SÃO PAULO

Política

Com Doria, PSDB vence 7ª eleição seguida em SP

Por Daniel Gomes
31 de outubro de 2018

Os tucanos venceram com Mário Covas em 1994 e 1998, com Geraldo Alckmin em 2002, 2010 e 2014 e com José Serra em 2006

Divulgação/Equipe João Doria

Na eleição estadual mais disputada de todo o Brasil em 2018, o paulistano João Doria Junior, 60, do PSDB, foi eleito para comandar o Estado de São Paulo, no domingo, 28 de outubro, superando o atual governador, Márcio França (PSB), por uma diferença de cerca de 700 mil votos. 

Essa foi a sétima vitória seguida do PSDB nas eleições em São Paulo. Os tucanos venceram com Mário Covas em 1994 e 1998, com Geraldo Alckmin em 2002, 2010 e 2014 e com José Serra em 2006. 

Nestas eleições, Doria foi o preferido de 10,99 milhões de eleitores (51,75% dos votos válidos), enquanto França obteve 10,25 milhões de votos (48,25%). O candidato derrotado, que governa o Estado desde abril, quando Geraldo Alckmin (PSDB) renunciou ao cargo para concorrer à Presidência da República, parabenizou o ex-prefeito da Capital Paulista, q ue também em abril deixou a Prefeitura de São Paulo para participar da disputa estadual. “Não podemos de jeito nenhum, a partir de janeiro, ter qualquer gesto de rancor ou torcer para dar errado. Temos que torcer para dar certo”, disse França. 

 

NEM UM NEM OUTRO PARA 35% DOS PAULISTAS

Repetindo um cenário verificado nas eleições em todo o Brasil, a disputa em São Paulo registrou elevado índice de abstenções: dos 33,04 milhões de eleitores, 7,19 milhões (21,78% do total) não compareceram às urnas. Além disso, 3,54 milhões anularam o voto (10,71% do eleitorado) e 1,05 milhão (3,19%) votou em branco. O somatório desses percentuais indica que aproximadamente 35% dos paulistas não optou por nenhum dos candidatos que chegaram ao 2º turno. Os 10,99 milhões de votos do governador eleito representam aproximadamente 1/3 (33,26%) dos eleitores do Estado São Paulo.

 

DORIA PREVALECE NO INTERIOR; FRANÇA NA CAPITAL

Dos 645 municípios paulistas, Doria foi vitorioso em 392 (60,7% do total), a maioria no interior do Estado. O número é inferior ao de 509 cidades onde o tucano obteve mais votos no 1º turno e bem abaixo do alcançado por Alckmin em 2014, que venceu em 644 cidades. O pleito daquele ano foi decidido no 1º turno. Em 2018, pela primeira vez após 16 anos, houve a necessidade de dois turnos para a definição do eleito ao Palácio dos Bandeirantes. 

França foi o mais votado em 253 cidades, a ampla maioria no litoral paulista e no Vale do Ribeira. Também ficou à frente na Capital Paulista, com 58,1% dos votos válidos contra 41,9% de Doria.  

 

ALINHAMENTO COM BOLSONARO

Após ser confirmado como vencedor das eleições estaduais, João Doria concedeu entrevista coletiva no Clube Homs, na Capital Paulista. Ele reafirmou o alinhamento programático com o presidente eleito, Jair Bolsonaro (leia mais na página 11), do qual se aproximou especialmente no 2º turno, com a estratégia de campanha chamada de “BolsoDoria”. 

“Vamos governar para todos os brasileiros de São Paulo. A nossa gestão será da transparência, liberal, inovadora. Conosco será a nova política. Nós, a partir de janeiro, estamos aposentando a velha política de São Paulo. São Paulo vai liderar a nova política, progressista, desenvolvimentista, para gerar empregos, atrair capital externo, gerar recursos no agro, turismo, indústria, tecnologia e ciência”, disse o eleito, afirmando confiar na capacidade de Bolsonaro para unificar o Brasil.

13 PARTIDOS ELEGEM GOVERNADORES

PT

2014: 5 estados

2018: 4 estados (população somada de 30,6 milhões de pessoas); Eleitos: Rui Costa (Bahia), Camilo Santana (Ceará) e Wellington Dias (Piauí) – em 1º turno – e Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), em 2º turno

MDB

2014: 7 estados

2018: 3 estados (14,8 milhões de pessoas); Eleitos: Renan Filho (Alagoas), em 1º turno; e Ibaneis Rocha (Distrito Federal) e Helder Barbalho (Pará), em 2º turno

PSDB

2014: 5 estados

2018: 3 estados (59,6 milhões de pessoas); Eleitos: João Doria (São Paulo), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul), todos em 2º turno

PSL

2014: nenhum estado

2018: 3 estados (9,4 milhões de pessoas); Eleitos: Comandante Moises da Silva (Santa Catarina), Coronel Marcos Rocha (Rondônia) e Antonio Denarium (Roraima), todos em 2º turno

PSB

2014: 3 estados

2018: 3 estados (17,5 milhões de pessoas); Eleitos: Paulo Câmara (Pernambuco), João Azevêdo (Paraíba) e Renato Casagrande (Espírito Santo), todos em 1º turno

DEM

2014: Nenhum estado

2018:  2 estados (10,4 milhões de pessoas); Eleitos: Mauro Mendes (Mato Grosso) e Ronaldo Caiado (Goiás), todos em 1º turno

PSC

2014: Nenhum estado

2018:  2 estados (21,2 milhões de pessoas); Eleitos: Wilson Witzel (Rio de Janeiro) e Wilson Lima (Amazonas), em 2º turno

PSD

2014: 2 estados

2018: 2 estados (13,6 milhões de pessoas); Eleitos: Ratinho Junior (Paraná), 1º turno; e Belivaldo Chagas (Sergipe), 2º turno

PDT

2014: 2 estados

2018: 1 estado (800 mil pessoas); Eleito: Walder Góes (Amapá), em 2º turno

NOVO

2014: Nenhum estado

2018: 1 estado (21 milhões de pessoas); Eleito: Romeu Zema (Minas Gerais), 2º turno

PCDOB

2014: 1 estado

2018: 1 estado (7 milhões de pessoas); Eleito: Flávio Dino (Maranhão), 1º turno

PHS

2014: Nenhum estado

2018: 1 estado (1,6 milhão de pessoas); Eleito: Mauro Carlesse (Tocantins), 1º turno

PP

2014: 1 estado

2018: 1 estado (900 mil pessoas); Eleito: Gladson Cameli (Acre), em 1º turno

(Com informações da Agência Brasil, BBC e TSE)
 

CAMINHOS PARA O PSDB

Doria também falou sobre o futuro do PSDB, que pela primeira vez desde 1994 não elegeu o Presidente da República nem chegou ao 2º turno na disputa nacional.

“A partir de 1° de janeiro, no meu PSDB, acabou o muro. Não tem mais muro. Este será o novo PSDB, um partido que tem lado”, comentou. Durante a campanha, Doria desvinculou sua imagem à do presidenciável Alckmin, que também é presidente nacional do partido, e foi criticado por lideranças históricas dos tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador Alberto Goldman. Doria afirmou que com o resultado conquistado em São Paulo, “logicamente que a correlação de forças [no PSDB] muda. É da política isso”. Ele ainda comentou que “o PSDB precisa se sintonizar com o momento presente e futuro do nosso País”. 

Sobre o modo com que pretende governar o Estado, Doria disse que vai reduzir o número de secretarias e que será “um governador municipalista”. 

(Com informações da Agência Brasil e G1)
 

Cardeal Scherer parabeniza João Doria


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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