SÃO PAULO

Mês do Dizimista

Dízimo: compromisso de fé e pertença à comunidade

Por Fernando Geronazzo
10 de outubro de 2017

Sob a luz do Ano Mariano Nacional, “Ele fez em mim maravilhas” é o tema da campanha do dízimo neste ano 

Núcleo de Mídias da Arquidiocese de São Paulo

No mês de outubro, a Arquidiocese de São Paulo realiza sua campanha anual sobre o dízimo, dessa vez com o tema “Ele fez em mim maravilhas” (cf. Lc 1, 46-55), em alusão ao Ano Mariano Nacional e ao tricentenário do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. 

Referente ao quinto mandamento da Igreja, “Ajudar a Igreja em suas necessidades”, o dízimo tem a finalidade de “organizar o culto divino, prover o sustento do clero e dos demais ministros, praticar obras de apostolado, de missão e caridade, principalmente em favor dos pobres!”, como recorda o documento “O Dízimo na Comunidade de Fé – Orientações e Propostas”, publicado pela CNBB, em 2016. 

A palavra dízimo significa a “décima parte” que os judeus davam de tudo o que colhiam da terra com o seu trabalho. Também hoje, todos são convidados a oferecer o dízimo, mas nem o Catecismo da Igreja Católica e nem o Código de Direito Canônico obrigam que essa “parte” seja exatamente 10% do salário de cada fiel. 

“Dízimo é um ato de fé e de ação de graças a Deus, que é sumamente bom e digno de ser amado. Essa experiência está enraizada na fé de nossos primeiros pais, como podemos ver a partir da Bíblia Sagrada, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento”, explicou Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Referencial para a Pastoral do Dízimo. 

Mais do que uma simples devolução e preceito, o dízimo é uma prática que manifesta o sentimento de pertença do fiel à comunidade eclesial e remonta à experiência vivida pelos primeiros cristãos, como está relatado nos Atos dos Apóstolos: “Todos os fiéis, unidos, tinham tudo em comum; vendiam as propriedades e os seus bens e dividiam o preço entre todos, segundo as necessidades de cada um” (At 2,44; 4, 32-34).
 

Corresponsabilidade

Além da dimensão religiosa, o dízimo está relacionado à fé e à pertença a uma comunidade e torna o batizado corresponsável com a vida e missão da Igreja, não apenas para a manutenção da estrutura material do templo e seus ministros, mas também para o sustento das iniciativas pastorais. 

“O dízimo, além de preocupar-se com as necessidades paroquiais, também se preocupa com a necessidade do próximo. O Papa Francisco tem insistido na necessidade de sermos uma Igreja em saída. Precisamos ir ao encontro do próximo também por meio do dízimo”, salientou Luiz Fernando Porto Pinto, Coordenador Arquidiocesano da Pastoral do Dízimo. 

A proposta da campanha arquidiocesana deste ano chama a atenção para o aspecto missionário do dízimo, a partir da experiência de Nossa Senhora que, ao receber a graça da encarnação de Jesus em seu ventre, saiu em missão ao encontro de Isabel, que estava necessitada. Segundo Luiz Fernando, assim também deve ser o dizimista, que sai de si para o encontro dos que mais necessitam, partilhando seus bens com a comunidade. 

 

Ação evangelizadora

A Paróquia Imaculada Conceição, na Região Episcopal Ipiranga, tem feito um trabalho de conscientização dos paroquianos a respeito do dízimo, especialmente após passar por um processo de renovação pastoral e missionária por ocasião das comemorações do seu jubileu de ouro, festejado entre 2016 e 2017. Em outras palavras, o resultado das atividades missionárias da Paróquia também é um fruto do dízimo. 

Cristiane dos Santos Barbosa, Coordenadora da Pastoral do Dízimo da Paróquia, explicou ao O SÃO PAULO que em 2014 havia cerca de cem dizimistas ativos e hoje esse número dobrou. Ela reiterou a necessidade de que os fiéis tenham consciência da fidelidade e o vínculo que o dízimo gera com a Paróquia. “Mesmo tendo um número de dizimistas, as paróquias não conseguem contar todo mês com determinada arrecadação, porque nem sempre há a fidelidade mensal, ainda mais neste período de crise econômica no País”, ponderou. 

O Padre Boris Agustin Nef Ulloa, Pároco, ressaltou que o compromisso do dízimo é uma experiência de fé, de adesão à Palavra de Deus e uma resposta de cada pessoa a tudo aquilo que recebe de Deus. 

Na Paróquia Imaculada Conceição, além de ajudar a pagar as contas, arcar com a manutenção mensal da igreja e na aquisição de materiais para as pastorais, 
o dízimo é destinado a um fundo para a formação de leigos e agentes de pastorais, assistência às famílias carentes e também na partilha com alguma instituição do bairro ou outra paróquia que esteja em dificuldade econômica. “Quando a pessoa é dizimista, ela cresce na consciência de que é responsável por manter a ação evangelizadora da Paróquia”, concluiu Padre Boris.

(Colaborou: Júlia Cabral)
 
A INCIDÊNCIA DO DÍZIMO NA VIDA DA IGREJA
•  As finalidades do dízimo decorrem de sua natureza e dimensões;
•  O dízimo deve coincidir com as “obras de apostolado” da Igreja;
 O dízimo está relacionado com o crescimento e a vivência da fé;  
•  Ele cresce conjuntamente com a qualidade de vida cristã;
•  O dízimo é utilizado para organizar o culto divino, prover o sustento do clero e demais ministros, praticar obras de apostolado, de missão e de caridade;
•  No Código de Direito Canônico: “os fiéis têm obrigação de socorrer as necessidades da Igreja”, para exercer os seus fins (cân. 222 §1);
•  O dízimo deve ser usado para promover a justiça social e socorrer os necessitados;
•  As comunidades devem fazer uma motivação permanente de cultivo integral do dízimo;
•  Ele se sustenta a partir da experiência de Deus na vida cristã;
•  O dízimo não se sustenta quando a preocupação é só com os dividendos.
Fonte: CNBB
 
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