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Desafios e alegrias marcam o compromisso de novos bispos com o novo ministério

Por CNBB
08 de agosto de 2019

Dom José Benedito Cardoso, Monsenhor Jorge Pierosan e Dom Cleonir Paulo Dalbosco participam do 30º Encontro para Novos Bispos promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da Conferência da CNBB

Reprodução

Presentes ao 30º Encontro para Novos Bispos promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de 05 a 09 de agosto, na sede da entidade, em Brasília (DF) os novos bispos falam dos desafios e alegrias que experimentam ao assumir o ministério de bispo confiado pelo papa Francisco.

Dom José Benedito Cardoso – o primeiro na foto da esquerda para a direita – foi nomeado como bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo em 23 de janeiro deste ano. Sua ordenação se deu em 15 de março e a posse no dia 31 do mesmo mês. Assumir a nova missão confiada pela Igreja no caso dele significou grandes mudanças. Ele precisou mudar de Itapetininga, no interior, para a capital do Estado de São Paulo. “Eu não estava muito antenado com toda a realidade complexa que é a cidade grande”, disse.

Os primeiros meses como bispo ele está dedicando a conhecer a realidade, as pessoas, estabelecer contato com os padres e com os bispos auxiliares por meio de visitas pastorais. “Estou conhecendo e a partir disto já dá para a gente ter uma noção e começar a se introduzir neste trabalho que a Igreja confiou para mim lá na região episcopal da Lapa na Arquidiocese de São Paulo”, disse.

Com formação em Direito Canônico, além da formação em Filosofia e Teologia, ele acredita que esta especialidade pode ajudar a ter uma compreensão da realidade pastoral também. “O Direito também é essencialmente pastoral. Ele pode ajudar bastante, sobretudo nos organismos de uma diocese, nas dificuldades que surgem com algum problema com o presbitério que necessita de algum encaminhamento. Ajuda também na aplicação pastoral”, disse.

Do encontro dos novos bispos, ele destaca o conhecimento de como funciona a infraestrutura na CNBB, algo até então desconhecido em sua avaliação. Ele reforça que a comunhão episcopal é fundamental para superar as dificuldades dos bispos. “Agora ao termos dificuldades, sabemos com quem contar”, disse.

O trecho do Salmo 23, “O Senhor é meu pastor e nada me faltará”, escolhido como seu lema episcopal traduz bem a sua noção de que é ser um bispo. “Compreendo que ser bispo é ser pastor, procurar ouvir as pessoas, dar um direcionamento correto e ter uma presença muito positiva junto ao clero”, afirmou. Duas questões essenciais para ele, neste momento, traduzem a missão de ser bispo: procurar conduzir bem os presbíteros e o ordenamento pastoral da região episcopal.

Do circo à Igreja e ao trabalho pastoral com nômades

Quem também assumirá como bispo auxiliar na arquidiocese de São Paulo mas com atuação focada na região episcopal Santana a partir da ordenação marcada para dia 29 de setembro, às 9h, é dom Jorge Pierosan, o mais recente bispo nomeado pelo papa Francisco para o Brasil no dia 24 de julho.

Ele destaca que não possui muitos títulos acadêmicos, mas que tem muita vontade de trabalhar. “A expectativas é que Deus me dê sabedoria para continuar exercendo o meu trabalho em favor do povo de Deus. É a única coisa que consigo imaginar para mim: suar a camisa em favor dos fieis cristãos e das pessoas não católicas. Oferecerei a garantia de não ter preguiça de trabalhar para ajudar as pessoas a chegarem até Deus”, enfatizou.

Um capítulo bonito de sua história é a sua relação com o circo. Ele exerceu, no circo Panamericano, antes de entrar para o seminário, a função de “barreira”, hoje conhecida como “partner”, a pessoa que escova a juba do leão, que trata o elefante, ajuda a montar a jaula dos tigres – quando ainda era permitido animais no circo. Ajudou a montar e a desmontar o picadeiro e a auxiliar os malabaristas em suas performances. Certa vez, por saber de cor o número, ele assumiu o lugar de um palhaço que ficou doente. “Eu entrei substituindo o palhaço numa determinada circunstância e acabei ficando no lugar dele”, disse.

Sendo de origem católica, quando viveu no circo, sentia falta de ir à missa porque coincidiam os horários. “Me lembro muito bem de ouvir o sino tocando e saber que era hora da missa e ficar triste por não poder ir lá”, disse. A falta da presença da Igreja no ambiente circense despertou nele o desejo de entrar para a vida religiosa e voltar ao circo mais tarde como padre num trabalho pastoral. Hoje, dom Jorge é vice-presidente da Pastoral dos Nômades no Brasil que atende os circos, ciganos e os parques de diversões. “Sempre e na medida do possível eu vou pro circo e para o meio dos ciganos”, afirma.

Como novo bispo, a partir do encontro promovido pela CNBB, o sentimento é que não será jogado na “cova dos leões” sem uma base e uma estrutura por trás, sem parcerias e colegas bispos que comungam dos mesmos ideais. “A gente deve fortalecer essa amizade, uma família de 13 bispos novos”. “O que me anima é estar bebendo numa fonte boa de gente que tem uma bagagem e que nos anima no novo ministério”.

Realidade de fronteira

Tendo sido ordenado em 1º de dezembro de 2018 e tomado posse no dia 16 do mesmo mês como bispo da diocese de Bagé (RS), dom Cleonir Paulo Dalbosco enfrenta dois grandes desafios: atuar numa diocese de maior extensão territorial do regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e que faz fronteira com o Uruguai. “Este trabalho na região de fronteira tem as suas próprias exigências de entender as diversas culturas presentes na região”, disse.

A falta de trabalho para a juventude, o despertar de vocações numa diocese que não conta com nenhum seminarista no momento, o número grande de separações e divórcios e a formação continuada de lideranças são desafios nesta nova realidade apontadas pelo bispo. Mas em sua avaliação, a experiência de coordenação missionária de província dos Frei Capuchinhos no estados de RS, MT, RO e no Haiti favoreceu seu início de missão como bispo na diocese, bem como a experiência da vida religiosa e de seus 19 anos de sacerdote.

Segundo ele, o bispo tem como missão criar a comunhão com todo o clero na diocese e estar próximo das lideranças que fazem acontecer o trabalho e a ação missionária. “O que é mais importante que eu sinto hoje como bispo é estar presente nas diversas realidades e situações, nos lugares onde ninguém gostaria de estar, lugares de fronteiras e de misérias”, disse. Em sua visão, o bispo representa o sinal de esperança e confiança para a população.

A sua formação específica em administração e gestão de pessoas o ajuda a vislumbrar a sustentabilidade da missão. “Administrar bem e com cuidado as coisas de Deus também é uma exigência da Igreja”, disse. Ser especialista em gestão de pessoas, o ajuda como bispo na mediação dos conflitos entre os grupos humanos. “ A gestão de pessoas me capacita também para essa presença junto à comunidade e os diversos organismos que convivemos juntos nessa região”, disse.

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