VATICANO

Papa Francisco

‘Cristo vive’: jovens são o destaque em nova exortação apostólica de Francisco

Por José Ferreira Filho
03 de abril de 2019

O documento é fruto da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, ocorrida em outubro de 2018, que tratou da relação entre os jovens e a Igreja Católica

Vatican Media

“Cristo vive: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso, as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo!”

Assim começa a mais recente Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco, Christus vivit (em Português, “Cristo vive”), divulgada intencionalmente pelo Vaticano, na terça-feira, 2, quando se fez memória dos 14 anos da morte de São João Paulo II. O documento, composto por nove capítulos divididos em 299 parágrafos, é destinado “aos jovens e a todo o povo de Deus”. Sua intenção é desafiar as novas gerações a sair de si mesmas e se entregar “aos outros”, de maneira altruísta e fecunda. Além disso, também quer suscitar na juventude a descoberta da própria vocação.

O documento é fruto da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, ocorrida em outubro de 2018, que tratou da relação entre os jovens e a Igreja Católica. Sua realização foi precedida por pesquisas globais abrangentes, oportunidades para ouvir e acolher a opinião de milhares de pessoas do mundo todo, de diversas realidades e locais, entre crentes e não crentes, e, assim, esboçar um panorama dos anseios dos jovens da atualidade.

 

ANSEIOS

O Papa destaca que os jovens desejam uma Igreja que “escute mais” e que não tenha uma postura de levar uma vida inteira a “condenar o mundo”. A juventude atual também espera que a Igreja seja capaz, entre outros temas, “de dar atenção às legítimas reivindicações das mulheres, que pedem mais justiça e igualdade”. [...] “Peçamos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que a querem envelhecer”, acrescenta.

Francisco se dirige aos jovens em tom de confissão, a respeito de sua própria história de vida: “Quando iniciei o Francisco assinala, ainda, que no desenvolver da vida de cada jovem não está a preocupação em “ganhar mais dinheiro”, fama ou prestígio social, mas um sentido para a vida, que pode incluir “a possibilidade da consagração a Deus no sacerdócio, na vida religiosa ou em outras formas”

A vocação laical é, sobretudo, “a caridade na família, a caridade social e a caridade política: é um compromisso concreto a partir da fé para a construção de uma sociedade nova, é viver no meio do mundo e da sociedade para evangelizar as suas diversas instâncias, para fazer crescer a paz, a convivência, a justiça, os direitos humanos, a misericórdia e, assim, estender o Reino de Deus no mundo”

 

JMJ E PATORAL DA JUVENTUDE

O Pontífice também mostra a importância das Jornadas Mundiais da Juventude para o trabalho desenvolvido pela Pastoral da Juventude, insistindo que “esta seja uma pastoral sinodal, em que os próprios jovens sejam agentes por meio de duas linhas de ação: a busca do jovem de uma maneira atrativa e concreta, privilegiando a gramática do amor desinteressado e da proximidade, e não o proselitismo; e a importância de ajudar o jovem a crescer, sem doutriná-lo, mas de acompanhá-lo na sua caminhada de fé. Buscar e crescer: ajudando o jovem em diferentes ambientes a ter uma experiência de família”.

 

MARIA COMO MODELO

A Exortação destaca ainda um conjunto de personagens bíblicos que assumiram o protagonismo na sua juventude e 12 jovens santos e beatos, para mostrar que os mais novos são “o presente”, num mundo em que a realidade é cada vez mais plural.

Dentre eles, além de Jesus, merece atenção o legado deixado pela Virgem Maria. O Santo Padre apresenta Maria como “o grande modelo para uma Igreja jovem”, cujo “sim” ao anjo não foi uma aceitação passiva ou resignada, como um “provemos para ver o que acontece”. A Virgem “era determinada: compreendeu do que se tratava e disse ‘sim’, sem rodeios de palavras”, afirmou.

Nesse sentido, o Papa assegura aos jovens que a resposta de Maria “foi o ‘sim’ de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora de uma promessa”. [...] “Uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer ‘não’”.

“Com certeza teria complicações” – indicou Francisco –, “mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a covardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido. Maria não comprou um seguro de vida! Maria embarcou no jogo e, por isso, é forte, é uma ‘influenciadora’, é a ‘influenciadora’ de Deus! O ‘sim’ e o desejo de servir foram mais fortes do que as dúvidas e dificuldades”.

 

SER PARA OS OUTROS

O texto observa que o “ser para os outros”, na vida de cada jovem, está normalmente relacionado com duas questões básicas, a família e o trabalho, que exigem a atenção das comunidades católicas no acompanhamento das novas gerações. “Os jovens sentem fortemente o apelo do amor e sonham encontrar a pessoa adequada com quem formar uma família e construir uma vida juntos.”

“Procuras intensidade? Não a viverás acumulando objetos, gastando dinheiro, correndo, desesperado, atrás de coisas deste mundo. Chegar-te-á de uma forma muito mais bela e satisfatória se te deixares impulsionar pelo Espírito Santo.” O Papa questiona a “cultura do provisório” e espera que os jovens vivam o “amor a sério”, rejeitando o individualismo.

 

SEXUALIDADE

O Pontífice aponta o dedo ao que denomina como “colonização ideológica” relativa à sexualidade, ao Matrimônio, à vida ou à justiça social, em vários países. “Num mundo que valoriza excessivamente a sexualidade, é difícil manter uma boa relação com o próprio corpo e viver serenamente as relações afetivas”, observa.

Retomando o que foi dito no Sínodo 2018, Francisco admite que a moral sexual pode ser, muitas vezes, “causa de incompreensão e de afastamento da Igreja, visto que é percebida como um espaço de julgamento e de condenação” pelos mais novos. Ao mesmo tempo, prossegue, os jovens manifestam “um desejo explícito de se confrontarem sobre as questões relativas à diferença entre identidade masculina e feminina, à reciprocidade entre homens e mulheres e à homossexualidade”.

A Exortação convida a superar “tabus” sobre o sexo e a sexualidade, que são apresentados como “um dom de Deus”, com o propósito de “amar-se e gerar vida”.

“A Igreja precisa do vosso entusiasmo, das vossas intuições, da vossa fé. Fazeinos falta! E, quando chegardes aonde nós ainda não chegamos, tende paciência para esperar por nós”, conclui o Papa.

 

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