NACIONAL

57ª ASSEMBLEIA DA CNBB

Dom Roque Paloschi, presidente do CIMI, fala da realidade dos povos indígenas no Brasil

Por Redação com CNBB
09 de mai de 2019

Dom Roque também apresentou dados do CIMI, copilados em parceria com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI)

CNBB

O arcebispo de Porto Velho (RO), dom Roque Paloschi, apresentou na Coletiva de Imprensa desta quarta-feira, 08 de maio, um relatório sobre a situação da população indígena no Brasil. O bispo, que é presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), também falou ao episcopado brasileiro, reunido em Aparecida (SP), sobre a grave realidade política e social enfrentada pelos povos originários.

“Nuvens perigosas estão pairando sobre a causa, a saúde e a vida dos povos indígenas”, disse dom Roque se referindo aos clamores sobre a violação dos direitos e os frequentes ataques com requintes de crueldade às diversas formas de vivência da população indigenista. “Falar sobre a questão indígena é um grande desafio, sobretudo em um país onde não se quer respeitar a Constituição Federal. Essa realidade nos traz um grande sofrimento”, disse. O bispo destacou, que, “a retirada das demarcações das terras indígenas do comando do Ministério da Justiça e tranferindo parte para o Ministério das Mulheres e Direitos Humanos e outra parte para o Ministério da Agricultura que é onde se concentra os grandes grupos econômicos que são contra os direitos constitucionais e originários dos povos indígenas”.

Dom Roque também apresentou dados do CIMI, copilados em parceria com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), onde diz que o Brasil possui 3.015 povos indígenas que falam mais 274 línguas. Os dados ainda citam que existem 104 povos em situação de isolamento voluntário. São contabilizadas 1285 terras indígenas, porém somente 401 terras estão demarcadas e 304 em processo de regularização.

Citando o Documento Base elaborado pelo Acampamento Terra Livre 2019, realizado no mês abril em Brasília (DF), o bispo relatou alguns clamores dos indigenistas. “O governo tem assumido publicamente um discurso que reitera a visão de que os povos indígenas não precisam de terras, a não ser que assumam o viés produtivista do agronegócio e disponibilizem os seus espaços de vida para o mercado. O clamor dos povos por vida e justiça vem diretamente da boca e do coração das lideranças”, disse. O Acampamento Terra Livre teve o apoio do CIMI e reuniu representantes de aproximadamente 200 povos indígenas de todo o país.

Sínodo para a Amazônia 

De acordo com dom Roque, neste momento extremamente crítico, a voz do Papa Francisco, através do Sínodo para a Amazônia, vem ao encontro dos indígenas em apoio à defesa de seus direitos e territórios. “O que acontece na Amazônia, é política, econômica, ecológica e pastoralmente relevante ao mundo inteiro. De fato, precisamos aprofundar o tema do Sínodo: ‘Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral’. É preciso perguntar quais são os critérios para assumir esses novos caminhos”, declarou.

O arcebispo disse ainda, que, “assumir o rosto amazônico da Igreja local significa descolonizar a Igreja. O Sínodo para a Amazônia coloca, com novo rigor, os desafios da assunção da realidade sociocultural e da enculturação na pauta pastoral hoje”.

Por Franklin Machado

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