Dom Odilo defende o dever do Estado em garantir a liberdade religiosa e de expressão

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10 de abril de 2019

Anualmente, desde 2015, a comunidade de estudantes brasileiros na região de Boston, nos Estados Unidos, organiza a “Brazil Conference at Harvard & MIT”, um espaço plural para discutir o passado, o presente e o futuro do Brasil.

A edição 2019 aconteceu entre os dias 5 e 7, com diferentes painéis de diálogos envolvendo pesquisadores acadêmicos, políticos e autoridades civis e religiosas.

No sábado, 6, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, participou de um dos painéis, que tratou das relações entre Estado e Religião no Brasil, com enfoque na questão da laicidade do Estado.

Mediada pela jornalista Flávia Oliveira, do grupo Globo, a atividade também contou com a participação de Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF); de Raquel Dodge, procuradora-geral da República; e da deputada federal Geovania de Sá (PSDB-SC), que integra a bancada evangélica na Câmara dos Deputados.

O SÃO PAULO apresenta a seguir uma síntese da fala do Cardeal Scherer no evento.

 

LAICIDADE

Inicialmente, o Arcebispo de São Paulo lembrou que no Estado laico não há uma religião oficial, garantindo-se, assim, a liberdade a todos os cidadãos e organizações religiosas de manifestação a respeito da própria religiosidade.

Dom Odilo recordou uma fala do Papa emérito Bento XVI na Conferência de Aparecida, em 2007, na qual o Pontífice afirmou que se a Igreja se transformasse diretamente em sujeito político, perderia sua independência e autoridade moral.

“A autonomia dos âmbitos estatal e religioso é, sem dúvida, um bem, quando adequadamente compreendida e praticada”, afirmou o Arcebispo, apontando, ainda, que tal independência não implica, necessariamente, ruptura ou hostilidade de ambas as partes nem obrigatório alinhamento quanto ao entendimento de temas referentes ao bem comum, direitos humanos, justiça social, entre outros.

 

PLURALISMO E NÃO TOTALITARISMO

Dom Odilo ressaltou que o Estado também deve garantir a todos os cidadãos a liberdade de expressão: “Se os cidadãos que têm fé religiosa não pudessem expressar livremente suas convicções ou lhes fosse tolhido o direito a participar das responsabilidades da sociedade e do próprio Estado, estaríamos diante do pensamento único e oficial, próprio dos Estados totalitários. A liberdade religiosa e o sadio pluralismo da convivência social ficariam comprometidos e os cidadãos religiosos passariam a ser discriminados e considerados de segunda categoria, o que não é raro acontecer”.

 

LIVRE ORGANIZAÇÃO

O Arcebispo de São Paulo também disse que no Estado laico deve ser assegurada às organizações religiosas “sua livre organização para atingir seus objetivos, sempre no respeito à lei comum. Não é, pois, aceitável que o Estado seja alocado a serviço de uma única corrente de pensamento, seja laico, seja religioso”.

Dom Odilo afirmou, ainda, que há uma ética natural, com valores fundamentais consolidados ao longo de milênios, como o respeito à vida, à família, à liberdade religiosa, à liberdade em geral, à justiça, à solidariedade, que devem ser respeitados.

 

O LUGAR E O AGIR NA POLÍTICA

Dom Odilo ressaltou que não cabe à Igreja substituir o Estado, mas que, como uma das organizações da sociedade, “a Igreja sente-se no dever de oferecer a sua contribuição específica, também por meio da formação ética e da oferta de critérios de discernimento coerentes, que tornem as exigências da justiça compreensíveis e politicamente realizáveis nas diversas circunstâncias históricas e sociais”.

Apontou, também, que cabe aos leigos e não à instituição eclesial participar da militância política. “No Estado laico, os católicos proporão as suas próprias convicções e agirão em nome próprio como cidadãos e não como representantes da instituição religiosa”, e que, por essa razão, “o templo católico não pode ser o local adequado para manifestações meramente cívicas ou políticas, sejam elas de quaisquer coloridos políticos ou ideológicos. Em tempos de plena liberdade democrática, como vivemos no Brasil, o lugar para essas manifestações é a praça pública e os espaços representativos da sociedade”, afirmou.

O Arcebispo de São Paulo também lembrou que o Papa Francisco tem exortado os católicos na América Latina a participar ativamente da vida pública.

 

POR QUE NÃO HÁ UMA FRENTE CATÓLICA NA CÂMARA?

Na fala final do painel, Dom Odilo esclareceu o porquê de a Igreja Católica não ter uma espécie de frente parlamentar no Congresso Nacional para tratar de algumas pautas.

“Achamos que não é o caso de fazer uma bancada católica, pois o parlamentar católico deve se sentir à vontade em participar de todas as causas boas que apareçam em qualquer frente e proposta que sejam apresentadas no Parlamento”, comentou, afirmando, ainda, que a participação na Igreja Católica dará a esse parlamentar princípios e convicções dos quais ele se valerá na hora de defender e propor leis.

 

PAPEL DA FAMÍLIA

Durante o evento, Dom Odilo foi questionado por um dos participantes sobre a função da família na sociedade brasileira.

O Arcebispo de São Paulo enfatizou que a família deve ser protegida, estimulada e amparada para que possa assumir suas funções humana e social, competências estas que não devem ser repassadas ao Estado. Ele comentou, ainda, que quando não há uma boa formação das pessoas no seio da família, o Estado colhe os maus frutos, como a delinquência e outros desajustes sociais.

“A família natural é formada por um homem e uma mulher, naturalmente considerando os filhos que podem vir ou não. Essa constituição originária da família, segundo a natureza, é prioritária. Por isso, as outras formas ou expressões de famílias não podem ser simplesmente igualadas ao que seria a família natural em seu papel humano e social”, afirmou.

Dom Odilo também reiterou o posicionamento da Igreja em favor da dignidade humana em todas as idades, da concepção à morte, opondo-se, assim, a práticas como aborto e eutanásia.

 

O QUE DISSERAM OS OUTROS PARTICIPANTES DO PAINEL

RAQUEL DODGE, procuradora-geral da República

Ao fazer uma retomada sobre as relações entre o Estado e as religiões no Brasil, ressaltou que o Estado deve assegurar a liberdade da prática religiosa e dos posicionamentos das religiões sobre diferentes temas, e que os debates a respeito destes devem ressoar no Parlamento brasileiro para que os frutos das reflexões sejam sistematizados em leis.

LUIS ROBERTO BARROSO, ministro do STF

Defendeu o direito de as Igrejas não realizarem celebrações de casamentos homoafetivos. Elogiou o fato de o STF ter equiparado tais uniões civis a uniões estáveis convencionais. Barroso também considerou o aborto como uma prática ruim, que o Estado deve evitar que ocorra, mas sem, no entanto, criminalizar a mulher que o pratica.

GEOVANIA DE SÁ, deputada federal

Destacou que as diferentes Igrejas chegam aonde nem sempre as devidas políticas públicas do Estado chegam. Comentou que os valores de amor e respeito, cultivados na família, na escola e na Igreja, são fundamentais para a manutenção da democracia. E destacou que, no Estado laico, a pluralidade de ideias e opiniões deve ser respeitada.

 

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Dom Odilo participa de encontro sobre católicos com responsabilidades políticas

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09 de abril de 2019

A cidade de Assunção, no Paraguai, sedia até sexta-feira, 12, o “Encontro de católicos com responsabilidades políticas a serviço dos povos latino-americanos”. Esse momento de diálogo entre políticos, bispos e cardeais engajados no âmbito da ação de políticas públicas no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.

A iniciativa é do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) e da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) e dá sequência às reflexões do encontro do Celam realizado em Bogotá, na Colômbia, em dezembro de 2017, que buscou renovar a consciência sobre a importância da presença e contribuição de discípulos e missionários da vida pública”. Também responde a um chamado do Papa Francisco ao laicato católico para que tome parte ativa na vida e nos destinos de seus países e povos.

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, participa do evento que tem como objetivo de propiciar o compartilhamento de experiências, testemunhos e reflexões sobre a ação dos leigos católicos que assumem responsabilidades públicas a serviço dos povos latino-americanos, ao mesmo tempo que estes se colocaram em atitude de escuta e diálogo com os bispos e cardeais.

Nesse sentido, acontecerão dois painéis significativos: um sobre “O que dizem os políticos aos pastores?”, e outro sobre “O que dizem os pastores aos políticos?”.

Nos três dias de evento, os participantes irão refletir sobre a realidade democrática dos países do Cone Sul, as prioridades e desafios para uma política democrática segundo o magistério do Papa Francisco e do Episcopado Latino-Americano, e a regeneração da vida política, a partir da contribuição da Igreja, do diálogo, do pluralismo político e da Doutrina Social da Igreja.

A expectativa dos organizadores é que no encontro sejam tratados pontos fundamentais como: os desafios da identidade, unidade e integração latino-americanas; custo de vida; Matrimônio e família; importância da educação; crescimento econômico com justiça e igualdade; inclusão dos setores marginalizados e “descartados”; políticas para o pleno emprego; reabilitação da dignidade da política e da promoção de participação popular; cuidado da casa comum em sua ecologia natural e humana; combate contra o narcotráfico, corrupção e violências; construção da paz e das convergências nacionais e populares em favor do bem comum.

 

Entre os expositores do encontro estão o Cardeal Rubén Salasar Gómez, Arcebispo de Bogotá e Presidente do Celam; o Cardeal Marc Ouellet, Presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina; o professor Rodrigo Guerra, membro do Dicastério da Santa Sé para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral; e o senhor José Antonio Rosas, Diretor da Academia de Formação de Líderes Católicos.

Na quinta-feira, 11, os participantes irão peregrinar ao Santuário Nacional de Caacupé, onde serão recebidos por Dom Ricardo Valenzuela Rios.  

 (Com informações da Conferência Episcopal Paraguaia)
 

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Via Sacra da Criança e do Adolescente acontece no próximo dia 12

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02 de abril de 2019

A Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo realizará a Via Sacra da Criança e do Adolescente na sexta-feira, 12 de abril. Este ano o lema “Serás libertado pela direito e pela justiça” dialoga com as reflexões da CF 2019.

Em carta enviada aos párocos, administradores paroquiais da Arquidiocese de São Paulo, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, falou sobre a relevância social do evento e da importância da valorização da vida.

LEIA A ÍNTEGRA DA CARTA

 

 

“A Via Sacra é momento forte em de defesa da vida, sobretudo de crianças e adolescentes. Um tempo de testemunho público da nossa fé na grande Metrópole e de anunciar que o Reino de Deus chegou para transformar as relações humanas e sociais para serem respeitosas, justas, solidárias e fraternas, escreveu o Cardeal.

 

PROPÓSITOS

A Via Sacra da Criança e do Adolescente terá início às 8h30, na Praça da Sé, com a bênção inicial e a primeira estação. Em seguida, haverá uma caminhada pelas ruas do centro da cidade.

Nas estações, ocorrerão atos em memória dos crimes ambientais (recordando os rompimentos das barragens nas cidade mineiras de Mariana, em 2015, e de Brumadinho, 2019), das vítimas da chacina ocorrida na Escola Estadual de Suzano (SP).

Também será dado destaque para os problemas decorrentes da ausência de Políticas Públicas de saneamento básico, moradia, saúde, educação, segurança e amparo à infância e adolescência na cidade de São Paulo.

Outros detalhes sobre a iniciativa podem ser obtidos pelo telefone (11) 3105-0722 ou pelo e-mail pastoraldomenor@gmail.com, com Sueli Camargo ou Ivan Bezerra.

 

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‘Escolher Deus em primeiro lugar’

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11 de março de 2019

Os retiros de carnaval são uma alternativa para muitos católicos que desejam passar os dias de festas que antecedem o início da Quaresma. São muitas as opções voltadas paras diferentes idades, realizadas por paróquias, comunidades e movimentos. Uma delas é o “Reviver”, que foi promovido pela Comunidade Católica Shalom do domingo, 3, a terça-feira, 5.

Na Arquidiocese de São Paulo, o “Reviver” aconteceu simultaneamente em três lugares diferentes, na Comunidade São Pio, no Parque de Taipas, Região Episcopal Brasilândia; no Colégio Agostiano Mendel, no Tatuapé, Região Episcopal Belém; e na Paróquia Nossa Senhora da Anunciação, na Vila Guilherme, Região Episcopal Santana, onde o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, presidiu a missa de encerramento do retiro.

Realizado em todo Brasil, o Reviver tem o objetivo de oferecer uma experiência de fé e espiritualidade para as pessoas no período do carnaval. “Muitas vezes, as pessoas acham que o Carnaval é só folia e festa, mas também pode ser ocasião de viver uma experiência com o amor de Deus”, explicou, ao O SÃO PAULO, Breno André Alves Dias, responsável pela missão da Comunidade Shalom na Arquidiocese de São Paulo.

 

PARA TODAS AS IDADES

Este ano, o evento teve como tema “Cristo é a nossa paz” (Ef 2,19). “Diante de tudo o que vivemos no mundo, anunciar a paz é essencial. Só que, para nós, a paz não é simplesmente a ausência de guerras e conflitos. A paz é uma pessoa, Jesus Cristo”, destacou o Responsável.

Durante a manhã, o tema central é desenvolvido e, à tarde, acontecem cursos voltados para jovens, famílias e pessoas que estão iniciando a caminhada de fé. Ao longo do dia, há momentos de oração, adoração ao Santíssimo Sacramento e missas. É um retiro para todas idades, inclusive para as crianças, por meio do “Reviver Kids”, com atividades de evangelização e oração voltadas especificamente para as crianças. “A proposta é poder reunir toda a família para que possa celebrar o amor de Deus”, acrescentou Breno.

 

COMUNIDADE MISSIONÁRIA

Dom Odilo iniciou a homilia chamando a atenção para o caminho sinodal vivido pela Arquidiocese de São Paulo, com destaque para o resultado dos levantamentos da realidade religiosa e pastoral realizado em todas as paróquias. Ele salientou que os resultados da pesquisa reforçam a necessidade de uma conversão pastoral e missionária na cidade: “Precisamos ser missionários, e vocês estão sendo uma comunidade missionária, procurando testemunhar a sua fé, ajudando outros a testemunhá-la”.

O Arcebispo recordou que a ação missionária não é apenas aquela realizada pelos que partem para outros países. “A Igreja tem de ser missionária também aqui. São Paulo é uma terra de missão. Nós temos muito trabalho a ser realizado. Precisamos compartilhar experiências como essa deste retiro, pare que outros possam vivê-la”, acrescentou, chamando a atenção para os muitos habitantes da cidade que se declararam católicos na pesquisa do sínodo, mas que não possuem nenhum vínculo com a comunidade eclesial. “Isso constitui um enorme campo de missão dentro de casa”, frisou.

 

DEUS EM PRIMEIRO LUGAR

Ao refletir sobre os textos bíblicos da liturgia do dia, Dom Odilo enfatizou o relato do Evangelho segundo São Marcos, que narra o encontro de Jesus com o jovem rico. “O texto diz que o jovem foi embora triste, pois tinha muitos bens. Com isso, Jesus não quer dizer que os ricos não se salvarão, mas que é preciso fazer uma escolha por Jesus, desapegar-se dos bens”, explicou.

O Cardeal continuou a reflexão reforçando que o apego aos bens se torna uma verdadeira idolatria que cega, capaz de tornar as pessoas insensíveis diante do bem maior, que é a vida eterna: “Deixar tudo é realmente fazer a escolha de Deus em primeiro lugar. E essa escolha não é feita somente pelos padres e freiras, mas também por todos os cristãos. Os bens são importantes, mas não podem ser idolatrados, pois Deus é o bem maior. É o primeiro mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas”

 

QUARESMA

Dom Odilo também recordou o início da Quaresma, na Quarta-feira de Cinzas, 6. “Esse é um tempo de preparação para a Páscoa e, por meio da penitência, nós nos preparamos para renovar as promessas do nosso Batismo e nossa profissão de fé católica. Durante a Quaresma, somos convidados a fazer uma avaliação da nossa vida”, disse, incentivando todos a viverem esse período por meio do jejum, da oração e da esmola, como propõe a Igreja.

 

HÁ 15 ANOS EM MISSÃO

Em 2019, a Comunidade Shalom comemora 15 anos de missão na Arquidiocese de São Paulo. Em 19 de março de 2004, a associação de fiéis iniciou suas atividades na Região Episcopal Santana, a pedido de Dom Odilo, então Bispo Auxiliar de São Paulo.

O apelo missionário foi a principal motivação da Comunidade Shalom para realizar, pela primeira vez, três retiros simultâneos na Arquidiocese. “São Paulo é uma cidade muito grande. Por isso, é importante que as pessoas tenham oportunidade de participar de um evento desses sem precisar se locomover tanto. Sabemos que três eventos ainda são poucos quando pensamos no tamanho da cidade, mas este ano já contabilizamos em torno de 1,6 mil pessoas participando desses eventos”, ressaltou André Dias.

Para o Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Anunciação, Padre Antônio Laureano, acolher o “Reviver” na Paróquia foi uma oportunidade de conhecer melhor o trabalho evangelizador da comunidade. “Nossa comunidade se surpreendeu pelas várias atividades desenvolvidas nesses dias. Tudo isso confirmou o comprometimento da Shalom com a Igreja”, afirmou.

 

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‘Convertei-vos e crede no Evangelho’

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08 de março de 2019

O Cardeal Odilo Pedro Scherer presidiu, na Catedral Sé, missa solene da Quarta-feira de Cinzas, 6, que deu início ao tempo litúrgico da Quaresma. Nesta ocasião, a Igreja no Brasil também abriu a Campanha da Fraternidade 2019, cujo o tema é “Fraternidade e Políticas Públicas”.

A Quarta-feira das Cinzas é um dia especial de jejum e penitência, em que os cristãos manifestam seu desejo pessoal de conversão a Deus por meio do rito de imposição das cinzas.

TEMPO FAVORÁVEL

Na homilia, Dom Odilo chamou a atenção para o refrão do canto de entrada da celebração - “Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação” (cf. 2 Cor 6,2) - para ressaltar o sentido do tempo quaresmal como convite à conversão em preparação para a Páscoa. “A Quaresma inicia com um apelo forte e insistente à conversão. As palavras ‘convertei-vos e crede no Evangelho’, ditas durante a imposição das cinzas, não são apenas rituais, mas um apelo de Jesus no início da pregação do Evangelho”, afirmou.

 

EXAME DE CONSCIÊNCIA

O Arcebispo recordou, ainda, que a Quaresma é ocasião de fazer um profundo exame de consciência sobre o modo como se vive o Cristianismo, as promessas batismais e os deveres que emanam da fé em Jesus. “A liturgia da Quaresma nos repetirá de várias formas este lembrete que hoje já ouvimos: ‘Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor’. Deus nos fala no hoje de nossas vidas e, se estivermos atentos, nós o ouviremos”, disse.

“Como consequência dessa atitude de conversão, vem o reconhecimento da própria insuficiência e das escolhas erradas”, acrescentou o Cardeal.

 

CF 2019

No fim da missa, Dom Odilo entregou um exemplar do manual da Campanha da Fraternidade a representantes das regiões episcopais e vicariatos ambientais da Arquidiocese, incentivando todas as comunidades e organizações a aprofundar o tema proposto para a Igreja no Brasil.

Caminho de recolhimento em vista da Páscoa

A Quaresma é o tempo litúrgico de preparação para a Páscoa, celebração máxima da fé cristã. Desde o século IV, esse período de 40 dias é proposto como um tempo de penitência, renovação e conversão para a toda a Igreja.

O nome desse tempo deriva da palavra latina quadragesima. A exemplo de Jesus, que se retirou no deserto por 40 dias para orar e jejuar antes de iniciar sua vida pública, os cristãos são convidados a um “retiro e recolhimento” em vista das celebrações dos mistérios da Paixão, Morte e Ressureição do Senhor. “Todos os anos, pelos 40 dias da grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto”, destaca o Catecismo da Igreja Católica (n. 540)

O número 40 também faz referência a outros acontecimentos bíblicos, como os 40 dias do dilúvio, os 40 anos de peregrinação do povo hebreu pelo deserto e os 40 dias em que tanto Moisés quanto Elias passaram retirados na montanha.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, tanto a Sagrada Escritura quanto os primeiros Padres da Igreja destacam as três obras quaresmais: o jejum, a oração e a esmola, que “exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros”

 

JEJUM E ABSTINÊNCIA

Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta- -feira da Paixão, a Igreja prescreve o jejum e a abstinência de carne como um sacrifício em memória da Paixão de Cristo, que entregou a sua carne para a salvação da humanidade.

É chamada de jejum a privação voluntária de comida durante algum tempo por motivo religioso, como ato de culto a Deus. Na Bíblia, o jejum pode ser sinal de penitência, expiação dos pecados, oração intensa ou vontade firme de conseguir algo.

A abstinência de carne é prescrita a todos os maiores de 14 anos, enquanto o jejum aos maiores de 18 anos até os 59 anos. As pessoas doentes ou que estão muito debilitadas não estão obrigadas a cumprirem esse preceito.

 

ORAÇÃO

O exercício da oração indica todas as formas de relacionamento pessoal com Deus. O Catecismo lembra que a humildade é o fundamento da oração. “A humildade é a disposição necessária para receber gratuitamente o dom da oração: o homem é um mendigo de Deus” (n. 2559).

“Seja qual for a linguagem da oração (gestos e palavras), é o homem todo que ora. Mas, para designar o lugar de onde brota a oração, as Escrituras falam às vezes da alma ou do espírito ou, com mais frequência, do coração (mais de mil vezes). É o coração que ora. Se ele estiver longe de Deus, a expressão da oração será vã”, acrescenta o Catecismo (n. 2562).

 

ESMOLA

A prática da esmola refere-se às obras de misericórdia e a todas as formas de caridade que devem ser praticadas ao longo de toda a vida cristã. A doutrina da Igreja ensina que a prática da caridade cristã também implica renúncia e abnegação, isto é, dar a vida, dar-se aos outros.

São João Paulo II, na carta apostólica Salvifici Doloris, de 1984, apresenta a parábola do bom samaritano como um paradigma da caridade cristã, quando ele põe todo o seu coração, sem poupar nada, para socorrer o homem ferido à beira da estrada. Em outras palavras, dá a si próprio ao outro. “O homem não pode encontrar a sua própria plenitude a não ser no dom sincero de si mesmo”, diz o Santo.

 

‘A fraternidade é expressão elevada do amor ao próximo’

Antes da missa da Quarta-feira de Cinzas, o Cardeal Odilo Pedro Scherer concedeu uma entrevista coletiva, na Catedral da Sé, para apresentar o tema da Campanha da Fraternidade (CF) 2019. O Arcebispo de São Paulo enfatizou aos jornalistas que o principal objetivo da CF é promover a fraternidade na convivência comum e aprofundar o aspecto do amor ao próximo.

“A fraternidade é expressão elevada do amor ao próximo. Ela deve ir além de afetos vagos ou de gestos de filantropia e marcar de forma nova as relações interpessoais e também as relações sociais e públicas, para não dizer políticas. Jesus ensinou que precisamos passar da medida ética universal – ‘Não faça ao próximo o que não gostarias que fizessem contra ti’ – para a forma proativa do amor ao próximo: ‘Amai-vos como eu vos amei’”, disse Dom Odilo.

 

BEM-COMUM

O Arcebispo explicou aos jornalistas que a Campanha deste ano coloca a questão do uso e da destinação dos bens públicos, administrados pelas diversas instâncias dos três níveis do Estado: municipal, estadual e federal. “Nas denúncias e constatações de corrupção desses últimos anos, ficaram evidentes os problemas da má gestão ou desvio de recursos e de apropriação indébita do dinheiro e do patrimônio público, que deveriam servir à promoção do bem comum, em prol da sociedade inteira, e não para beneficiar alguns poucos”, enfatizou.

Dom Odilo acrescentou que os gestores públicos têm a competência e a obrigação de fomentar políticas para o emprego do dinheiro público na promoção da justiça social, da superação da miséria e dos sofrimentos do povo mais vulnerável e para promoção de oportunidades de vida digna para todos os cidadãos. “Em resumo, trata-se de promover uma autêntica fraternidade entre todos os cidadãos”, reiterou.

Segundo o Cardeal, os católicos devem participar ativamente na elaboração de projetos que promovam políticas públicas que estejam voltadas para a promoção do bem comum.

(Colaborou: Flavio Rogério Lopes)
 

PUC-SP promove debates sobre tema da CF 2019

Nos dias 26 e 27 de fevereiro, a PUC-SP realizou debates sobre o tema “Por políticas públicas com transparência e participação, à luz da Campanha da Fraternidade 2019”. O evento aconteceu nos campi Marquês de Paranaguá, Ipiranga e Monte Alegre, promovido pela PUC-SP e a Arquidiocese de São Paulo.

Entre os participantes dos debates estavam Américo Sampaio, da Rede Nossa São Paulo; o Padre José Arnaldo Juliano, teólogo; e os professores da PUC-SP Rosana Manzini, da Faculdade de Teologia; Rafael Barreto da Cruz, do Departamento de Engenharia; e Aldaiza Oliveira Sposati, da Pós-graduação em Serviço Social.

 

CNBB ressalta relação da CF com a espiritualidade quaresmal

Durante a cerimônia oficial de lançamento da Campanha da Fraternidade, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na Quarta-feira de Cinzas, 6, em Brasília (DF), o Presidente da entidade, Cardeal Sergio da Rocha, reforçou a importância de relacionar o tema da CF com a espiritualidade quaresmal.

“Sabemos que uma das principais exigências da espiritualidade quaresmal é justamente a fraternidade, o amor fraterno, com seus vários níveis e exigências”, afirmou Dom Sergio.

 

OBJETIVOS

Dom Sergio ressaltou que um dos principais objetivos da Campanha “é promover uma participação maior na elaboração de políticas públicas nos diversos âmbitos da vida social (saúde, educação, segurança pública, meio ambiente…)”, disse. “De tal modo, que esta Campanha, com um tema de caráter mais abrangente, retoma e dá continuidade a outras que tiveram temas mais específicos. Ela estimula o exercício consciente e responsável da cidadania, despertando o interesse pelas políticas públicas, tema exigente e ainda pouco conhecido”, acrescentou.

“Graças a Deus, a Campanha da Fraternidade tem repercutido não apenas no interior das comunidades católicas, mas também nos diversos ambientes da sociedade. Pela sua natureza, ela sempre vai muito além da Igreja Católica. Tem contado, cada vez mais, com a participação de muitas entidades da sociedade civil, de escolas, de outras igrejas cristãs e de órgãos públicos. A Campanha exige ações comunitárias, além das iniciativas pessoais. Exige sempre muito diálogo, reflexão e ação conjunta, especialmente para desenvolver o tema das políticas públicas. A construção de políticas públicas deve ser tarefa coletiva numa sociedade democrática e participativa”, concluiu Dom Sergio.

(Com informações de CNBB)
 

 

 

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Caritas Arquidiocesana realiza assembleia geral

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27 de fevereiro de 2019

A Caritas Arquidiocesana de São Paulo (Casp) realizou sua Assembleia Geral Ordinária no sábado, 23, na sede da entidade, no centro da Capital Paulista. A reunião, que contou com a presença dos membros do conselho deliberativo, que é presidido pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, e dos associados da Caritas, tratou da prestação de contas e dos projetos a serem realizados em 2019.

O balanço aprovado na Assembleia informou a movimentação da entidade ao longo de 2018. Os recursos foram utilizados direta ou indiretamente no atendimento de 6.016 pessoas, por meio de projetos como Centro de Referência para Refugiados, Transformando Vidas e Resgatando Vínculos. Também foram feitos 18.023 atendimentos em iniciativas como o “Dia de Ação Caritas”, realizado em vários pontos da cidade.

 

PLANO EMERGENCIAL

Uma das novidades da entidade para 2019 é a elaboração do Plano de Ação Emergencial da Caritas, em parceria com a Defesa Civil Estadual. O plano prevê a formação de voluntários de diversas paróquias e comunidades para atuar em situações emergenciais da cidade.

 

S.O.S BRUMADINHO

O Diretor da Caritas, Padre Marcelo Marostica Quadro, informou que a Coleta de Solidariedade às vítimas do rompimento da barragem de minérios em Brumadinho (MG), há um mês, arrecadou até o momento R$ 32.592,47. A campanha será encerrada na quinta-feira, 28, com o envio dos recursos para a Cáritas Brasileira - Regional Minas Gerais.

 

REFUGIADOS

Um dos principais projetos desenvolvidos pela Caritas Arquidiocesana é o Centro de Referência para Refugiados, que atua em convênio com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Padre Marcelo informou que em abril acontecerá a auditoria anual do Acnur para a renovação convênio.

Durante a Assembleia, Dom Odilo fez um breve relato sobre sua visita a um centro de acolhida de refugiados mantido pela Cáritas Nacional do Líbano, no dia 8 de fevereiro. Lá são acolhidas, principalmente, mulheres vítimas da violência e do tráfico humano para fins de exploração sexual.

O Cardeal também ressaltou que passam pela entidade pessoas que fogem de seus países por causa da perseguição política e religiosa. No fim da Assembleia, o Arcebispo presenteou a Caritas Arquidiocesana com um desenho feito por refugiadas atendidas pela Cáritas do Líbano.

(Colaborou: Fátima Giorlano)
 

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Cardeal Scherer visita o Líbano e recebe título de doutor honoris causa

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14 de fevereiro de 2019

O Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Católica Saint-Esprit de Kaslik (Usek), no Líbano. A cerimônia de concessão do título acadêmico aconteceu no campus da instituição, na sexta-feira, 8.

A Usek é uma universidade católica fundada pela Ordem Maronita Libanesa e atende cerca de 8 mil alunos em quatro diferentes campi.

 

FRATERNIDADE

“Alguém poderia perguntar, e eu também me pergunto: que méritos possui o Cardeal de São Paulo, no Brasil, para receber um prestigioso título acadêmico em uma universidade do Líbano? A resposta não poderia ser outra, a não ser a imensa simpatia e generosidade das autoridades acadêmicas que assim decidiram”, afirmou Dom Odilo, em seu discurso de agradecimento.

O Cardeal recordou que, na cidade de São Paulo, existe uma grande comunidade de imigrantes libaneses e seus descendentes, sendo considerada a maior fora do Líbano. “A concessão, pela vossa Universidade, do título ao Arcebispo de São Paulo expressa mais ainda a relação fraterna entre São Paulo e Beirute, entre a Igreja do Líbano e a Igreja de São Paulo. Esta concessão também nos proporciona a ocasião para compartilharmos ainda mais as nossas riquezas humanas e religiosas, para o recíproco enriquecimento e ajuda”, destacou o Arcebispo.

 

SÍNODO DA AMAZÔNIA

Na sessão acadêmica, Dom Odilo apresentou uma reflexão sobre a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que será realizada em outubro, no Vaticano, com o tema “Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

Ao elencar os desafios da missão da Igreja na Pan-Amazônia, o Cardeal Scherer ressaltou que não se trata apenas de questões ambientais e antropológicas, que também interessam à missão da Igreja. “Trata-se de questões que interpelam diretamente a missão religiosa da Igreja”, disse.

“O Papa Francisco definiu bem e precisou com clareza o ‘objetivo principal’ desta inédita iniciativa sinodal: identificar novos caminhos de evangelização dessa porção do povo de Deus”, acrescentou o Arcebispo. “O que mais importa é que Jesus Cristo seja testemunhado,anunciado, celebrado e comunicado na Amazônia e que a força do Evangelho converta as pessoas e promova a dignidade de seus habitantes, seja força de fraternidade e solidariedade na construção de novos modelos de desenvolvimento e condições de vida”, completou.

 

A HOMENAGEM

O título de doutor honoris causa é concedido por universidades a pessoas que se destacam em suas áreas de atuação e que são respeitadas por seu trabalho. Em latim, o termo honoris causa significa “por causa da honra”.

Dom Odilo é mestre em Filosofia e doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. É também grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), do Centro Universitário Assunção (Unifai) e da Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo

Em seu discurso, o Reitor da Usek se referiu ao homenageado como “Cardeal militante e testemunha da unidade querida pelo Cristo”

“Scherer conduz uma luta sem descanso contra o fluxo incontrolável de mudanças bruscas e desconcertantes que sobrevêm sobre o domínio social, econômico, científico e igualmente religioso que impacta tragicamente a sociedade, particularmente a brasileira, e notadamente o clima de indiferença religiosa que emerge e exprime um certo relativismo moral, não sem impactos sérios sobre a prática cristã e suficientemente perigoso para um eventual condicionamento das estruturas da mesma sociedade”, ressaltou o Padre Hobeika.

VISITA AO LÍBANO

Dom Odilo esteve no Líbano entre os dias 5 e 9 para uma programação que incluiu encontros com lideranças religiosas do País e celebrações, como a participação na festa de São Marun, patrono dos maronitas, celebrado no sábado, 9.

Na quinta-feira, 7, o Cardeal Scherer visitou a sede da Caritas Nacional do Líbano, que possui um centro de acolhida que abriga temporariamente pessoas em situação de refúgio e perseguição.

O Arcebispo de São Paulo encontrou acolhidos que fugiram de seus países por causa da guerra, além de mulheres que fugiram com seus filhos da violência doméstica. Há, ainda, mulheres vítimas de tráfico para exploração sexual.

“Percebemos que esse drama das migrações forçadas, do tráfico humano, sobretudo para a exploração sexual, é um drama mundial. Existem redes muito fortes que atuam nesse setor... O Papa está sempre denunciando esses fatos, inclusive a exploração do transporte das pessoas que fogem das situações de violência e que são exploradas economicamente na travessia do Mar Mediterrâneo para chegar a algum país da Europa e, muitas vezes, são abandonadas no mar ou na fronteira, sem que nenhum país queira recebê-las...”, relatou Dom Odilo à rádio 9 de Julho.

 

HARISSA

Dom Odilo também visitou o Santuário Maronita de Nossa Senhora do Líbano, no monte Harissa.

O templo, que no alto tem uma imagem da Virgem Maria de 20 metros, de altura, foi inaugurado em 1908. A construção do santuário foi inspirada pela proclamação do dogma da Imaculada Conceição, pelo Papa Pio IX, em 8 de dezembro de 1854.

Desde 2018, existe no santuário uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, presenteada pelo Cardeal Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo Emérito de Aparecida (SP).

No Carmelo de Harissa, o Cardeal encontrou as monjas carmelitas com quem teve um colóquio e rezou. Fundado há 60 anos por religiosas espanholas, hoje, a maioria das monjas é de origem libanesa e, segundo Dom Odilo, há muitas vocações.

O Arcebispo também visitou a Basílica Greco-Melquita São Pedro e São Paulo, templo famoso por seu interior adornados por ícones bizantinos.

(Colaborou Frederico Oliveira) (Com informações da Canção Nova e AMBA)
 

SÃO CHARBEL 

Youssef Antoun Makhlouf nasceu no dia 8 de maio de 1828, em Bekaa Kafra, no norte do Líbano. Foi um dos cinco filhos do casal Antoun Zaarour Makhlouf e Brigitta Chidiac, que eram profundamente religiosos.

Aos 20 anos, decidiu-se pela vida religiosa e ingressou no Mosteiro de Nossa Senhora em Mayfouq, seguindo depois para o Mosteiro de São Marun de Annaya, perto de Beirute.

No noviciado recebeu o nome de Charbel (Sarbélio), santo martirizado em Odessa. Foi ordenado sacerdote em 23 de julho de 1859, em Bkerke.

Sua vida religiosa resumia-se à prática da profissão evangélica e da austeridade, assiduidade na oração e obediência aos superiores. Jamais se queixou da vida comunitária ou das incompreensões que sofria. Era profundamente humilde.

 

EREMITA

Em 1875, Charbel obteve permissão para viver como eremita no eremitério dos santos apóstolos Pedro e Paulo, a 1200 metros de altitude, consagrando-se ao trabalho no campo, à oração e à penitência. Viveu 23 anos como eremita e era muito procurado para conselhos e orientação espiritual.

No dia 16 de dezembro de 1898, durante a celebração da missa, ao recitar a prece “Pai da verdade, eis o Vosso Filho, vítima do vosso agrado! Aceitai-o” (do rito maronita), teve um acidente vascular cerebral e começou a agonizar, sem deixar de rezar. Oito dias depois, na noite de Natal daquele mesmo ano, partiu para a Casa do Pai.

Ao ser exumado, seu corpo foi encontrado incorrupto. Exames mais detalhados mostraram que seu corpo transpirava água e sangue como qualquer organismo vivo. Tal notícia espalhou-se e grande número de fiéis acorreu ao mosteiro, buscando a intercessão do santo. Os relatos de curas físicas e espirituais começaram a ser examinados pelas autoridades eclesiásticas.

No dia 5 de janeiro de 1965, na conclusão do Concílio Vaticano II, foi beatificado por São Paulo VI. Durante a celebração, o Pontífice afirmou: “Grande é a alegria do Oriente e do Ocidente por este filho do Líbano, flor admirável de santidade, desabrochada na linguagem das antigas tradições monásticas orientais e venerada hoje pela Igreja de Roma”.

O Monge Charbel foi canonizado também por São Paulo VI, em 9 de outubro de 1977.

(Com informações de Aleteia)
 

Ritos que constituem a Igreja Católica

RITO OCIDENTAL

TRADIÇÃO LITÚRGICA LATINA OU ROMANA:

Rito latino da Igreja Católica Apostólica Romana (sede em Roma)

RITOS ORIENTAIS

TRADIÇÃO LITÚRGICA ALEXANDRINA:

Igreja Católica Copta (patriarcado; sede no Cairo, Egito)

Igreja Católica Etíope (metropolitanato; sede em Adis Abeba, Etiópia)

Igreja Católica Eritreia (metropolitanato; sede em Asmara, Eritreia)

TRADIÇÃO LITÚRGICA BIZANTINA:

Igreja Greco-Católica Melquita (patriarcado; sede em Damasco, Síria)

Igreja Católica Bizantina Grega (eparquia; sede em Atenas, Grécia)

Igreja Católica Bizantina Ítalo-Albanesa (eparquia; sede na Sicília, Itália)

Igreja Greco-Católica Ucraniana (arcebispado maior; sede em Kiev, Ucrânia)

Igreja Greco-Católica Bielorrussa (também chamada Católica Bizantina Bielorrussa, sede em Minsk, Belarus)

Igreja Greco-Católica Russa (sede em Novosibirsk, Rússia)

Igreja Greco-Católica Búlgara (eparquia; sede em Sófia, Bulgária)

Igreja Católica Bizantina Eslovaca (metropolitanato; sede em Prešov, Eslováquia)

Igreja Greco-Católica Húngara (metropolitanato; sede em Nyíregyháza, Hungria)

Igreja Católica Bizantina da Croácia e Sérvia (eparquia; sedes em Križevci, Croácia, e Ruski Krstur, Sérvia)

Igreja Greco-Católica Romena (arcebispado maior; sede em Blaj, Romênia)

Igreja Católica Bizantina Rutena (metropolitanato; sede em Pittsburgh, Estados Unidos)

Igreja Católica Bizantina Albanesa (eparquia; sede em Fier, Albânia)

Igreja Greco-Católica Macedônica (exarcado ou exarquia; sede em Escópia, Macedônia)

TRADIÇÃO LITÚRGICA ARMÊNIA:

Igreja Católica Armênia (patriarcado; sede em Beirute, Líbano)

TRADIÇÃO LITÚRGICA MARONITA:

Igreja Maronita (patriarcado; sede em Bkerke, Líbano)

TRADIÇÃO LITÚRGICA ANTIOQUENA OU SIRÍACA OCIDENTAL:

Igreja Católica Siríaca (patriarcado; sede em Beirute, Líbano)

Igreja Católica Siro-Malancar (arcebispado maior; sede em Trivandrum, Índia)

TRADIÇÃO LITÚRGICA CALDEIA OU SIRÍACA ORIENTAL: 

Igreja Católica Caldeia (patriarcado; sede em Bagdá, Iraque)

Igreja Católica Siro-Malabar (arcebispado maior; sede em Cochim, Índia)

 

LEIA TAMBÉM: Cardeal escreve Carta Pastoral sobre o 1º sínodo arquidiocesano

 

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Cardeal Scherer recebe título de doutor honoris causa no Líbano

Por
11 de fevereiro de 2019

O Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, recebeu nesta sexta-feira, 8, o título de doutor honoris causa da Universidade Católica Saint-Esprit de Kaslik (Usek), no Líbano. A cerimônia de concessão do título acadêmico aconteceu no Auditório da Faculdade de Música da Usek, no campus de Jounieh.

O título foi entregue pelo reitor a instituição, o Padre e doutor Georges Hobeika. Também participaram do evento o Patriarca da Igreja Católica Maronita, Cardeal Béchara Pierre Raï, o Núncio Apóstólico no Líbano, Dom Joseph Spiteri, e o Eparca Maronita no Brasil, Dom Edgar Madi. 

FRATERNIDADE ENTRE BRASIL E LÍBANO

“Alguém poderia perguntar, e eu também me pergunto: que méritos possui o Cardeal de São Paulo, no Brasil, para receber um prestigioso título acadêmico em uma Universidade do Líbano? A resposta não poderia ser outra, a não ser a imensa simpatia e generosidade das autoridades acadêmicas que assim decidiram”, afirmou Dom Odilo, em seu pronunciamento de agradecimento.

O Cardeal recordou que, na cidade de São Paulo existe uma grande comunidade de imigrantes libaneses e seus descendentes, sendo considerada a maior fora do Líbano. “A concessão, pela vossa Universidade, do título ao Arcebispo de São Paulo expressa mais ainda a relação fraterna entre São Paulo e Beirute, entre a Igreja do Líbano e a Igreja de São Paulo. Esta concessão também nos proporciona a ocasião para compartilharmos ainda mais as nossas riquezas humanas e religiosas, para o recíproco enriquecimento e ajuda”, destacou o Arcebispo. 

A UNIVERDIDADE 

A Usek é uma universidade católica fundada pela Ordem Maronita Libanesa e atende cerca de 8 mil alunos em quatro diferentes campi. O título de doutor honoris causa é concedido por universidades a pessoas que se destacam em suas áreas de atuação e que são respeitadas por seu trabalho, independentemente de seus diplomas acadêmicos. Em latim, o termo “honoris causa” significa “por causa da honra”.

VIAGEM AO LÍBANO 

Dom Odilo está no Líbano desde a terça-feira, 5, para uma viagem que segue até o sábado, 9. A programação da visita inclui encontros com lideranças religiosas do País e celebrações, como a participação na festa de São Marun, patrono dos maronitas. 

Nesta quinta-feira, 7, o Cardeal visitou a sede da Caritas Nacional do Líbano, que possui um centro de acolhida que abriga temporariamente pessoas em situação de refúgio e perseguição.

O Arcebispo de São Paulo encontrou acolhidos que fugiram de seus países por causa da guerra, além de mulheres que fugiram com seus filhos da violência doméstica. Há, ainda, mulheres vítimas de tráfico para exploração sexual.

“Percebemos que esse drama das migrações forçadas, do tráfico humano, sobretudo para a exploração sexual, é um drama mundial. Existem redes muito fortes que atuam nesse setor... O Papa está sempre denunciando esses fatos, inclusive a exploração do transporte das pessoas que fogem das situações de violência e que são exploradas economicamente para a travessia do Mar Mediterrâneo para chegar a algum país da Europa e, muitas vezes, são abandonadas no mar ou na fronteira sem que nenhum país queira recebê-las...”, relatou Dom Odilo à rádio 9 de Julho.

(Com informações de Canção Nova e AMBA)
 

LEIA A REPORTAGME COMPLETA NA PRÓXIMA EDIÇÃO DE O SÃO PAULO, EM 13/02/19.

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Missão Belém amplia projetos no Haiti e acolherá, diariamente, 3 mil crianças

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07 de fevereiro de 2019

“Quando chegamos, não havia nada em pé e o bispo local tinha morrido, vítima do terremoto, bem como a Doutora Zilda Arns. Então, foi-nos apresentada a região de Wharf Jeremie, que significa ‘Porto de Jeremie’. No início, ficamos três dias numa tenda oferecida pelo exército. Foi uma experiência muito difícil. Já se passaram quase nove anos a partir daqueles três dias. Desde então, muita coisa já mudou.”

Padre Gianpietro Carraro, fundador da Comunidade Missão Belém, foi ao Haiti em 2010, logo após o terremoto que devastou o País. Com a Irmã Cacilda da Silva Leste, iniciadora da Missão Belém ao lado do Padre Gianpietro e um voluntário, eles começaram um projeto que hoje atende 1.800 crianças de segunda-feira a domingo, durante dez horas diárias.

A inspiração para a ida da Comunidade ao Haiti veio a partir de uma frase dita pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, em fevereiro de 2010. “Por que vocês não vão ao Haiti? Com esse carisma de união e mergulho na realidade dos pobres, poderiam dar uma grande ajuda àquele povo sofrido”, disse o Cardeal, durante visita a uma das casas da Missão em São Paulo. Em novembro, a Missão Belém completa nove anos de missão no Haiti.

 

PROJETOS DESENVOLVIDOS PELA MISSÃO BELÉM

O Centro Zanj Makenson, mantido pela Missão Belém, desenvolve atividades e projetos na área da educação, saúde e profissionalização para os jovens.

A escola atende 1.800 crianças e adolescentes de 0 a 15 anos, desde o nascer até o pôr do sol. Além da catequese diária, os alunos têm atividades pedagógicas, esportivas e lúdicas, incluindo cinco refeições diárias.

Um prédio de dois andares está sendo construído e acolherá mais 700 crianças em dois turnos, com atividades pedagógicas e cursos profissionalizantes para jovens. “No conjunto, esperamos alcançar com o centro-escola 3 mil crianças/adolescentes nos próximos três anos, com idades entre 0 a 18 anos”, explicou Irmã Cacilda, em entrevista ao O SÃO PAULO.

Além disso, há um centro nutricional e uma enfermaria que acompanha cerca de 60 crianças com desnutrição. “Há muitas crianças que são encontradas nos barracos em situação de desnutrição grave. No centro, recebem cuidados médicos, alimentação e higiene. As mães têm orientações para o cuidado das crianças. Após ganhar peso e sair do quadro de desnutrição, vão para o berçário e jardim no centro- -escola”, explicou Irmã Cacilda.

O projeto mais recente é o hospital, que terá pelo menos 1.500 m2 , e vai compreender um pronto socorro, um bloco operatório para internação e uma maternidade.

CARA, CORAGEM E FÉ

Aos 45 anos, a missionária brasileira morou no Haiti durante um ano. “Voltei várias vezes para acompanhar o andamento e ampliação da evangelização e dos projetos. Vi a evolução das crianças. 1800 crianças não passam mais fome e se desenvolvem a cada dia, de maneira impressionante”, afirmou Irmã Cacilda.

“Andando pelas vielas no meio do labu (lama do esgoto), entrando nas kay tol (minúsculos barracos de lata), vendo um mar de crianças lambuzadas de esgoto e sem ter o que comer, roendo latinhas enferrujadas como vimos o pequeno Richinè aos três anos e que, hoje, aos 11 anos, estuda feliz aqui no centro; lembro-me de quando viemos aqui, há nove anos, com a cara, a coragem e a fé”, disse Irmã Cacilda.

Entre os dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro, o Cardeal Scherer esteve no Haiti, onde visitou todos os projetos da Missão Belém, além de presidir a missa todos os dias da visita e rezar a oração da Via-Sacra com as crianças atendidas pelo Centro e seus familiares nas vielas da favela (leia mais nas páginas 3 e 12). Dom Odilo encontrou-se com autoridades civis e religiosas e abençoou a primeira pedra do novo hospital e do centro-escola.

Ao refletir sobre o Evangelho em que Jesus compara o Reino de Deus com uma pequena semente, o Cardeal afirmou que o trabalho da Missão Belém é como essa semente, lançada ao coração das crianças. “Essa semente, um dia, vai produzir frutos. Por isso, semear com coragem e esperança. Tenham a certeza de que o Espírito de Deus fará frutificar essas sementes”, afirmou o Cardeal, durante a homilia da missa por ele presidida na sexta-feira, 1º, transmitida ao vivo pelas redes sociais da Missão Belém.

 

DA ITÁLIA AO HAITI

Daniele Bruschi, 43, é italiano e está no Haiti desde abril de 2015. Responsável pela administração e economia do Centro, Daniele realiza atividades como a compra de alimentos, pagamento de salários e manutenção das máquinas.

“Não escolhi ser missionário no Haiti, foi um chamado de Deus, uma vocação. Minha conversão começou há cerca de um ano e meio antes de partir para o Haiti, quando comecei a acreditar verdadeiramente na existência de Deus e entendi que a vida que eu levava não correspondia à vontade de Deus para mim. Durante uma peregrinação a Medjugorje, em agosto de 2013, senti um forte chamado de Deus pedindo-me para deixar tudo e segui-lo. Em outubro de 2014, deixei meu trabalho, minha casa, minha família e saí para visitar a Missão Belém na Itália, depois fui para o Brasil e, finalmente, vim para o Haiti, onde moro”, contou Daniele à reportagem.

Ao ser perguntado sobre como percebe a Missão Belém no Haiti, o Voluntário enfatizou que “a Palavra de Deus causará uma grande mudança na sociedade haitiana”. Além disso, ele citou as crianças atendidas no Centro e as 220 pessoas que trabalham e, portanto, podem manter suas famílias com o salário recebido.

“Todos os dias percebo a presença e ação de Deus em nosso Centro. Ver crianças brincando no canal de esgoto me dói muito, mas também me motiva a trabalhar com mais esforço e dedicação. São as crianças que me dão forças para continuar dando minha vida por elas todos os dias. Lembro-me de uma menina suja e desnutrida que me parou um dia perto do centro pedindo-me para deixá-la ir à escola. Depois de alguns meses, era outra pessoa, bem vestida e limpa. Ela não estava mais desnutrida e está alcançando excelentes resultados na escola”, contou Daniele.

SOBRE O PAÍS

Daniele Bruschi explicou que, atualmente, no Haiti, não há água encanada, eletricidade, saúde, comida e trabalho. “Há também enormes problemas com o gerenciamento de resíduos, as estradas são constantemente invadidas pelo lixo que, em seguida, atinge o mar durante as chuvas. Outro problema grave diz respeito à corrupção. É um problema de tais dimensões e tão enraizado que impede o desenvolvimento econômico e social do País. As estradas são muito irregulares e isso causa acidentes que são frequentemente graves ou mortais. A pobreza é grande e, muitas vezes, as pessoas não podem comer regularmente todos os dias. Em particular, as crianças são as que mais sofrem com essa situação de miséria”, disse.

O Voluntário italiano enfatizou também que, nos últimos tempos, há dificuldade em encontrar diesel e gasolina para geradores, além do gás para cozinha e até mesmo água. “As maiores lojas de alimentos permaneceram fechadas, aparentemente por um confronto com o governo. Há uma grande instabilidade política e econômica que leva a um aumento de episódios de violência”, afirmou Daniele.

Ele salientou, também, o fato de que ainda existem tantas pessoas analfabetas. “Sem educação, não é possível formar pessoas que possam trabalhar e construir uma família e uma sociedade melhor no futuro”, disse, recordando também a necessidade de que se estabeleça um sistema de saúde pública que permita aos haitianos tratarem a si mesmos e não morrerem “por uma simples infecção ou disenteria não tratada”

Nicola Casarin, engenheiro voluntário, salientouque o Haiti precisa, em primeiro lugar, de uma reforma política e cultural. “A sociedade vive contradições inimagináveis que levam a uma miséria e tiram a esperança e a possibilidade de vida de centenas de milhares de crianças em todas as partes do País. É necessário ajudar pessoas para que elas possam encontrar em si mesmas recursos e sair da pobreza.” Ele falou também sobre a corrupção generalizada em todos os níveis da sociedade, que está impedindo o desenvolvimento de um sistema produtivo econômico que funcione.

UM PAI MISSIONÁRIO

Nicola Casarin, 45, italiano, visita o Haiti regularmente por cerca de 15 dias a cada dois meses para acompanhar os projetos e o canteiro das obras das novas escolas e do novo hospital “Paolo Valle”, além da ampliação da primeira escola

Voluntário e membro da Missão Belém, Nicola é casado com Enrica e pai da Maria Clara, que tem 6 anos de idade. “Minha escolha de trabalhar em tempo integral na missão é, na verdade, uma escolha da família, porque no meu trabalho para o Haiti, tanto no período em que estou na Itália, quanto no período em que estou no Haiti, minha família está sempre em meu coração. Maria Clara sempre me pede que construa um parque com belos jogos para as crianças no Haiti”, recordou.

Para Nicola, o trabalho da Missão Belém é muito maior do que o que pode ser percebido de fora. “Os missionários doam o tempo e o coração pela causa e, assim, veem a mudança também dos seus próprios corações. Do Haiti você nunca volta para casa como antes”, afirmou o Engenheiro.

 

HISTÓRIA DE UM JOVEM HAITIANO

Muscadin Djorgenly, 22, nasceu em Porto Príncipe e mora em Wharf Jeremie. Atualmente, ele coordena uma atividade pastoral com crianças e trabalha na equipe de caridade da Missão Belém, que tem a função de buscar as crianças ausentes da escola.

“Comecei a participar da Missão Belém assim que eles chegaram aqui, frequentava o grupo de oração, que acontecia, às vezes, perto da minha casa. Com a Missão, aproximei-me realmente de Deus. Além disso, a Missão me ajudou dando um trabalho para minha mãe, que, assim, conseguiu me sustentar”, contou Muscadin, que também teve uma oportunidade de trabalho após terminar o período escolar.

Todos os dias, Muscadin anda pelos barracos em busca das crianças e, aos fins de semana, ajuda no trabalho pastoral. “A Missão transformou muitas coisas em minha vida, me ajuda a amadurecer no conhecimento da Palavra de Deus. Sou muito grato por ter conhecido a Missão Belém e poder fazer parte dela”, disse o jovem.

 

 

 

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JMJ: encontro com Deus, consigo e uns com os outros

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01 de fevereiro de 2019

As catequeses com bispos de diferentes dioceses em todo o mundo são momentos de reflexão e oração para os jovens que participam das jornadas. A catequese dada pelo Cardeal Scherer aconteceu na Paróquia San Juan Bautista de la Salle y Santa Mónica, na quinta-feira, 24

“No mundo de hoje, pela facilidade da tecnologia, pensamos que tudo está sob nosso controle, nosso poder! O tema da Jornada nos convida a deixar o poder na mão de outro. ‘Faça-se em mim segundo a tua palavra. Eu sou a serva do Senhor’, disse Maria. Mesmo não compreendendo toda missão, ela permaneceu de pé junto da cruz”, disse o Cardeal.

Participaram da catequese jovens de Angola, dos estados do Rio de Janeiro, da Bahia, de São Paulo, de Maringá (PR), e muitos padres e religiosos que acompanhavam os jovens. Após a catequese, o Cardeal presidiu a celebração eucarística.

 

'A PEREGRINAÇÂO É, SOBRETUDO, O ENCONTRO COM DEUS'

Em entrevista ao Vatican News, o Cardeal Scherer recordou que as jornadas são peregrinações. “Peregrinação ao encontro uns dos outros. É uma belíssima experiência o encontro dos jovens de todo mundo, raças, culturas, línguas diferentes, mas todos se sentem parte da mesma Igreja, essa é uma experiência única”, afirmou Dom Odilo.

“A Igreja é jovem, como dizia o Papa Bento XVI. A peregrinação é, sobretudo, o encontro com Deus, o encontro com Cristo: os momentos de oração, de celebração e de catequese, a grande vigília. Os jovens só têm a aproveitar participando da Jornada”, continuou.

O Cardeal comentou, ainda, sobre o tema mariano escolhido para a JMJ 2019. “‘Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’, é um tema vocacional. Maria aderiu ao chamado de Deus, que também chama cada um. Os jovens são levados também a se perguntarem: ‘Afinal, qual é a vontade de Deus a meu respeito?’. Acredito que esta Jornada vai marcar vocacionalmente a juventude”, afirmou o Arcebispo de São Paulo.

 

Portugal já começa a se preparar para a JMJ em 2022

A cidade de Lisboa, em Portugal, vai sediar a JMJ de 2022. O anúncio foi feito no fim da missa conclusiva da JMJ 2019, no Panamá, no domingo, 27. “Será uma ocasião extraordinária ter os jovens do mundo inteiro e o Papa aqui. Começamos a trabalhar já nesta semana!”, disse Padre José Manuel Pereira de Almeida, teólogo e vice-reitor da Universidade Católica de Portugal, em entrevista ao Vatican News.

Padre José demonstrou muita alegria em receber a Jornada, seja pela realidade da Igreja local, seja para facilidade dos jovens africanos de chegarem ao País. “Que o evento possa ser aquilo que é chamado a ser: o encontro entre nós, com o Papa e com o Senhor Jesus, que nos chama para estar presentes com coragem, com fé e como serviço à vida e à esperança de todos”, afirmou.

O Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente, afirmou que o anúncio do Papa é uma feliz confirmação de algo que Portugal já esperava havia muito tempo, porque as 20 dioceses do País sempre tiveram a esperança de viverem uma JMJ.

O pedido oficial para receber o evento foi feito no fim de 2017, mas, desde 2012, em várias reuniões do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, no Vaticano, a hipótese de Portugal como sede era já cogitada, conforme matéria publicada no site Jovens Conectados.

 

VOCAÇÃO UNIVERSAL

“No Plano de Deus, Portugal foi feito para levar o Evangelho a muitas partes, e sabemos de tantas nações que receberam o Evangelho das mãos, bocas e corações de tantos portugueses. Por isso, essa Jornada com vocação universal, na qual todos serão acolhidos no coração de Portugal e em Lisboa nas margens do Rio Tejo, de onde tantos e tantos evangelizadores partiram, tem uma emoção própria, que é parte da vocação missionária universal da Igreja portuguesa. Desde já agradecemos os portugueses por manterem esta bela tradição e não terem medo, assumirem este desafio com a mesma ousadia dos navegantes que levaram o Evangelho por todas as partes”, agradeceu Padre Alexandre Awi Mello, Secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

 

TODOS A LISBOA!

Em um vídeo publicado nas redes sociais da Arquidiocese de São Paulo, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, falou sobre o término da JMJ-2019 e convidou os jovens a participarem da próxima Jornada, em 2022.

“Estamos encerrando a JMJ. Houve uma grande alegria por parte dos portugueses aqui presentes. Desde agora, quero convidar a todos os jovens do Brasil, de modo particular os jovens de São Paulo, sacerdotes jovens, grupos, pastorais e movimentos para se organizarem com antecedência e participarem da JMJ-2022, em Lisboa. Que Deus abençoe a todos!”, disse o Cardeal.

Com informações de Vatican News, Canção Nova e Jovens Conectados
 

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