“Melhor professor do mundo” é franciscano

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26 de março de 2019

Peter Tabichi, religioso franciscano, ganhou o Global Teacher Prize de 2019, conferido pela Fundação Varkey, organização de caridade dedicada à melhoria da educação para crianças carentes. Tabichi foi elogiado por suas realizações em uma escola sem infraestrutura, em meio a classes lotadas e poucos livros didáticos.

Ele quer que os alunos vejam “a ciência é o caminho certo” para ter sucesso no futuro. O prêmio, anunciado em uma cerimônia em Dubai, reconhece o compromisso “excepcional” do professor com os alunos em uma parte remota do Vale do Rift, no Quênia. Ele doa 80% de seu salário para apoiar os estudos dos seus alunos, na Escola Secundária Keriko Mixed Day, no vilarejo de Pwani. Se não fosse a ajuda do professor, as crianças não conseguiriam pagar por seus uniformes ou material escolar.

Melhorando a ciência
“Nem tudo é sobre dinheiro”, diz Tabichi, cujos alunos são quase todos de famílias bem pobres. Muitos são órfãos ou perderam um dos pais. Seu objetivo é que os estudantes tenham grandes ambições, além de promover a ciência, não apenas no Quênia, mas em toda a África, diz.

Ele venceu entre outros dez mil indicados de 179 países, entre eles a professora Debora Garofalo, que ensina matérias de tecnologia em uma área carente de São Paulo. Mas Tabichi diz que enfrenta “desafios com as instalações precárias” de sua escola, inclusive com a falta de livros ou professores.

“A escola fica em uma área muito retoma. A maioria dos estudantes vêm de famílias muito pobres. Até pagar o café da manha é difícil. Eles não conseguem se concentrar, porque não se alimentaram o suficiente em casa”, contou em entrevista publicada no site do prêmio.

As classes deveriam a ter entre 35 e 40 alunos, mas ele acaba ensinando grupos de 70 ou 80 estudantes, o que, segundo o professor, deixa as salas superlotadas. A falta de uma boa conexão de internet faz com que ele vá até um café para baixar os materiais necessários para suas aulas de ciências. E muitos dos seus alunos andam mais de 6km em estradas ruins para chegar à escola.

No entanto, Tabichi diz que está determinado a dar aos alunos uma chance de aprender sobre ciência e ampliar seus horizontes. Seus estudantes foram bem sucedidos em competições científicas nacionais e internacionais, incluindo um prêmio da Sociedade Real de Química do Reino Unido.

Fora da sala de aula
Tabichi diz que parte do desafio tem sido persuadir a comunidade local a reconhecer o valor da educação, o que leva a visitar famílias cujos filhos correm o risco de abandonar a escola. Ele tenta mudar a mentalidade de pais que esperam que suas filhas se casem cedo – encorajando-os a deixar as meninas continuarem seus estudos.

O professor também ensina técnicas de cultivo mais resistentes aos moradores dos arredores, já que a fome é uma realidade frequente na região. “Insegurança alimentar é um grande problema, então ensinar novos jeitos de plantar é uma questão de vida ou morte”, disse em entrevista à Fundação Varkey.

Além do contato com as famílias, a atuação de Tabich se estende aos “clubes da paz” que ele organiza na escola, para representar e unir as sete tribos presentes ali. A violência tribal explodiu no Vale do Rift depois da eleição presidencial de 2007 e houve muitas mortes em Nakuru.

“Para ser um grande professor você tem que ser criativo e abraçar a tecnologia. Você realmente tem que abraçar essas formas modernas de ensino. Você tem que fazer mais e falar menos”, ele disse à fundação.

O prêmio
O prêmio conferido a ele busca elevar o status da profissão de docente. O vencedor do ano passado foi um professor de arte do norte de Londres, Andria Zafirakou.

O fundador da premiação, Sunny Varkey, diz esperar que a história de Tabichi “inspire os que procuram entrar na profissão e seja um poderoso holofote sobre o incrível trabalho que os professores fazem no Quênia e em todo o mundo, diariamente”. “As milhares de indicações e inscrições que recebemos de todos os cantos do planeta são testemunho das conquistas dos professores e do enorme impacto que eles têm em as nossas vidas”, diz.

BRASILEIRA ENTRE OS FINALISTAS

No dia a dia como professora de tecnologias da escola EMEF Almirante Ary Parreiras, na capital paulista, Garofalo agrega à lousa outros instrumentos para ensinar. Pelas mãos dela e de seus alunos, que têm entre 6 e 14 anos, o lixo jogado nas ruas das favelas de São Paulo se transforma em soluções para problemas da comunidade. Garrafas pet, vidro, restos de fiação viram filtro de água, semáforo, máquina de sorvete, e até tecnologia de energia renovável para substituir o gato elétrico em casas da favela. “Coletamos lixo das ruas das comunidades próximas à escola e fizemos um primeiro carrinho movido a balão de ar. Esse carrinho virou febre e, no dia seguinte, tinha criança do lado de fora me esperando com materiais recicláveis querendo fazer o carrinho”, disse Garofalo à BBC News Brasil.

Assim nasceu o projeto “Robótica com Sucata” – que virou referência no Brasil e ganhou a atenção do mundo. Em quatro anos, mais de 700 kg de lixo foram retirados das ruas pelos estudantes; o resultado da EMEF Almirante Ary Parreiras no Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade do ensino, subiu de 4.2 para 5.2; e alguns alunos de Garofalo já decidiram que querem ser físicos, engenheiros ou programadores. “Um dos meus primeiros alunos passou agora em física na USP. É um orgulho enorme”, conta a professora, que é formada em Letras e Pedagogia.

Fonte: Sean Coughlan, da BBC News

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Inep cria comissão para decidir itens que farão parte do Enem 2019

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21 de março de 2019

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), criou hoje (20) um grupo que será responsável por decidir as questões que entrarão ou não no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A medida consta de portaria publicada no Diário Oficial da União.

O grupo é composto pelo secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Marco Antônio Barroso, pelo diretor de Estudos Educacionais do Inep, Antonio Maurício das Neves, e por Gilberto Callado de Oliveira, representante da sociedade civil.

Eles serão responsáveis por recomendar a não utilização de itens na montagem do exame, mediante justificativa. A análise passará depois pelo diretor de Avaliação da Educação Básica, Paulo Cesar Teixeira, que deverá emitir um contra parecer para cada um desses itens. A decisão final da utilização ou não caberá ao presidente do Inep, Marcus Vinícius Rodrigues.

A portaria estipula o prazo de dez dias para que isso seja feito. A comissão terá acesso ao ambiente de segurança onde é elaborado o exame.

"Os especialistas da comissão são nomes reconhecidos e que podem contribuir para a elaboração de uma prova com itens que contemplem, não apenas todos os aspectos técnicos formais, mas também ecoem as expectativas da sociedade em torno de uma educação para o desenvolvimento de um novo projeto de País", diz, em nota, o presidente do Inep.

ELABORAÇÃO DOS ITENS

Os itens do Enem são elaborados por especialistas selecionados por meio de chamada pública. Eles devem seguir as matrizes de referência, guia de elaboração e revisão de itens estabelecidos pelo Inep.  Os itens passam, então, por revisores e depois por especialistas do Inep.

Finalmente, são pré-testados em aplicações feitas em escolas. O processo é sigiloso e os estudantes não sabem que estão respondendo a possíveis questões do Enem. Com a aplicação, avalia-se a dificuldade, o grau de discriminação e a probabilidade de acerto ao acaso da questão. Os itens aprovados passam a compor o Banco Nacional de Itens, que fica disponível para aplicações futuras do Enem.

Segundo Rodrigues, como a elaboração de um item é um processo longo e oneroso, nenhum será descartado. As questões dissonantes serão separadas para posterior adequação, testagem e utilização, se for o caso.

A segurança, segundo ele, também será garantida. Localizado na sede do Inep, em Brasília, o Ambiente Físico Integrado Seguro só pode ser acessado por pessoas autorizadas. O ambiente é completamente isolado, possui salas que só podem ser acessadas pelo uso de digitais e computadores sem acesso à internet. Todo o processo de captação, elaboração e revisão de itens para compor o Enem e outros exames do instituto ocorre nesse espaço.

Segundo a autarquia, pelo caráter sigiloso do Banco Nacional de Itens, não será publicado relatório de trabalho sobre o processo. Tampouco os membros da comissão estão autorizados a se pronunciar sobre o trabalho.

DATAS DO ENEM

Este ano, o Enem será aplicado nos dias 3 e 10 de novembro. As inscrições estarão abertas de 6 a 17 de maio.

Entre 1º e 10 de abril, os estudantes poderão pedir isenção da taxa de inscrição. Nesse mesmo período, o Inep vai receber as justificativas dos que faltaram às provas em 2018.

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Retorno das atividades na EE Prof Raul Brasil

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18 de março de 2019

Na segunda-feira (18/3) a escola será reaberta apenas para professores e funcionários, para traçar o planejamento e estruturação de atividades de acolhimento e preparação psicológica, com o apoio de várias secretarias do Governo de São Paulo e da Prefeitura de Suzano, além de profissionais do Instituto de Psicologia da USP, Unicamp, Centros de Atenção Psicossocial (Capes) da Prefeitura, entre outras instituições.

A partir da próxima terça-feira (19/3), a escola será reaberta para os alunos participarem de atividades de acolhimento. Serão atividades livres para apoio psicológico, oficinas, terapia em grupo, rodas de conversa, depoimentos e compartilhamento de boas práticas. Para dar todo o suporte aos professores e servidores da escola, as equipes técnicas de especialistas do Governo de São Paulo e da Prefeitura de Suzano estarão na unidade ao longo de toda esta semana.

 Com objetivo de mudar o ambiente escolar, toda estrutura interna já está sendo pintada e revitalizada pela Seduc-SP, com o apoio da comunidade escolar.

 Uma rede de apoio com instituições públicas e privadas foi formada desde o primeiro dia do episódio na escola. Esta rede atuou durante todo este fim de semana, realizando atendimento psicológico e especializado na Diretoria Regional de Ensino de Suzano e na Capes de Suzano, bem como fazendo visitas domiciliares às famílias das vítimas.

 A definição sobre a data da retomada das aulas será tomada pela Direção da escola, nesta semana.

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Dom Carlos Lema Garcia celebra missa pela formatura do curso de Pedagogia da USP

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16 de fevereiro de 2019

Na manhã do domingo, 10, Dom Carlos Lema Garcia, Bispo Auxiliar da Arquidiocese no Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade, presidiu, na Capela do Mosteiro de Santa Teresa de Jesus, a Santa Missa em ação de graças pela formatura dos alunos do curso de Pedagogia da Universidade de São Paulo - USP.

A missa contou com a participação e oração das monjas carmelitas, que gentilmente acolheram o pedido dos formandos para agradecer pela formatura aos pés da padroeira dos professores, Santa Teresa de Jesus. Membros da Comunidade Católica Famílias Novas do Imaculado Coração de Maria, do Movimento Comunhão e Libertação e do Opus Dei também estavam presentes.

Na homilia, o Celebrante refletiu sobre o Evangelho do dia (Lc 5, 1-11), mostrando a diferença entre ser pescador e ser peixeiro: enquanto um sai com o barco, vai ao encontro dos peixes, trabalha a noite inteira e faz a pesca, o outro espera o peixe chegar até seu balde. Alertou sobre a responsabilidade dos pedagogos conduzirem os alunos com o bom exemplo e testemunho cristão, destacando que algumas profissões lidam com pedras, madeiras, metais, mas o professor lida com o bem mais precioso: a alma. É preciso ser fermento na massa, “avançai para águas mais profundas”.

Após a celebração, os formandos puderam pedir orações e conversar com as monjas.

 

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Por uma educação que inclua e acolha

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20 de fevereiro de 2019

No dia 31 de janeiro, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou o Censo Escolar 2018. O documento revelou o aumento no número de matrículas de alunos que apresentam algum tipo de necessidade especial nas escolas regulares em todo o Brasil.

EM EVOLUÇÃO

Entre 2014 e 2018, a presença de alunos especiais nas escolas regulares passou de 87,1% para 92,1%. O Plano Nacional de Educação prevê a inclusão de alunos especiais nas escolas comuns.

O mesmo Censo Escolar apontou que 38,6% das escolas públicas de ensino fundamental e 55,6% das privadas oferecem banheiros adaptados. Também no ensino fundamental, 28% das escolas públicas e 44,7% das particulares têm dependências adequadas para pessoas com necessidades especiais.

Já para o ensino médio, 60% das escolas públicas e 68,7% das particulares oferecem banheiro especial. Além disso, 44,3% das públicas e 52,7% das instituições privadas possuem no seu espaço dependências adequadas.

DIFICULDADES

A rede pública de ensino foi responsável por atender 97,3% das matrículas em 2018. No entanto, estar de portas abertas para esse grupo ainda parece ser algo desafiador para professores e diretores.

Esse obstáculo foi visto de perto por Daniela Maria Regassi, 40, que é design de interiores e mãe de Ana Beatriz, 9, que tem síndrome de Down.

Quando a garota estava com 6 anos de idade, a mãe tentou matriculá-la se no primeiro ano do ensino fundamental. Após percorrer 23 escolas - municipais, estaduais e particulares - e não encontrar em qualquer delas ao menos a garantia de que um profissional acompanharia Ana Beatriz durante o período em que estivesse na escola, Daniela foi orientada pelo instituto que acompanha a criança a não realizar a matrícula naquele ano.

UM BOM EXEMPLO

A mãe de Ana Beatriz, após dialogar com professores e profissionais da educação, decidiu ir à cidade de Santo Caetano do Sul (SP). Ao procurar a Secretaria de Educação do município, foi informada de que todas as suas unidades ofereciam acompanhantes para os alunos com necessidades especiais.

Daniela decidiu mudar-se para a cidade e há três anos recebe da Escola Municipal Elvira Carmela Maria Paolino Braido o acolhimento que buscou por pouco mais de um ano.

“Hoje ela está em uma escola que tem sala de apoio para crianças com necessidades especiais, uma coordenadora de inclusão, e está sendo estimulada, aprendendo a escrever seu nome. Sou muito bem acolhida, minha filha é muito bem tratada e a cada ano eles buscam melhorar”, salientou.

EDUCAÇÃO INCLUSIVA DE FATO

A design de interiores classificou como grande diferencial da escola em que a filha está matriculada, a preocupação no aperfeiçoamento, ano após ano. Ela mantém contato com a escola e há cada dois meses solicita a direção uma reunião com os professores.

Para Daniela, é necessário que seja oferecido aos profissionais o preparo adequado para lidar com os alunos especiais, que a escola ofereça materiais didáticos diferenciados e que os professores não tenham medo do novo, a partir da capacitação para saber acolher.

AINDA EM SÃO CAETANO DO SUL

Na mesma cidade, vive a professora de Inglês, Vera Lúcia Franco Figueiredo, mãe de Rebecca Silva Figueiredo, 10, que também tem síndrome de Down. Vera nunca pensou em matricular sua filha em uma escola especial e, atualmente, a menina estuda no colégio particular Eduardo Gomes.

Vera falou à reportagem que sua filha não conta com um material didático especial, mas que considera o fato de ter uma mediadora que acompanha a estudante nas aulas um importante fator para a acolhida.

Assim como Daniela, a mãe de Rebecca sofreu com a resistência de algumas instituições. “Algumas escolas falavam que iriam verificar as vagas e retornariam com uma resposta e é claro que nunca retornaram”, declarou.

Ela também acredita na capacitação dos profissionais para lidar com as necessidades especiais o principal fator de inclusão.

ENSINO PRIVADO

Amábile Pácios, que é professora, gestora de escola e vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares, representante de dois terços das escolas de ensino básico e educação superior do Brasil, relacionou o aumento de alunos especiais no ensino comum aos avanços na medicina. Para ela, diagnósticos mais assertivos evidenciam os casos que já existiam anteriormente.

A professora esclareceu que as escolas particulares utilizam sua proposta pedagógica própria para definir como será feito o acolhimento deste grupo de alunos: “Cada escola tem a liberdade de fazer essa inclusão dentro da metodologia que escolheu, depois que foi feito o acolhimento cada uma vai orientar o trabalho com a criança”, continuou.

As unidades de ensino particular são regulamentadas pelo Plano Nacional de Ensino e cada estado define como suprir essa demanda, conforme a sua própria realidade. Além disso, toda proposta pedagógica precisa ser avaliada e autorizada pelo poder público, por meio das secretarias estaduais de educação.

Ela definiu, ainda, que o acolhimento de alunos especiais nas escolas regulares representa um avanço tanto para a própria criança, quanto para a comunidade, segundo Amábile, o País progrediu nesse aspecto.

FUTURO

“A nossa perspectiva é que as mudanças no atendimento educacional especializado, sistemas de ensino e formação de professores favoreçam a proposta para que os estudantes não somente se matriculem, mas que sua participação, permanência e aprendizagem sejam mais efetivas nas escolas do ensino regular", reiterou Patrícia Raposo, diretora de Educação Especial da Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação.

O Ministério da Educação (MEC) tem a responsabilidade de elaborar e acompanhar a política nacional de educação especial. Um exemplo disso é o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) que oferece a oportunidade de empreender reformas de acessibilidade, mediante um projeto enviado pela própria escola e aceito pelo MEC.    

A diretora afirmou que, em 2018,  o MEC desenvolveu estudos, elaborou uma consulta pública e uma proposta de atualização para a política nacional de educação especial. "Essa proposta foi encaminhada para o Conselho Nacional de Educação, que neste ano fará o estudo também com audiência pública para a apreciação normativa e evolução resolução dirigida do sistema de ensino", concluiu.  

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Educação e esperança para as meninas do povo Gumuz

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15 de fevereiro de 2019

A tribo Gumuz vive no oeste da Etiópia, próxima à fronteira com o Sudão. Outrora nômades, entre os séculos XIX e XX, eles foram vítimas de escravagistas muçulmanos vindos do Sudão. Até hoje vivem na pobreza, e a sua vida é extremamente difícil, principalmente para as mulheres.

É muito difundida a crença de que o sangue da mulher durante o parto traz uma maldição para a família. Por isso, as mulheres devem dar à luz sozinhas, em lugares distantes e sem nenhuma ajuda. Como muitas são forçadas a se casar muito novas, quando seus corpos ainda não estão maduros o suficiente para a gravidez e o parto, as complicações são frequentes e, muitas vezes, fatais. Essas e outras superstições são causa de grande sofrimento e dor.

Há poucos anos, esse povo teve seus primeiros contatos com o cristianismo. Muitos deixaram de ser nômades e têm buscado o batismo. Nos últimos três anos, as irmãs da Congregação de São José da Aparição têm trabalhado com eles. Três irmãs preparam os candidatos ao batismo e ajudam-nos a entender melhor e viver a fé católica. Uma ajuda especial é direcionada às meninas e jovens mulheres para assegurar sua educação.

Vivendo em condições precárias, numa pequena cabana, as irmãs trabalham diretamente com as famílias, para convencê-las a oferecer às meninas uma boa formação.

Fonte: Ajuda à Igreja que Sofre
 

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Brasil terá Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio

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15 de dezembro de 2018

Aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) no dia 4, após mais de três anos de discussão, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio depende apenas da homologação do Ministério da Educação para entrar em vigor. 

Com a medida, haverá pela primeira vez no País um currículo nacional obrigatório, porém isso não significa uniformização, pois se prevê maior flexibilidade para que o agrupamento dos conteúdos se adeque às realidades regionais e às escolhas dos estudantes. 

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS EM EDUCAÇÃO

‘É um grande retrocesso’

Essa é a avaliação de Heleno Araújo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) sobre o texto da BNCC do Ensino Médio. Araújo considera que a Base aumentará ainda mais o número de 1,7 milhão de jovens, entre 15 e 17 anos, que não cursam o Ensino Médio, e afetará a formação cidadã dos estudantes. “O foco dessa Base é na ação privatista, na mão de obra barata e imediata para atender à demanda do capital. Isso será péssimo para a formação humana dos nossos estudantes”. Ele disse que a entidade irá à Justiça para impedir que a Base seja homologada e colocada em prática nos estados.

‘Precisamos de uma base comum porque temos uma nação continental, com muitas características regionais’

Esse é o entender do professor Ítalo Francisco Curcio, pós-doutor em Educação e coordenador do curso de Pedagogia da Universidade Mackenzie. Curcio considera que um dos principais desafios da BNCC do Ensino Médio será “a adequação das matrizes curriculares regionalizadas, em especial nas redes estaduais”, notadamente por causa do momento de transição dos governos estaduais. “Será que aquilo que se ensina ao estudante na região Nordeste tem que seguir o mesmo encaminhamento, método e estratégias do trabalhado em outras regiões? Claro que não. A realidade é regionalizada, porém, precisamos de algo comum, pois a nação é uma só”, avaliou à reportagem. 

O Pós-Doutor em Educação relativiza os argumentos de que com a Base se passará de uma escola “conteudista” para uma escola “tecnicista”. “Isso vai depender de como cada secretário de estado encaminhará a questão. Será preciso trabalhar com os objetivos atitudinais e comportamentais, com as habilidades, pois o que vemos hoje, infelizmente, na rede pública, é um conteúdo não contextualizado: o estudante aprende algo em Matemática, mas não sabe para que vai usar esse assunto específico em sua vida, por exemplo”. 

‘Implementar com qualidade e equidade será o desafio’

Assim se manifestou o Movimento pela Base Nacional Comum, um grupo não governamental de profissionais da educação. Em seu site, o grupo também afirma que “na construção e implementação dos novos currículos, a atenção se voltará, por exemplo, para como organizar a progressão das aprendizagens e como equilibrar a parte comum com a flexível (os itinerários formativos determinados pela Lei do Novo Ensino Médio)”. 

‘No arranjo curricular, o aluno pode deixar de ver  conteúdos muito importantes’

O alerta é feito pelo professor Antonio Carlos Caruso Ronca, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Educação da PUC-SP. Ronca considera importante que o País tenha uma BNCC, mas acredita que a versão aprovada para o Ensino Médio é ruim, “peca pelo exagero de habilidades e competências, e assim haverá uma complicação no trabalho do professor”. Ele também criticou a supervalorização dada às disciplinas de Português e Matemática. “O estudante deve ter o direito de conhecer todo o conteúdo historicamente acumulado, de se situar sobre a região onde está, de perceber os problemas da região e de se formar na qualidade de cidadão”, comentou. 

‘A organização deixa ser estanque e se torna mais focada no cotidiano’

Assim avaliou, em entrevista ao portal G1, Eduardo Deschamps, presidente da comissão da BNCC no Conselho Nacional de Educação. “Em vez de estudar especificamente uma disciplina de Física ou Química, eu posso tratar de um problema de Matemática e Meio Ambiente, aplicar os conhecimentos conjugados”, exemplificou.

(Com informações de G1, MEC, Agência Brasil  e Movimento pela Base Nacional Comum) (Colaborou: Fernando Geronazzo)
 

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MEC libera recursos para educação em tempo integral

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04 de dezembro de 2018

O Ministério da Educação (MEC) autorizou, na segunda-feira, 26, a transferência de recursos para que os estados implementem a educação em tempo integral no Ensino Médio. Ao todo, serão liberados R$ 99 milhões, distribuídos entre todos os estados e o Distrito Federal, com exceção do Mato Grosso.

A liberação foi feita no âmbito do Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral, para complementar o pagamento da primeira parcela de recursos correspondentes ao ano de 2019.

O dinheiro do programa pode ser usado, entre outras coisas, para remuneração e aperfeiçoamento de professores e dos demais profissionais da educação; para aquisição, manutenção, construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino; aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar.

O programa busca viabilizar uma das ações previstas no novo Ensino Médio, aprovado em 2017, de ampliar a educação em tempo integral. Os estudantes passarão a participar de atividades na escola por até 7 horas por dia.

Fonte: Agência Brasil
 

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‘A educação é uma questão urgente no País’

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04 de dezembro de 2018

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o professor Antonio Carlos Caruso Ronca falou sobre os desafios da educação básica no Brasil. Atual coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Educação na PUC-SP, Ronca já foi reitor dessa universidade, presidente do Conselho Nacional de Educação e assessor do Ministério da Educação. Para ele, a educação precisa ser considerada como um único processo, independentemente da sua esfera de competência. Leia a íntega a seguir. 

 

O SÃO PAULO - QUAL É A ATUAL SITUAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA NO BRASIL?

Professor Antonio Carlos Caruso Ronca - Antes, eu preciso fazer algumas observações preliminares. A primeira é que, ao contrário do que se tem dito, a educação tem melhorado no Brasil e alguns números mostram essa evolução. No entanto, o conjunto de problemas é tão grande que ainda resta muito por fazer. Só que também temos evoluído em alguns aspectos, sendo que um deles é a taxa de atendimento escolar. Segundo dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em 2017, nós atingimos 96,4% de atendimento escolar. O primeiro ano do Ensino Fundamental chega a atingir 98%, porém o número vai caindo nos anos seguintes. No entanto, precisamos considerar que, em 1970, essa taxa era de 40%.  Então, o índice de acesso está muito melhor , o que mostra que a educação tem jeito. 

Há, ainda, a questão da desigualdade, ou seja, a diferença entre a educação pública e a privada, que é brutal. Nós temos uma educação pública que apresenta problemas muito graves. A meu ver, a educação privada deve existir. A Constituição Federal acerta quando diz que a educação privada é uma opção das famílias, mas respeitando-se essa opção das famílias, o Estado tem por obrigação oferecer a todas as famílias, crianças e jovens a possibilidade de ter um educação pública de qualidade e universal. 

 

QUAIS OUTROS ASPECTOS O SENHOR DESTACA?

Olhando para o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, há uma questão grave e que muitas vezes não é considerada com a devida importância. Trata-se da ineficiência dos sistemas estaduais e municipais para aprovar o aluno na idade certa. Essa é uma verdadeira chaga na educação, pois, uma vez reprovado, esse aluno vai repetir o ano, ficando defasado e, muitas vezes, a escola não está preparada pedagogicamente para lidar com essa situação, o que gera o abandono e a evasão escolar. Hoje, há alguns estados com um índice de distorção entre idade e série de 25% a 30%. Isso acarreta atraso, gasto financeiro, problemas para os professores e para as próprias escolas. Essa distorção tem repercussão no Ensino Fundamental que, geralmente, é de competência do governo estadual, que nem sempre dialoga com o município. A repercussão será maior nas últimas etapas do Ensino Fundamental que, por sua vez, repercutirá no Ensino Médio. Há estados em que o índice de reprovação no 3º ano chega a 10%, é alto!

 

E COMO EVITAR O ALTO ÍNDICE DE REPROVAÇÃO?

A escola não foi feita para reprovar. Se acontecer, deve ser uma exceção. Só que, em muitos casos, por diversas situações, como a ausência de um trabalho pedagógico coletivo, muito professores têm a reprovação como único recurso. É absolutamente importante que haja um trabalho de coordenação pedagógica, que corrige os problemas no desempenho do aluno no decorrer do processo. No entanto, isso exige um trabalho coletivo na escola. Por outro lado, aprovar automaticamente também não é a solução. Eu sou contra uma reprovação precipitada e generalizada, assim como sou contra uma aprovação indiferente, automática. Educação é um fenômeno complexo e precisa ser considerado como um único processo, independentemente da sua esfera de competência. 

 

EM QUAIS ETAPAS OS NÚMEROS SÃO MAIS PREOCUPANTES?

Os quatro anos finais do Ensino Fundamental mereceriam maior atenção da nossa parte. Segundo dados do Inep, 1,7 milhão de estudantes dos últimos anos Ensino Fundamental foram reprovados ou abandonaram a escola em 2017. Esse dado é três vezes maior que nos primeiros anos do Ensino Fundamental, o que já exigiria que o poder público chamasse os secretários de educação e organizasse alguma ação coletiva para identificar o que está acontecendo. Outro dado da mesma pesquisa: em 2017, 40% dos jovens com 19 anos não concluíram o Ensino Médio. Isso é alarmante para qualquer governante. Esses 40% não podem seguir adiante nos estudos. Na região Sudeste, o índice de conclusão escolar é de 70%; já no Nordeste o número cai para 50%. Há estados do Nordeste em que metade dos jovens de 14 anos nem sequer frequenta o Ensino Médio.

 

E QUANTO À QUALIDADE DA EDUCAÇÃO DOS QUE PERMANECERAM NA ESCOLA?

De fato, além da questão do acesso e permanência, há a questão grave da baixa qualidade. Se tomarmos a faixa etária de 18 a 24 anos, 17% estão na universidade. É um contingente baixo e que também é fraco do ponto de vista da qualidade. Há dados que mostram que o conhecimento sobre Língua Portuguesa e Matemática, Ciências etc., que são básicos, é muito reduzido, o que dificulta a frequência à universidade. Sem contar que muitos desses nem sempre concluem o Ensino Superior. 

 

QUAL A OPINIÃO DO SENHOR SOBRE A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR QUE ESTÁ EM DISCUSSÃO?

Acredito que a existência de uma Base Nacional Comum Curricular é importante. No entanto, não sei se eu, como dirigente, começaria por ela. Penso que há alguns problemas que vão além dessa dimensão, como mencionei anteriormente. Creio que, uma vez aprovada a Base Curricular, ela dê uma organicidade para a educação. No entanto, o aluno tem a necessidade de uma educação integral, que envolva formação de valores, em ética, em atitudes. Se a escola fica preocupada apenas em transmitir conteúdos, isso será arriscado. 

 

NESSE SENTIDO, A ESCOLA EM TEMPO INTEGRAL AJUDA?

Sim, desde que haja um projeto político-pedagógico da escola e não seja mais do mesmo, simplesmente aumentando a carga horária. Não sou favorável que a criança permaneça mais de 8 horas na escola. Outro cuidado com essa questão é não criar ilhas de excelência, em que apenas poucas escolas em determinado local ofereçam ensino em tempo integral, porque isso vai aumentar a desigualdade. Se é para implantar o ensino integral, deve ser um direito para todos, com uma proposta curricular específica para essa modalidade.

 

A POUCA VALORIZAÇÃO DOS PROFESSORES TAMBÉM CONTRIBUI PARA OS PROBLEMAS DA EDUCAÇÃO?

Essa situação me angustia muito. Há, na verdade, uma desvalorização dos professores. Primeiro, a profissão do professor não é mais um objeto de desejo das pessoas. Temos um bom número de instituições de Ensino Superior responsáveis por uma formação de professores de baixa qualidade. Esse professor, por sua vez, ganha pouco, não é valorizado no contexto em que trabalha. Por outro lado, há professores com medo, pois são ameaçados por alunos e também por pais, chegando a sofrer violências.

 

APESAR DE TUDO ISSO, HÁ ESPERANÇAS PARA A EDUCAÇÃO?

Com certeza. Estou na educação há 50 anos. Penso que estamos vivendo um momento crítico no Brasil. Nós conseguimos solução para alguns dos graves problemas, mas o caminho está sendo lento e precisa ser mais rápido. As nossas crianças não podem esperar esse ritmo de decisão que os governantes têm. A educação é uma questão urgente no País, não dá para esperar. Esse é um problema de toda a sociedade. Os governantes falam que educação é prioridade, mas isso não é levado à prática. Não digam que faltam recursos. Claro que há! Nós não temos uma prioridade. Educação tem de ser agora! 

 

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A família e a escola unidas no processo educativo

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24 de novembro de 2018

Quem não gostaria de ser descrito desta maneira: “Ele é uma pessoa segura, não se deixa manipular, faz escolhas com liberdade e reconhece quando errou”? Formar um ser humano com essas e outras virtudes é a base da educação personalizada. Criado no início dos anos 1960, esse modelo educativo é adotado por diferentes colégios no mundo, sendo que ao menos dez destes estão no Brasil (veja a relação na página ao lado). 

 

ORIGENS

Em 1963, na Espanha, um grupo de pais e professores sistematizou uma instituição educativa – Fomento de Centros de Ensino – com a proposta de que as famílias e as escolas atuassem conjuntamente na educação das novas gerações. Essa iniciativa ganhou o apoio de São Josemaría Escrivá, o fundador do Opus Dei, que sempre dizia aos pais que a primeira missão que lhes cabia era a de educar bem os filhos. 

As bases da educação personalizada foram arquitetadas por Víctor García Hoz, fundador da Sociedade Espanhola de Pedagogia. “A partir de uma concepção antropológica cristã, ele desenvolveu um modelo pedagógico muito completo, que conta com a família e com a comunidade social em que a criança ou adolescente está inserido. Dessa unidade entre família e colégio, se consegue o desenvolvimento das virtudes, que são as forças interiores, hábitos arraigados, que vão se tornando permanentes na vida de uma pessoa, de modo que ela possa fazer as coisas por motivação própria e de uma maneira cada vez mais perfeita”, explicou, ao O SÃO PAULO, Cláudio Alberto Rigo da Silva, diretor-geral do Colégio Catamarã Referência, localizado no Jardim Europa, na zona Sul da Capital Paulista.  

 

NO BRASIL E NO MUNDO

Fundado em 1995, o Colégio Catamarã, em suas duas unidades – Referência (masculina) e Vita (feminina) - adota o modelo de educação personalizada, que também é seguido no Brasil por, ao menos, outras nove instituições de ensino ligadas à rede Solar Colégios, a representante oficial no País da Fomento de Centros de Ensino. 

Além de Brasil e Espanha, esse modelo educativo é utilizado em colégios de outros países, como Reino Unido, Portugal, França, Polônia, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Suécia, Itália, Estados Unidos, México, Honduras, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala, Panamá, Peru, Equador, Bolívia, Paraguai, Chile, Argentina, Uruguai, El Salvador, Emirados Árabes, Líbano, Nigéria, Congo, Indonésia, Filipinas e Austrália.

 

DESENVOLVIMENTO HUMANO INTEGRAL

A base da escola personalizada é olhar para cada estudante como uma pessoa única, tal qual cada pai enxerga um filho. “Não é somente um olhar para o cognitivo, para o que a criança está aprendendo, mas também para como se desenvolve em suas virtudes, potencialidades, capacidades, a fim de que alcance o máximo que pode dar”, detalhou Cláudio Rigo. 

Além desse olhar singular, a educação personalizada ajuda na promoção da autonomia do estudante, na medida em que ele próprio passa a dominar seu desenvolvimento e aprendizagem.

De acordo com Patricia Fleury, diretora-geral do Colégio Catamarã Vita, a educação personalizada permite um olhar integral para todas as dimensões do ser humano. “Para efeitos pedagógicos e para que possamos entender o que significa a pessoa, dividimos essas dimensões em intelectual, afetiva, volitiva (a educação da vontade), transcendental (sair de si mesmo ao encontro dos outros e abertura a Deus) e física”, explicou à reportagem, destacando, ainda, que tais dimensões nunca são analisadas em separado: “Vê-se o aluno na sua integralidade. Então, por exemplo, se eu não tenho controle das minhas emoções, elas afetam o que eu faço. Se eu não tenho a vontade bem formada, também não vou conseguir ter um desempenho acadêmico bom. Se eu tenho alguma questão física, isso vai afetar as demais dimensões”, exemplificou. 

Ainda segundo Patricia, na educação personalizada “há todo um plano para se trabalhar as virtudes nas diferentes etapas, para que os valores sejam incorporados de uma forma ativa na vida de cada um, ou seja, é um hábito que é adquirido com esforço e com base na repetição, mas não fica em um valor abstrato. É algo que cada pessoa incorpora para a própria vida, é a formação do caráter”. 

 

ACOMPANHAMENTO INDIVIDUAL

Para o crescente desenvolvimento das virtudes dos estudantes, é fundamental a atuação dos tutores, professores da própria escola que acompanham os alunos individualmente ao longo de toda a vida acadêmica. A cada 15 dias, tutor e tutorado conversam pessoalmente, e a cada dois meses o diálogo do tutor é com os pais, a fim de traçar um Plano Pessoal de Melhora (PPM), alinhando ações e metas que cada estudante deve cumprir tanto no ambiente escolar quanto em casa.

“Esse tutor sempre vai olhar o aluno naquelas cinco dimensões e vai conversar com ele para ajudar que desenvolva suas virtudes, principalmente por meio do trabalho acadêmico. O esforço que o aluno precisa colocar em sua aprendizagem é o canal para o desenvolvimento de todas as virtudes que ele vai adquirir”, explicou Cláudio Rigo, destacando, ainda, que uma tutoria bem-sucedida colabora com a eficácia do trabalho dos demais professores, na medida em que o corpo docente, ciente das dificuldades de cada estudante, poderá encontrar caminhos para melhor motivá-lo a superá-las.

 

UNIDADES DIFERENCIADAS

Embora não seja padrão em todos os colégios adeptos da educação personalizada, o modelo “single sex education”, ou seja, de unidades de ensino distintas para meninos e meninas, é um instrumental considerado importante para a eficácia do processo de aprendizagem.

Desde 2015, o Catamarã adota essa diferenciação: as meninas de 6 a 17 anos estudam na unidade Vita, no bairro do Itaim Bibi, onde também há a educação infantil mista de 2 a 5 anos, e os meninos de 6 a 17 anos ficam na unidade Referência, no Jardim Europa. 

Em ambas, os alunos estudam em período integral, das 8h às 16h, com os mesmos objetivos pedagógicos, programas de estudos e ferramentas didáticas, em turmas com média de 15 a 20 estudantes. 

“Parece um contrassenso, mas ao diferenciar, você faz com que todos tenham oportunidades iguais. Os colégios andam juntos. A grade curricular de um é igual à do outro, e, ao fugir dos estereótipos, se dá a igualdade de oportunidades. Em aulas mistas, muitas vezes, as meninas são vistas de uma maneira, os meninos de outra, há estereótipos por parte de professores de que meninas não são tão boas em Matemática, de que meninos não são tão bons em línguas, por exemplo. Em um colégio só com meninos ou só com meninas, há uma libertação desses rótulos, pois cada um pode ser como de fato é”, explicou Patricia Fleury, chamando a atenção para alguns detalhes comportamentais das estudantes. 

“Aqui no Vita, vemos que as meninas não estão preocupadas em aparentar, estão preocupadas em ser. Elas não vêm para a escola toda produzidas, maquiadas, tentando se mostrar para os outros. Elas são quem são, e isso dá uma liberdade para que cresçam e se desenvolvam plenamente, que é a proposta da educação personalizada”, destacou a educadora. 

Claudio Rigo assegurou que essa educação diferenciada traz resultados melhores que os alcançados em uma escola mista, e tem sido vista como uma boa solução em países desenvolvidos com elevados índices de abandono escolar masculino. “Nos Estados Unidos, havia duas escolas públicas de educação diferenciada até 1995; agora já são quase 120. Se formos contar as escolas privadas, no início dos anos 2000 eram quase 40; hoje são quase mil”, comentou, recordando, ainda, que entre os dez melhores colégios ingleses sete adotam esse modelo que agrupa meninos e meninas em unidades escolares diferenciadas. 

Os dois diretores ressaltaram que o fato de estudarem em escolas separadas não implica que meninos e meninas não interajam ao longo da vida acadêmica, pois são realizados eventos escolares conjuntos e a proximidade entre as famílias proporciona muitos momentos de socialização entre os estudantes fora do ambiente escolar. 

 

A CAMINHO DA UNIVERSIDADE E DO MUNDO ADULTO

Em um modelo educativo centrado no desenvolvimento das virtudes humanas, o futuro profissional dos estudantes também é tratado com atenção, incluindo a preparação para o ingresso nas melhores universidades do Brasil e do exterior.  

“Nós percebemos que se o aluno está bem nas demais dimensões, o acadêmico passa a ser mais um fruto. O aluno que tem fortaleza, resiliência, que faz um trabalho até o final, é um aluno bem mais engajado academicamente, porque ele se esforça por melhorar. Então, esse olhar integral para com o aluno potencializa a parte acadêmica”, comentou Patricia. 

Cláudio Rigo destacou que, ao longo de toda a formação escolar, os estudantes do Colégio Catamarã são preparados para pensar criticamente: “Eles aprendem a argumentar, pois no Ensino Médio é o momento de enfrentar aqueles temas polêmicos na área de Biologia, de Filosofia, como as questões do aborto, células-tronco, as ideologias marxistas. Os professores procuram fazer com que os estudantes abordem cientificamente esses problemas, de forma que o aluno tenha as respostas científicas para tomar uma postura ética correta ao longo da vida”.

 

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