SÃO PAULO

Iniciação Cristã

Dom Odilo confere Sacramento da Crisma a cadetes da PM

Por Fernando Geronazzo
21 de setembro de 2018

Jovens foram preparados pelo Grêmio Católico de uma das maiores instituições de formação de agentes de segurança pública do País

Luciney Martins/O SÃO PAULO

No dia 19, na Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB), no bairro da Água Fria, na zona Norte de São Paulo, 11 cadetes, devidamente fardados, começavam a chegar, acompanhados de seus familiares, a uma pequena capela localizada nas dependências da instituição.

Ao contrário do que se poderia imaginar inicialmente, não se tratava da formatura de mais uma turma de uma das mais renomadas instituições de formação de profissionais de segurança pública do Brasil. Com velas nas mãos, esses jovens receberam a unção do sacramento da Confirmação (Crisma) das mãos do Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, após uma preparação realizada pelo Grêmio Católico da Academia. Essa foi a primeira vez que estudantes da APMBB receberam o sacramento da Crisma. Na semana anterior, três deles receberam o Batismo, e cinco, a Primeira Eucaristia.

 

TESTEMUNHAS DE CRISTO

Na homilia, Dom Odilo recordou que o antigo Catecismo da Igreja Católica ensinava que a Crisma é o sacramento que torna as pessoas “soldados e testemunhas de Jesus Cristo” com a graça do Espírito Santo. “Como cristãos, somos chamados a abraçar a missão de Cristo e defender a fé com coragem e testemunhar o Evangelho em todo lugar”, afirmou.

“Nós, cristãos, aprendemos, a partir do Evangelho, os valores do serviço a Deus e aos irmãos. A profissão à qual vocês estão se preparando também é um serviço à sociedade, à segurança, à paz e à ordem para a boa convivência da sociedade. Sem dúvida, isso é muito importante e precisa de coragem, discernimento e prudência, tanto humana quanto espiritual. Os dons do Espírito Santo se inserem na nossa capacidade humana, ajudando-nos a desempenhar bem a missão que nos é confiada”, completou o Cardeal.

 

GRÊMIO CATÓLICO

O Grêmio Católico é um dos grêmios espirituais de diferentes tradições religiosas que existem desde as origens da Academia, fundada em 1913, com o objetivo de possibilitar aos cadetes a vivência da espiritualidade em meio ao programa intenso de formação. Cada grêmio é acompanhado por um oficial da Academia e um dos alunos do último ano, que estabelece a relação entre os estudantes e os superiores.

O Capitão Paulo Henrique Coltre, responsável por acompanhar o Grêmio Católico há 10 anos, explicou para a reportagem que, por parte da PM, não há o interesse de se privilegiar uma religião específica no processo formativo dos cadetes, mas favorecer o desenvolvimento dos valores humanos durante o intenso regime de formação, que tem duração de três anos. “O nosso dia a dia exige muito do nosso conhecimento técnico profissional, mas há necessidade de estar centrado nos valores da ética e da moral, além da valorização do ser humano, independentemente da sua condição”, ressaltou o Capitão. Nesse sentido, mesmo os estudantes que não estão ligados a algum grêmio espiritual participam de momentos de formação sobre valores como amor, respeito e dignidade humana.

Os membros do Grêmio Católico se reúnem todas as terças-feiras para a missa e encontros formativos. Para Fábio Xavier Barbosa, aluno oficial da Academia e responsável pela catequese dos cadetes, o Grêmio Católico é uma oportunidade de os estudantes católicos também cultivarem o seu sentido de pertença à Igreja. “A presença do Grêmio manifesta, de maneira significativa, a presença da Igreja na Academia”, disse.

 

CAPELANIA

No caso do Grêmio Católico, há o acompanhamento de um capelão, designado pelo Ordinariado Militar do Brasil, uma Circunscrição Eclesiástica da Igreja Católica no Brasil, subordinada diretamente à Santa Sé, com sede em Brasília (DF), que tem responsabilidade sobre todas as capelanias militares católicas do País, com clero próprio, sendo acompanhada por um Arcebispo Militar, atualmente Dom Fernando Guimarães. Na Capital Paulista, há convênio entre o Ordinariado Militar e a Arquidiocese de São Paulo, que cedeu o Padre Hélio Vergueiro Filho para atuar como Capelão na PM.

O Sacerdote colabora com o Grêmio Católico há um ano e meio, com o auxílio do Padre Everton Augusto de Souza. Padre Hélio explicou ao O SÃO PAULO que existia a necessidade da realização de catequese para os sacramentos da Iniciação Cristã. “É uma experiência muito gratificante poder acompanhar essas moças e rapazes na sua busca de aprofundar e viver a fé, unindo-a ao serviço para o qual estão se preparando”, disse.

 

FÉ PARA SERVIR

De família não católica, Valter Donizeti Aires Netto, 20, não era batizado e há aproximadamente um ano, por influência de sua namorada, começou a se aproximar da Igreja. Na Academia, sentiu o desejo de receber os sacramentos da Iniciação Cristã. “Essa experiência de preparação para o Batismo foi algo que realmente mudou a minha vida. A nossa profissão lida com extrema dificuldade, e a fé nos ajuda de uma forma indescritível. Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza. Não há nada mais glorioso do que recebê-Lo na Eucaristia toda semana”, disse o jovem, que recebeu o Batismo e a Primeira Comunhão no dia 5.

Também batizada na semana anterior, Clarice Maximiano da Silva, 33, começou a ter contato efetivo com o catolicismo na Academia. “Eu não conhecia nada da doutrina católica e ainda a estou conhecendo em profundidade. A fé que recebemos nos motiva ainda mais a servir o próximo e ver no outro um irmão”.

Daniel Álvares de Siqueira, 29, foi batizado na infância, mas não havia recebido a Primeira Eucaristia e a Crisma. Para o Cadete, a experiência religiosa, especialmente a cristã, o ajuda muito para o bom exercício da carreira policial. “O policial é chamado a servir e, se necessário for, com o sacrifício da própria vida. Para o cristão não é diferente: se precisar, ele derramará o sangue por Cristo”, disse.

 

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