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Doutrina da Fé alerta para riscos da autossuficiência e do isolamento entre cristãos

Por Filipe Domingues
12 de março de 2018

O documento analisa teologicamente como, nos dias de hoje, ideias parecidas ao “neo-pelagianismo” e “neo-gnosticismo”, se manifestam por meio da autossuficiência e do isolamento na busca da própria salvação

Em carta enviada aos bispos de todo o mundo, intitulada Placuit Deo (“Agradou a Deus”), a Congregação para Doutrina da Fé alertou a Igreja principalmente para duas tendências do mundo moderno: o “neo-pelagianismo” e o“neo-gnosticismo”. São termos relacionados com o magistério do Papa Francisco,em referência a dois movimentos heréticos na história da Igreja. O documento analisa teologicamente como, nos dias de hoje, ideias parecidas se manifestam por meio da autossuficiência e do isolamento na busca da própria salvação.

Segundo Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer, Prefeito da Congregação, que é o principal organismo disciplinar da Igreja, de um lado há o individualismo centrado sobre o sujeito autônomo, que “tende a ver o homem como um ser cuja salvação depende somente de suas próprias forças”. Jesus Cristo, neste caso, é considerado só um modelo de “ações generosas”, mas não aquele que “transforma a condição humana, incorporando-nos em uma nova existência reconciliada com o Pai e entre nós, mediante o Espírito”. No segundo caso, continua o jesuíta, trata-se de uma visão da salvação “meramente interior”. Fala-se aqui de uma simples “convicção pessoal ou um intenso sentimento, de estar unidos com Deus, mas sem assumir, curar e renovar nossas relações com os outros e com o mundo criado”. Para ele, essa perspectiva ignora a “Encarnação do Verbo, pela qual Ele se fez membro da família humana, assumindo a nossa carneeanossa história para nós, homens, e para a nossa salvação”.

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