência do “el professore merican” (professor americano no dialeto local) que dá nome à escola na Vila Oratório. Quanto mais pesquisava, mais se encantava por essa “figura desconhecida”.

Nascido em 7 de junho de 1872, em Villa d’Adige, ele emigrou para o Brasil aos 16 anos, com seus pais e irmãos, fixando-se na cidade Serra Negra (SP). Intelectual autodidata e sem títulos acadêmicos, Quaglio foi nomeado, em 1895, professor primário após exames de ingresso no magistério público, sendo indicado para uma escola em Serra Negra.

 

PESQUISAS

No início do século XX, o italiano saiu do anonimato ao implantar, em 1909, nas dependências de uma escola de sua propriedade na cidade de Amparo (SP), um dos primeiros gabinetes de Antropologia Pedagógica e Psicologia Experimental no Brasil, influenciado pelo pedagogo Ugo Pizzoli, contemporâneo da famosa pedagoga Maria Montessori. Ali, deu vazão à atração pessoal pela pesquisa, ao promover estudos analíticos sobre a infância, com destaque para experiências sensoriomotoras. 

Quaglio esteve à frente do gabinete até 1930, ano de sua aposentadoria. Na mesma década, o laboratório foi incorporado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.

O Pedagogo falava nove línguas fluentemente. Proferiu conferências em Espanhol, Italiano, Alemão e Esperanto, em capitais culturais estrangeiras. Ele foi eleito conselheiro do Instituto Ítalo -Brasileiro de Alta Cultura de São Paulo, sócio honorário da Biblioteca Partenopeu de História, Ciência, Letras e Arte “Ernesto Palumbo”, de Nápoles, na Itália, e recebeu o título de Grande Officiale di Grazia Registrale da Ordem Militar de Santa Brígida, Svezia, na Itália. 

Valeria considera Quaglio um verdadeiro gênio. “Quando ele partiu da Itália era apenas um adolescente. Sua cidade era muito pequena, com cerca de 600 habitantes e lá ainda não havia escola. Ele aprendeu tudo no Brasil, sozinho. E foi esse desejo pelo saber que motivou toda a sua contribuição para a educação”. 

 

LEGADO

Clemente Quaglio morreu em 16 de maio de 1948, em São Paulo, deixando mais de 50 publicações científicas. Dez anos depois de sua morte, Jânio Quadros, então governador do Estado de São Paulo, assinou o decreto que dava o nome de Professor Clemente Quaglio a um grupo escolar na Vila Oratório, hoje uma escola de Ensino Médio em tempo integral. 

“Desde que soube da existência dessa escola, eu senti o desejo de conhecê-la. No primeiro número do jornalzinho da escola, feito pelos alunos, há um resumo da história de Clemente Quaglio. Fiquei muito feliz em saber que os estudantes se interessam por conhecer melhor uma personalidade importante não só para a escola como para a educação. Seu exemplo pode inspirá-los a se interessarem pela transformação do mundo à sua volta”, contou Valéria, que visitou a instituição no dia 8 de outubro. 

 

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Enem começa no domingo, 4

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01 de novembro de 2018

Todos os anos, milhares de estudantes de todo o País participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

Desde 1998, ele é utilizado para avaliar a qualidade da educação no Brasil e, ao longo dos anos, passou a desempenhar outras funções. Uma delas é o acesso ao nível superior.

As provas acontecem nos dias 4 e 11 de novembro e compõem-se de um extenso conteúdo programático, principalmente porque, em tese, a avaliação abrange todos os assuntos do Ensino Médio. Por isso, muitas escolas e cursinhos optam por estudar todo o conteúdo e, assim, aumentar as chances de ter um bom desempenho.

A redação é uma das tarefas mais complexas do Enem, e as dicas de especialistas é que os alunos devem manter-se atualizados, sobretudo no que se refere às matérias mais polêmicas. 

04/11: 1º dia de provas

Provas: Linguagens (45 questões), Ciências Humanas (45 questões) e Redação

Duração: 5h30

Abertura dos portões: 12h

Fechamento dos portões: 13h

Início das provas: 13h30

Encerramento das provas: 19h

11/11: 2º dia de provas

Provas: Ciências da Natureza (45 questões) e Matemática (45 questões)

Duração: 5h

Abertura dos portões: 12h

Fechamento dos portões: 13h

Início das provas: 13h30

Encerramento das provas: 18h30

 

 

Fonte: Agência Brasil
 

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‘O maestro que rege uma orquestra: tem que saber dar direito, voz e vez a cada um’

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15 de outubro de 2018

A história que começa a ser contada nasce na rua Brigadeiro Godinho dos Santos, número 374, na Vila Pirituba, em São Paulo (SP). Lá pelas 7h, quando toca o sinal, os alunos vão entrando e cada um se dirige à sua sala de aula. Pouco a pouco, o encontro com os professores acontece. Desde o berçário até o 9º ano do Ensino Fundamental, vindos das redondezas do bairro e, quem sabe, de outros mais distantes, trazem sonhos, dúvidas e o ‘esperançar’ que faz com que o verbo se torne a mudança social, por meio da transformação das pessoas.

No meio deles, está ela, Maria Lúcia Peviani Jacob, 70, a mais antiga, a idealizadora do Colégio Aldeia dos Pandavas. Comemorando em 2018 Bodas de Ouro, em 1968, não nascia apenas uma professora, mas uma mulher que buscaria por meio da educação compreender o ser humano da maneira mais ampla possível.

A professora que, ao longo de 50 anos, passou por vários lugares da cidade e pôde experimentar toda forma de educar, salientou que a escolha pela profissão vem da estrutura familiar e do amor por crianças: “Um pai que sempre amou o conhecimento, instruiu a família a ser curioso, buscar respostas. Uma mãe que ensinou que amar é muito importante e ter consideração é indispensável, eu já gostava do ser humano desde pequena”.

O SINAL TOCA PELA PRIMEIRA VEZ

Ao terminar o Ensino Médio, à época chamado ginásio, no Colégio Sagrado Coração de Jesus, iniciou a formação para ser Docente, ainda era pouco comum o estudo em faculdade, a formação em Pedagogia ocorreu quando já estava grávida do terceiro filho.

Em 1971, ainda como substituta, ingressou na Prefeitura de São Paulo, três anos mais tarde, efetivada, permaneceu em sala de aula até 1985, a partir disso, assumiu cargos de direção até se aposentar em1996. No ano seguinte, inaugurou o colégio que, em 2018, completou 21 anos.

UMA CAIXA DE BIS

Era período de Páscoa. Trabalhando na Escola Municipal Tenente Aviador Frederico Gustavo dos Santos, quando a cidade chegava ao fim, local em que a realidade periférica era exorbitante. Em memória da data, sugeriu aos 38 alunos da classe que levassem algo para que fosse partilhado.

“Era o terceiro mês que eu estava dando aula lá, e eu recebi uma caixa de bis, para 38 crianças. Eu nunca vou esquecer do ‘escasco’ [do quão trabalhoso] que foi ter que sair para dar conta, pois eu não conseguia olhar para uma classe de 38 alunos, olhando para uma caixa de bis. Eu tive que aprender a lidar com o meu fazer com as coisas a partir da realidade local”, contou.

Ter sensibilidade para perceber a realidade que está a sua volta faz toda a diferença no ato de educar.  

Outro aspecto tratado por Maria Lúcia é a questão da proximidade com os alunos e do amor que é depositado nesta missão: “Para mim, é um desafio eterno vencer essas distancias, ter que trabalhar em prol de alguém –, existem tantas crianças, com tantas nomeações, mas cada uma com um grau de conhecimento, de compreensão”.

MAESTRO

“Entender de ser humano eu digo que foi o grande desafio da minha vida. Eu entendo muito de criança e gosto muito de enxergar as questões que estão por de trás, pois o que está muito aparente, as pessoas captam com facilidade”, contou.

Sobre o contato com os alunos e possíveis estratégias, a educadora enfatizou que ao longo de tantos anos, pôde aprender muitas coisas e, principalmente, de que não se deve fazer uma descrição prévia dos alunos.

É importante, segundo ela, construir mediações capazes de revelar o melhor do outro, considerando o que aquela criança traz dentro de si, a história por trás das ações: “Eu já vi tantos alunos se transformarem no processo educativo, ser capaz de tantas façanhas”.

A disponibilidade é para ela, o princípio mais importante do educador, reconhecer o que faz um aluno ter dificuldades em apreender, a decisão tomada por um adolescente que passa por algum momento conturbado: “É como um maestro que rege uma orquestra – ele tem que saber dar direito, voz e vez a cada um”, completou.

Como diretora, Maria Lúcia busca sempre valorizar o trabalho coletivo e deixa de conselho, para os profissionais que com ela estão, o pensamento de que jamais é permitido desistir, que a coragem é a essência do professor: “Nós vencemos dragões quando temos ânimo, entusiasmo e, quando damos valor aquilo que vem as nossas mãos. Eu não gostaria nunca de perder o otimismo”, concluiu.

 

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‘O Brasil não é um país leitor, que incentiva a prática da leitura de forma constante e prazerosa’

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12 de outubro de 2018

No Brasil, existem diferentes datas celebrativas sobre a prática da leitura. Além de ser o dia dedicado às crianças e a Nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro, é desde 2009, o Dia Nacional da Leitura. Pretendendo estimular a sociedade sobre sua importância já nos primeiros anos de vida e contribuir com o aumento da produção literária no País, que a lei Nº 11.899/09 prevê que, anualmente, este dia seja enaltecido no meio cultural e escolar.

Entretanto, ainda é pouco comum entre os brasileiros o ato de ler, muitos alegam falta de tempo, e até mesmo desinteresse. Fato é, que não se estimula a leitura logo no início da vida e quanto mais tarde for, menos provável a sociedade se tornará consciente nos benefícios que a leitura oferece.

CULTURA DO LER

O pedagogo Rodrigo França salientou que o Brasil não um país que estimula a leitura, pelo contrário, é apresentado como algo de obrigatoriedade: “O Brasil não é um país leitor, que incentiva a prática da leitura de forma constante e prazerosa. Infelizmente em algumas escolas, a leitura é vista com algo direcionado a execução de tarefas – ‘leia para responder às perguntas’, ‘leia para fazer resumo’. Assim, constrói-se uma cultura de leitura obrigatória, maçante e não prazerosa”.

Rodrigo disse, ainda, que tal prática deve ser estabelecida já durante a gestação, por meio do diálogo, e da leitura nesse período e logo nos primeiros anos de vida da criança, deve ser contínua e ligadas a imaginação, dramatização e exploração de diversos portadores textuais. Segundo ele, isso irá contribuir com a familiarização da criança com as palavras.

No âmbito escolar, a metodologia deve ser semelhante, utilizando a leitura no processo de socialização, proporcionando o acesso a diferentes livros e temas: “Isso não garante uma pessoa assídua à leitura, mas sim, um incentivo a ela, pois devemos nos lembrar que o processo é de mão dupla, e conta com o interesse de todos os envolvidos: escola, família e criança”.

Ainda na perspectiva de formação social da criança, o pedagogo reiterou que o avanço do letramento influencia nas relações interpessoais são maiores do que de uma criança que ainda não tenha aprendido a ler. Ele caracteriza a importância como a possibilidade de ser, sonhar, viver, participar de forma ativa e crítico-produtivo nos meios, respondendo às demandas sociais.

Rodrigo rememorou que mudanças podem ser percebidas ao longo dos anos, e destacou que a tecnologia é um dos responsáveis pelo aumento no número de leitores. Feira de livros - como a Bienal Internacional de São Paulo, implantação de bibliotecas nas escolas e discussão curricular que contempla a leitura nas práticas pedagógicas.

AINDA FALTA MUITO

“Mesmo diante desses avanços, ainda estamos engatinhando na disseminação da cultura da leitura no Brasil, e não adianta ter diferentes formas e possibilidades de acesso e práticas, se não aceitarmos dentro de nós, educadores, essa importância, necessidade, condição e assim buscarmos mudar nosso perfil, na intenção de melhoria de um todo”, disse.

Para ele, faltam medidas que possibilitem ainda mais esse acesso aos livros e existe uma condição capitalista, que resulta em valores altos, que não consideram a diferença socioeconômicas do País.

PLANO NACIONAL DO LIVRO E LEITURA

Iniciada em 2006, com a Portaria Interministerial Nº 1.442, de 10 de agosto, firmada pelos Ministérios da Cultura e Educação e instituída em 1º de setembro de 2011 pelo decreto Nº 7.559 assinado pela ex-presidente Dilma Rousseff, sua proposta central é propor uma dimensão de Política de Estado, que contemple de forma orgânica, programas e projetos que abrangem os Ministérios da Cultura e Educação, os governos estaduais e municipais e todos os setores interessados no tema.

Quatro eixos orientam o plano, são eles: Democratização do acesso, Fomento à leitura e à formação de mediadores, Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico e Desenvolvimento da economia do livro.

Durante 2005 e 2006, 150 reuniões foram realizadas para compor o documento. Contribuíram com sugestões toda a cadeia produtiva do livro – editores, livreiros, distribuidores, gráficas, fabricantes de papel, escritores, administradores, gestores públicos e outros profissionais do livro –, bem como educadores, bibliotecários, universidades, especialistas em livro e leitura, organizações da sociedade, empresas públicas e privadas, governos estaduais, prefeituras e interessados em geral.

O texto final só foi aprovado em 19 de dezembro de 2006, durante um encontro na Câmara Setorial do Livro e Leitura (CSLL). Este texto esteve em vigor até a realização de uma edição em 2010, antes da assinatura do decreto pelo Governo Federal.

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Alfabetizar é preciso

(Com informações Ministério da Cultura)

 

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Escolas públicas abrem inscrições para alunos que ingressarão em 2019

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01 de outubro de 2018

O ano letivo ainda está longe para os alunos que abandoram a escola ou aqueles que ainda não ingressaram no ensino público, mesmo assim já estão abertas para as rede de ensino estadual e municipal as incrições de novos alunos.

A partir desta segunda-feira, 1, as escolas públicas – municipais e estaduais – de São Paulo abrem as inscrições de novos alunos para 2019. Crianças, jovens e adultos que hoje estão fora da rede devem fazer o pré-cadastro presencial até 31 de outubro.

Atualmente, estudam na rede estadual paulista cerca de 3 milhões e seiscentos mil alunos. Para eles a inscrição para o próximo ano é automática e também, mediante consulta prévia dos pais, para crianças com idade mínima de seis anos completos que estão na pré-escola pública.

 

FUNCIONAMENTO E INSCRIÇÃO

De acordo com o Estado, os sistemas são integrados e há vagas do ensino fundamental (1º ao 9º ano) e médio (1ª a 3ª série) regular, integral e EJA (Educação para Jovens e Adultos).

Para menores de 18 anos, o processo é realizado por pais ou responsáveis. Os interessados precisam informar nome completo do estudante, data de nascimento, endereço residencial e telefone para contato. A Secretaria da Educação também recomenda a apresentação dos documentos de certidão de nascimento e comprovante de residência. 

A lista de endereços das escolas da Secretaria do Estado de São Paulo está disponível no Portal da Educação. Na página, clique na opção "Localize uma escola” e inicie a busca por Diretoria de Ensino, município, ciclo escolar ou pelo nome da unidade de ensino. 

A confirmação será divulgada em dezembro na mesma unidade onde foi feito o cadastramento. 

(Com informações de Rádio 9 de julho e "A cidade on")
 

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Olimpíada de Matemática terá a participação de 900 mil estudantes

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14 de setembro de 2018

Mais de 900 mil estudantes do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio participam amanhã, 15, da segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). A prova terá início às 14h30, no horário de Brasília.

A Obmep é considerada a maior competição científica do país e tem por objetivo estimular o estudo da matemática e o interesse dos estudantes pela área. Ao todo, participam mais de 50 mil escolas públicas e privadas do país. Foram classificados para esta segunda fase os 5% dos competidores mais bem colocados de cada colégio.

O Ministério da Educação (MEC) recomenda que os estudantes classificados cheguem ao local da prova com pelo menos 30 minutos de antecedência. É necessário apresentar documento original de identificação, como carteira de identidade, certidão de nascimento ou carteira escolar, e o cartão informativo da Obmep.

Tanto o cartão para impressão, quanto informações sobre os locais de prova estão disponíveis na página da competição na internet. A pasta diz ainda que é imprescindível levar lápis, borracha e caneta.

A prova da segunda fase é discursiva e composta por seis questões valendo até 20 pontos cada. Ela é dividida de maneira diferenciada por níveis – o nível 1, para os 6º e 7º anos do ensino fundamental; o nível 2, para o 8º e 9º anos; e o nível 3, para o ensino médio.

 

Recorde de participação

Para a segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática foram aprovados 952.839 alunos, a maioria deles, 906.688 estudantes, de escolas públicas. A primeira fase da Obmep teve a participação de 18,2 milhões estudantes de 54.496 escolas.

Segundo a organização, esta edição da Olimpíada teve um número recorde de estabelecimentos de ensino inscritos, o que representou um envolvimento de 99,4% dos municípios brasileiros na competição.

O evento é promovido pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCT) e realizado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

 

Vencedores

O anúncio dos vencedores está previsto para ocorrer no dia 21 de novembro, na página da competição. Para os estudantes de escolas públicas serão 500 medalhas de ouro, 1,5 mil de prata, 4,5 mil de bronze.

Já os estudantes de escolas particulares receberão 75 medalhas de ouro, 225 de prata, 675 de bronze. A Obmep também homenageará estudantes com menções honrosas. Serão até 46,2 mil menções honrosas para estudantes de escolas públicas e 5,4 mil menções para estudantes de escolas privadas.

 

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USP terá curso gratuito e meninas podem se tornar cientistas

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13 de setembro de 2018

Meninas que sonham ser cientistas contam agora com o incentivo de um grupo de pesquisadoras e cientistas de São Paulo. Trata-se do projeto “Meninas com Ciência – 2ª edição SP: de mulheres cientistas para meninas que sonham”, que pretende levar meninas para a área científica.

“O objetivo é incentivar a inserção de mulheres nas ciências, humanizar a figura de uma cientista, destacar a importância das ciências na formação dessas meninas e para o desenvolvimento do País. Esperamos que, desde pequenas, elas tenham essa mensagem”, explicou a coordenadora do evento, Camila Negrão Signori, professora doutora da Universidade de São Paulo (USP) e atuante na área de Oceanografia Microbiana.

“O ‘Meninas com Ciências’ surgiu no Museu Nacional do Rio de Janeiro, voltado para Paleontologia e Geologia. Lá, elas já estão na quarta edição. No ano passado, foi realizada a primeira edição na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e eu fui uma das palestrantes convidadas. Assim, com amigas pesquisadoras, tivemos a ideia de trazer o projeto para a USP, na expectativa de expandir mais os temas científicos e ter uma procura grande dessas meninas”, contou a coordenadora do evento.

O curso é gratuito e começa no dia 27 de outubro. Serão apresentados conteúdos teóricos e práticos, lecionados por diferentes professoras e pesquisadoras, com os temas oceanografia, astronomia, neurociência, engenharia elétrica, farmacologia, educação, paleontologia, astrobiologia, microbiologia e zoologia. Serão cinco sábados de palestras e atividades práticas em laboratórios do Instituto Oceanográfico (IO-USP), das 9h às 17h.

“Participarão professoras e especialistas de diferentes áreas das ciências. O curso terá uma parte teórica numa linguagem mais acessível a essas meninas, e haverá a parte prática. Nós temos [na USP] uma infraestrutura de laboratórios e de espaço onde essa parte prática pode ser desenvolvida e mostrada para as meninas”, detalhou Camila.

As inscrições podem ser feitas até o dia 10 de outubro Meninas Com CIência. O curso é aberto a garotas que estejam matriculadas entre o 5º e o 9º ano do Ensino Fundamental, tanto em escolas da rede pública como da particular do Estado de São Paulo. De acordo com as organizadoras, as 50 vagas oferecidas serão divididas entre as participantes por meio de sorteio.

Fonte: Agência Brasil

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STF deve retomar hoje julgamento sobre legalidade do ensino domiciliar

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12 de setembro de 2018

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar hoje, 12, a partir das 14h, o julgamento sobre a legalidade do ensino domiciliar de crianças, conhecido como homeschooling.
 
O julgamento foi suspenso na semana passada e houve somente o voto do relator, ministro Luís Roberto Barroso, a favor da modalidade de ensino. Faltam os votos de mais dez ministros.

O homeschooling acontece quando os pais não matriculam seus filhos em escolas públicas ou particulares e orientam os estudos em casa.
 
Em seu voto, Barroso se manifestou a favor do ensino domiciliar por entender que a Constituição trata somente do ensino oficial e não há norma específica para impedir a educação domiciliar.

 

Argumentação

Para o ministro, alguns pais preferem comandar a educação de seus filhos diante das políticas públicas ineficazes na área de educação e dos resultados na qualidade no sistema de avaliação básica, além de convicções religiosas.  
 
Barroso também citou que o homeschooling está presente nos Estados Unidos, Finlândia e Bélgica, entre outros países.
 
“Sou mais favorável à autonomia e emancipação das pessoas do que ao paternalismo e às intervenções do Estado, salvo onde eu considero essa intervenção indispensável", argumentou.
 
Durante o julgamento, o advogado Gustavo Saboia, representante da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), defendeu o ensino domiciliar e disse que cerca de 15 mil crianças estudam por meio desta modalidade no Brasil.
 
A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu a obrigatoriedade da matrícula no ensino regular e o dever de o Estado assegurar a educação gratuita e obrigatória.

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Brasil amplia investimento em educação infantil, diz OCDE

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11 de setembro de 2018

Nos últimos anos, o Brasil aumentou os investimentos em educação infantil até os 5 anos de idade, e ficou à frente de países latino-americanos, de acordo com o relatório Education at a Glance 2018 (Um olhar sobre a educação, em tradução livre), publicado hoje, 11, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O montante gasto por criança, no entanto, ainda é pouco e está entre os mais baixos dos países analisados.

Segundo o relatório, o Brasil passou de um investimento equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas pelo país, em 2010, para o equivalente a 0,7% em 2015 em creches e pré-escolas.

O nível de investimento está abaixo da média dos 35 países que compõem a OCDE, que é 0,8% do PIB, mas está acima de países da América Latina, como Argentina, Colômbia, Costa Rica e México.

Apesar disso, o Brasil investe apenas US$ 3,8 mil por criança por ano nas creches públicas, um dos mais baixos investimentos, tanto entre os países membros da OCDE, maioria formada por países ricos, quanto entre as economias parceiras.  

“Há uma consciência crescente do papel fundamental que a educação e os cuidados na primeira infância desempenham no desenvolvimento, aprendizagem e bem-estar das crianças”, diz o relatório.

E acrescenta: “Pesquisas mostram que o desenvolvimento de áreas de grande importância, como controle emocional, habilidades sociais, linguagem e contagem, atinge o auge nos primeiros 3 anos de vida de uma criança”.

 

Inclusão

Em termos de inclusão, o Brasil também está à frente de países latinos. Segundo o estudo, 22% das crianças de até 3 anos estão na escola. Dados mais atualizados, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que essa porcentagem chegou a 30,4% em 2015.

O índice brasileiro é maior que outros países como Argentina (5%); Chile (20%); Costa Rica (2%) e México (2%). A única exceção é a Colômbia, que incluiu 49% das crianças nas creches. Na pré-escola, de acordo com o relatório, o acesso no Brasil é maior, chega aos 90% aos 4 anos de idade, 97% aos 5 anos e 100% aos 6 anos.

Por lei, pelo Plano Nacional de Educação (PNE), o Brasil tem que ampliar o atendimento para 50% das crianças de até 3 anos de idade até 2024. A estimativa é que 2,4 milhões de crianças precisarão ser incluídas. O país deveria ter universalizado o acesso à pré-escola, aos 4 e 5 anos de idade, até o ano passado.

 

Jovens e adultos

Se na infância o Brasil supera países latino- americanos em inclusão, o mesmo não ocorre na medida em que a idade avança. O país registrou uma das maiores porcentagens de adultos sem ensino médio entre todos os países analisados.

Após os 14 anos, as taxas de educação vão caindo. Entre 15 e 19 anos, 69% seguem estudando e, entre 20 e 24 anos, apenas 29%. Em média, essas porcentagens chegam, entre os países da OCDE, a 85% e 42%, respectivamente.

“Um fator de risco potencial que pode ser associado à queda considerável nas matrículas, particularmente nas idades em que os estudantes deveriam cursar o ensino médio, é a alta incidência de frequência acima da idade no Brasil”, diz o texto.

Para a OCDE, os alunos são considerados acima da idade quando são pelo menos 2 anos mais velhos do que a idade pretendida para a série, principalmente porque repetem de ano.

No Brasil, cerca de 14% dos alunos do último ano do ensino fundamental estão acima da idade pretendida de 14 anos. Entre os países da OCDE, em média apenas 2% dos estudantes estão nessa situação.

 

Investimentos

Em relação ao investimento em toda a educação brasileira, os dados do ensino infantil se repetem: o Brasil investe uma parcela relativamente alta de seu Produto Interno Bruto e no seu gasto público total em educação, no entanto, a despesa por aluno ainda está aquém da maioria dos países da OCDE e das nações parceiras.

O Brasil investe o equivalente a 5,5% do seu PIB. Considerando apenas os investimentos públicos em educação pública, esse percentual chega a 5%. Em média, os países da OCDE investem também 5% do PIB em educação.

Em valores, no entanto, o montante brasileiro é menor. Segundo o relatório, o governo brasileiro aplica, em média, em todos os níveis de ensino, US$ 3,8 mil por aluno, o que equivale a menos da metade da média dos países da OCDE.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que o investimento público em educação no Brasil caiu porque era equivalente a 6% do PIB em 2014.

A meta estipulada pelo PNE é o investimento anual equivalente a pelo menos 10% do PIB em educação pública a partir de 2024.

O plano estabelece ainda a meta intermediária de investimento de 7% do PIB em 2019. De acordo com Inep, para a meta de 2019 ser atingida, será necessário o incremento de aproximadamente R$ 120 bilhões nos recursos para educação pública.

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