Cardeal Scherer visita o Líbano e recebe título de doutor honoris causa

Por
14 de fevereiro de 2019

O Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Católica Saint-Esprit de Kaslik (Usek), no Líbano. A cerimônia de concessão do título acadêmico aconteceu no campus da instituição, na sexta-feira, 8.

A Usek é uma universidade católica fundada pela Ordem Maronita Libanesa e atende cerca de 8 mil alunos em quatro diferentes campi.

 

FRATERNIDADE

“Alguém poderia perguntar, e eu também me pergunto: que méritos possui o Cardeal de São Paulo, no Brasil, para receber um prestigioso título acadêmico em uma universidade do Líbano? A resposta não poderia ser outra, a não ser a imensa simpatia e generosidade das autoridades acadêmicas que assim decidiram”, afirmou Dom Odilo, em seu discurso de agradecimento.

O Cardeal recordou que, na cidade de São Paulo, existe uma grande comunidade de imigrantes libaneses e seus descendentes, sendo considerada a maior fora do Líbano. “A concessão, pela vossa Universidade, do título ao Arcebispo de São Paulo expressa mais ainda a relação fraterna entre São Paulo e Beirute, entre a Igreja do Líbano e a Igreja de São Paulo. Esta concessão também nos proporciona a ocasião para compartilharmos ainda mais as nossas riquezas humanas e religiosas, para o recíproco enriquecimento e ajuda”, destacou o Arcebispo.

 

SÍNODO DA AMAZÔNIA

Na sessão acadêmica, Dom Odilo apresentou uma reflexão sobre a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que será realizada em outubro, no Vaticano, com o tema “Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

Ao elencar os desafios da missão da Igreja na Pan-Amazônia, o Cardeal Scherer ressaltou que não se trata apenas de questões ambientais e antropológicas, que também interessam à missão da Igreja. “Trata-se de questões que interpelam diretamente a missão religiosa da Igreja”, disse.

“O Papa Francisco definiu bem e precisou com clareza o ‘objetivo principal’ desta inédita iniciativa sinodal: identificar novos caminhos de evangelização dessa porção do povo de Deus”, acrescentou o Arcebispo. “O que mais importa é que Jesus Cristo seja testemunhado,anunciado, celebrado e comunicado na Amazônia e que a força do Evangelho converta as pessoas e promova a dignidade de seus habitantes, seja força de fraternidade e solidariedade na construção de novos modelos de desenvolvimento e condições de vida”, completou.

 

A HOMENAGEM

O título de doutor honoris causa é concedido por universidades a pessoas que se destacam em suas áreas de atuação e que são respeitadas por seu trabalho. Em latim, o termo honoris causa significa “por causa da honra”.

Dom Odilo é mestre em Filosofia e doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. É também grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), do Centro Universitário Assunção (Unifai) e da Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo

Em seu discurso, o Reitor da Usek se referiu ao homenageado como “Cardeal militante e testemunha da unidade querida pelo Cristo”

“Scherer conduz uma luta sem descanso contra o fluxo incontrolável de mudanças bruscas e desconcertantes que sobrevêm sobre o domínio social, econômico, científico e igualmente religioso que impacta tragicamente a sociedade, particularmente a brasileira, e notadamente o clima de indiferença religiosa que emerge e exprime um certo relativismo moral, não sem impactos sérios sobre a prática cristã e suficientemente perigoso para um eventual condicionamento das estruturas da mesma sociedade”, ressaltou o Padre Hobeika.

VISITA AO LÍBANO

Dom Odilo esteve no Líbano entre os dias 5 e 9 para uma programação que incluiu encontros com lideranças religiosas do País e celebrações, como a participação na festa de São Marun, patrono dos maronitas, celebrado no sábado, 9.

Na quinta-feira, 7, o Cardeal Scherer visitou a sede da Caritas Nacional do Líbano, que possui um centro de acolhida que abriga temporariamente pessoas em situação de refúgio e perseguição.

O Arcebispo de São Paulo encontrou acolhidos que fugiram de seus países por causa da guerra, além de mulheres que fugiram com seus filhos da violência doméstica. Há, ainda, mulheres vítimas de tráfico para exploração sexual.

“Percebemos que esse drama das migrações forçadas, do tráfico humano, sobretudo para a exploração sexual, é um drama mundial. Existem redes muito fortes que atuam nesse setor... O Papa está sempre denunciando esses fatos, inclusive a exploração do transporte das pessoas que fogem das situações de violência e que são exploradas economicamente na travessia do Mar Mediterrâneo para chegar a algum país da Europa e, muitas vezes, são abandonadas no mar ou na fronteira, sem que nenhum país queira recebê-las...”, relatou Dom Odilo à rádio 9 de Julho.

 

HARISSA

Dom Odilo também visitou o Santuário Maronita de Nossa Senhora do Líbano, no monte Harissa.

O templo, que no alto tem uma imagem da Virgem Maria de 20 metros, de altura, foi inaugurado em 1908. A construção do santuário foi inspirada pela proclamação do dogma da Imaculada Conceição, pelo Papa Pio IX, em 8 de dezembro de 1854.

Desde 2018, existe no santuário uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, presenteada pelo Cardeal Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo Emérito de Aparecida (SP).

No Carmelo de Harissa, o Cardeal encontrou as monjas carmelitas com quem teve um colóquio e rezou. Fundado há 60 anos por religiosas espanholas, hoje, a maioria das monjas é de origem libanesa e, segundo Dom Odilo, há muitas vocações.

O Arcebispo também visitou a Basílica Greco-Melquita São Pedro e São Paulo, templo famoso por seu interior adornados por ícones bizantinos.

(Colaborou Frederico Oliveira) (Com informações da Canção Nova e AMBA)
 

SÃO CHARBEL 

Youssef Antoun Makhlouf nasceu no dia 8 de maio de 1828, em Bekaa Kafra, no norte do Líbano. Foi um dos cinco filhos do casal Antoun Zaarour Makhlouf e Brigitta Chidiac, que eram profundamente religiosos.

Aos 20 anos, decidiu-se pela vida religiosa e ingressou no Mosteiro de Nossa Senhora em Mayfouq, seguindo depois para o Mosteiro de São Marun de Annaya, perto de Beirute.

No noviciado recebeu o nome de Charbel (Sarbélio), santo martirizado em Odessa. Foi ordenado sacerdote em 23 de julho de 1859, em Bkerke.

Sua vida religiosa resumia-se à prática da profissão evangélica e da austeridade, assiduidade na oração e obediência aos superiores. Jamais se queixou da vida comunitária ou das incompreensões que sofria. Era profundamente humilde.

 

EREMITA

Em 1875, Charbel obteve permissão para viver como eremita no eremitério dos santos apóstolos Pedro e Paulo, a 1200 metros de altitude, consagrando-se ao trabalho no campo, à oração e à penitência. Viveu 23 anos como eremita e era muito procurado para conselhos e orientação espiritual.

No dia 16 de dezembro de 1898, durante a celebração da missa, ao recitar a prece “Pai da verdade, eis o Vosso Filho, vítima do vosso agrado! Aceitai-o” (do rito maronita), teve um acidente vascular cerebral e começou a agonizar, sem deixar de rezar. Oito dias depois, na noite de Natal daquele mesmo ano, partiu para a Casa do Pai.

Ao ser exumado, seu corpo foi encontrado incorrupto. Exames mais detalhados mostraram que seu corpo transpirava água e sangue como qualquer organismo vivo. Tal notícia espalhou-se e grande número de fiéis acorreu ao mosteiro, buscando a intercessão do santo. Os relatos de curas físicas e espirituais começaram a ser examinados pelas autoridades eclesiásticas.

No dia 5 de janeiro de 1965, na conclusão do Concílio Vaticano II, foi beatificado por São Paulo VI. Durante a celebração, o Pontífice afirmou: “Grande é a alegria do Oriente e do Ocidente por este filho do Líbano, flor admirável de santidade, desabrochada na linguagem das antigas tradições monásticas orientais e venerada hoje pela Igreja de Roma”.

O Monge Charbel foi canonizado também por São Paulo VI, em 9 de outubro de 1977.

(Com informações de Aleteia)
 

Ritos que constituem a Igreja Católica

RITO OCIDENTAL

TRADIÇÃO LITÚRGICA LATINA OU ROMANA:

Rito latino da Igreja Católica Apostólica Romana (sede em Roma)

RITOS ORIENTAIS

TRADIÇÃO LITÚRGICA ALEXANDRINA:

Igreja Católica Copta (patriarcado; sede no Cairo, Egito)

Igreja Católica Etíope (metropolitanato; sede em Adis Abeba, Etiópia)

Igreja Católica Eritreia (metropolitanato; sede em Asmara, Eritreia)

TRADIÇÃO LITÚRGICA BIZANTINA:

Igreja Greco-Católica Melquita (patriarcado; sede em Damasco, Síria)

Igreja Católica Bizantina Grega (eparquia; sede em Atenas, Grécia)

Igreja Católica Bizantina Ítalo-Albanesa (eparquia; sede na Sicília, Itália)

Igreja Greco-Católica Ucraniana (arcebispado maior; sede em Kiev, Ucrânia)

Igreja Greco-Católica Bielorrussa (também chamada Católica Bizantina Bielorrussa, sede em Minsk, Belarus)

Igreja Greco-Católica Russa (sede em Novosibirsk, Rússia)

Igreja Greco-Católica Búlgara (eparquia; sede em Sófia, Bulgária)

Igreja Católica Bizantina Eslovaca (metropolitanato; sede em Prešov, Eslováquia)

Igreja Greco-Católica Húngara (metropolitanato; sede em Nyíregyháza, Hungria)

Igreja Católica Bizantina da Croácia e Sérvia (eparquia; sedes em Križevci, Croácia, e Ruski Krstur, Sérvia)

Igreja Greco-Católica Romena (arcebispado maior; sede em Blaj, Romênia)

Igreja Católica Bizantina Rutena (metropolitanato; sede em Pittsburgh, Estados Unidos)

Igreja Católica Bizantina Albanesa (eparquia; sede em Fier, Albânia)

Igreja Greco-Católica Macedônica (exarcado ou exarquia; sede em Escópia, Macedônia)

TRADIÇÃO LITÚRGICA ARMÊNIA:

Igreja Católica Armênia (patriarcado; sede em Beirute, Líbano)

TRADIÇÃO LITÚRGICA MARONITA:

Igreja Maronita (patriarcado; sede em Bkerke, Líbano)

TRADIÇÃO LITÚRGICA ANTIOQUENA OU SIRÍACA OCIDENTAL:

Igreja Católica Siríaca (patriarcado; sede em Beirute, Líbano)

Igreja Católica Siro-Malancar (arcebispado maior; sede em Trivandrum, Índia)

TRADIÇÃO LITÚRGICA CALDEIA OU SIRÍACA ORIENTAL: 

Igreja Católica Caldeia (patriarcado; sede em Bagdá, Iraque)

Igreja Católica Siro-Malabar (arcebispado maior; sede em Cochim, Índia)

 

LEIA TAMBÉM: Cardeal escreve Carta Pastoral sobre o 1º sínodo arquidiocesano

 

Comente

Cardeal Scherer recebe título de doutor honoris causa no Líbano

Por
11 de fevereiro de 2019

O Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, recebeu nesta sexta-feira, 8, o título de doutor honoris causa da Universidade Católica Saint-Esprit de Kaslik (Usek), no Líbano. A cerimônia de concessão do título acadêmico aconteceu no Auditório da Faculdade de Música da Usek, no campus de Jounieh.

O título foi entregue pelo reitor a instituição, o Padre e doutor Georges Hobeika. Também participaram do evento o Patriarca da Igreja Católica Maronita, Cardeal Béchara Pierre Raï, o Núncio Apóstólico no Líbano, Dom Joseph Spiteri, e o Eparca Maronita no Brasil, Dom Edgar Madi. 

FRATERNIDADE ENTRE BRASIL E LÍBANO

“Alguém poderia perguntar, e eu também me pergunto: que méritos possui o Cardeal de São Paulo, no Brasil, para receber um prestigioso título acadêmico em uma Universidade do Líbano? A resposta não poderia ser outra, a não ser a imensa simpatia e generosidade das autoridades acadêmicas que assim decidiram”, afirmou Dom Odilo, em seu pronunciamento de agradecimento.

O Cardeal recordou que, na cidade de São Paulo existe uma grande comunidade de imigrantes libaneses e seus descendentes, sendo considerada a maior fora do Líbano. “A concessão, pela vossa Universidade, do título ao Arcebispo de São Paulo expressa mais ainda a relação fraterna entre São Paulo e Beirute, entre a Igreja do Líbano e a Igreja de São Paulo. Esta concessão também nos proporciona a ocasião para compartilharmos ainda mais as nossas riquezas humanas e religiosas, para o recíproco enriquecimento e ajuda”, destacou o Arcebispo. 

A UNIVERDIDADE 

A Usek é uma universidade católica fundada pela Ordem Maronita Libanesa e atende cerca de 8 mil alunos em quatro diferentes campi. O título de doutor honoris causa é concedido por universidades a pessoas que se destacam em suas áreas de atuação e que são respeitadas por seu trabalho, independentemente de seus diplomas acadêmicos. Em latim, o termo “honoris causa” significa “por causa da honra”.

VIAGEM AO LÍBANO 

Dom Odilo está no Líbano desde a terça-feira, 5, para uma viagem que segue até o sábado, 9. A programação da visita inclui encontros com lideranças religiosas do País e celebrações, como a participação na festa de São Marun, patrono dos maronitas. 

Nesta quinta-feira, 7, o Cardeal visitou a sede da Caritas Nacional do Líbano, que possui um centro de acolhida que abriga temporariamente pessoas em situação de refúgio e perseguição.

O Arcebispo de São Paulo encontrou acolhidos que fugiram de seus países por causa da guerra, além de mulheres que fugiram com seus filhos da violência doméstica. Há, ainda, mulheres vítimas de tráfico para exploração sexual.

“Percebemos que esse drama das migrações forçadas, do tráfico humano, sobretudo para a exploração sexual, é um drama mundial. Existem redes muito fortes que atuam nesse setor... O Papa está sempre denunciando esses fatos, inclusive a exploração do transporte das pessoas que fogem das situações de violência e que são exploradas economicamente para a travessia do Mar Mediterrâneo para chegar a algum país da Europa e, muitas vezes, são abandonadas no mar ou na fronteira sem que nenhum país queira recebê-las...”, relatou Dom Odilo à rádio 9 de Julho.

(Com informações de Canção Nova e AMBA)
 

LEIA A REPORTAGME COMPLETA NA PRÓXIMA EDIÇÃO DE O SÃO PAULO, EM 13/02/19.

Comente

Missão Belém amplia projetos no Haiti e acolherá, diariamente, 3 mil crianças

Por
07 de fevereiro de 2019

“Quando chegamos, não havia nada em pé e o bispo local tinha morrido, vítima do terremoto, bem como a Doutora Zilda Arns. Então, foi-nos apresentada a região de Wharf Jeremie, que significa ‘Porto de Jeremie’. No início, ficamos três dias numa tenda oferecida pelo exército. Foi uma experiência muito difícil. Já se passaram quase nove anos a partir daqueles três dias. Desde então, muita coisa já mudou.”

Padre Gianpietro Carraro, fundador da Comunidade Missão Belém, foi ao Haiti em 2010, logo após o terremoto que devastou o País. Com a Irmã Cacilda da Silva Leste, iniciadora da Missão Belém ao lado do Padre Gianpietro e um voluntário, eles começaram um projeto que hoje atende 1.800 crianças de segunda-feira a domingo, durante dez horas diárias.

A inspiração para a ida da Comunidade ao Haiti veio a partir de uma frase dita pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, em fevereiro de 2010. “Por que vocês não vão ao Haiti? Com esse carisma de união e mergulho na realidade dos pobres, poderiam dar uma grande ajuda àquele povo sofrido”, disse o Cardeal, durante visita a uma das casas da Missão em São Paulo. Em novembro, a Missão Belém completa nove anos de missão no Haiti.

 

PROJETOS DESENVOLVIDOS PELA MISSÃO BELÉM

O Centro Zanj Makenson, mantido pela Missão Belém, desenvolve atividades e projetos na área da educação, saúde e profissionalização para os jovens.

A escola atende 1.800 crianças e adolescentes de 0 a 15 anos, desde o nascer até o pôr do sol. Além da catequese diária, os alunos têm atividades pedagógicas, esportivas e lúdicas, incluindo cinco refeições diárias.

Um prédio de dois andares está sendo construído e acolherá mais 700 crianças em dois turnos, com atividades pedagógicas e cursos profissionalizantes para jovens. “No conjunto, esperamos alcançar com o centro-escola 3 mil crianças/adolescentes nos próximos três anos, com idades entre 0 a 18 anos”, explicou Irmã Cacilda, em entrevista ao O SÃO PAULO.

Além disso, há um centro nutricional e uma enfermaria que acompanha cerca de 60 crianças com desnutrição. “Há muitas crianças que são encontradas nos barracos em situação de desnutrição grave. No centro, recebem cuidados médicos, alimentação e higiene. As mães têm orientações para o cuidado das crianças. Após ganhar peso e sair do quadro de desnutrição, vão para o berçário e jardim no centro- -escola”, explicou Irmã Cacilda.

O projeto mais recente é o hospital, que terá pelo menos 1.500 m2 , e vai compreender um pronto socorro, um bloco operatório para internação e uma maternidade.

CARA, CORAGEM E FÉ

Aos 45 anos, a missionária brasileira morou no Haiti durante um ano. “Voltei várias vezes para acompanhar o andamento e ampliação da evangelização e dos projetos. Vi a evolução das crianças. 1800 crianças não passam mais fome e se desenvolvem a cada dia, de maneira impressionante”, afirmou Irmã Cacilda.

“Andando pelas vielas no meio do labu (lama do esgoto), entrando nas kay tol (minúsculos barracos de lata), vendo um mar de crianças lambuzadas de esgoto e sem ter o que comer, roendo latinhas enferrujadas como vimos o pequeno Richinè aos três anos e que, hoje, aos 11 anos, estuda feliz aqui no centro; lembro-me de quando viemos aqui, há nove anos, com a cara, a coragem e a fé”, disse Irmã Cacilda.

Entre os dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro, o Cardeal Scherer esteve no Haiti, onde visitou todos os projetos da Missão Belém, além de presidir a missa todos os dias da visita e rezar a oração da Via-Sacra com as crianças atendidas pelo Centro e seus familiares nas vielas da favela (leia mais nas páginas 3 e 12). Dom Odilo encontrou-se com autoridades civis e religiosas e abençoou a primeira pedra do novo hospital e do centro-escola.

Ao refletir sobre o Evangelho em que Jesus compara o Reino de Deus com uma pequena semente, o Cardeal afirmou que o trabalho da Missão Belém é como essa semente, lançada ao coração das crianças. “Essa semente, um dia, vai produzir frutos. Por isso, semear com coragem e esperança. Tenham a certeza de que o Espírito de Deus fará frutificar essas sementes”, afirmou o Cardeal, durante a homilia da missa por ele presidida na sexta-feira, 1º, transmitida ao vivo pelas redes sociais da Missão Belém.

 

DA ITÁLIA AO HAITI

Daniele Bruschi, 43, é italiano e está no Haiti desde abril de 2015. Responsável pela administração e economia do Centro, Daniele realiza atividades como a compra de alimentos, pagamento de salários e manutenção das máquinas.

“Não escolhi ser missionário no Haiti, foi um chamado de Deus, uma vocação. Minha conversão começou há cerca de um ano e meio antes de partir para o Haiti, quando comecei a acreditar verdadeiramente na existência de Deus e entendi que a vida que eu levava não correspondia à vontade de Deus para mim. Durante uma peregrinação a Medjugorje, em agosto de 2013, senti um forte chamado de Deus pedindo-me para deixar tudo e segui-lo. Em outubro de 2014, deixei meu trabalho, minha casa, minha família e saí para visitar a Missão Belém na Itália, depois fui para o Brasil e, finalmente, vim para o Haiti, onde moro”, contou Daniele à reportagem.

Ao ser perguntado sobre como percebe a Missão Belém no Haiti, o Voluntário enfatizou que “a Palavra de Deus causará uma grande mudança na sociedade haitiana”. Além disso, ele citou as crianças atendidas no Centro e as 220 pessoas que trabalham e, portanto, podem manter suas famílias com o salário recebido.

“Todos os dias percebo a presença e ação de Deus em nosso Centro. Ver crianças brincando no canal de esgoto me dói muito, mas também me motiva a trabalhar com mais esforço e dedicação. São as crianças que me dão forças para continuar dando minha vida por elas todos os dias. Lembro-me de uma menina suja e desnutrida que me parou um dia perto do centro pedindo-me para deixá-la ir à escola. Depois de alguns meses, era outra pessoa, bem vestida e limpa. Ela não estava mais desnutrida e está alcançando excelentes resultados na escola”, contou Daniele.

SOBRE O PAÍS

Daniele Bruschi explicou que, atualmente, no Haiti, não há água encanada, eletricidade, saúde, comida e trabalho. “Há também enormes problemas com o gerenciamento de resíduos, as estradas são constantemente invadidas pelo lixo que, em seguida, atinge o mar durante as chuvas. Outro problema grave diz respeito à corrupção. É um problema de tais dimensões e tão enraizado que impede o desenvolvimento econômico e social do País. As estradas são muito irregulares e isso causa acidentes que são frequentemente graves ou mortais. A pobreza é grande e, muitas vezes, as pessoas não podem comer regularmente todos os dias. Em particular, as crianças são as que mais sofrem com essa situação de miséria”, disse.

O Voluntário italiano enfatizou também que, nos últimos tempos, há dificuldade em encontrar diesel e gasolina para geradores, além do gás para cozinha e até mesmo água. “As maiores lojas de alimentos permaneceram fechadas, aparentemente por um confronto com o governo. Há uma grande instabilidade política e econômica que leva a um aumento de episódios de violência”, afirmou Daniele.

Ele salientou, também, o fato de que ainda existem tantas pessoas analfabetas. “Sem educação, não é possível formar pessoas que possam trabalhar e construir uma família e uma sociedade melhor no futuro”, disse, recordando também a necessidade de que se estabeleça um sistema de saúde pública que permita aos haitianos tratarem a si mesmos e não morrerem “por uma simples infecção ou disenteria não tratada”

Nicola Casarin, engenheiro voluntário, salientouque o Haiti precisa, em primeiro lugar, de uma reforma política e cultural. “A sociedade vive contradições inimagináveis que levam a uma miséria e tiram a esperança e a possibilidade de vida de centenas de milhares de crianças em todas as partes do País. É necessário ajudar pessoas para que elas possam encontrar em si mesmas recursos e sair da pobreza.” Ele falou também sobre a corrupção generalizada em todos os níveis da sociedade, que está impedindo o desenvolvimento de um sistema produtivo econômico que funcione.

UM PAI MISSIONÁRIO

Nicola Casarin, 45, italiano, visita o Haiti regularmente por cerca de 15 dias a cada dois meses para acompanhar os projetos e o canteiro das obras das novas escolas e do novo hospital “Paolo Valle”, além da ampliação da primeira escola

Voluntário e membro da Missão Belém, Nicola é casado com Enrica e pai da Maria Clara, que tem 6 anos de idade. “Minha escolha de trabalhar em tempo integral na missão é, na verdade, uma escolha da família, porque no meu trabalho para o Haiti, tanto no período em que estou na Itália, quanto no período em que estou no Haiti, minha família está sempre em meu coração. Maria Clara sempre me pede que construa um parque com belos jogos para as crianças no Haiti”, recordou.

Para Nicola, o trabalho da Missão Belém é muito maior do que o que pode ser percebido de fora. “Os missionários doam o tempo e o coração pela causa e, assim, veem a mudança também dos seus próprios corações. Do Haiti você nunca volta para casa como antes”, afirmou o Engenheiro.

 

HISTÓRIA DE UM JOVEM HAITIANO

Muscadin Djorgenly, 22, nasceu em Porto Príncipe e mora em Wharf Jeremie. Atualmente, ele coordena uma atividade pastoral com crianças e trabalha na equipe de caridade da Missão Belém, que tem a função de buscar as crianças ausentes da escola.

“Comecei a participar da Missão Belém assim que eles chegaram aqui, frequentava o grupo de oração, que acontecia, às vezes, perto da minha casa. Com a Missão, aproximei-me realmente de Deus. Além disso, a Missão me ajudou dando um trabalho para minha mãe, que, assim, conseguiu me sustentar”, contou Muscadin, que também teve uma oportunidade de trabalho após terminar o período escolar.

Todos os dias, Muscadin anda pelos barracos em busca das crianças e, aos fins de semana, ajuda no trabalho pastoral. “A Missão transformou muitas coisas em minha vida, me ajuda a amadurecer no conhecimento da Palavra de Deus. Sou muito grato por ter conhecido a Missão Belém e poder fazer parte dela”, disse o jovem.

 

 

 

LEIA TAMBÉM: ‘Os missionários vivem a pobreza com os pobres e no lugar dos pobres’

 

Comente

JMJ: encontro com Deus, consigo e uns com os outros

Por
01 de fevereiro de 2019

As catequeses com bispos de diferentes dioceses em todo o mundo são momentos de reflexão e oração para os jovens que participam das jornadas. A catequese dada pelo Cardeal Scherer aconteceu na Paróquia San Juan Bautista de la Salle y Santa Mónica, na quinta-feira, 24

“No mundo de hoje, pela facilidade da tecnologia, pensamos que tudo está sob nosso controle, nosso poder! O tema da Jornada nos convida a deixar o poder na mão de outro. ‘Faça-se em mim segundo a tua palavra. Eu sou a serva do Senhor’, disse Maria. Mesmo não compreendendo toda missão, ela permaneceu de pé junto da cruz”, disse o Cardeal.

Participaram da catequese jovens de Angola, dos estados do Rio de Janeiro, da Bahia, de São Paulo, de Maringá (PR), e muitos padres e religiosos que acompanhavam os jovens. Após a catequese, o Cardeal presidiu a celebração eucarística.

 

'A PEREGRINAÇÂO É, SOBRETUDO, O ENCONTRO COM DEUS'

Em entrevista ao Vatican News, o Cardeal Scherer recordou que as jornadas são peregrinações. “Peregrinação ao encontro uns dos outros. É uma belíssima experiência o encontro dos jovens de todo mundo, raças, culturas, línguas diferentes, mas todos se sentem parte da mesma Igreja, essa é uma experiência única”, afirmou Dom Odilo.

“A Igreja é jovem, como dizia o Papa Bento XVI. A peregrinação é, sobretudo, o encontro com Deus, o encontro com Cristo: os momentos de oração, de celebração e de catequese, a grande vigília. Os jovens só têm a aproveitar participando da Jornada”, continuou.

O Cardeal comentou, ainda, sobre o tema mariano escolhido para a JMJ 2019. “‘Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’, é um tema vocacional. Maria aderiu ao chamado de Deus, que também chama cada um. Os jovens são levados também a se perguntarem: ‘Afinal, qual é a vontade de Deus a meu respeito?’. Acredito que esta Jornada vai marcar vocacionalmente a juventude”, afirmou o Arcebispo de São Paulo.

 

Portugal já começa a se preparar para a JMJ em 2022

A cidade de Lisboa, em Portugal, vai sediar a JMJ de 2022. O anúncio foi feito no fim da missa conclusiva da JMJ 2019, no Panamá, no domingo, 27. “Será uma ocasião extraordinária ter os jovens do mundo inteiro e o Papa aqui. Começamos a trabalhar já nesta semana!”, disse Padre José Manuel Pereira de Almeida, teólogo e vice-reitor da Universidade Católica de Portugal, em entrevista ao Vatican News.

Padre José demonstrou muita alegria em receber a Jornada, seja pela realidade da Igreja local, seja para facilidade dos jovens africanos de chegarem ao País. “Que o evento possa ser aquilo que é chamado a ser: o encontro entre nós, com o Papa e com o Senhor Jesus, que nos chama para estar presentes com coragem, com fé e como serviço à vida e à esperança de todos”, afirmou.

O Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente, afirmou que o anúncio do Papa é uma feliz confirmação de algo que Portugal já esperava havia muito tempo, porque as 20 dioceses do País sempre tiveram a esperança de viverem uma JMJ.

O pedido oficial para receber o evento foi feito no fim de 2017, mas, desde 2012, em várias reuniões do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, no Vaticano, a hipótese de Portugal como sede era já cogitada, conforme matéria publicada no site Jovens Conectados.

 

VOCAÇÃO UNIVERSAL

“No Plano de Deus, Portugal foi feito para levar o Evangelho a muitas partes, e sabemos de tantas nações que receberam o Evangelho das mãos, bocas e corações de tantos portugueses. Por isso, essa Jornada com vocação universal, na qual todos serão acolhidos no coração de Portugal e em Lisboa nas margens do Rio Tejo, de onde tantos e tantos evangelizadores partiram, tem uma emoção própria, que é parte da vocação missionária universal da Igreja portuguesa. Desde já agradecemos os portugueses por manterem esta bela tradição e não terem medo, assumirem este desafio com a mesma ousadia dos navegantes que levaram o Evangelho por todas as partes”, agradeceu Padre Alexandre Awi Mello, Secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

 

TODOS A LISBOA!

Em um vídeo publicado nas redes sociais da Arquidiocese de São Paulo, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, falou sobre o término da JMJ-2019 e convidou os jovens a participarem da próxima Jornada, em 2022.

“Estamos encerrando a JMJ. Houve uma grande alegria por parte dos portugueses aqui presentes. Desde agora, quero convidar a todos os jovens do Brasil, de modo particular os jovens de São Paulo, sacerdotes jovens, grupos, pastorais e movimentos para se organizarem com antecedência e participarem da JMJ-2022, em Lisboa. Que Deus abençoe a todos!”, disse o Cardeal.

Com informações de Vatican News, Canção Nova e Jovens Conectados
 

LEIA TAMBÉM: Imprensa destaca migrantes, violência e direitos humanos na viagem ao Panamá

Comente

Cardeal Scherer: ‘É nosso dever visitar e estar próximos dos enfermos’

Por
20 de dezembro de 2018

Na segunda-feira, 17, um dos corredores do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, transformou-se em uma igreja. Pacientes, profissionais e voluntários se reuniram para a missa presidida todos os anos pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, por ocasião do Natal, no maior hospital do País de referência no atendimento a pacientes com doenças infecciosas, principalmente HIV/Aids. 

Na saudação inicial, Dom Odilo manifestou alegria por celebrar novamente no Instituto de Infectologia, rezando por toda a comunidade hospitalar, especialmente por aqueles que irão passar o Natal internados ou trabalhando e, assim, não poderão estar com seus familiares. “Sabemos que todo mundo gostaria de passar o Natal em casa, mas nem sempre é possível. Então, este momento, esta missa, quer dar justamente esta certeza: que nós estamos com vocês”, afirmou. 

O Arcebispo agradeceu aos padres e voluntários da capelania. “É um grande trabalho que, além de, naturalmente, exigir de todos o melhor de sua capacidade humana e competência profissional, também requer um grande amor, uma grande capacidade para estar junto com as pessoas. O trabalho nos hospitais requer um grande coração e, por isso, Jesus classificou o cuidado aos doentes como uma grande obra de misericórdia e de amor”, ressaltou, recordando que o próprio Cristo sempre teve seu coração voltado aos doentes. 

Hoje, 10 mil pacientes com doenças crônicas fazem acompanhamento médico no ambulatório do Emílio Ribas. Cerca de 70% dos pacientes internados têm complicações em decorrência da Aids (síndrome desenvolvida pela baixa imunidade causada pelo HIV). Também têm crescido, no entanto, os casos de vítimas de doenças como hepatite e tuberculose.
 

A CAPELANIA

A Capelania Católica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas foi instituída em 1994 para atender os pacientes em um período em que a epidemia de Aids era alta e causava muitas mortes. “Era uma época que chegávamos a ter 18 óbitos por dia em decorrência da Aids”, destacou o Capelão, Padre João Inácio Mildner.

Desde o início, a Capelania Católica do Emílio Ribas é pessoal, isto é, ligada diretamente ao Arcebispo Metropolitano, não pertencendo a nenhuma paróquia ou região episcopal. “Por isso, Dom Odilo, assim como os arcebispos anteriores, faz questão de celebrar o Natal e a Páscoa aqui”, informou o Capelão. 

Ainda segundo o Padre João, a Capelania é parte integrante da assistência oferecida ao paciente. “Trata-se de um grupo dentro da equipe multiprofissional do hospital”, enfatizou, destacando que é muito comum médicos de diferentes especialidades, enfermeiros e assistentes sociais chamarem a Capelania para dar assistência contínua a um paciente. 

“A assistência religiosa ajuda a promover o bem-estar e a paz a pacientes e profissionais. Tranquiliza-nos saber que alguém está cuidando da alma, da interioridade dos pacientes”, salientou o médico infectologista Jamal Suleiman, que trabalha no Emílio Ribas há 35 anos. 

 

DEVER DO CRISTÃO

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Cardeal Scherer afirmou que faz questão de visitar os hospitais para ter um contato direto e pessoal com os doentes. “Além do conforto que podemos levar às pessoas, quer os doentes, quer os que trabalham aqui, é nosso dever, em primeiro lugar, como padres e bispos, visitar os enfermos e estar próximos deles”, disse. Além da Páscoa e do Natal, o Arcebispo costuma ir a hospitais ao longo do ano, sobretudo para visitar sacerdotes doentes e outros fiéis, sempre que solicitado pelos familiares. 

Dom Odilo recordou, ainda, que antes de ser nomeado bispo, foi capelão em um hospital para pessoas idosas por três anos: “Essa foi uma experiência marcante na minha vida sacerdotal e na minha experiência humana. Nós aprendemos a ver as pessoas idosas e doentes com um novo olhar, a partir da proximidade delas, que ficam muito fragilizadas e sentem enorme necessidade da presença religiosa, da bênção e da certeza de que Deus está com elas”. 

Padre João ressaltou que sempre que visita um hospital, Dom Odilo vai “como um pastor ao encontro do rebanho que está sofrendo”.

“Mesmo tendo uma agenda cheia de trabalhos, ele dedica inteiramente o tempo que pode passar com os doentes, médicos e conosco, para nos dar forças”, disse, reforçando que considera essencial o apoio do Cardeal. “Ao longo desses anos, pudemos passar pelas epidemias da Aids, das gripes asiática e suína e do risco do vírus ebola, sempre com o apoio e presença do Arcebispo, que nos amparava na missão”, completou o Padre. 

Após a missa, os participantes da celebração e todos os doentes internados no Instituto de Infectologia foram presenteados pelo Cardeal com um panetone. 

 

(Colaboraram: Flavio Rogério Lopes e Jenniffer Silva)
 

LEIA TAMBÉM: O terceiro Instituto para pessoas com deficiência visual fundado no Brasil

Comente

Brasileiros festejam Nossa Senhora Aparecida em Nova York

Por
24 de outubro de 2018

Uma parte da comunidade brasileira residente nos Estados Unidos se reuniu no sábado, 6, na Catedral de São Patrício, em Nova York, nos Estados Unidos, para celebrar uma missa em honra a Nossa Senhora Aparecida. A missa foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, a convite do Cardeal Timothy Dolan, Arcebispo de Nova York. 

A celebração contou com a participação de 500 pessoas, dentre as quais o embaixador Enio Cordeiro, Cônsul-Geral do Brasil em Nova York; a Ministra Lúcia Maria Maierá, Cônsul-Geral Adjunta; Ricardo Lima, Presidente do Conselho da Comunidade Brasileira em Nova York, e o Padre José Carlos da Silva, Pároco da Paróquia Santa Rita, que reúne os brasileiros da cidade.  

Na homilia, Dom Odilo expressou sua alegria e gratidão aos sacerdotes que acompanham a comunidade brasileira em Nova York e em outras localidades dos Estados Unidos, e ressaltou que a celebração era ocasião de se unir a todas as comunidades do Brasil na novena preparatória da festa de sua padroeira. Ele também recordou as eleições que aconteceriam no dia seguinte, domingo, 7, na qual os brasileiros residentes no exterior também votaram para o cargo de Presidente da República. 

“Nossa Senhora Aparecida é para nós a padroeira, a mãe dos brasileiros, a quem recorremos nos momentos alegres e difíceis. A ela cantamos: ‘Ó, velai pelo povo Brasileiro, Senhora Aparecida’”, afirmou o Cardeal, motivando os fiéis a nunca deixarem de expressar a alegria da fé e as riquezas da cultura católica e brasileira:  “É uma riqueza muito grande que podemos compartilhar com outros povos e culturas”. 

 

MÚSICAS BRASILEIRAS

Os cânticos da missa foram entoados em Português pelo coro “Brazilian Schola Cantorum”, acompanhados pelo grande órgão de tubos da Catedral, tocado pelo músico brasileiro Delphim Rezende Porto. Para ele, a missa em honra a Nossa Senhora Aparecida é uma oportunidade de mostrar ao povo a devoção brasileira da melhor e mais bela maneira possível. “Tive a oportunidade de estar em Nova York a convite da Columbia University e atuar como visiting scholar no Departamento de Música, pesquisando e produzindo conhecimento científico. Doutorei-me em Música na USP e desde então tenho me dedicado a projetos que usem a música para melhorar a vida do nosso povo dentro e fora dos limites geográficos do Brasil. Cultura e fé é uma parceria que pode dar muitos frutos”, afirmou. 

 

TRADIÇÃO

O costume da missa anual pela festa da padroeira do Brasil começou em 2012, embora em anos anteriores já houvesse missas organizadas pelo Consulado Brasileiro em datas como os dias da Independência e do Descobrimento do Brasil. O idealizador da tradição foi o Padre Amarilo Checom, já falecido. Atualmente, há 350 mil brasileiros residentes em Nova York, Nova Jersey e na Pensilvânia. No fim da missa, o CônsulGeral do Brasil agradeceu aos membros da comunidade brasileira “que seguem mantendo viva, ao longo de tantos anos, essa tradição que nos reúne para celebrar a devoção a Nossa Padroeira e Protetora”, disse. “A devoção mariana faz parte da nossa identidade como País”, completou.

O empresário Edgar Alves, 60, mora nos Estados unidos há 28 anos. Ele relatou ao O SÃO PAULO que há uma participação significativa de católicos brasileiros nas igrejas norte-americanas. “Creio que Nova Jersey tem uma concentração maior de brasileiros católicos. Já visitei comunidades católicas da Flórida e Massachusetts, e a participação da comunidade é bem ativa e presente. A receptividade americana ao povo brasileiro, na minha visão, é bem amigável”, disse.

 

LEIA TAMBÉM: Santuário Nossa Senhora Aparecida no Ipiranga terá programação especial em 12 de outubro

Comente

Dom Odilo participa da festa da Exaltação da Santa Cruz

Por
19 de setembro de 2018

A Paróquia Santa Cruz, no Setor Pastoral Vila Antonieta, festejou a Solenidade da Exaltação da Santa Cruz, na sexta-feira, 14. O Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Scherer, presidiu a celebração, concelebrada pelo Padre Eduardo Bina, Pároco.

“Hoje, recordamos a Cruz e aquele que está na Cruz”, disse o Cardeal à assembleia de quase 300 pessoas. Ele lembrou que “valorizamos o crucificado e a Cruz como sinal, símbolo maior do amor misericordioso de Deus”

A celebração da Exaltação da Santa Cruz foi preparada pela comunidade com uma novena festiva. Em todos os dias, houve bênção dos crucifixos. Os fiéis das outras duas comunidades que formam a Paróquia - Nossa Senhora do Amparo e São João Batista - também participaram da celebração, além dos integranes das seis comunidades do Caminho Neocatecumenal e da comunidade de vida Luz das Nações.

Dom Odilo lembrou a necessidade de ensinar as crianças a fazer o sinal da cruz, “bênção de Deus”. O Cardeal motivou que todos os fiéis tenham uma cruz em casa: “O sinal do católico não é a Cruz de Cristo? Vamos valorizar isso. Somos cristãos, somos católicos, somos da Cruz de Cristo”.

Ao final da celebração, fez-se memória de Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo de São Paulo de 1970 a 1998. “Hoje, ele faria aniversário se vivo estivesse”, disse Dom Odilo. Por fim, foi dada a bênção à assembleia e houve a distribuição de um bolo de 45kg.

A Semana da Santa Cruz terminará com a Feijoada da Paróquia, no dia 23, a partir das 12h, na igreja-matriz (Rua Alfredo Marcondes, 191).

Comente

Cardeal Scherer dedica igreja e altar da Paróquia Nossa Senhora da Consolação

Por
05 de setembro de 2018

A Paróquia Nossa Senhora da Consolação, no domingo, 2, completou 220 anos.

 

HISTÓRIA

Consta no livro tombo que “em 1870, a igreja foi elevada à condição de Paróquia Nossa Senhora da Consolação”, tendo como patronos Nossa Senhora da Consolação e São João Batista.

A primeira igreja foi construída em taipa de pilão, entre os anos 1798 e 1801, por ordem do então Bispo Diocesano, Dom Mateus de Abreu Pereira. Conta o livro tombo que “no altar-mor da Capela, jazia uma pequena imagem de Nossa Senhora da Consolação, esculpida em madeira e papel marchê”

No início do século XX, com o crescimento populacional da região, a humilde Capela que deu origem e nome ao bairro, precisava de acomodações mais amplas. Então, Dom Duarte Leopoldo e Silva escreveu uma carta ao Monsenhor Francisco Bastos, concedendo-lhe poderes para demolir e construir uma nova matriz, que se tornou muito importante para o centro da cidade. Destaca-se, também, que a Paróquia Nossa Senhora da Consolação foi Catedral provisória da Arquidiocese de São Paulo.

 

NOVENA DA PADROEIRA

A novena da padroeira deste ano teve início em 24 de agosto. Em todos os dias, houve adoração ao Santíssimo e oração do Terço, conduzido sempre pelo Padre José Roberto Pereira, Pároco. As missas durante a novena foram celebradas a cada dia por um bispo convidado e alguns padres concelebrantes, com a participação de diversos corais da cidade.

 

DEDICAÇÃO DA IGREJA

No domingo, 2, foi realizada a celebração eucarística da dedicação do altar e da igreja-matriz, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, concelebrada por Dom Eduardo Vieira dos Santos, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Sé, pelo Padre José Roberto Pereira e outros padres.

O altar foi ungido com o óleo santo do Crisma tanto na cruz existente no seu centro como nas quatro extremidades. Em seguida, as 12 cruzes nas paredes laterais foram ungidas também. Depois, foram colocadas as relíquias dos santos no altar e, em seguida, sua vedação para que de lá jamais retiradas. Ainda durante o momento da dedicação, foi colocado incenso sobre o altar. E por fim, o altar foi limpo pelos ministros para que, então, fosse coberto e para que as velas fossem colocadas sobre ele.

 

 

 

 

Comente

Conselho da Fundação São Paulo envia proposta para comunidade

Por
04 de setembro de 2018

O Conselho Superior da Fundação São Paulo (FUNDASP), mantenedora da PUC-SP.  enviou, na sexta-feira (31/8), "Documento de Trabalho" com propostas para alteração do Estatuto da universidade. 

Segundo carta, assinada pelo Cardeal Odilo Scherer, grão-chanceler da universidade, para a reitora, Professora Doutora Maria Amalia Pie Abib Andery, a comunidade acadêmica da PUC-SP tem 60 dias para apreciar as propostas, no âmbito do Conselho Universitário (CONSUN), e apresentar "livremente sugestões para o enriquecimento e o aperfeiçoamento" das propostas apresentadas.

Ainda segundo o documento, o atual estatuto em vigor foi aprovado pela Congregação para a Educação Católica "ad experimentum" por 5 anos no dia 25/10/2008. O prazo para apresentação da proposta de revisão e adequação para a Santa Sé, portanto, venceu no dia 25/10/2013. O Cardeal encerra a carta desejando "profícuo trabalho" e salienta que o momento é "enriquecedor para a vida acadêmica da PUC-SP".

Comente

Vida consagrada é sinal de esperança em meio às contradições do mundo

Por
26 de agosto de 2018

No sábado, 18, a Catedral da Sé acolheu os religiosos e religiosas consagrados que vivem e atuam na Arquidiocese de São Paulo para uma missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, recordando a vocação à vida religiosa. 

Na homilia, Dom Odilo recordou que o mês vocacional, vivenciado pela Igreja no Brasil, não é apenas ocasião para homenagear os diferentes estados de vida, mas também um mês de reflexão sobre as vocações na Igreja e de oração por elas. “Sem as vocações de especial consagração, a Igreja perde a vitalidade, não consegue dar conta da missão. Nós cremos que Deus continua a chamar, que vê a necessidade da Igreja, do desafio da messe que é grande”, afirmou.

“Certamente, por muitas circunstâncias, hoje está mais difícil ouvir, acolher o chamado de Deus. Talvez até mesmo de falar da vocação. Também faz parte da missão falar sobre as vocações assim como rezar pelas vocações, atendendo ao pedido de Jesus: ‘Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe’”, continuou o Cardeal Scherer. 

O Arcebispo agradeceu a presença dos consagrados não apenas na região central da cidade, como também nas periferias, sobretudo nas várias situações que requerem o testemunho da Igreja. Ele também recordou os religiosos idosos e enfermos que não puderam participar da missa. 

Ao falar sobre a liturgia do dia, da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, Dom Odilo recordou que a Virgem Maria viveu plenamente sua consagração a Deus e a confiança plena na sua palavra e que, por isso, ela é modelo e inspiração para todos aqueles que entregam sua vida à vontade de Deus.

“A vida consagrada é marcada fortemente pelo sinal da esperança no cumprimento pleno da salvação. Sem isso, não teria sentido consagrar-se nesta vida”, acrescentou o Cardeal, convidando os religiosos a renovarem a alegria da consagração a Deus, de viver no meio das contradições do mundo com um olhar que vai “além dos condicionamentos ligados a esta vida”.

 

TESTEMUNHO DE SANTIDADE

Ainda sobre o testemunho dos consagrados na Igreja em São Paulo, Dom Odilo ressaltou que os santos e beatos que viveram na Arquidiocese foram religiosos –São José de Anchieta, Santa Paulina, Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, Beato Mariano de La Mata e Beata Assunta Marchetti – que muito contribuíram para a evangelização. “O chamado à santidade é o primeiro e mais essencial. A vida santa é a nossa vocação e meta comum a partir do Batismo. Chegar à eternidade e viver na glória de Deus, como Maria, requer vida santa”, completou o Arcebispo, reforçando que “o estilo de vida dos cristãos é a santidade”. 

Em nome dos consagrados, o Padre Rubens Pedro Cabral, Diretor do Regional São Paulo da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB-SP), renovou o compromisso dos religiosos na missão evangelizadora em São Paulo, especialmente no caminho sinodal vivido pela Arquidiocese. “Que a vida religiosa continue a ser este sinal benéfico no meio desta cidade confusa e fragmentada”, afirmou.  

 

Comente

Páginas

Para pesquisar, digite abaixo e tecle enter.