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POLITICA

Com nova plataforma, Prefeitura promete tapar buracos com mais agilidade

Por Daniel Gomes
07 de dezembro de 2019

Uma das recentes iniciativas com o intuito de agilizar esse trabalho foi lançada pela Prefeitura no fim de novembro: a plataforma interativa GeoInfra

Em uma cidade com 17 mil quilômetros de vias, nem sempre a velocidade dos serviços de tapa-buraco acompanha as demandas que surgem em diferentes bairros. De janeiro a outubro deste ano, por exemplo, a Prefeitura de São Paulo tapou mais de 162,2 mil buracos e tem a meta de fazer este número chegar a 540 mil até o fim de 2020. 
Uma das recentes iniciativas com o intuito de agilizar esse trabalho foi lançada pela Prefeitura no fim de novembro: a plataforma interativa GeoInfra, voltada à gestão de obras e intervenções no espaço de via pública subterrâneo de São Paulo. 
“Quando há solicitação de tapa-buraco, uma equipe se desloca até o local para avaliar se o reparo é de sua responsabilidade ou de alguma concessionária prestadora de serviços. Com o GeoInfra, esse serviço se tornará mais ágil, já que apenas acessando a plataforma o servidor terá acesso a todas essas informações. O tempo que uma equipe estaria realizando uma vistoria será poupado e utilizado para realizar outros serviços”, afirmou, à reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB). 
Em maio, quando o prefeito Bruno Covas (PSDB) assinou o decreto 58.756, que estabelece critérios adicionais para a execução de reparação de vias danificadas por obras de infraestrutura urbana, a Prefeitura informou que 96% das reclamações sobre serviços de tapa-buraco mal feitos se referiam aos executados por concessionárias que fazem intervenções no asfalto para instalação ou ampliação de seus sistemas de distribuição.  

FUNCIONAMENTO
A plataforma GeoInfra foi desenvolvida por um grupo de trabalho com membros do Departamento de Controle e Cadastro de Infraestrutura Urbana (Convias), a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e concessionárias como a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e a distribuidora de energia elétrica Enel.
A partir de agora, concessionárias e empresas privadas devem fazer o upload dos documentos na plataforma GeoInfra para serem autorizadas a realizar obras e serviços em vias públicas. O sistema gera guias para pagamentos e analisa as interferências. Após obter o alvará e o Termo de Permissão de Ocupação da Via (TPOV), a executora da intervenção terá que informar a previsão de início e término da obra, e, ao concluí-la, enviar o relatório fotográfico e o resultado do projeto de obra georreferenciado.
De acordo com a Prefeitura, com a plataforma, haverá redução de 180 para 20 dias no prazo de autorização para as obras e será possível acompanhar melhor o andamento e a qualidade dos serviços, além de mapear o espaço subterrâneo de via pública. “As concessionárias terão de abastecer o sistema com todos os dados, e a data de início e término da obra será obrigatória, tornando a fiscalização mais eficaz”, informa a SMSUB. 

E COMO TER MENOS BURACOS?
Em diferentes bairros da cidade, há relatos a respeito de buracos que foram tapados por equipes da Prefeitura ou das concessionárias, mas que voltaram a aparecer meses depois ou surgiram outros em seu entorno. 
Questionada pela reportagem sobre a recorrência no aparecimento de buracos, a SMSUB informou que “a Prefeitura de São Paulo requalificou o asfalto utilizado nas operações de tapa-buraco que acontecem diariamente na cidade. O material atende às normas técnicas quanto à qualidade e durabilidade. Além disso, os trabalhos contam com equipamentos mais modernos e com uma nova logística de operação, como o caminhão térmico, capaz de manter a temperatura adequada da massa asfáltica, o que permite uma melhor qualidade do serviço”.
De acordo com o engenheiro civil Juliano Granzotto Gewehr, especialista em equipamentos de pavimentação, uma das explicações para a recorrência de buracos em todo o Brasil é a forma como os serviços são executados.
“Muitas vezes, utilizam um material inadequado, de menor resistência. Porém, o maior problema é que o buraco não deve ser apenas tapado, mas sim recortado. Ao redor de um buraco há inúmeras trincas e fissuras. É preciso recortar o buraco em um formato retangular para que os defeitos sejam também removidos”, explicou Gewehr, detalhando que, caso não se faça esse recorte, podem surgir buracos próximos ao que foi tapado, em virtude da existência de trincas no asfalto, da entrada de água nesses espaços e da ação da carga aplicada nos buracos por veículos pesados, como ônibus e caminhões.
O engenheiro civil, que trabalha em um empresa norte-americana especializada em máquinas de pavimentação, afirmou, ainda, que “o material utilizado deveria ser similar ao original, e as técnicas de aplicação devem atender a um quesito mínimo de qualidade”. 

DURABILIDADE
Gewehr também assegurou que a vida útil de um material asfáltico é de dez anos: “O asfalto sofre um processo natural de envelhecimento. Ao longo dos anos, perde sua propriedade elástica, tornando-se mais enrijecido.  É quando surgem as primeiras fissuras, que evoluem para um buraco. Se todo o processo de fabricação do asfalto e aplicação forem realizados de forma correta, o material vai ter uma longa vida útil. Um problema comum no Brasil é que as prefeituras não planejam o fim da vida útil do asfalto, vão remendando eternamente”, lamentou, defendendo que as cidades 
realizem programas para a remoção do asfalto envelhecido e aplicação de um novo material asfáltico. 
A SMSUB reconhece que “o tapa-buraco é um serviço paliativo, pontual e emergencial, até que seja feita a recuperação total do pavimento”. 
Em 2017 e 2018, a Prefeitura de São Paulo investiu R$ 300 mil em recapeamento de vias. “No serviço de recapeamento, é realizada a recomposição estrutural da via, como guia, sarjeta e drenagem. Os materiais apresentam vantagens como alta resistência à deformação, maior vida útil e resistência a derrapagens, além da qualidade superior do asfalto e cuidados durante a aplicação”, detalhou a SMSUB.

COMO SOLICITAR O SERVIÇO TAPA-BURACO?
Pela Central SP 156 (telefone, aplicativo e site sp156.prefeitura.sp.gov.br). Nas praças de atendimento das subprefeituras, também é possível fazer queixas, solicitação do serviço e obter informações complementares.

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