SÃO PAULO

Cardinalato

Dom Odilo Pedro Scherer completa 10 anos como Cardeal da Igreja

Por Fernando Geronazzo
30 de novembro de 2017

No Consistório de 24 de novembro de 2007,  Dom Odilo foi o primeiro Cardeal criado pelo hoje Papa Emérito

L’Osservatore Romano

Há uma década, Dom Odilo Pedro Scherer tornava-se Cardeal da Igreja. No Consistório de 24 de novembro de 2007, na Basílica de São Pedro, sete meses depois de tomar posse como sétimo Arcebispo Metropolitano de São Paulo, recebeu o barrete cardinalício das mãos do Papa Bento XVI.

Naquele ano, a Igreja em São Paulo viveu momentos históricos, como a visita do próprio Papa, em maio, quando foi celebrada a canonização de Santo Antonio de Sant’Anna Galvão, e o início da celebração do centenário de criação da Arquidiocese de São Paulo, comemorado em 2008. Ao retornar de Roma e ser acolhido na Catedral da Sé pelo povo e o clero arquidiocesano, em missa solene no dia 2 de dezembro do mesmo ano, o Cardeal Scherer afirmou: “O título cardinalício representa um presente para esta Arquidiocese na celebração de seu centenário”.

Com então 58 anos, Dom Odilo foi o primeiro Cardeal criado pelo hoje Papa Emérito. Ao longo destes dez anos, ele exerceu inúmeras funções enquanto Cardeal da Igreja, entre as quais a participação no Conclave que elegeu o Papa Francisco, em março de 2013.

 

Unidos ao Papa

A reportagem publicada pelo jornal O SÃO PAULO em 27 de novembro de 2007, por ocasião do cardinalato de Dom Odilo, explicou que a expressão clerici cardinales foi usada nos primeiros séculos da Igreja para designar os conselheiros dos bispos. A partir do século IX, o título de “cardeal” passou a ser dado aos clérigos mais importantes da Diocese de Roma. Sendo o Papa o Bispo de Roma, os cardeais passaram a constituir seus conselheiros. Eles foram divididos em categorias: os cardeais-presbíteros, que se responsabilizavam pelas paróquias importantes de Roma; os cardeais-diáconos, que administravam sete regiões de Roma; e os cardeais-bispos, responsáveis por seis dioceses suburbanas de Roma. 

Até hoje, o Colégio Cardinalício é dividido em três ordens: os cardeais-bispos são titulares das igrejas suburbicárias de Roma: Ostia, Albano, Frascati, Palestrina, Porto-Santa Rufina, Sabina-Poggio Mirteto, e Velletri-Segni. Apesar de serem sete igrejas, o número de cardeais-bispos é de seis, pois a titularidade da igreja de Ostia é reservada ao decano do colégio de cardeais. Os cardeais-diáconos cuidam das diaconias da cidade, residindo nela e servindo à Cúria Romana; e os cardeais-presbíteros, dispersos por todo mundo, que governam suas arquidioceses, como é o caso de Dom Odilo.

Por haver esse vínculo histórico com o clero da Diocese de Roma, os cardeais recebem o título de uma das igrejas romanas. Dom Odilo recebeu o título de Sant’Andrea al Quirinale, igreja localizada no centro de Roma, próximo à sede da presidência italiana.  

 

Serviço à Igreja

A palavra latina “ cardo, cardinis ”, que significa a “dobradiça” ou o “gonzo” da porta, originou a palavra “cardeal”. Daí os pontos cardeais – norte, sul, leste e oeste –  que orientam a direção dos viajantes, e as virtudes cardeais – prudência, justiça, fortaleza e temperança – em torno das quais giram as demais virtudes humanas. Também em torno dos cardeais gira o pastoreio da Igreja Católica.

Desde 1464, os cardeais se distinguem pelas vestes de cor púrpura, que simbolizam disponibilidade de serviço até o derramamento do próprio sangue. Além do barrete, os cardeais recebem do Papa um anel, insígnia idêntica para todos os purpurados, que simboliza a pertença ao Colégio Cardinalício e a fidelidade ao Romano Pontífice.

A partir de 1059, foi conferido aos cardeais pelo Papa Nicolau II a prerrogativa exclusiva da eleição do Bispo de Roma. Atualmente, somente os cardeais com menos de 80 anos são eleitores em um Conclave.

Embora a eleição do Pontífice seja a missão mais conhecida de um Cardeal, os Purpurados, como também são conhecidos pela cor da sua veste solene, assessoram o Papa no exercício de seu ministério petrino. Mesmo aqueles que residem fora de Roma possuem cargos e funções em algum organismo da Cúria Romana, além de eventualmente representarem o Santo Padre em eventos importantes.

 


Principais atividades e funções de Dom Odilo Pedro Scherer como Cardeal da Igreja Católica  

  • Cardeal Presbítero da Santa Igreja Romana, do título de Santo Andrea al Quirinale, no Consistório de 24 de novembro de 2007;  
  • Presidente Delegado na Assembleia do Sínodo dos Bispos de 2008;  
  • Enviado especial do Papa Bento XVI para as comemorações do 30º aniversário da mediação da Santa Sé entre a Argentina e o Chile para a solução do conflito do Canal de Beagle (dezembro de 2008);  
  • Membro da Congregação para o Clero (desde 2008);  
  • Membro do Conselho do Sínodo dos Bispos (de 2008 a 2015);  
  • Membro da Congregação para a Educação Católica (desde 2013);  
  • Membro da Comissão de Cardeais para o estudo dos problemas organizativos e econômicos da Santa Sé (de 2009 a 2014);  
  • Membro do Pontifício Conselho para a Família (desde 2009);  
  • Membro da Pontifícia Comissão para a América Latina (desde 2009);  
  • Membro da Pontifícia Comissão Cardinalícia  de Vigilância sobre o Instituto para as Obras de Religião – IOR (de 2009 a 2014);  
  • Membro do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização (desde 2010);  
  • Enviado Especial do Papa e Chefe da Delegação da Santa Sé na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), de 20 a 22 de junho de 2012;  
  • Delegado nas Assembleias do Sínodo dos Bispos de 2008, 2012, 2014 e 2015;  
  • Participação no Conclave que elegeu o Papa Francisco, de 12 a 13 de março de 2013.

 


Cardeais Brasileiros

O primeiro Cardeal da América Latina foi Dom Joaquim Albuquerque Cavalcanti, Arcebispo do Rio de Janeiro (1897-1930). Antes, ele havia sido Bispo da Diocese de São Paulo (1894-1897).
Dom Odilo Scherer foi o quinto Arcebispo de São Paulo a receber o título cardinalício. O primeiro foi Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, criado Cardeal em 18 de fevereiro de 1946. 
 

Atualmente, o colégio cardinalício conta com 10 purpurados brasileiros:

(Cardeais com mais de 80 anos)  
  • Dom Serafim Fernandes de Araújo - Arcebispo Emérito de Belo Horizonte (MG);  
  • Dom José Freire Falcão - Arcebispo Emérito de Brasília (DF);  
  • Dom Eusébio Oscar Scheid - Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro;  
  • Dom Geraldo Majella Agnelo -Arcebispo Emérito de Salvador (BA);  
  • Dom Cláudio Hummes - Arcebispo Emérito de São Paulo;  
  • Dom Raymundo Damasceno Assis - Arcebispo Emérito de Aparecida (SP);

 

(Cardeais com menos de 80 anos)  
  • Dom João Braz De Aviz - Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica;  
  • Dom Odilo Pedro Scherer - Arcebispo de São Paulo;  
  • Dom Orani João Tempesta - Arcebispo do Rio de Janeiro;  
  • Dom Sergio da Rocha - Arcebispo de Brasília (DF).
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