Jornal o São Paulo

SÃO PAULO

Sínodo Arquidiocesano

Comunicadores refletem sobre o papel da Pascom na etapa paroquial do sínodo

Por Fernando Geronazzo
15 de março de 2018

Dom Devair Araújo da Fonseca, Irmã Joana Puntel e  Aldo Quiroga fizeram as reflexões do evento, junto aos agentes da Pascom

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

O Vicariato Episcopal para a Pastoral da Comunicação realizou, no sábado, 10, no auditório Tucarena, da PUC-SP, em Perdizes, um encontro, no contexto do sínodo arquidiocesano, com os agentes da Pastoral da Comunicação (Pascom) das paróquias e comunidades da Arquidiocese. 

O evento teve o objetivo de destacar o papel da Pascom na etapa paroquial do caminho sinodal iniciado em 24 de fevereiro, além de provocar uma reflexão sobre os desafios da Igreja no campo da comunicação tanto internamente quanto na relação com a sociedade. 

Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia e Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação, explicou como se realizará o sínodo arquidiocesano nas paróquias e motivou os agentes da Pascom a participarem dos trabalhos sinodais não apenas na divulgação das atividades, mas também contribuindo com as reflexões sobre a vida e a missão da Igreja na cidade a partir da realidade específica da comunicação.

Para aprofundar a reflexão do encontro, foram convidados a Irmã Joana Puntel, Religiosa Paulina, Jornalista, Pós-doutora em Comunicação Social e membro do Serviço à Pastoral da Comunicação (Sepac); e Aldo Quiroga, Jornalista da TV Cultura e professor da PUC-SP.

 

IDENTIDADE DA PASCOM

A partir da analogia de “olhar-se no espelho”, proposta pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, para o caminho sinodal, Irmã Joana refletiu sobre a identidade da Pascom na Igreja. Segundo ela, o cerne dessa Pastoral é o diálogo entre fé e cultura, sobretudo a chamada cultura midiática. 

“Esse diálogo é possível à medida em que nós tivermos uma fé sólida, senão seremos absorvidos por aquilo que se move na sociedade. Por isso, é preciso conhecer e viver a Boa-Nova que devemos anunciar. É indispensável para os agentes das Pascom esse esforço de conhecer o Evangelho para testemunhá-lo”, disse.

Outro desafio é a reflexão e a formação. “A nossa Pascom não pode ser reduzida a uma prática. Ela tem de contemplar os momentos de estudo, de conhecer as bases em que se apoia a ação pastoral”, afirmou Irmã Joana, destacando, ainda, que, durante muito tempo, essa formação se ocupou em aprimorar o campo da produção, de como usar os meios. “Não é errado, mas insuficiente. É necessária uma formação mais completa, que ultrapasse o simples uso dos meios, com o devido preparo para discutir, por exemplo, a ética da comunicação”.

A Religiosa também ressaltou a necessidade de criar uma mentalidade sobre a importância da Pascom nas paróquias. “Essa Pastoral não pode se limitar a colocar avisos na porta da Igreja, mas deve servir a outras pastorais, oferecer reflexões. A Pascom deve ajudar a articular as demais pastorais, pois a comunicação perpassa por todas elas”. 

 

FAKE NEWS

Dentre os desafios da comunicação na sociedade que devem ser refletidos pela Pastoral da Comunicação está a questão das fake news (notícias falsas), que foi tema da mensagem do Papa Francisco para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Aldo Quiroga apresentou alguns casos dessas notícias falsas, suas consequências concretas no dia a dia, e como essas notícias podem ser identificadas e combatidas.

Segundo o Jornalista, as fake news, basicamente, têm três objetivos: criar confusão; alavancar visualizações em sites ou redes sociais; e espalhar difamação e manipulação da opinião pública. Sobre esse último aspecto, ele alertou para o risco que as notícias falsas oferecem para a democracia. Quiroga apresentou dados de uma recente pesquisa divulgada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, que analisou publicações do Twitter entre os anos de 2006 e 2017. Foram identificadas 4,5 milhões de publicações com informações falsas. Foram identificados, ainda, 3 milhões de multiplicadores diferentes dessas informações. Também foi constatado que as fake news se multiplicam 70% mais rápido que as notícias verdadeiras. Dentre os assuntos dessas notícias falsas, destacam-se terrorismo e guerra, desastres naturais, lendas urbanas, ciência e tecnologia, negócios e economia e, principalmente, política.

Na avaliação do Jornalista, o Brasil será colocado à prova este ano em relação à disseminação de notícias falsas no contexto das eleições. Nesse aspecto, ele destacou o papel dos católicos, especialmente dos agentes da Pascom, para o enfrentamento desse desafio. “Se a Igreja tem um braço que pode contribuir de alguma forma para acalmar os ânimos e apontar caminhos, são os agentes da Pastoral da Comunicação, desde que busquem formação e informação”. 
 

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