NACIONAL

Pesquisas Eleitorais

Confiáveis, pesquisas eleitorais retratam tendências das campanhas

Por Daniel Gomes
23 de setembro de 2018

Desde 2002, os principais institutos têm acertado quais são os presidenciáveis que avançam para o 2º turno

Pixabay

Com a proximidade do dia da votação do 1º turno das eleições presidenciais, tem crescido no Brasil o interesse pelos números apresentados nas pesquisas de intenção de votos. Desde 2002, os principais institutos têm acertado quais são os presidenciáveis que avançam para o 2º turno e captado as variações do eleitorado ao longo das campanhas.

 

ESPELHO DAS URNAS

Ao comparar o histórico das pesquisas Datafolha para Presidente da República desde 2002, todos os candidatos que apareceram como líderes a partir do mês de agosto ganharam a eleição: Lula em 2002 e 2006, e Dilma Rousseff, em 2010 e 2014. No período analisado, o percentual das intenções de voto dos dois primeiros colocados no dia anterior à eleição foi próximo ao que se registrou nas urnas, e não houve divergências entre a posição do candidato indicada nessa pesquisa e seu resultado ao final do 1º turno.

 

CENÁRIO DIFERENTE?

Esse histórico, no entanto, pode não ser mantido dessa vez. Jair Bolsonaro (PSL), atual líder em recentes pesquisas de três institutos – Datafolha, Ibope e MDA – perderia a eleição em 2º turno para dois candidatos que hoje oscilam na segunda posição - Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) - e teria disputa acirrada com Fernando Haddad (PT) ou Marina Silva (Rede), em situação de empate técnico nas pesquisas.

Além disso, Bolsonaro tem apresentado índices de rejeição próximos a 40%. Na pesquisa Datafolha de 14 de setembro, feita após o candidato ser atingido por uma facada no começo deste mês, 44% dos entrevistados disseram que não votariam nele “de jeito nenhum”.

“Nessa fase final da campanha, a rejeição é um fator muito importante. No caso do Bolsonaro, a forte rejeição indica que ele atingiu um patamar de votos próximo do teto, não terá muita margem de crescimento até o final do 1º turno. Agora, a disputa realmente vai ser pela segunda vaga ao 2º turno”, analisou, ao O SÃO PAULO, Pedro Fassoni Arruda, cientista político e professor da PUC-SP.

Em artigo recém-publicado no Observatório das Eleições (observatoriodas eleicoes.org), Oswaldo do Amaral, professor da Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop), apontou que, para vencer as eleições no 2º turno, o candidato do PSL terá que reverter o atual índice de rejeição.

“Neste momento, o nível de rejeição de Jair Bolsonaro torna muito difícil sua vitória no 2º turno, em que é necessário obter a maioria dos votos válidos (...) Desde 1994, nenhum dos principais candidatos à Presidência chegou ao início de setembro com tamanha rejeição, segundo dados do Datafolha. Em 1994, Leonel Brizola (PDT) era rejeitado por 42% dos eleitores e nem mesmo foi ao 2º turno daquela eleição, vencida na primeira volta por Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Entre os candidatos que venceram as eleições de 1994 a 2014, nenhum deles superava, neste mesmo período do ano, os 35% de rejeição”, apontou Amaral.

 

BRIGA PELA SEGUNDA VAGA

A análise das pesquisas do Datafolha de 2002 e 2014, nas quais houve alternância do nome do segundo colocado ao longo da eleição, indica que quem estava logo atrás do líder no começo da campanha e foi ultrapassado por outro candidato durante a disputa retomou o posto ao final do 1º turno.

Em 2002, quando Lula liderou toda a corrida eleitoral, José Serra aparecia, em junho, como o segundo colocado, com 21% das intenções de voto, mas foi ultrapassado por Ciro Gomes no mês seguinte. Este candidato atingiu o pico de 28% em agosto, mas teve queda vertiginosa logo depois. Ao final do 1º turno, Serra terminou em segundo, com 23% dos votos, superando Ciro, que teve a preferência de 12% do eleitorado.

Em 2014, Aécio Neves tinha 20% das intenções de voto em julho, contra 10% de Eduardo Campos, candidato que morreria no mês seguinte em um acidente aéreo, sendo substituído por Marina Silva. Em sua primeira aparição na pesquisa Datafolha, Marina estava na segunda posição, com 21% das intenções de voto, ante 20% de Aécio. Na pesquisa seguinte, o candidato do PSDB perdeu seis pontos percentuais, indo a 14%, e Marina já estava tecnicamente empatada com Dilma na liderança, 35% x 34% em favor da petista. No entanto, Marina “perdeu fôlego” em setembro, encerrando o mês com 24% das intenções, contra 20% de Aécio. Nos últimos dias daquela campanha, o Datafolha indicava Aécio à frente de Marina, 24% x 22%, e o tucano, de fato, passaria ao 2º turno como segundo colocado, com 12 pontos percentuais a mais que Marina. Destaca-se, ainda, que em menos de um mês, a rejeição a Marina Silva cresceu sete pontos percentuais, e a de Aécio Neves caiu dois pontos.

Agora em 2018, na pesquisa Datafolha de 10 de junho, em um cenário sem a candidatura de Lula, Marina aparecia na segunda posição, com 15% das intenções de voto, seguida por Ciro, 10%, e Alckmin, 7%. Já na pesquisa de 14 de setembro feita pelo mesmo instituto, a candidata da Rede ocupava a quinta posição, com 8% das intenções de voto, sendo superada por Alckmin, com 9%, e por Ciro e Haddad, empatados com 13%. A pesquisa confirmou a tendência verificada anteriormente, de crescimento de Haddad e de Ciro e de queda de Marina. Destaca-se, ainda, que em menos de um mês, o índice de rejeição de Marina cresceu cinco pontos percentuais – de 25% para 30%, mesma variação verificada para Haddad – de 21% para 26%. Já Alckmin e Ciro tiveram decréscimo de rejeição; o tucano de 26% para 25%, o pedetista de 23% para 21%.

 

ADVERSÁRIOS PREFERENCIAIS

Na avaliação de Pedro Arruda, Alckmin e Marina devem disputar uma mesma parcela do eleitorado, enquanto Ciro e Haddad buscarão o voto dos eleitores de centro-esquerda, e quem decrescer nas intenções de voto poderá perder eleitores para o concorrente direto.

“Na reta final, os eleitores que têm preferência por um determinado candidato, caso percebam que ele não tem chances de vencer a eleição ou emplacar uma vaga no 2º turno, podem migrar para aquele que está em segundo ou mesmo em terceiro. Nesse caso, a pesquisa eleitoral serve para influenciar no comportamento dos eleitores”, p ontuou Arruda. No entanto, ele destacou que “as pesquisas precisam ser analisadas com cautela, porque existe, principalmente nessa fase final, uma certa volatilidade dos eleitores”

Ainda segundo Arruda, os resultados apresentados pelos institutos devem determinar o tom adotado pelos presidenciáveis. “A pesquisa ajuda a definir qual segmento do eleitorado o candidato vai tentar conquistar. Se, por exemplo, o Haddad abrir uma vantagem muito grande sobre o Ciro Gomes, talvez não seja interessante que o Haddad o escolha como adversário, pois precisará de seu apoio no 2º turno. Nesse caso, o petista escolheria como adversário a ser combatido Alckmin ou Marina Silva, por exemplo”, concluiu.

 

(Com informações de G1, Datafolha, Uol, Ibope e Observatório das Eleições)
 

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