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Abas primárias

Especial de Natal

Cresce o número de adoções no Brasil

Por Fernando Geronazzo
22 de dezembro de 2017

O Cadastro Nacional de Adoção (CNA), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é quem aponta o aumento

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), houve em 2017, até o mês de outubro, 1.142 adoções no Brasil. Se comparado com o total de crianças adotadas em 2011 – 648 – o número praticamente dobrou. Os mesmos dados informam que atualmente existem 8.390 menores cadastrados à espera de uma família e, por outro lado, há 42.552 pretendentes buscando adotar uma criança ou um adolescente. 

Por trás desses números, existem histórias de alegria, tristeza, abandono e esperança de pessoas que desde os primeiros anos de vida esperam ser acolhidas em uma família e daqueles que desejam oferecer a experiência da paternidade e da maternidade para meninos e meninas. Por isso, nesta edição especial de Natal, o jornal O SÃO PAULO apresenta a realidade das adoções no Brasil como uma forma concreta de acolher o Menino Jesus.

 

 

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Números

O tema da adoção no País ainda é um desafio de enormes dimensões. Segundo o Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (Cnca), organismo também do CNJ, o Brasil tem 47 mil crianças e adolescentes atualmente vivendo em abrigos. Se há tantas pessoas dispostas a acolher uma criança sem família, por que o número de meninas e meninos do cadastro não para de crescer? Na avaliação do próprio CNJ, a resposta pode estar na discrepância entre o perfil da maioria das crianças do cadastro e o perfil da criança imaginada pelos que aguardam na fila da adoção. 

As crianças mais velhas que vivem em abrigos continuam tendo maior dificuldade para conseguir famílias que as adotem. Das crianças adotadas neste ano, 351 tinham mais de 5 anos ao ser concretizada a adoção – ou seja, 30,7%. Em 2011, apenas 6,7% dos pretendentes cadastrados aceitavam crianças com mais de 5 anos; em 2017, esse percentual aumentou para 20,2%. A aceitação de crianças negras também melhorou: em 2011, apenas 31% dos pretendentes estavam abertos a adotá-las; em 2017, esse percentual é de 52,3%. Isso, de acordo com o perfil do CNA, desmente a crença comum de que a principal dificuldade das adoções seja a racial.

Outro fator que costuma ser sério entrave à saída de crianças e adolescentes das instituições de acolhimento, de acordo com as estatísticas do CNJ, é a baixa disposição dos pretendentes (34,91%) para adotar irmãos. Entre os aptos à adoção do CNA, 59,49% possuem irmãos. Como os juizados de Infância e Adolescência dificilmente decidem pela separação de irmãos que foram destituídos das famílias biológicas, as chances de um par (ou número maior) de irmãos achar um novo lar é pequena.

 

Adolescentes

O Advogado José Paulo Militão de Araújo, que já atuou em processos de adoções nacionais e internacionais, explicou ao O SÃO PAULO que muitos casais pretendentes temem adotar crianças mais velhas ou adolescentes não por razão de preconceito, mas pelo receio de não saberem lidar com as dificuldades próprias da idade, que podem ser agravadas pela situação de abandono vivida por esses menores. “O pré-adolescente ou adolescente adotado não é diferente dos demais, mas pode ter algumas características que precisam ser levadas em consideração. Essas crianças, por exemplo, podem entrar em conflito com a nova regra da casa, a nova rotina. E muitas famílias não estão preparadas para lidar com isso”. 

 

Demora na disponibilização

Para José Paulo, um dos principais problemas é a demora do sistema para disponibilizar as crianças para a adoção. Depois que a criança é retirada da guarda dos pais, após a constatação de alguma forma de abandono, são feitas inúmeras tentativas de reinseri-la na família.  Porém, esse processo é lento, chegando a durar até quatro anos. “Muitas vezes, os pais se comprometem em acolher as crianças, mas isso nunca se concretiza. Essas crianças vivem um abandono dentro do abandono. Por conta disso, não são disponibilizadas para adoção até que entra na adolescência e começa a ficar mais difícil de ser adotada”, destacou o Advogado.

 

Acompanhamento pós-adoção

Segundo José Paulo, uma maneira de mudar a mentalidade das pessoas quanto à adoção de crianças mais velhas é oferecer apoio e acompanhamento às famílias após a conclusão do processo. Ele mesmo é pai adotivo de uma menina que hoje tem 14 anos e foi adotada quando estava completando 8 anos. Além da garota, o Advogado tem dois filhos mais velhos. “Por isso que eu digo da importância de um acompanhamento pós-adoção. Felizmente, nós temos condições de arcar com isso, mas, no geral, as pessoas não têm esse acompanhamento”, ressaltou. 
 

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