SÃO PAULO

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Igreja em São Paulo

Começa a preparação dos agentes de pesquisa domiciliar do sínodo arquidiocesano

Por Fernando Geronazzo
19 de julho de 2018

Voluntários da arquidiocese farão levantamento inédito da realidade sociorreligiosa das paróquias.

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Começou a preparação dos voluntários que irão atuar no levantamento da realidade sociorreligiosa das paróquias em vista do sínodo arquidiocesano de São Paulo que será realizado nos meses de julho, agosto e setembro. Na sexta-feira, 13, aconteceu na sede da Coordenadoria de Estudos e Desenvolvimento de Projetos Especiais (Cedepe), da PUC-SP, em Perdizes, o treinamento dos supervisores das regiões episcopais. No sábado, 14, o grupo de voluntários da Região Episcopal Lapa foi o primeiro a receber o treinamento.

O objetivo do levantamento é conhecer a realidade dos habitantes do território das paróquias e, por isso, será domiciliar. Os resultados da pesquisa serão usados como elementos de análise das assembleias paroquiais do sínodo, previstas para acontecer entre setembro e outubro, na conclusão da primeira etapa do caminho sinodal da Arquidiocese.

A função dos supervisores é dar apoio e suporte técnico e metodológico para os entrevistadores ao longo do trabalho de campo. Esses supervisores são padres, a maioria deles, coordenadores de pastoral das regiões episcopais, que conhecem a organização das paróquias. 

 

CONSCIENTIZAÇÃO

Além da preparação dos agentes, a Arquidiocese de São Paulo iniciou uma campanha nos meios de comunicação e mídias sociais para a conscientização das pessoas sobre a importância do levantamento e a acolhida aos entrevistadores.  “A colaboração de todos é muito importante para que possamos, de fato, ter uma boa percepção de como está a situação religiosa e pastoral da nossa cidade, como o povo recebe a mensagem do Evangelho, como o povo se relaciona com a Igreja e como ela se relaciona com as pessoas”, enfatizou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, no programa “Encontro com o Pastor”, na Rádio 9 de Julho, no dia 10. 

Dom Odilo recomendou que as famílias que forem visitadas acolham bem os voluntários que farão o levantamento: “Tudo isso será importante para que, no sínodo, nós possamos avaliar sobre as decisões a tomar, sobre o novo modo como nós devemos fazer acontecer a vida da pastoral da Igreja, como as paróquias precisam se organizar para estar no meio do povo, no meio da cidade”. 

As diferentes realidades da cidade demandam desafios e estratégias diversas. Se, por um lado, existem regiões periféricas de difícil acesso, como favelas e moradias coletivas, por outro, existem bairros onde predominam os condomínios fechados, nos quais a segurança é bastante rigorosa. Para isso, é fundamental a ampla divulgação do levantamento e da idoneidade de seus agentes devidamente identificados. Os paroquianos serão de grande importância para tornar conhecida a proposta da pesquisa entre seus vizinhos. “Contamos com um grande apoio dos padres para informar a população sobre a existência de uma equipe que visitará as casas para esse levantamento”, salientou Vergilio Alfredo dos Santos, sociólogo da Cedepe, reconhecendo que é compreensível que hoje as pessoas tenham medo de receber alguém estranho em suas casas. Por isso, os pesquisadores selecionados são pessoas indicadas pelas paróquias a partir de critérios previamente definidos pelos organizadores do levantamento. Eles estarão devidamente uniformizados, com coletes e bonés personalizados, crachás com foto, identificação e contatos para a confirmação de sua autenticidade.

 

ISENÇÃO

Maria Imaculada Victal, uma das especialistas responsáveis pelo treinamento, salientou que os voluntários que colherão os dados do levantamento são uma das partes mais importantes de toda a pesquisa, pois trarão o resultado do levantamento. Por isso, é imprescindível a isenção dessas pessoas no momento das entrevistas. “O entrevistador tem de considerar que está indo coletar dados e, portanto, não pode emitir nenhum tipo de opinião, de maneira nenhuma pode manifestar reações diante de alguma resposta. Ele tem de respeitar a todo momento a fala da pessoa entrevistada. Não existe, neste caso, conceito de resposta certa ou errada. Certo é o que o entrevistado diz. Esse é um dos aspectos bastante tratado nos treinamentos”, explicou. 

Ainda segundo Maria Imaculada, as visitas às casas não terão um propósito evangelizador, mas técnico, de uma pesquisa com metodologia científica, com a finalidade de ouvir as pessoas. “O entrevistador tem de saber fazer a pergunta de maneira objetiva e não pode, de maneira nenhuma, induzir a resposta”, disse. 

Os supervisores aprofundaram no conhecimento sobre o conteúdo do questionário, elaborado pela Comissão de Coordenação Geral do sínodo, da metodologia da pesquisa, feita pela Cedepe, e na utilização do aplicativo digital para dispositivos móveis, desenvolvido pela empresa Orgsystem para agilizar a coleta dos dados. 

Para marcar o início do levantamento do sínodo arquidiocesano, o Cardeal Scherer fará o envio dos voluntários em uma missa na Catedral da Sé, no sábado, 21, às 15h.
 

 

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