SÃO PAULO

Com a Palavra

‘Cumpri todas as etapas e construí uma carreira limpa para chegar até aqui’

Por Daniel Gomes
19 de setembro de 2018

Márcio França é candidato ao governo do Estado pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB)

Partido Socialista Brasileiro/Divulgação

O jornal O SÃO PAULO dá sequência à série de entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado de São Paulo. Nesta edição, a palavra está com Márcio França (PSB), atual governador que tenta a reeleição. Já foram ouvidos Major Costa e Silva (DC) e Luiz Marinho (PT). Os próximos serão Paulo Skaf (MDB) e João Doria (PSDB), fechando a lista dos cinco mais bem colocados na pesquisa Ibope, divulgada em 20 de agosto.

Os candidatos estão sendo questionados pelo jornal sobre suas propostas para as áreas de saúde, segurança pública, educação e combate à corrupção. Também respondem a perguntas dos leitores enviadas pelo Facebook.


Aos 55 anos, Márcio Luiz França Gomes está à frente do Governo de São Paulo desde abril, após o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) ter renunciado ao cargo para concorrer à Presidência da República. “Respeito muito o que passou, mas sou diferente, tenho outros projetos, outras ideias”, garante.

Márcio França sempre se manteve filiado ao PSB. Ele iniciou carreira política em 1989 como vereador em São Vicente, no litoral paulista, tendo sido reeleito. Em 1997, assumiu a Prefeitura daquela cidade, onde seguiu por dois mandatos, até 2004. Em 2006, foi eleito deputado federal por São Paulo e reconduzido ao cargo em 2010. Entre 2011 e 2012, atuou como secretário de Turismo no governo Alckmin, e, em 2014, foi eleito vice- -governador, no mesmo ano em que coordenou a campanha à Presidência da República de seu colega de partido, Eduardo Campos, que morreria em um acidente aéreo em meio àquela disputa eleitoral.

Márcio França afirma que, se eleito, vai ampliar investimentos em consultas e exames médicos, investir em tecnologia e inteligência para a atuação das polícias, aumentar os salários dos professores e tornar as aulas mais dinâmicas para os jovens na rede pública de ensino. A seguir, leia a íntegra da entrevista.

 

O SÃO PAULO - O SENHOR ASSUMIU O GOVERNO DO ESTADO APÓS A SAÍDA DE GERALDO ALCKMIN (PSDB), QUE CONCORRE À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. POR QUE O SENHOR QUER SEGUIR COMO GOVERNADOR? SEU GOVERNO SERÁ UMA CONTINUIDADE DA GESTÃO DE ALCKMIN?

Márcio França - Quando o governador Alckmin me entregou o pavilhão de São Paulo, disse que estava deixando o governo em mãos honradas e experientes. Orgulho-me muito disso, porque cumpri todas as etapas e construí uma carreira limpa para chegar até aqui. Eu tinha a possibilidade de concorrer a outro cargo eletivo, mas decidi buscar a reeleição para manter as coisas boas que já existem, e, também, melhorar e ampliar muita coisa. Respeito muito o que passou, mas sou diferente, tenho outras ideias, outros projetos. Muitos, já estou colocando em prática. Outros, ainda não pude dar prosseguimento em função da lei eleitoral, que restringe uma série de ações, mas os farei assim que acabar o período eleitoral.

 

UMA PESQUISADO IBOPE, EMAGOSTO, APONTOU QUE AS ÁREAS DE SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA PÚBLICA SÃO AS PRINCIPAIS PREOCUPAÇÕES DOS PAULISTAS. SE ELEITO, QUAIS SERÃO SUAS PRIORIDADES DE AÇÃO PARA CADA UMA DESSAS ÁREAS?

Temos 101 hospitais públicos em São Paulo, mais que em todo o País. Estamos construindo outros dois de alta capacidade. Mas, mesmo assim, temos que melhorar o atendimento. Acredito que precisamos investir na área de consultas e exames, utilizando os Amtonomia para a Polícia Civil. Paralelamente, precisamos dar oportunidades aos jovens vulneráveis. Já começamos e vamos aumentar, no ano que vem, o alistamento civil, para que os rapazes dispensados pelo Exército possam trabalhar conosco, recebendo remuneração e fazendo curso técnico pela rede estadual. Eu não estou achando isso somente agora. Já o fiz quando fui prefeito. Minha cidade era uma das mais violentas e os índices despencaram após este programa.

Sobre educação, vamos aumentar o salário dos professores logo no primeiro ano. Também investiremos em lousas digitais, porque precisamos tornar as aulas mais dinâmicas e atrativas para nossos jovens. Junto com isso, vamos motivar nossos alunos, oferecendo perspectivas a eles. Todos os alunos da rede pública terão direito a cursos técnicos a distância a partir do segundo ano e, após o Ensino Médio, terão uma vaga garantida na Universidade Virtual do Estado de São Paulo, com aulas ministradas pelos professores da USP, Unicamp, Unesp e Centro Paula Souza.

 

ESSA MESMA PESQUISA E UMA SONDAGEM FEITA COM OS LEITORES DO O SÃO PAULO INDICAM GRANDE INSATISFAÇÃO COM A CORRUPÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. COMO PRETENDE COMBATER AS PRÁTICAS DE CORRUPÇÃO NOS ÓRGÃOS SOB O CONTROLE DO GOVERNO DO ESTADO?

Começo dando o exemplo. Estou na vida pública há quase 30 anos e não respondo a processo criminal. É algo incomum, não é? Além disso, manteremos uma intensa fiscalização para que nenhuma prática dessa natureza aconteça. Se algo for identificado e provado algum malfeito, tomaremos as medidas necessárias para a correção.

 

PELO FACEBOOK DO JORNAL, A LEITORA LEILANE FRANÇA NOS ENVIOU A SEGUINTE PERGUNTA: “QUAL SERÁ O PLANO DE GOVERNO DO CANDIDATO EM RELAÇÃO AO MONOTRILHO/ METRÔ PARA A PERIFERIA DA CIDADE DE SÃO PAULO?”

São Paulo transporta mais de 7 milhões de pessoas todos os dias em trens e ferrovias. Para se ter uma ideia, isso é mais de 80% do que todo o Brasil transporta em ferrovia. Mas, claro, precisamos de mais. Por isso, deixo claro o meu compromisso de não parar nenhuma obra no Estado e, além disso, realizarmos novos investimentos.

 

TAMBÉM PELO FACEBOOK, RECEBEMOS A SEGUINTE QUESTÃO DA SENHORA MONICA GIOIELLE DALLA VECCHIA: “QUAL O PLANO DE GOVERNO QUE O CANDIDATO IRÁ OFERTAR ÀS MULHERES/ADOLESCENTES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E ABUSO SEXUAL E ÀS GESTANTES, DE FORMA QUE SEJAM ACOLHIDAS E DADA A ELAS A OPORTUNIDADE DE LUTAR PELA VIDA E EVITAR A PRÁTICA DO ABORTO?”

Determinei que todas as delegacias da Capital ficassem abertas 24 horas por dia, coisa que não estava acontecendo. Farei o mesmo no interior, intensificando investimentos e apoiando as delegacias das mulheres. É inadmissível qualquer tipo de crime dessa natureza e precisamos combater com rigor. Sobre as gestantes, é obrigação do Estado dar toda a atenção médica para atendê-las da melhor maneira, evitando e combatendo o aborto.

 

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