NACIONAL

SAÚDE

Definidas as diretrizes para a assistência espiritual e religiosa em saúde

Por José Ferreira Filho
16 de outubro de 2019

Na cidade de São Paulo, diversas são as iniciativas da Igreja destinadas à assistência espiritual aos enfermos

“Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda a criatura” (Mc 16,15). Esse mandado de Nosso Senhor, destinado a todos os cristãos, traz consigo o compromisso de tornar concreto, nas mais variadas dimensões, o Evangelho na vida cotidiana de todos os homens. 


Tal imperativo se baseia no próprio exemplo de Jesus: durante sua vida terrena, dentre as mais diversas situações vividas por Ele que demonstram a observância da prática evangélica, estão o apreço e o cuidado para com as pessoas enfermas. A elas Jesus se dirigia e as acolhia a todo instante, proporcionando-lhes a cura dos males, de maneira a lhes devolver não somente a saúde do corpo e da alma, mas também a própria dignidade.


O Senhor confiou à Igreja o zelo por aqueles que estão com a saúde debilitada: “Estive enfermo e me visitastes...” (Mt 25,36). Essa atividade se constitui, portanto, como parte do anúncio de Sua mensagem, além de ser uma das obras de misericórdia corporais. 

RESPALDO NA LEI


De forma paralela ao que estabelece a Igreja, a vida em sociedade requer que se leve em consideração o que determina o Estado a esse respeito. Dessa forma, sabe-se que ao Estado democrático cabe a tutela das condições que garantam o pleno exercício da cidadania. Nesse contexto, incluem-se também as políticas voltadas à saúde pública, de forma a salvaguardar que a assistência médica e hospitalar seja acessível a todas as camadas da população, independentemente de sua condição social.  


Analogamente, a assistência espiritual àqueles que se encontram internados em unidades de saúde é assegurada por lei, uma vez que tal atividade se enquadra na inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença de cada cidadão, garantindo o seu livre exercício.


Nesse sentido, a legislação é bastante abrangente, não somente com dispositivos nos âmbitos municipal, estadual e federal, como também na própria Constituição Federal, a fim de garantir os direitos e deveres, tanto de quem recebe quanto de quem oferece a assistência espiritual e religiosa.

ORGANIZAÇÃO


A fim de organizar o serviço de assistência religiosa e espiritual católica nas unidades de saúde presentes na Arquidiocese, oferecer formação aos agentes da Pastoral da Saúde e promover a proximidade e o diálogo entre esta pastoral e as unidades de saúde, foram elaboradas e publicadas recentemente, com a aprovação do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, as Diretrizes da Arquidiocese de São Paulo para a Assistência Espiritual e Religiosa nas Unidades Hospitalares. 


Essas diretrizes determinam que os interessados em integrar a Pastoral da Saúde, além da ciência de que exercerão um trabalho voluntário, devem fazer um curso de formação de, no mínimo, três meses, contando um período de experiência, treinamento e acompanhamento. Além disso, após esse curso, devem estar em contato permanente com as atividades propostas pela Pastoral, de forma a ter uma formação constante. 


Entre os requisitos pessoais, devem possuir idoneidade moral e participação ativa na Igreja, ter mais de 18 anos, estar no exercício de seus direitos e responsabilidades civis, ser maduros, equilibrados e compassivos diante do sofrimento do próximo. 

DISPOSIÇÕES


Cumprir as deliberações e o regimento das unidades de saúde, saber dialogar com os profissionais da saúde – sem interferir nos seus trabalhos –, respeitar a individualidade e as crenças religiosas de cada paciente, evitar o proselitismo, bem como orações, gestos e outros sacramentais sem que haja o consentimento do enfermo, além de não prometer curas milagrosas: essas são algumas das disposições estabelecidas pelas diretrizes.  


Além dessas, vale destacar que a visita aos enfermos deve ser realizada com espírito colaborativo, sem o desejo de domínio ou imposição. A postura de escuta, a simplicidade, a atenção e o respeito para com os enfermos são fundamentais para a realização de um ótimo trabalho, bem como saber respeitar seus momentos de descanso e alimentação. 

FUTURO DE ESPERANÇA


A reflexão e o enfoque que vêm sendo dados à saúde como qualidade de vida, bem-estar integral e direito fundamental de toda pessoa evidenciam as condições essenciais para o desenvolvimento pessoal e comunitário.


No âmbito da Igreja, há um despertar de iniciativas e trabalhos organizados para promover a humanização dos serviços de saúde, das estruturas e das instituições hospitalares e educativas, fomentando a formação, a capacitação e a atualização dos profissionais da saúde em nível humano, ético e bioético.


Torna-se motivo de satisfação o surgimento de grupos de pastoral da saúde, de associações de enfermos, de organizações populares de saúde comunitária que formulam propostas no âmbito das políticas públicas de saúde, conforme estimula a Campanha da Fraternidade deste ano, como requisito indispensável para melhorar as condições de vida dos cidadãos.


A presença evangelizadora da Igreja por meio de numerosos leigos comprometidos, profissionais da saúde, sacerdotes e religiosos é fundamental para que se promovam, animem e apoiem essas iniciativas. 

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