Semana Santa: a porta que dá acesso à nova vida é aberta

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17 de abril de 2019

Época importante de aprofundamento interior e renovação das experiências de fé, a Semana Santa, também chamada por muitos de “Grande Semana” ou “Semana Maior”, é considerada a mais importante do ano pelos cristãos de todo o mundo. Nela, celebra-se o mistério salvífico de Jesus, a partir do qual toda realidade humana adquire sentido pleno.

Assim, o período compreendido entre o Domingo de Ramos e o Domingo de Páscoa, especialmente o Tríduo Pascal, traz em si a densidade do amor divino revelado a toda a humanidade, ocasião a que todo católico é convidado a vivenciar e aprofundar, com recolhimento e devoção.

O SÃO PAULO traz a seguir um apanhado do significado de cada dia da Semana Santa:

 

DOMINGO DE RAMOS: oficialmente chamado de Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, é nesse dia que começa a Semana Santa. Nele, a Igreja celebra dois mistérios distintos e complementares: a entrada solene de Jesus em Jerusalém para celebrar sua última e definitiva Páscoa e, também, a sua Paixão e Morte. A entrada é celebrada com a bênção e a procissão dos ramos, ao passo que sua Paixão e Morte são celebradas na missa.

Uma motivação histórica explica a situação acima: antigamente, em Roma, não havia uma Semana Santa. Celebrava-se, no sexto domingo da Quaresma, a Paixão e Morte de Cristo, e, no domingo seguinte, a Páscoa do Senhor. Foi somente no século XI que a procissão de Ramos, costume originário de Jerusalém, foi sendo disseminada na Espanha e na França, tendo chegado posteriormente a Roma e passado a fazer parte da liturgia romana.

SEGUNDA-FEIRA SANTA: o episódio central deste dia é o fato de Maria, irmã de Marta e Lázaro, ter lavado os pés de Jesus com nardo perfumado, prefiguração da unção do corpo do Senhor em sua sepultura, e a falsa indignação de Judas quanto ao “desperdício” daquele nobre material.

TERÇA-FEIRA SANTA: é o dia em que, com grande tristeza, Jesus anuncia a própria morte, causando grande sofrimento a seus discípulos. Anuncia também a traição e indica Judas como o responsável por tal ato.

QUARTA-FEIRA SANTA: na meditação evangélica deste dia, a traição de Judas é apresentada, descrevendo-se como o apóstolo traidor se dirigiu aos chefes dos sacerdotes, a quem se ofereceu para entregar Jesus em troca de 30 moedas de prata.

QUINTA-FEIRA: na celebração da Última Ceia de Nosso Senhor, Jesus interpreta o sentido de sua vida e de sua morte, instituindo o Santo Sacrifício como seu eterno memorial, vida e ápice da Igreja. Com o gesto de lavar, humildemente, os pés dos seus 12 apóstolos, deixa assim o exemplo do serviço aos irmãos. Surgem aqui dois importantes sacramentos, a Eucaristia e a Ordem, síntese de todos os dons que Deus dirige aos homens, sinal de amor como entrega e como serviço até o fim. Na ocasião, Jesus encorajou seus discípulos a amarem-se uns aos outros, como Ele o fez. Depois disso, dirigiu-se ao Getsêmani, tomou consigo três discípulos e começou sua agonia nos jardins, onde posteriormente foi preso pelos judeus.

SEXTA-FEIRA SANTA: relembra o dia em que Nosso Senhor Jesus Cristo, depois de ter sido preso, julgado e condenado, carrega a própria cruz até o monte Calvário e é crucificado e morto entre dois ladrões. Seu corpo foi depois retirado da cruz e colocado num sepulcro cavado na rocha. Nesse dia, pratica-se o jejum e a abstinência de carne, em sinal de penitência e respeito pela morte de Nosso Senhor

SÁBADO SANTO (VIGÍLIA PASCAL): no Sábado Santo, com a oração silenciosa, honra-se a sepultura de Jesus Cristo e a sua descida à mansão dos mortos, a fim de resgatar os justos.

A celebração da Vigília Pascal é o centro da Semana Santa. Toda a Quaresma e os dias santos são um preparativo para o momento culminante: o da Ressurreição, expressão da esperança na ressurreição final e na segunda vinda do Senhor.

Considerada “a mãe de todas as santas vigílias”, pois nela a Igreja mantém-se de vigia à espera da Ressurreição do Senhor, a celebração compreende quatro partes:

- a liturgia da luz, que celebra Cristo, luz que ilumina todo homem, simbolizada no círio pascal, imagem de Cristo Ressuscitado;

- a meditação, por meio das narrativas bíblicas, a respeito das maravilhas da história da salvação que Deus realizou desde o início pelo seu povo;

- o nascimento espiritual de novos filhos de Deus por meio do sacramento do Batismo e a renovação da fé batismal dos fiéis;

- a tão esperada comunhão pascal, na qual se rende ação de graças a Nosso Senhor por Sua gloriosa Ressurreição, na esperança de que os fiéis também possam ressurgir como Ele para a vida eterna.

DOMINGO DE PÁSCOA: considerado o ápice do ano litúrgico, é o grande dia em que se comemora o triunfo definitivo de Cristo sobre a morte, por meio de sua Ressurreição, que abriu definitivamente as portas do céu a toda a humanidade. Dia maior de celebrar a fé, considera-se a prova de amor inequívoca de Cristo, a representação do acontecimento-chave para reabilitação do ser humano decaído, a fim de reconquistar para sempre a amizade com Deus.

Páscoa é, portanto, a celebração da vitória, que conclama todo homem à sua maior dignidade. Dia da esperança universal, o dia em que, em torno do Ressuscitado, a vida humana encontra novo patamar, junto de Deus e ao lado dos irmãos!

 

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‘Hoje começamos a celebrar a Páscoa’

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14 de abril de 2019

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu na manhã deste dia 14, na Catedral da Sé, a missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Essa celebração, marca o início da Semana Santa. 

“Hoje começamos a celebrar a Páscoa. Toda esta semana é celebração da Páscoa. Convido todos a participar dessa celebração com profunda fé”, explicou o Dom Odilo, na homilia. 

CONTRADIÇÃO HUMANA

Ao destacar os dois trechos dos evangelhos proclamados na liturgia desse dia – a entrada solene de Jesus em Jerusalém e a narrativa de sua paixão e morte no calvário – mostram o quanto as ações e reações humanas podem ser contraditórias. 

“O povo que aclamou Jesus no primeiro momento agora pede que o crucifiquem. São contradições as quais podemos cair quando nos deixamos influenciar por r discursos que não são orientados pela verdade.  Como é importante nos orientarmos pela verdade. Mantermo-nos firmes nas nossas convicções”, enfatizou. 

MISTÉRIO INSONDÁVEL 

O Cardeal Scherer ressaltou que para compreender  esse “insondável mistério da fé” é preciso não se deter apenas diante da cruz e do túmulo fechado.  “O túmulo vazio e os encontros com Jesus ressuscitado lançam luz nova sobre o mistério trágico dos sofrimentos e da morte de jesus na cruz”. 

“Jesus Cristo ressuscitado é a manifestação, no tempo e na história, da obra definitiva e completa que Deus prepara para nós”, acrescentou Dom Odilo. 

VIDA NOVA

Por fim, o Arcebispo lembrou que cada cristão participa da Páscoa do Senhor por meio do Batismo e do seu testemunho de vida cristã. “Com ele [Cristo] morremos ao pecado; com ele, ressuscitamos para a vida nova, para vivermos como ‘novas criaturas’. Abre-se para os que creem no Cristo ressuscitado, um horizonte de existência, onde terra e céu, tempo e eternidade se encontram”, concluiu. 

Dom Odilo também convidou os fiéis a participarem das celebrações da Semana Santa nas paróquias e comunidades da Arquidiocese, especialmente do Tríduo Pascal, que começa na quinta-feira, 18, com a Missa da Ceia do Senhor, e termina com a celebração da Páscoa da Ressureição, no domingo, 21. 

Leia a reportagem completa na próxima edição do jornal O SÃO PAULO, em 16/04/2019. 

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Domingo de Ramos: ‘Bendito o que vem em nome do Senhor!’

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Domingo de Ramos: ‘Bendito o que vem em nome do Senhor!’

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12 de abril de 2019

Inicia-se a Semana Santa, em que os cristãos revivem a última semana de Jesus sobre a terra, antes de se entregar à Paixão e Morte na Cruz.

Na celebração deste domingo, a Igreja se junta ao coro daqueles que, em Jerusalém, aclamavam o Messias enviado por Deus: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Lc 19,38), deitando ramos de palmeiras para que o Senhor da Glória passasse. É o canto do povo judeu que reconheceu em Jesus o Cristo enviado por Deus, que cumprira as profecias anunciadas, de forma especial a de Zacarias: “Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é humilde e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta” (Zc 9,9).

A celebração do Domingo de Ramos é justamente a celebração de reconhecimento da realeza de Cristo, que não vem como um dominador, mas como Aquele que serve a seu povo (cfMc 10,35-45). Que não veio para libertar o povo de uma dominação política, mas, sim, da dominação do pecado e da morte.

O Papa Francisco, na homilia de Domingo de Ramos de 2018, fala dessa alegria movida pela libertação dos pecados: “Jesus entra na cidade rodeado pelos seus, acompanhado por cânticos e gritos rumorosos. Podemos imaginar que são a voz do filho perdoado, a do leproso curado ou o balir da ovelha extraviada que ressoam. É o cântico do publicano e do impuro. Como deixar de aclamar Aquele que lhes restituíra a dignidade e a esperança? É a alegria de tantos pecadores perdoados que reencontraram ousadia e esperança. E eles gritam. Rejubilam. É a alegria”.

O início da Semana Santa exalta justamente isso: ao juntar a entrada triunfal em Jerusalém com o Evangelho da Paixão, a Igreja ensina que o triunfo de Cristo se dá não na entrada na Cidade Santa, mas no alto do Calvário, quando o Rei é glorificado na Cruz, como Ele mesmo predisse: “Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). Os gritos de “Hosana ao Filho de Davi” se fazem realidade na sua Morte, que salva – Hosana quer dizer “salvai-nos”– aqueles que se aproximam de sua Cruz.

Assim, na Paixão do Senhor, a Igreja convida a duas grandes atitudes: se, por um lado, deve-se buscar a alegria da salvação operada por Deus por meio da Cruz de seu Filho, devese, também, fazer pesar na alma a dor pelos pecados, que foram a causa dessa mesma Cruz, e tornar a lutar para não mais crucificar Jesus: “Se alguém quer vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me; Jesus nunca prometeu honras nem sucessos. Sempre avisou os seus amigos que a sua estrada era aquela: a vitória final passaria por meio da Paixão e da Cruz. E, para nós, vale o mesmo. Para seguir fielmente a Jesus, peçamos a graça de o fazer não por palavras, mas com as obras, e ter a paciência de suportar a nossa cruz: não a recusar nem jogar fora, mas, com os olhos fixos n’Ele, aceitá-la e carregá-la dia após dia”, exortava o Pontífice no Domingo de Ramos de 2017.


 

PROGRAMAÇÃO DO ARCEBISPO EMÉRITO E DOS BISPOS AUXILIARES 

CARDEAL CLÁUDIO HUMMES

Domingo de Ramos

9h – Catedral da Sé

Celebração da Paixão do Senhor

15h – Paróquia São Francisco de Assis (Largo São Francisco 133, Sé)

Vigília Pascal

19h – Paróquia Nossa Senhora do Brasil (Praça Nossa Senhora do Brasil, s/nº, Jardim Paulista)

Domingo de Páscoa

9h – Catedral da Sé

DOM EDUARDO VIEIRA DOS SANTOS

Domingo de Ramos

10h30 – Paróquia Santo Alberto Magno (Avenida Comendador Alberto Bonfiglioli, 247, Butantã)

Missa da Ceia do Senhor

19h30 – Área Pastoral São João Batista (Rua Francisco dos Santos, 68, Jardim Rizzo)

Celebração da Paixão do Senhor

15h – Área Pastoral São João Batista

Vigília Pascal

19h30 – Área Pastoral São João

Domingo de Páscoa

11h – Casa de Acolhida São José Moscati, da Missão Eucarística Voz dos Pobres (Km 13,5 da Rodovia Raposo Tavares, Butantã)

DOM CARLOS LEMA GARCIA

Missa da Ceia do Senhor

20h – Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima (Avenida Paula Ferreira,1.522, Vila Bonilha)

Celebração da Paixão do Senhor

15h – Paróquia São Vito Mártir (Rua Polignano A’Mare, 51, Brás)

Vigília Pascal

18h – Paróquia Nossa Senhora de Montserrat (Largo dos Pinheiros, 52, Pinheiros)

Domingo de Páscoa

17h – Paróquia Nossa Senhora do Brasil (Praça Nossa Senhora do Brasil, s/nº, Jardim Paulista)

DOM DEVAIR ARAÚJO DA FONSECA

Domingo de Ramos

7h – Paróquia Bom Jesus dos Passos (Rua Professor João Machado, 856, Freguesia do Ó)

Missa da Ceia do Senhor

20h – Paróquia Bom Jesus dos Passos

Celebração da Paixão do Senhor

15h – Paróquia Bom Jesus dos Passos

Vigília Pascal

19h – Paróquia Bom Jesus dos Passos

Domingo de Páscoa

18h – Paróquia Bom Jesus dos Passos

DOM SERGIO DE DEUS BORGES

Domingo de Ramos

11h – Eparquia Nossa Senhora do Paraíso (Rua do Paraíso, 21, Paraíso)

Terça-feira Santa

14h – Hospital Penitenciário 19h30 – Penitenciária de Santana

Missa da Ceia do Senhor

20h – Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Praça Comandante Eduardo de Oliveira, 88, Parque Edu Chaves)

Celebração da Paixão do Senhor

9h – Presídio Feminino de Santana 12h – Paróquia Sagrado Coração de Jesus (Rua Murilo Furtado, 686, Parque Vitória) 15h – Paróquia Sant’Ana (Rua Voluntários da Pátria, 2.050) 19h – Eparquia Nossa Senhora do Paraíso

Vigília Pascal

12h – Eparquia Nossa Senhora do Paraíso

20h – Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Domingo de Páscoa

11h – Eparquia Nossa Senhora do Paraíso

DOM LUIZ CARLOS DIAS 

Domingo de Ramos

9h - Paróquia São Benedito das Vitórias (Setor Carrão / Formosa -Pça Nossa Senhora das Vitórias, 137- Vila Formosa).

Missa da Ceia do Senhor

20h30 - Paróquia São Carlos Borromeu (Setor Belém - Rua Conselheiro Cotegipe, 933- Belenzinho)

Celebração da Paixão do Senhor

15h00 - Paróquia São Paulo Apóstolo (Setor São Mateus - Pça Miguel Ramos de Moura, 86- Jd IV Centenário)

Vigília Pascal

20h00 - Paróquia São Pedro Apóstolo (Setor Vl Prudente - Rua Ibitinga, 838- Vila Oratório)

A agenda dos demais Bispos Auxiliares não foi divulgada até a data desta publicação. 

 

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‘Somos convidados a viver a Paixão de Cristo em nossa própria vida’

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28 de março de 2018

A missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, no dia 25, abriu oficialmente a Semana Santa. A celebração recorda a entrada solene de Jesus em Jerusalém antes de sua Paixão, Morte e Ressureição. Na Catedral da Sé, a missa principal do dia foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano. O rito de bênção dos ramos aconteceu na Praça da Sé, diante do Marco Zero da cidade. Em seguida, os fiéis seguiram em procissão para o interior da Catedral. Nessa missa foi proclamada a narrativa da Paixão segundo o evangelista São Marcos.

 

ASSOCIAR-SE À PAIXÃO

Na homilia, Dom Odilo destacou que a Igreja celebra a Semana Santa não apenas para recordar que a Paixão de Cristo não deve ser esquecida, mas também para que cada cristão se una ao drama da Paixão de Jesus e dê hoje sua resposta e tome sua atitude diante desses fatos para serem, assim, associados à sua Morte e Ressureição. “Para nós, católicos, a Semana Santa não é uma semana de férias, mas de intensa manifestação da nossa fé, da nossa religiosidade, de renovação da nossa vida cristã, participando com a comunidade”, acrescentou.

O Cardeal Scherer ressaltou que a Paixão de Cristo narrada nos evangelhos foi “algo muito duro”. 

“Jesus foi preso, julgado injustamente com argumentos que não tinham fundamento. Jesus foi condenado à morte por um governante corrupto, fraco, que sabia que Ele era inocente, mas se deixou pressionar por aqueles que queriam sua morte... Um ato de corrupção histórica que ficará lembrado até o fim dos tempos”, afirmou.

 

SUPERAR A VIOLÊNCIA

Ainda segundo o Arcebispo, a Paixão de Cristo teve tudo o que continua acontecendo hoje em dia com muitos irmãos: “acusação iníqua, injúria, desrespeito, injustiça, fatos de corrupção, tortura, condenação à morte, prisão e, finalmente, a morte humilhante na cruz”. 

“Porém, Jesus era inocente e, além disso, era o Filho de Deus feito homem. Por isso, a sua Paixão e os seus sofrimentos não foram em vão”, completou. 

 “A Paixão de Cristo nos pede que, também hoje, nós evitemos toda forma de traição, infidelidade a Deus, de toda forma de corrupção, de maledicência, de acusação injusta, de toda calúnia”, exortou Dom Odilo, afirmando, que assim como acontece nos dias atuais, também naquela época foram criadas “ fake news ” (notícias falsas) para pedirem a morte de Jesus. “Quantas fake news circulam hoje matando os irmãos moralmente, fazendo todo mal”, disse. 

O Arcebispo recordou que também hoje os cristãos são convidados a carregar a cruz junto com Jesus, como fez Simão Cirineu. “Todos nós somos convidados a permanecer firmes com Jesus, apesar das injúrias e desprezo. Somos convidados a viver a Paixão de Cristo em nossa própria vida e a nos renovarmos na sua Ressureição para vivermos com Ele a vida nova”. 

 

GESTO CONCRETO

Recordando o tema da Campanha da Fraternidade 2018, que este ano trata da superação da violência, o Cardeal afirmou que “a Paixão de Jesus nos ensina a não fazermos vítimas de violência a ninguém, de não sermos promotores da violência. Todos nós somos convidados a socorrer as vítimas da violência e a ajudar para que a nossa cultura e a nossa sociedade no seu conjunto superem isso que é uma verdadeira doença, a epidemia da violência que está no meio de nós”.
 

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Papa aos jovens: "Não se calem!"

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26 de março de 2018

Neste Domingo de Ramos, 25, o Papa presidiu missa na Praça São Pedro diante de dezenas de milhares de pessoas. Antes, no centro da Praça, junto ao obelisco, Francisco abençoou os ramos e as oliveiras. Foi feita a leitura do Evangelho de Marcos e no sagrado, a narração da Paixão de Cristo.

 

Jornada Mundial da Juventude

Grande parte dos fiéis eram jovens de Roma que aderiram à celebração diocesana da XXXIII Jornada Mundial da Juventude que teve o tema “Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto a Deus” (Lc 1,30).

Após a celebração da Eucaristia, antes da Benção Apostólica, foram entregues ao Papa as conclusões da Reunião pré-Sinodal realizada nesta semana no Vaticano em preparação ao Sínodo dos Bispos de outubro próximo sobre a Juventude.

 

Alegria e sofrimento

Em sua homilia, o Papa propôs uma reflexão evocando os sentimentos contrastantes de discípulos e fariseus quando Jesus entra em Jerusalém.

“Nesta celebração, parecem cruzar-se histórias de alegria e sofrimento, de erros e sucessos que fazem parte da nossa vida diária como discípulos, porque consegue revelar sentimentos e contradições que hoje em dia, com frequência, aparecem também em nós, homens e mulheres deste tempo: capazes de amar muito... mas também de odiar (e muito!); capazes de sacrifícios heroicos mas também de saber ‘lavar-se as mãos’ no momento oportuno; capazes de fidelidade, mas também de grandes abandonos e traições”.

Nesta narração evangélica fica evidente que a alegria suscitada em alguns por Jesus é motivo de incômodo e irritação para outros.

A alegria é a de tantos pecadores perdoados que reencontraram ousadia e esperança; e o desconforto é o daqueles que que se consideram justos e ‘fiéis’ à lei e aos preceitos rituais.  

“ Como é difícil, para quem procura justificar-se e salvar-se a si mesmo, compreender a alegria e a festa da misericórdia de Deus! Como é difícil, para quantos confiam apenas nas suas próprias forças e se sentem superiores aos outros, poder compartilhar esta alegria! ”

O Papa lembrou o grito ‘Crucifica-O!’ emerso entre o povo: a voz de quem manipula a realidade criando uma versão favorável a si próprio e não tem problemas em ‘tramar’ os outros para ele mesmo se ver livre. O grito de quem não tem escrúpulos em procurar os meios para reforçar a sua posição e silenciar as vozes dissonantes”.

 

As intrigas da autossuficiência

É o grito de quem deseja defender a sua posição, desacreditando especialmente quem não se pode defender. É o grito produzido pelas ‘intrigas’ da autossuficiência, do orgulho e da soberba, que proclama sem problemas: “crucifica-O, crucifica-O!”.

“ É o grito que pretende cancelar a compaixão ”

Mas, ressaltou o Pontífice, perante todas estas vozes que gritam, o melhor antídoto é olhar a cruz de Cristo e deixar-se interpelar pelo seu último grito. Cristo morreu, gritando o seu amor por cada um de nós: por jovens e idosos, santos e pecadores, amor pelos do seu tempo e pelos do nosso tempo.

 

Alegria torna o jovem difícil de ser manipulado

No dia em que a Igreja, em cada diocese no mundo, celebra a sua Jornada da Juventude, o Papa se dirigiu diretamente aos jovens:

“Queridos jovens, a alegria que Jesus suscita em vós é, para alguns, motivo de irritação, porque um jovem alegre é difícil de manipular".

“ Calar os jovens é uma tentação que sempre existiu ”

“Há muitas maneiras de tornar os jovens silenciosos e invisíveis; muitas maneiras de os anestesiar e adormecer para que não façam ‘barulho’, para que não se interroguem nem ponham em discussão. Há muitas maneiras de os fazer estar tranquilos, para que não se envolvam, e os seus sonhos percam altura tornando-se fantastiquices rasteiras, mesquinhas, tristes.

Neste Domingo de Ramos, em que celebramos o Dia Mundial da Juventude, faz-nos bem ouvir a resposta de Jesus aos fariseus de ontem e de todos os tempos: «Se eles se calarem, gritarão as pedras» (Lc 19, 40).

 

Não fiquem calados

“Cabe a vós não ficar calados. Se os outros calam, se nós, idosos e responsáveis - muitas vezes corruptos - silenciamos, se o mundo se cala e perde a alegria, pergunto-vos: vós gritareis? Por favor, decidi-vos antes que gritem as pedras...”.

 

Vatican News

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Cardeal Scherer celebra Domingo de Ramos na Catedral da Sé

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25 de março de 2018

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu a missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor na manhã desde domingo, 25, na Catedral da Sé. A celebração que abre a Semana Santa recorda a entrada solene de Jesus em Jerusalém antes de sua paixão, morte e ressureição.

O rito de benção dos ramos aconteceu na Praça da Sé, diante do Marco Zero da cidade. Em seguida, os fiéis seguiram em procissão para o interior da Catedral. Nessa missa foi proclamada a narrativa da Paixão segundo o evangelista São Marcos.

Na homilia, Dom Odilo destacou que a Igreja celebra a Semana Santa não apenas para recordar que a Paixão de Cristo não deve ser esquecida, mas também para que cada cristão se una ao drama da Paixão de Jesus e dê hoje sua resposta e tome sua atitude diante desses fatos para serem, assim, associados a sua morte e ressureição. “Para nós, católicos, a Semana Santa não é uma semana de férias, mas de intensa manifestação da nossa fé, da nossa religiosidade, da renovação da nossa vida cristã, participando com a comunidade”, acrescentou.

O Cardeal Scherer ressaltou que a Paixão de Cristo narrada nos evangelhos foi “algo muito duro”. “Jesus foi preso, julgado injustamente com argumento que não tinham fundamento. Jesus foi condenado a morte por um governante corrupto, fraco, que sabia que ele era inocente, mas se deixou pressionar por aqueles que queriam sua morte... Um ato de corrupção histórica que ficara lembrado até o fim dos tempos”, afirmou. “A Paixão de Cristo nos pede que, também hoje, nós evitemos toda forma de traição, infidelidade a Deus, de toda forma de corrupção, de maledicência, de acusação iníqua e injusta, de toda calúnia”, exortou Dom Odilo, afirmando, que assim como acontece nos dias atuais, também naquela época foram criadas “fake news” (notícias falsas) para pedirem a morte de Jesus. “Quantas fake news circulam hoje matando os irmãos moralmente, fazendo todo mal”, disse.

Recordando o tema da Campanha da Fraternidade de 2018, que este ano trata da superação da violência. “A paixão de Jesus nos ensina a não fazermos vítimas de violência a ninguém, de não sermos promotores da violência. Todos nós somos convidados a socorrer as vítimas da violência e a ajudar para que a nossa cultura e a nossa sociedade no seu conjunto supere isso que é uma verdadeira doença, a epidemia da violência que está no meio de nós”.

Nesta data também acontece em todas as missas celebradas no Brasil a Coleta Nacional da Solidariedade, gesto concreto da Campanha da Fraternidade, cujos recursos arrecadados serão encaminhados para iniciativas pastorais e sociais, em âmbito nacional e diocesano, voltadas para a superação da violência.

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Domingo de Ramos: Alegria, Paixão e Juventude

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18 de abril de 2017

No domingo, 9, o Papa Francisco celebrou o Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, na Praça de São Pedro, reunindo cerca de 40 mil fiéis e peregrinos. Durante sua homilia, o Papa explicou o sentido desta festa, que abre as cerimônias da Semana Santa: “Esta celebração tem, por assim dizer, duplo sabor: doce e amargo. É jubilosa e dolorosa, pois nela celebramos o Senhor que entra em Jerusalém, aclamado pelos seus discípulos como rei; ao mesmo tempo, porém, proclama-se solenemente a narração evangélica da sua Paixão. Por isso o nosso coração experimenta o contraste pungente e prova aquilo que deve ter sentido Jesus em seu coração naquele dia, quando rejubilou com os seus amigos e chorou sobre Jerusalém”.

O Papa convidou a todos os presentes a acompanhar Jesus em seu caminho rumo à Cruz: “enquanto festejamos o nosso Rei, pensemos nos sofrimentos que Ele deverá padecer nesta Semana. Pensemos nas calúnias, nos ultrajes, nas ciladas, nas traições, no abandono, no julgamento iníquo, nas bastonadas, na flagelação, na coroa de espinhos… e, por fim, no caminho da cruz até à crucifixão”.

O Romano Pontífice, ainda, fez clara a relação entre a Cruz de Cristo e a cruz de cada cristão: “Ele nunca prometeu honras nem sucessos. Sempre avisou os seus amigos de que a sua estrada era aquela: a vitória final passaria através da paixão e da cruz. E, para nós, vale o mesmo. Para seguir fielmente a Jesus, peçamos a graça de o fazer não por palavras mas com as obras, e ter a paciência de suportar a nossa cruz: não a recusar nem jogar fora, mas, com os olhos fixos n’Ele, aceitá-la e carregá-la dia após dia”.

Juventude

Ao final da Santa Missa, por ocasião do Dia Mundial da Juventude, celebrada à nível diocesano no dia 8, jovens poloneses entregaram a imponente cruz fixada à frente do altar aos jovens do Panamá, onde se realizará o próximo encontro internacional, em 2019.

“Orem ao Senhor para que a Cruz, juntamente com o ícone de Maria Salus Populi Romani, faça crescer a fé e a esperança, revelando o amor invencível de Cristo onde passa”, disse o Papa Francisco.

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