Os caminhos que mostram o carisma de um povo

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08 de outubro de 2019

“As conversas de calçada, os ‘causos’ de assombração. Em riba de um caminhão, a mudança inesperada. Manicure faladeira, o gado magro e mufino. As novenas para o divino, pedido para chover. Um “forrózinho” para dançar, que também é nosso hino, quer dançar? Eu lhe ensino, até o suor descer. Pirão grosso e caldo fino, “para mó do caba comer” Tem milho verde cozido, castanha feita na brasa. Igreja tocando o sino, no final do entardecer. Tudo isso faz bater um coração nordestino”.

Os versos do cordel escrito em 8 de outubro de 2017, pelo poeta cearense Bráulio Bessa traduzem em algumas palavras tudo aquilo que, segundo o poeta, faz bater um coração nordestino. A homenagem marca a data em que se celebra o Dia do Nordestino.

A instituição deste dia aconteceu em 2009, na cidade de São Paulo, local de maior migração nordestina do País, pela lei municipal nº 14.952, no ano do centenário do poeta popular, compositor e cantor cearense, Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré (1909-2002).

UM POVO MIGRANTE

O Estado de São Paulo é o principal destino de migrantes vindos da região Nordeste. Em 2015, eles eram 5,6 milhões de pessoas, o que corresponde a 12,66% da população, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE. A migração nordestina para o Estado, especialmente para a Capital, foi um fenômeno social marcante na história deste povo ao longo do século XX, sobretudo na década de 1930, quando o número de estrangeiros vindos para São Paulo foi superado pela migração nacional, dos quais, a maioria, vindos do Nordeste.

Na primeira metade de 1950, a migração se intensificou, considerando que, à época, São Paulo estava em um acelerado processo de desenvolvimento econômico industrial, em contraposição ao Nordeste, que ainda estava em situação econômica precária.

Tratava-se de uma economia estagnada, com uma agricultura pouco diversificada, grandes latifundiários, concentração de renda e indústria pouco diversificada e com baixa produtividade. Outro fator a ser considerado era o clima da região que não favorecia o plantio e proporcionava longos períodos de estiagem.

Estas características acentuavam as desigualdades regionais, o que criou um cenário propício ao êxodo desta população em direção a São Paulo que, por sua vez, precisava de mão de obra para seu desenvolvimento. Muitos nordestinos migraram não apenas para os campos paulistas, mas principalmente para os conglomerados urbanos.

HÁ 43 ANOS

O refrão da música “Lamento de um Nordestino” ecoa na voz do paraibano de Brejo do Cruz, Zé Ramalho, sobre a decisão, muitas vezes difícil, de deixar sua casa para ir em busca de novas oportunidades. As palavras dão força a esperança de um dia retornar e do saber de estar longe da sua fonte de alegria.

Com o coração partido, a entrada no ônibus foi a cena que fez parte dos muitos que de lá vieram. Os motivos são muitos, seja pela oportunidade de trabalho ou simplesmente pelo sonho de viver na cidade grande.

Maria Gorete Ricardo, vinda de Poção, no interior de Pernambuco, hoje com 60 anos, é aposentada. Sua fala mansa, o sorriso na voz, a risada alta, não deixam dúvidas que ainda há muito do Nordeste nela, que vive em São Paulo há 43 anos.

Após completar 18 anos e terminar o Ensino Médio, viver em uma cidade grande era um sonho. Mesmo assim, o início foi de saudade e lágrimas. Antes da vinda definitiva, viveu em Sorocaba (SP) dos 11 aos 12 anos.

CORAÇÃO NORDESTIVO

“O nordestino é um povo carismático, unido. São acolhedores com pessoas de fora. Qualquer um que chegue no Nordeste, de qualquer lugar, é bem acolhido. É uma felicidade imensa. Você chega na casa de alguém, e ela não sabe o que fazer para agradar”.

É assim que a pernambucana descreveu ao O SÃO PAULO sobre a cultura da chegada, comum por aquelas terras. De fato, não é difícil se apegar aos que de lá chegam. A maneira com que eles acolhem é, verdadeiramente, incomum ao restante do País.

Aposentada e, por isso, ficando mais tempo em casa, Gorete sente ainda mais forte as lembranças de sua terra e dos parentes: “Sinto falta da minha família. Quando a saudade aperta, ligo para o meu irmão, falo com ele quase todos os dias”. Ela vê na Paróquia Santa Teresinha, no Bosque da Saúde, ao qual faz parte, uma forma de sentir a família e cidade próximas – Poção, é muito conhecida pela religiosidade.

As comidas são para ela motivo de rememorar a infância. Gorete contou que quando tem a oportunidade de voltar para visitar seus familiares, aproveita para viver e experimentar tudo que gosta. Das frutas tiradas do pé, da carne assada na brasa – ela afirmou ainda que esses são os principais motivos que fazem seu coração nordestino bater.

NA FORMA DE FALAR

Seja no Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte ou Sergipe, os 1.561.177km² de extensão guardam inúmeras particularidades desta terra rica e cheia de beleza.

A forma de falar vai chegando e, quando nos damos conta, os paulistanos conhecidos por supostamente serem “sem sotaque”, já estão pronunciando um provável “Oxi”. Não é difícil ouvir um “mainha” pelas ruas da cidade.

“Oxente”, pode significar muitas coisas, mais o principal deles é algo que causa espanto. Já “Virado no mói de coentro”, é dito para aquelas pessoas que, digamos, estão com tudo em cima.

Para os apressadinhos, eles costumam dar um conselho: “Avia”, que em bom Português pede para que o outro se apresse. “Arengar” é o verbo utilizado para dizer que alguém está brigando ou discutindo. “Massa” é dito para descrever fatos e sentimentos considerados muito bons, usado principalmente pelos baianos.

NORDESTE EM SÃO PAULO

Na capital que recebe o maior número de nordestinos do Brasil, alguns lugares contribuírem para manter viva o cheiro da roça, o barulho do fogão a lenha e o sotaque que é para lá de gostoso de ouvir:

(Colaborou Flavio Rogério Lopes)

Publicado em 08/10/2018

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‘Todos necessitamos dar e receber hospitalidade, mas somente Deus é o anfitrião’

 

 

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Cardeal Scherer recebe Colar Guilherme de Almeida

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05 de julho de 2019

A Câmara Municipal de São Paulo realizou, na sexta-feira, 28 de junho, a quarta edição do Colar Guilherme de Almeida. Entre os homenageados estava o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo.

Instituída em 2016, a premiação destina-se a pessoas físicas e jurídicas, nacionais ou estrangeiras, que tenham prestado colaboração à literatura, cinema, teatro, música, artes plásticas e outras formas artístico-culturais de manifestação, bem como à preservação e à divulgação da história da cidade de São Paulo.

Anualmente, os indicados para receber o Colar Guilherme de Almeida são escolhidos por uma comissão composta por representantes do Museu Casa Guilherme de Almeida, da Sociedade Veteranos de 32, da Academia Paulista de História, da Academia Paulista de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e do Centro de Memória Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.

PREMIADOS
Além de Dom Odilo, também foram homenageados nesta edição do prêmio: o poeta e escritor Álvaro Alves de Faria; o historiador Armando Alexandre dos Santos; a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da Rede Cultura de Rádio e Televisão; German Lorca, fotógrafo oficial das comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo; Desembargador José Renato Nalini, ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo; Pedro Paulo Penna Trindade, diretor da Associação Comercial de São Paulo; o radialista Salomão Ésper; e o jornalista e musicólogo Zuza Homem de Melo.

PRESENÇA DA IGREJA NA CULTURA
Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Cardeal Scherer afirmou que ficou muito honrado por receber essa homenagem em meio a pessoas de expressão na cultura da Capital Paulista. Para ele, mais do que um reconhecimento pessoal, o prêmio reconhece a ação da Igreja Católica, que marca sua presença no mundo cultural da cidade.

“Minha contribuição é pequena diante da contribuição de tantas personalidades que aqui estão. Mas acredito que o trabalho da Igreja que a gente faz e representa seja uma contribuição importante para a cultura”, destacou.

O Arcebispo acrescentou que o catolicismo e o próprio Evangelho são marcas importantes da cultura, “mediante o trabalho de evangelização, da formação da consciência do povo, o incentivo a tantas formas de religiosidade e arte populares que surgem a partir das expressões da fé”.

PRÍNCIPE DOS POETAS
O Vereador José Reis, primeiro secretário da Mesa Diretora da Câmara Municipal e um dos autores da homenagem, classifica o Colar Guilherme de Almeida como um dos maiores prêmios oferecidos pela Câmara Municipal aos que já foram agraciados por ele, e pelo que o poeta brasileiro representa para a cultura do Estado e do País.

Integrante do grupo da Semana de Arte Moderna de 1922, precursor da crítica cinematográfica no jornalismo brasileiro e compositor parceiro de Villa-Lobos, o paulista Guilherme de Almeida foi um artista completo. Deixou mais de 70 publicações entre poesia, prosa, ensaios e material jornalístico. Ele se alistou, lutou e foi preso após a Revolução Constitucionalista de 1932.

Em um concurso patrocinado pelo jornal carioca Correio da Manhã; em 1959, Guilherme de Almeida foi eleito príncipe dos poetas brasileiros após concorrer com Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e Mauro Mota. Foi membro das Academias Paulista e Brasileira de Letras e comandou a comissão responsável pelas comemorações do IV Centenário de São Paulo, em 1954.

CULTURA CRISTÃ
“A cultura é a nossa pele, o nosso jeito de viver, de relacionarmo-nos, de construirmos o mundo, expressar as nossas ideias em múltiplas formas de construção das artes. Seria muito importante se a nossa cultura urbana, do Estado e da cidade, pudesse zelar por não perder a marca da cultura cristã”, completou Dom Odilo.

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Pela primeira vez, Mosteiro da Luz promove Festas Juninas

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06 de junho de 2019

O Mosteiro da Luz, localizado na Avenida Tiradentes, 676, no bairro da Luz, promove em todos os fins de semana do mês de junho e nos dias 6, 7, 13 e 14 de julho, pela primeira vez, festas juninas e julinas com a organização das próprias  monjas concepcionistas.

As festas contam com o apoio de voluntários e oferecerão comidas típicas desta tradicional comemoração conhecida em todo o território nacional.

Os festejos começam às 14h e seguem até às 20h, aos sábados e domingos. O Mosteiro da Luz fica ao lado da estação Tiradentes.

Para maiores informações, entre em contato com Roberto Rabello no número (11) 95486-5294.

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Prédios que possibilitam o encontro entre história, cultura e presente

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20 de mai de 2019

Todos os anos, desde 1977, celebra-se em 18 de maio o Dia Internacional dos Museus. A data que é uma proposta do Conselho Internacional de Museus (organismo da UNESCO) prevê que esses espaços ofereçam a população atividades diferenciadas, de valorização da cultura e da história mundial em suas respectivas localidades e modalidades.

ENCONTRO DE GERAÇÕES 

Diferentemente do que muitos possam imaginar, esses prédios não são responsáveis apenas por resguardar relíquias históricas, mas sim, conservar o patrimônio de uma determinada nação, além de contribuir com a economia criativa das cidades por meio do turismo, é também responsável por fornecer atividades e cursos e auxiliar com debates na esfera social ao atuar como plataformas de discussão sobre questões sociais complexas e ao encorajar a participação pública.

O Instituto Brasileiro de Museus defini os locais como: “lugar em que sensações, ideias e imagens de pronto irradiadas por objetos e referenciais ali reunidos iluminam valores essenciais para o ser humano”.

EM MEIO AO JARDIM EUROPA

A Rua Portugal, nº 43, no tradicional bairro do Jardim Europa, Zona Oeste da capital paulistana, acolhe há quase sete décadas as história e heranças culturais deixados e idealizados por Ema Gordon Klabin.

Apaixonada por viagens e arte, Ema esteve muito conectada com a produção artística mundial, e em aproximadamente quarenta anos, reuniu uma coleção direcionada para esta tipologia, transformando sua residência na sede da Fundação Ema Klabin. Segundo Cristiane Alves, Coordenadora do educativo da Casa-Museu Ema Klabin trata-se de uma coleção que tem mobiliário, objetos de arte, cultura, arte decorativa, objeto aritmógrafo.

Falecida em 1994, Ema reuniu 20% da coleção disponível na Casa-Museu. Após sua morte se iniciou o processo de catalogação e transformação de sua residência para um museu, assim como era o seu desejo.

Atualmente, a Fundação Ema Klabin além de realizar visitações, oferece também cursos e palestras todos os sábados às 11h, sobre história da arte e espetáculos musicais. A programação completa você pode acompanhar no site

ESPAÇO PLURAL

Para Cristiane, o Dia Internacional de Museus é uma oportunidade de divulgar e dialogar com as diferentes programações desses espaços contemplando, desta forma, diferentes públicos: “Essa data celebra, legitima e reforça esse trabalho que os museus vêm realizando de torna-los acessíveis, plurais em suas programações e cada vez mais, convidar esse público para dentro dos museus e para dialogar com os acervos”, salientou.

A coordenadora da fundação enfatizou, ainda, da grande resistência dos espaços culturais em se manter mesmo com as limitações principalmente em angariar fundos para manter sua equipe e programação. Ela reiterou do importante esforço demostrado pelas equipes que se preocupam em presentear esse patrimônio.

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Museus de todo o país têm programação especial a partir de hoje

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13 de mai de 2019

A 17ª Semana de Museus oferecerá mais de 3 mil atrações em museus de todo o Brasil, a partir desta segunda-feira (13) até o domingo (19). A atual edição da Semana Nacional de Museus, organizada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), terá como tema: Museus como Núcleos Culturais: o Futuro das Tradições.

Ao todo serão 3.222 eventos que vão desde mostras e oficinas, a visitas guiadas, debates e apresentações musicais. Em São Paulo, diversas instituições vão participar, entre elas a Pinacoteca de São Paulo, no Parque da Luz, que terá visitas educativas à exposição do artista Ernesto Neto e também à exposição Arte no Brasil: uma história na Pinacoteca de São Paulo.

O Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, fará uma ação educativa a partir das técnicas e das temáticas do cordel, que apresentará histórias e narrativas afro-brasileiras. O Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, haverá um bate-papo sobre o engajamento dos clubes brasileiros diante de questões sociais como violência de gênero e racismo dentro do futebol.

No Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã, na Praça Mauá, realiza uma ação educativa que propõe conversar sobre a territorialidade dos alimentos, refletir sobre os regionalismos e o significado de tradição. O Museu do Índio, na Rua das Palmeiras, no Flamengo, promove uma oficina de contação de histórias, com o tema “Ouvir, contar, ler e ver. Mitos, lendas e contos, as práticas leitoras e as narrativas culturais indígenas”. Também oferece uma oficina de língua e cultura Guarani, e outra sobre documentação e preservação das línguas indígenas.

O Museu Casa da Moeda do Brasil, na Praça da República, apresenta uma exposição de seu acervo histórico, e outra sobre a Cédula Real.

A programação nacional completa pode ser encontrada no site 

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Ô abre-alas que as marchinhas vão passar

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02 de março de 2019

De norte a sul do País, o clima carnavalesco já espalha por todas as partes a alegria da maior festa nacional. Durante esses quatros dias, as ruas serão tomadas por foliões embalados por diferentes ritmos, dentre eles, as marchinhas de carnaval que se tornam, após tantos anos, personificação de encontro do passado e presente.

EM 1930

Na musicalidade brasileira, a composição das letras tem comumente inserções de informações de caráter político, evidências de prováveis problemas e insatisfações em cada período da história. Foi com esse objetivo que na década de 1930, as marchinhas passaram a compor esse cenário musical.

O sociólogo, professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e autor de cinco livros sobre música popular brasileira, Waldenyr Caldas explicou em entrevista ao O SÃO PAULO que os primeiros autores, à época, buscavam contestar o então governo de Getúlio Vargas, utilizando sátiras e ironias e que após os anos de oposição, as letras passaram a dirigir seu discurso para contar sobre o cotidiano, especialmente, de cariocas e paulistas.

UM RITMO MULTIFACETADO

Caldas salientou, ainda, que não se pode afirmar que as marchinhas possuem uma originalidade única, pois na verdade seu surgimento ocorre em virtude de uma mistura da polca polonesa, - música que transitava entre o clássico e o popular - e que ao chegar no Brasil se mistura com outros ritmos, como o tango argentino e até o próprio samba: “Não se pode falar de uma origem única, mas de um hibridismo musical. A marchinha é um ritmo multifacetado”.

MUDANÇAS

Antes que as marchinhas se popularizassem nos blocos de carnaval, os eventos não possuíam a forma que se vê atualmente: “Quando as marchinhas carnavalescas começam a funcionar, tudo começa a se organizar, a marcha de carnaval é responsável pela organização do carnaval brasileiro”, reiterou o sociólogo.

Foi a partir desta organização que os blocos passaram a se dividir por grupos. Nos primeiros anos, foram fortes os blocos dos cowboys, piratas e mulheres viúvas, descreveu Caldas.

Essa característica de organização foi, então, ganhando forma ao longo dos anos, até chegarmos ao modelo vistos pelas ruas ao longo de tantos carnavais.

POR GERAÇÕESChiquinha Gonzaga

Mesmo após quase dez décadas do surgimento das primeiras marchinhas carnavalescas, se vê nas ruas de todo o Brasil foliões ecoando os tradicionais refrãos, reforçando desta forma a importância cultural não só para o Carnaval, mas para a história nacional das marchinhas, apesar dos enredos das escolas de samba se tornarem mais populares a partir da década de 1970.

Não há quem não tenha cantado, ao menos em um carnaval, o inconfundível ‘Ô Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga, à época, única mulher a compor marchinhas  carnavalescas.

 

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Jovens da Paróquia Nossa Senhora do Brasil encenam “O auto da Compadecida” no Tuca

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01 de março de 2019

A Companhia Mirante de Teatro, junto ao Grupo de Jovens Divino Coração de Jesus, da Paróquia Nossa Senhora do Brasil apresentaram na terça-feira, 26, uma adaptação da peça “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, com direção de Thiago Domingues, ator e membro da Comunidade Católica CVXAVIER.

 

“A Companhia Mirante é um universo que promove arte, cultura e fé, desde o centro às periferias, sejam elas sociais ou humanas.” A definição é de Arthur Baldin, formado em Teatro e Artes do Corpo pela PUC-SP e um dos atores da Companhia.

 

O Tuca, Teatro da PUC-SP ficou lotado para a apresentação que começou às 21h e envolveu o público com um roteiro já conhecido por muitos, mas sempre cheio de surpresas e capaz de emocionar. Além disso, assistir “O auto da compadecida” é uma oportunidade de refletir sobre a vida e a coerência de vida cristã.

 

Com patrocínio e apoio da Paróquia Nossa Senhora do Brasil e incentivo do Vicariato para a Educação e a Universidade, da Arquidiocese de São Paulo, o Grupo destinará toda a renda do espetáculo para a Comunidade Missão Belém, que mantém várias casas para acolher pessoas em situação de rua no Brasil e em outros países como Itália e Haiti.

 

Diversidade

“Eu nunca vi uma peça de teatro reunir tantas pessoas diferentes. Acredito que isso faz parte da missão do teatro e tenho muito orgulho em participar da Mirante, porque ela é uma companhia aberta a todos” disse Arthur, que interpreta o Major Antonio Moraes no espetáculo. “Aprendi muito com essa experiência”, continou.

A história dos atores, sejam eles profissionais ou não, se mistura à história de jovens que, pela primeira vez, interpretaram uma obra teatral ou, pela primeira vez tiveram oportunidade de apresentarem-se com uma plateia tão numerosa num teatro prestigioso como o Tuca.

A experiência do grupo mostra, porém, que quando fé e arte se encontram, o resultado tanto para quem está no palco, quanto para quem participa na plateia é um momento de alegria, diversão e, ao mesmo tempo, de confronto da própria vida diante de Deus e de seus ensinamentos.

Bay Marthyn é ator e interpretou Severino de Aracaju no Auto. Ele é professor de teatro e há muito tempo não interpretava. Foi convidado para substituir uma atriz e para ele foi uma alegria voltar aos palcos. “Foi um processo muito lindo e sei que esta experiência não foi somente profissional, mas sobretudo espiritual”, disse

 

Grande família

Para María Elena Infante Malachias, que interpretou a cangaceira durante o Auto, esposa  de Célio Malachias, que interpretou Jesus Cristo e  Andrés Infante Malachias, que fez o papel de sacristão, o teatro foi o lugar em que seu filho se encontrou, depois de uma série de dificuldades de adaptação e bullying na escola por diferentes motivos.

“Foi uma alegria e uma emoção participarmos juntos em todos os momentos da realização desse teatro, sobretudo dos ensaios. Participar da apresentação foi algo muito importante para meu filho e ele está muito feliz”, contou María Helena.

 

Profissionalismo

Gustavo Henrique Costa, 27, é escritor e dramaturgo e interpretou o padeiro. O auto da compadecida” foi a peça que o despertou para o teatro há cerca de quatro anos. “Estar no elenco me fez brilhar os olhos e para mim, a pessoa do Ariano Suassuna é muito importante, por tudo o que ele representa para o País. Foi muito bom participar desse projeto”, afirmou.

Para Bia Sobreira, 17, que interpretou João Grilo no Auto, não é atriz profissional, mas já estudou teatro amador durante quase 5 anos, participar da peça foi um momento muito importante porque ela sonha em ser atriz profissional. “Os ensaios foram árduos, sobretudo nas semanas que antecederam a apresentação. Mas todas as pessoas são muito comprometidas e, desde a primeira apresentação, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, percebemos quantos frutos bons poderiam nascer dessa iniciativa.”

Aos 31 anos, Rafael de Brito Moraes, membro do elenco, disse que foi a primeira vez que estreou num teatro tão importante. Formado em engenharia civil, ele começou a participar de grupos de teatro na Paróquia em que participava em 2009 e desde então o teatro passou a fazer parte da sua vida. No Auto, fez o papel do demônio. “Aconteceram muitos contratempos, como perda de atores no meio do processo e outras dificuldades, mas o resultado que tivemos na apresentação do Tuca foi sensacional”, disse.

 

Fé e arte

Foi a primeira vez que Maria Aparecida Malachias assistiu a uma peça no Tuca e também a primeira vez que ela viu “O auto da compadecida”. Mãe de Célio Malachias, Maria Aparecida se emocionou ao ver o filho interpretar Jesus Cristo e disse que não imaginava que um dia veria o filho num projeto tão importante.

Antes de entrarem no Palco os atores receberam a bênção e rezaram junto ao Padre Alessandro Enrico de Borbón, Vigário da Paróquia Nossa Senhora do Brasil. Ao palco eles entraram cantando, sinal da alegria de quem escolheu a arte, sem deixar de lado a fé.

 

(Colaborou Arthur Baldin)

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São Paulo abriga cerca de 130 museus

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15 de janeiro de 2019

São Paulo é uma cidade com muitas possibilidades. No que se refere aos museus e casas de cultura, a cidade mantém uma multiplicidade de lugares indicados para toda a família e com programações variadas. Só na Avenida Paulista, um dos lugares mais visitados da cidade, há museus e espaços culturais imperdíveis e abertos ao público.

Além do Masp e da Casa das Rosas, espaços como o Centro Cultural Fiesp, o Instituto Moreira Salles, o Itaú Cultural e a Japan House São Paulo compõem o circuito, que conta ainda com o Cine Caixa Belas Artes, o Espaço Cultural Conjunto Nacional, o Espaço Itaú de Cinema, o Instituto Cervantes e o Mirante 9 de Julho.

 

O QUE É UM MUSEU?

Engana-se quem pensa que os museus são espaços em que só existem coisas antigas. De acordo com o conceito descrito no site da Fundação Rui Barbosa para Crianças do Rio de Janeiro, o museu é uma casa de criação onde se preserva a memória de uma cidade, de um país ou de uma pessoa. “Museu é o lugar de histórias interessantes que nos faz viajar no tempo. Mas, apesar de contar histórias que já aconteceram, o museu é o lugar para pensarmos o presente e refletirmos sobre o nosso tempo”, continua o texto.

O site recorda, ainda, que o termo museu vem do grego museion, que era considerado o templo das musas. “As musas eram filhas de Mnemósine (a memória), protetoras das Artes e da História. A deusa Memória dava aos poetas e adivinhos o poder de voltar ao passado e de lembrá- -los à coletividade”, explica o texto.

O primeiro museu do Brasil é o Museu Nacional, criado em 1818, por Dom João VI (que pegou fogo em 2 de setembro de 2018 no Rio de Janeiro). O País tem quase 2 mil museus. Os da cidade de São Paulo somam aproximadamente 130 instituições.

 

IMAGINAÇÃO

“Desde criança, frequento museus em São Paulo. O primeiro foi o Paulista, o famoso “Museu do Ipiranga” – fechado para visitação desde 2013 por falta de conservação da sua estrutura arquitetônica – localizado no Parque da Independência. Lembro-me de visitar também, naquele dia, a Casa do Grito, neste mesmo parque, e chamou minha atenção um detalhe no conteúdo dos painéis que explicavam a história da casa: ali era um sítio arqueológico!”.

A lembrança é de Andrezza Bicudo, 24, historiadora que já trabalhou no Sítio Morrinhos em São Paulo e é apaixonada por História e Arqueologia. Dessa sua primeira visita a um museu, ela recorda-se, ainda, de fotos das escavações realizadas e uma vitrine na parede que exibia sua técnica construtiva, o pau-a-pique.

 

ONTEM

“Fiquei mais maravilhada com aquela casinha simples, sem muita coisa dentro, do que com o monumental Museu Paulista”, continuou Andrezza, que, mais de dez anos depois, teve a oportunidade de estudar sobre a Casa do Grito, sua história, sua arquitetura, as escavações arqueológicas e ter contato direto com os materiais lá encontrados. “Um verdadeiro privilégio e uma conquista para aquela menina”, disse a jovem.

A grande referência museológica de Andrezza na Capital Paulista é o Museu da Cidade de São Paulo. “Muita gente conhece apenas algumas de suas unidades, mas não sabe que, juntas, elas compõem este museu municipal. A Casa do Grito é uma delas, assim como o Sítio Morrinhos, a OCA, o Solar da Marquesa de Santos, sede do museu, entre outras. O Museu da Cidade contribui na compreensão dos diferentes cotidianos paulistanos desde o século XVI até os dias de hoje, aborda os processos de urbanização da cidade, entre outras reflexões que possibilitam pensar a cidade no passado e hoje”, explicou.

 

MUSEU DA CIDADE DE SÃO PAULO

O Museu da Cidade de São Paulo é uma rede de casas históricas, construídas entre os séculos XVII e XX e distribuídas nas várias regiões da cidade, que representam remanescentes da ocupação da área rural e urbana da cidade de São Paulo.

Criado em 1993 e hoje administrado pelo Departamento de Museus da Secretaria Municipal de Cultura, é formado por 12 unidades, além de manter a guarda da OCA e do Pavilhão das Culturas no Parque do Ibirapuera. São elas: Beco do Pinto, Casa da Imagem, Capela do Morumbi, Casa Bandeirante, Casa do Grito, Casa do Tatuapé, Casa do Sítio da Ressaca, Casa Sertanista, Chácara Lane, Cripta Imperial, Sítio Morrinhos e Solar da Marquesa de Santos.

O projeto para o Museu da Cidade de São Paulo revela um percurso unificado para suas unidades, que deverão constituir as estruturas do Sistema Municipal de Museus.

(Com informações do Museu da Cidade)
 

CASA DE VIDRO

(Arquiteta Lina Bo Bardi) Rua General Almérico de Moura, 200

Quinta-feira a sábado, 10h, 11h30, 14h e 15h30

Ingresso: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (estudante, professor, terceira idade)

Telefone: (11) 3744-9902 Email: info@institutobardi.org

 

CASA MÁRIO DE ANDRADE

Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda

Terça-feira a domingo, das 10h às 18h

Telefones: (11) 3666-5803 / 3826-4085

Grátis

 

CASA GUILHERME DE ALMEIDA

Museu: Rua Macapá, 187 - Perdizes

Telefones: (11) 3673-1883 / 3803-8525

E-mail: contato@casaguilhermedealmeida.org.br

Grátis

 

OFICINA OSWALD DE ANDRADE

Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro

Segunda a sexta-feira, das 9h às 22h; sábados, das 10h às 18h

Telefone: (11) 3222-4683 E-mail: oswalddeandrade@oficinasculturais.org.br

Grátis

 

CASA DO GRITO

Praça do Monumento, 199- 259

Terça-feira a domingo, das 9h às 17h

Telefone: (11) 2273-4981 E-mail: educativomuseudacidade@gmail.com

Grátis

 

CASA DO TATUAPÉ

Rua Guabijú, 49

Terça-feira a domingo, das 9h às 17h

Telefone: (11) 2296-4330 Email: educativomuseusdacidade@gmail.com

Grátis

 

CASA DO BANDEIRANTE

Praça Monteiro Lobato - Butantã

Terça-feira a domingo, das 9h às 17h

Telefone: (11) 3031-0920 Email: educativomuseusdacidade@gmail.com

Grátis

 

CASA DO SERTANISTA

Praça Ênio Barbato, s/n - Caxingui

Terça-feira a domingo, das 9h às 17h

Telefone: (11) 3726-6348 Email: educativomuseusdacidade@gmail.com

Grátis

 

CASA MODERNISTA

Rua Santa Cruz, 325 - Vila Mariana

Terça-feira a domingo, das 9h às 17h

Telefone: (11) 5083-3232 Email: educativomuseusdacidade@gmail.com

Grátis

 

SÍTIO MORRINHOS

Rua Santo Anselmo, 102

Terça-feira a domingo, das 9h às 17h

Telefone: (11) 2236-6121 Email: educativomuseusdacidade@gmail.com

Grátis

 

SOLAR DA MARQUESA

Rua Roberto Símonsen, 136

Terça-feira a domingo, das 9h às 17h

Telefone: (11) 3241-1081 Email: educativomuseusdacidade@gmail.com

Grátis

 

MUSEU LASAR SEGALL

Rua Berta, 111 - Vila Mariana

Quarta a segunda-feira, das 11h às 19h

Telefone: (11) 2159-0400

Grátis

 

CHÁCARA LANE

Rua da Consolação, 1.024 - Consolação

Terça-feira a domingo, das 10h às 18h

Telefone: (11) 3129-3361

Grátis

 

Fonte: clickmuseus

 

ARTE SACRA

O Museu de Arte Sacra de São Paulo é fruto de um convênio celebrado entre o Governo do Estado e a Mitra Arquidiocesana de São Paulo, em 28 de outubro de 1969, e sua instalação aconteceu em 29 de junho de 1970. A partir dessa data, o Museu de Arte Sacra passou a ocupar a ala esquerda térrea do Mosteiro de Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Luz.

A parte mais antiga do complexo foi construída sob orientação de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão para abrigar o recolhimento das irmãs concepcionistas. O acervo do museu começou a ser formado por Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo, que, a partir de 1907, passou a recolher imagens sacras de igrejas e pequenas capelas de fazendas que sistematicamente eram demolidas após a proclamação da República.

 

MUSEU DA PESSOA

O Museu da Pessoa é um museu virtual e colaborativo. Está aberto a todos que queiram registrar e compartilhar sua história de vida. O acervo reúne quase 20 mil histórias, sem contar as fotografias, documentos e vídeos. Padre Paolo Parise, diretor do Centro de Estudos Migratórios (CEM) e que realiza um trabalho na Casa do Migrante, na Rua do Glicério, centro da Capital Paulista, faz parte do acervo do Museu.

“O Museu da Pessoa acredita que valorizar a diversidade cultural e a história de cada pessoa como patrimônio da humanidade é contribuir para a construção de uma cultura de paz. Nossa principal missão é a de ser um museu aberto e colaborativo, que transforme as histórias de vida de toda e qualquer pessoa em fonte de conhecimento, compreensão e conexão entre pessoas e povos”, descreve o texto de apresentação no site do museu.

 

MUSEUS-CASA LITERÁRIOS DE SÃO PAULO

Localizada na Avenida Paulista, 37, a Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura – integra a rede de Museus-Casa Literários de São Paulo, com a Casa Guilherme de Almeida e a Casa Mário de Andrade.

O edifício onde está localizada a Casa das Rosas foi projetado pelo arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, do mesmo escritório responsável por prédios como a Pinacoteca do Estado, o Theatro Municipal, o Prédio da Light e o Mercado Público de São Paulo.

A mansão foi concluída em 1935. Lá, os herdeiros de Ramos de Azevedo viveram até meados dos anos 1980. Reinaugurada em 2004, como Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, a Casa das Rosas tem oferecido à população de São Paulo cursos, oficinas de criação e crítica literárias, palestras, ciclos de debates, lançamentos de livros, apresentações literárias e musicais, saraus, peças de teatro e exposições ligadas à literatura.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Ulpiano Bezetta de Meneses é professor no Departamento de História, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Referência no que se refere ao estudo dos museus e sua importância cultural, ele recorda que no museu as pessoas se defrontam com objetos como objetos, em suas múltiplas significações e funções.

“É a função documental do museu que garante não só a democratização da experiência e do conhecimento humanos, como, ainda, a possibilidade de fazer com que a mudança deixe de ser um salto do escuro para o vazio e passe a ser inteligível”, explicou no texto intitulado “Do teatro da memória ao laboratório da História: a exposição museológica e o conhecimento histórico”, disponível para consulta na internet.

 

DICA!

As listas dos museus de São Paulo, bem como os serviços oferecidos em cada um, podem ser encontradas na página do Facebook Click Museus. O Click Museus tem como missão aproximar e facilitar a comunicação dos museus com as pessoas, disseminando a ideia de que museus além de serem espaços de educação, abrangem também lazer e entretenimento.

“Pensando nisso, criamos uma plataforma única, baseada em pesquisas da opinião pública sobre como os museus poderiam ser mais atraentes, e quais são as maiores dificuldades de acesso para aqueles que pensam em visitá-los”, explica o texto de descrição da página.

 

CONFIRA UMA LISTA DOS MUSEUS PARA VISITAR DURANTE AS FÉRIAS

 

PARA ANDAR DE BICICLETA

Museu de Arte Moderna de São Paulo Museu de Arte Contemporânea

Museu Afro Brasil Museu do Ipiranga

Museu Florestal

Capela Imperial

Obelisco

Oca

 

PARA FAZER PIQUENIQUE

Museu Casa do Bandeirante

Museu Casa do Sertanista

Museu Casa Modernista

Museu Sítio Morrinhos

Museu Casa do Tatuapé

Museu Florestal

Museu Botânico

 

PARA LEVAR CRIANÇAS

Museu da Imaginação

Museu da Magica

Museu do Inseto

Catavento Cultural

Museu do Futebol

Museu de Zoologia

 

PARA LEVAR ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Sítio Morrinhos

Casa do Bandeirante

Casa do Sertanista

Casa do Grito

Oca

Obelisco

Museu de Arte Urbana

Museu Penitenciário

Museu de Arte Moderna

Museu de Arte contemporânea

PS: O pet pode adentrar o jardim e o entorno da instituição.

(Com informações da Página Click Museus)

 

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A melodia que conta a história de um povo

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04 de dezembro de 2018

A voz da cantora Alcione decretou: “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é!” A afirmação justifica a relação do brasileiro com esse gênero musical e nos versos de “Samba da minha Terra” transparece o significado do ritmo que dá tom a história da cultura brasileira e resume o encontro entre pessoas por meio da dança, da letra e do som que saem dos pandeiros, bateria e tamborim.

Foi no Palácio Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, que, entre os dias 28 de novembro e 2 de dezembro de 1962, aconteceu o Primeiro Congresso Nacional do Samba. Na ocasião, o folclorista Edison Carneiro, o mesmo que redigiu a Carta do Samba, anunciou de forma inesperada o projeto de lei que previa a instituição do dia 2 de dezembro como o Dia do Samba.

Antes que a data fosse oficializada, sofreu com a resistência do plenário da época, sendo aceita e publicada no Diário Oficial do Estado de Guanabara, apenas dois anos mais tarde, em 7 de agosto de 1964.

Enquanto isso, em 3 de outubro de 1963, o vereador Luiz Monteiro da Costa, inspirado pelo evento realizado no Rio de Janeiro, apresentou na Câmara Municipal de Salvador (BA), o projeto de Lei n° 164/63, pela implantação do Dia do Samba na mesma data. Após a aprovação, o projetou previu que no mesmo dia fosse homenageado o compositor brasileiro Ary Barroso, autor de "Aquarela do Brasil".

As comemorações são oficiais apenas nos estados do Rio de Janeiro e Bahia, mas a mobilização social fez com que este som se espalhasse por todo o território nacional, sendo hoje celebrado em todo o Brasil.

RAÍZES

Já no século XIX, como resultado da mistura de ritmos africanos, surgia o samba na Bahia. Sua expansão e desenvolvimento ocorreu, entretanto, no Rio de Janeiro. Após um longo período de perseguições, finalmente, a música embalada pela junção de instrumentos de corda e precursão foi reconhecido como símbolo nacional.

No livro “‘Não tá sopa’: Sambas e sambistas no Rio de Janeiro”, autora Maria Clementina Pereira Cunha descreve a complexidade histórica para a origem do ritmo. Ela enfatiza também que a relação estabelecida entre o samba e as comunidades periféricas cariocas da época, na verdade respondiam as necessidades politicas local, uma vez que mesmo sendo traduzida como linguagem de matriz africana, todas as classes sociais foram conquistadas pela sonoridade que nascia.

As rodas de samba são, sem dúvida, a maior característica do gênero. Ao longo dos anos, as transformações aconteceram e hoje, além dos grupos que se encontram para o tradicional churrasco aos fins de semana, foram incorporados o carnaval e as escolas de samba.

ANTES QUE FECHEM OS PORTÕES

No alto do carro alegórico foi possível perceber a ansiedade dos membros da comissão técnica e bateria, isso porque a entrada na avenida não aconteceu como desejada, os segundos atrasados resultariam em um verdadeiro desespero nos últimos instantes dentro dela. Os olhos ficaram divididos entre o ponteiro do relógio e o fechamento dos portões.

O relato é da administradora Beatriz Rodrigues Felso, 23, ao destacar um dos muitos momentos vividos relacionados ao samba. A descrição corresponde ao carnaval de 2013, em que, enquanto era ecoado o refrão: “Ninguém faz samba só porque prefere”, todo o enredo construído era ameaçado pela perda de pontos devido ao atraso na finalização do desfile.

A relação de Beatriz com o samba nasceu ainda na infância. Seus pais, sambistas, levaram-na para conhecer uma escola de samba com apenas 7 anos de idade. Segundo ela, começou naquele momento o amor pelo ritmo e pelo carnaval.

Antes de compor a bateria da Águia de Ouro, Beatriz passou pela ala das crianças, carros de destaque e passista.

DANDO TOM ÀS HISTÓRIAS

Diferentemente do que algumas pessoas imaginam, a administradora defendeu que o carnaval é por si só um meio de contar histórias: “o samba é cultura pura, ele agrega na história cultural não só do País, a cada desfile que a escola faz apresenta uma história de algo ou alguém”.

“O Samba é um ritmo que embala uma multidão por onde passa. Você pode até não gostar, mas se ouve uma bateria eu duvido que fique parado, é muito gostoso de ouvir, não só escola de samba, o samba de roda também é maravilhoso, e tenho certeza que isso é para qualquer pessoa que frequenta”, concluiu.

 

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Exposição retrata a vida haitiana em São Paulo

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30 de novembro de 2018

A presença haitiana em São Paulo é marcante em números, intensidade, dramas e cores. O público da maior cidade do país terá a oportunidade de conhecer de perto, ver e ouvir algumas dessas histórias e realidades sobre a presença haitiana na capital, a partir deste sábado, 1 de dezembro, na exposição fotográfica “Um retrato da vida haitiana em São Paulo”.

As fotos são resultado do trabalho do jornalista Tácito Chimato, a exposição apresenta os imigrantes haitianos de um modo mais intimista, além dos números da imigração. “Li o livro Jacobinos Negros, de CRL James, e fiquei muito impactado pela história do Haiti, a primeira nação independente da América Latina e o primeiro país negro fundado por ex-escravos”.

E é pra apresentar essa história de resiliência e busca por liberdade que o jornalista reuniu entrevistas e fotografias dando mais visibilidade a esses homens e mulheres. Durante a abertura da exposição, neste sábado, haverá um bate-papo com alguns dos imigrantes envolvidos em seu trabalho, além da assistente social Andrea Regina Bezerra, que os acolheu na União Social dos Imigrantes Haitianos (USIH), onde a exposição fica até o dia 7 de dezembro.

A exposição é inspirada em entrevistas de revistas antigas, no formato de história em quadrinhos, e trata-se de uma atividade do Balcão de Direitos para Imigrantes da Rede Jubileu Sul Brasil, que conta com o apoio da USIH.

Serviço
Exposição fotográfica: “Um retrato da vida haitiana em São Paulo”.

Quando: Abertura da exposição, dia 1º, às 16h.

Duração: 1, 4, 5, 6 e 7 de dezembro, das 13 às 17h.

Local: Vila dos Estudantes, 34, Baixada do Glicério, em São Paulo.

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