Bispos brasileiros elaboram novas diretrizes para formação sacerdotal

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11 de abril de 2018

Entre os dias 11 e 20, aproximadamente 470 bispos brasileiros participam da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP). Este ano, o encontro terá como tema central as “Diretrizes para a Formação de Presbíteros”. O objetivo dos bispos será o de atualizar as diretrizes em vigor, aprovadas em 2010, por ocasião da 48ª Assembleia Geral da CNBB, para aplicar as novas orientações da Santa Sé contidas na Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis[o.1] , publicada em 2016.

Esta não é a primeira vez que o episcopado trata desse tema. Após a publicação da Ratio Fundamentalis anterior, em 1970, a CNBB elaborou e aprovou a adaptação das normas gerais à realidade nacional, que foram aprovadas pela Santa Sé em 1971. Em 1984, tendo presente a III Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho, realizada em Puebla (1979), e a publicação do novo Código de Direito Canônico (1983), foram elaboradas novas diretrizes básicas para a “Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”.  Posteriormente, em 1994, na Assembleia Geral da CNBB, foi elaborado um novo texto das “Diretrizes Básicas da Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”, que buscava  responder às indicações da Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis (1990) e às Conclusões da IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em São Domingo (1992). Em 2010, após um longo trabalho de preparação e discussão, a Assembleia Geral da CNBB aprovou novas Diretrizes, levando em consideração as novas situações da realidade formativa e a perspectiva missionária do documento conclusivo da V Conferência Gerald o Episcopado Latino-Americano e Caribenho, realizada em Aparecida (2007).

CNBB: 65 anos de história

Para Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre (RS) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, da CNBB, além da publicação da nova Ratio Fundamentalis, e tendo presente o magistério do Papa Francisco, a CNBB sente a necessidade de elaborar novas diretrizes para a formação os presbíteros no País. “Há de se considerar também as rápidas transformações sociais e culturais que influenciam os candidatos ao ministério ordenado. Os tempos mudam e exigem respostas condizentes às novas situações e desafios”, afirmou o Arcebispo em entrevista ao O SÃO PAULO.

Antes ir à plenária para votação do episcopado brasileiro, o texto passou por um longo processo. Um grupo formado por bispos e peritos se reuniu diversas vezes para consolidar o texto enviado aos bispos antes da assembleia. Os prelados enviaram suas últimas sugestões a uma equipe de síntese cujo papel foi fazer a sistematização final do texto que será apresentado à plenária da Assembleia.

Após a aprovação final pelo episcopado, o texto vai seguir para a Congregação para o Clero, do Vaticano, para ser referendado. Só então, o texto se tornará um documento da CNBB que vai orientar a formação de novos presbíteros no Brasil.

Cresce número de padres

Segundo pesquisas recentes, embora o número de católicos tenha diminuído no País, o número de padres cresceu na última década.

De acordo com o Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), organismo de pesquisa da Igreja no Brasil, nas 277 dioceses brasileiras, existem centenas de seminários de formação e cerca de 6 mil seminaristas em processo de formação. No censo publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, pouco mais de 64% dos brasileiros se disseram católicos. Em sua pesquisa mais recente sobre o tema, o Datafolha aponta que a população brasileira católica caiu de 66% para 50% entre 2005 e 2016.

Em 2005, eram 9.410 paróquias e 17.976 padres no Brasil. A estimativa do (Ceris) para 2018 é de 11.700 paróquias e 27.416 padres no Brasil.

O encontro vai tratar, ainda, de outras temáticas e de problemas emergentes da vida da Igreja e da sociedade sempre na perspectiva da evangelização, como a elaboração do subsídio da série Pensando o Brasil, que este ano terá como tema “Estado laico”.

Revisão do Estatuto

Outro assunto que estará em pauta na Assembleia Geral será a revisão do Estatuto Canônico da CNBB. Aprovado e publicado em 2001, a versão atual do documento passará por ajustes e atualizações. Para isso, foi constituída, em 2015, a Comissão de Reforma do Estatuto que trabalhou na revisão do texto cuja versão final será submetida à aprovação da Assembleia.

Segundo o Cardeal Raymundo Damasceno, Arcebispo Emérito de Aparecida (SP) e que preside o trabalho de revisão do Estatuto, a Comissão enviou uma correspondência aos bispos brasileiros pedindo suas contribuições. “Recebemos sugestões muito importantes e positivas. Fizemos uma análise destas e estamos aproveitando-as para atualizar o documento. Também as que, pelos anos de experiências na CNBB e nas comissões, julgamos oportunas inserir’, disse.

O texto ainda poderá receber sugestões e emendas dos bispos. Ao ser aprovado pela Assembleia, o Estatuto será encaminhado para a Congregação dos Bispos, no Vaticano, para aprovação final.

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(Com informações de CNBB)

 

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Missa marca envio de missionários para Moçambique

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22 de março de 2018

No domingo, 18, na Catedral Metropolitana de Campinas, o Arcebispo de Campinas e Presidente do Regional Sul 1 da CNBB, Dom Airton José dos Santos, presidiu a missa de envio do grupo missionário para a Diocese de Pemba, no norte de Moçambique. Eles vão integrar o Projeto Ad Gentes, Pemba, mantido pelo episcopado paulista.

Participaram também da celebração Dom José Luiz Bertanha, Bispo de Registro e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial do Regional Sul 1; Dom Pedro Luiz Stringhini, Vice-Presidente do Regional e Bispo de Mogi das Cruzes; Dom Julio Endi Akamine, Secretário-Geral do Regional Sul 1 e Arcebispo de Sorocaba; e Dom João Bosco Barbosa de Sousa, Bispo de Osasco.

Juntamente com Dom José Luiz Bertanha, embarcarão os diáconos Denis Aparecido Mendes Pereira e Rafael Ferreira de Santana, da Diocese de Osasco; a leiga Fernanda de Cassia Leal, da Diocese de Mogi das Cruzes, e seis membros da Fraternidade Missionária O Caminho: Padre Boaventura dos Pobres de Jesus, Frei Cléofas Filho do Monte Calvários, Irmã Hadassa do Amor Eucarístico, Irmã Nazareth Hóstia de Cristo, Irmã Séphora do Humilde Rei Jesus, e o leigo Leandro Martins Soares.

No contexto do Ano Nacional do Laicato, o Arcebispo salientou que todo o batizado deve se comprometer com a missão. Ele enfatizou: “Toda pessoa que se sente chamada a anunciar o Evangelho, é missionária onde Deus a colocou, seja dentro de sua família, no seu trabalho, em sua cidade.”

Na homilia, ele pediu que todos se comprometam com a missão para Pemba, materialmente e espiritualmente, sobretudo com orações, que serão o sustento e fortaleza dos missionários. Foi um grande convite: “Esforcemo-nos e sejamos generosos ajudando nossos missionários a continuarem anunciando o Evangelho e a serem testemunhas de Cristo onde serão enviados.”

O Arcebispo concluiu agradecendo a Deus por esta resposta à Igreja de Pemba: “Que o Senhor nos fortaleça, nos ajude e nos faça cada vez mais corajosos e generosos na partilha com os irmãos e irmãs que pouco ou nada tem para a sua vida cristã.”

O Bispo da Diocese de Pemba, o brasileiro Dom Luís Fernando Lisboa, CP, missionário passionista, também falou das expectativas em receber os missionários: “O Regional Sul 1 está dando um belo exemplo de como a Igreja é missionária na sua essência. Agradeço, de coração, todos os irmãos no episcopado deste imenso regional, pela abertura, cooperação e envio missionário. Aos missionários e missionárias que vêm em abril e aos que já estão, Deus os abençoe pela disponibilidade e generosidade. Sejam muito bem vindos. Deus os abençoe abundantemente!”.

A missa também marcou o lançamento da Campanha “Eu Ajudo Pemba”, em prol da ação missionária. Os fiéis receberam um panfleto com a Oração Missionária e informações para fazerem suas contribuições.

Os recursos arrecadados serão administrados pelo Fundo Missionário do Regional Sul 1. Os missionários viajarão em  5 de abril, quando embarcarão em voo para Johannesburgo e de lá seguirão para Pemba, localizada no norte de Moçambique na África.

(Com informações de Regional Sul 1 da CNBB)

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Dom Leonardo: “A verdade dos fatos deve ser apurada com justiça e transparência”

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20 de março de 2018

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner divulgou nota sobre a operação Caifás, deflagrada na segunda-feira, 19, pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) na diocese de Formosa (GO). No texto, o bispo manifesta solidariedade com o presbitério e os fiéis da diocese.

Confira, abaixo, a nota na íntegra:

Diante da prisão do bispo da Diocese de Formosa no estado de Goiás, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB manifesta a solidariedade com o presbitério e os fiéis da Diocese, recordando ao irmão bispo que a justiça é um abandonar-se confiante à vontade misericordiosa de Deus. A verdade dos fatos deve ser apurada com justiça e transparência, visando o bem da igreja particular e do bispo. Convido a todos os fiéis da Igreja a permanecermos unidos em oração, para sermos verdadeiras testemunhas do Evangelho.

 

Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário geral da CNBB

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Comissão da CNBB divulga Carta aberta à sociedade após missão em Roraima

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06 de março de 2018

A Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizou entre os dias 01 a 04 de março de 2018, nas cidades de Boa Vista e Pacaraima (RR), a missão “Fronteiras Brasil/Venezuela”.

Após a missão, o presidente da comissão enviou uma carta aberta à sociedade onde relata da situação dos imigrantes venezuelanos que precisam de tudo, desde itens básicos de alimentação, higiene e saúde, até emprego e condições dignas de abrigamento ou moradia.

“Esse cenário tão desolador nos interpela para ações e posicionamentos pessoais e coletivos de acolhida, solidariedade e incidência política de forma articulada em âmbito local, estadual e nacional. Por isso, em nome da CEPEETH fazemos um veemente apelo às igrejas e à sociedade a uma maior solicitude para com estes nossos irmãos e irmãs imigrantes e refugiados”, diz um trecho da carta.

Por causa da crise política, econômica e social na Venezuela e pela proximidade das fronteiras, os imigrantes e refugiados entram no Brasil pelo município de Pacaraima, em Roraima. De lá, a maioria segue para Boa Vista, a menor capital em número populacional do Brasil.

No pequeno município o que se encontrou foi a fome, famílias e mulheres grávidas vivendo nas ruas, desnutrição, crianças fora da escola, insalubridade nos abrigos, e xenofobia.

“Nosso coração sentiu: profunda indignação diante dessa desumana e injusta realidade ao constatar a ausência e descompromisso dos poderes constituídos em dar respostas; de averiguar que a preocupação com a beleza das praças tem mais importância que o cuidado à pessoa humana; de escutar expressões discriminatórias em relação aos migrantes e refugiados e de entender o quanto nos falta para viver o Projeto de Deus que nos faz todos irmãos e irmãs”, diz outro trecho da carta.

Leia a carta na íntegra:

Boa Vista – Roraima, 04 de março de 2018

Carta à sociedade Brasileira 

“Eu vi a opressão de meu povo, ouvi o grito de aflição diante dos opressores e tomei conhecimento de seus sofrimentos” (Ex 3,7-8).

Nós, integrantes da Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizamos entre os dias 01 a 04 de março de 2018, nas cidades de Boa Vista e Pacaraima (RR), a missão “Fronteiras Brasil/Venezuela”. A mesma teve como objetivo conhecer in loco a situação que envolve a imigração atual na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, em especial para verificar a ocorrência do tráfico humano e ser presença solidária e profética.

Foram realizadas visitas na fronteira Brasil/Venezuela, nos abrigos dos indígenas Warao em Pacaraima e Pintolândia, e Tancredo Neves em Boa Vista, abrigo para os venezuelanos; audiências com a Policia Federal e com a Governadora do Estado; reuniões com os bispos de Roraima, dom Mário Antônio Silva e o bispo de Santa Elena de Uiarén-Venezuela, dom Felipe González González e com o Pároco da Igreja Sagrado Coração de Jesus em Pacaraima, padre Jesús López Fernández; com as Pastorais Sociais, o Comitê Estadual de Enfrentamento a Exploração Sexual e Tráfico de Pessoas, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e outras organizações da Sociedade Civil. Infelizmente não conseguimos diálogo com a prefeita do município de Boa Vista.

Participamos, ainda, de entrevistas em programas de rádio e televisão. Na oportunidade, celebramos com as comunidades da Paróquia Nossa Senhora da Consolata e da Catedral de Cristo Redentor.

Essas atividades nos colocaram em contato com uma realidade cruel e desumana que grita por respostas rápidas, eficazes e articuladas das igrejas, do estado e da sociedade em geral.

Nossos olhos viram: longas filas de imigrantes e refugiados em busca de documentação, transporte, alimentação e trabalho; crianças famintas, desnutridas, doentes,  sem escola; juventude desocupada e sem perspectiva de futuro, exposta  à drogadição e todo tipo de vulnerabilidades; mulheres vítimas da violência, da exploração sexual e do trabalho laboral; pessoas inescrupulosas explorando a miséria dos irmãos e irmãs imigrantes e refugiados no trabalho e alterando os preços dos alimentos e outras mercadorias. Impressionou-nos sobremaneira a visita ao abrigo Tancredo Neves, o “Tancredão”, pelo estado de total abandono e degradação da dignidade humana.

Nossos ouvidos ouviram: lamentos de dor e denúncias de situações graves de violação dos direitos e falta de políticas públicas elementares como alimentação, saúde, higiene, segurança, educação; denúncias de violência policial, violência contra a mulher, exploração sexual e do trabalho, tráfico de drogas e de pessoas e de completa omissão do poder público.

Nosso coração sentiu: profunda indignação diante dessa desumana e injusta realidade ao constatar a ausência e descompromisso dos poderes constituídos em dar respostas; de averiguar que a preocupação com a beleza das praças tem mais importância que o cuidado à pessoa humana; de escutar expressões discriminatórias em relação aos migrantes e refugiados e de entender o quanto nos falta para viver o Projeto de Deus que nos faz todos irmãos e irmãs.

Em meio a esta gritante realidade também vimos e ouvimos com alegria e esperança muitas ações fraternas e solidárias de pessoas, famílias, grupos, igrejas e instituições da sociedade civil; apoio de instituições internacionais e uma grande abertura e dedicação da Igreja local assumindo de forma prioritária o serviço aos imigrantes e refugiados.

Esse cenário tão desolador nos interpela para ações e posicionamentos pessoais e coletivos de acolhida, solidariedade e incidência política de forma articulada em âmbito local, estadual e nacional.

Por isso, em nome da CEPEETH fazemos um veemente apelo às igrejas e à sociedade a uma maior solicitude para com estes nossos irmãos e irmãs imigrantes e refugiados. Nesse sentido conclamamos a todos para:

– Maior sensibilização e envolvimento com esses nossos irmãos e irmãs, através de práticas de serviços voluntários;

– Participação efetiva e generosa na campanha de solidariedade da CNBB em favor dos imigrantes e refugiados venezuelanos;

– Mobilização e incidência política junto aos órgãos públicos, nacionais, estaduais, municipais para que assumam seu papel de viabilizar as políticas públicas e a garantia dos direitos desses nossos irmãos e irmãs;

– Realizar e/ou participar de campanhas educativas permanentes sobre migração e tráfico humano no conjunto das organizações das igrejas e da sociedade.

A Palavra de Deus, ao afirmar que “somos todos irmãos e irmãs” (cf Mt 28,7) nos impele a vivermos a fraternidade como caminho de superação de todas as violências e desigualdades. Reconhecemos e agradecemos a grandeza de espírito das muitas pessoas que, sensíveis às dores desses nossos irmãos e irmãs imigrantes e refugiados, já estão dando sua contribuição.

Que Nossa Senhora Aparecida interceda junto a Deus por todos/as a fim de que nos empenhemos firmemente nessa missão de “acolher, proteger, promover e integrar” nossos irmãos e irmãs imigrantes e refugiados em nossa pátria.

Dom Enemésio Lazzaris
Bispo de Balsas (MA)
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano/CNBB

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Bispos do Rio assinam mensagem conjunta para a CF 2018

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23 de fevereiro de 2018

Diante do clima de violência generalizada que assola o Rio de Janeiro (RJ), os bispos do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na capital fluminense, assinam mensagem conjunta por ocasião da Campanha da Fraternidade 2018, cujo tema: “Fraternidade e Superação da Violência” e o lema: “Vós sois todos irmãos!” (Mt 23,8).

No documento, os bispos salientam a preocupação com a violência que, particularmente, atinge os mais pobres e desprotegidos e conclamam todos os fiéis cristãos, o clero, religiosos(as) e todos os homens e mulheres de boa vontade a iniciarem uma nova e urgente travessia de conversão a partir da temática da CF 2018.

Segue abaixo a íntegra do documento. 

EM NOME DE CRISTO, ANUNCIAMOS:
VÓS SOIS TODOS IRMÃOS!

  1. Nós, Bispos da Igreja Católica do Estado do Rio de Janeiro, sensíveis a tantas vidas ceifadas no Brasil e no nosso Estado, preocupados pelo clima de violência generalizada que assola a nossa sociedade por atingir particularmente os mais pobres e desprotegidos, reunidos com nossos fiéis na Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro junto com representantes de outras Igrejas cristãs, de outros caminhos de fé e entidades da sociedade civil organizada, apresentamos hoje a Campanha da Fraternidade 2018.
  2. Conclamamos todos os fiéis cristãos, o clero, religiosos(as) e todos os homens e mulheres de boa vontade a iniciarmos uma nova e urgente travessia de conversão, abordando o tema: FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA. Para inspirar-nos, ressoa em nossos ouvidos e corações a palavra de Jesus: “Vós sois todos irmãos!”(Mt 23,8).
  3. Tal irmandade encontra fundamento já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura. O autor sagrado descreve a superação do caos inicial por uma fraternidade envolvente, universal e cósmica. Experimentava-se harmonia e ternura fraterna, amizade e comunhão: tudo era muito bom (cf. Gn 1,31)! Era o sonho de uma vida plena e feliz realizando-se em cada uma das criaturas. Contudo, rupturas e violências modificaram todo esse cená
  4. A pretensão de ser como Deus e o sangue inocente de Abel derramado por Caim marcaram o início de um ciclo de maldades que chegou até o presente momento da humanidade. Pois, repetidas vezes constatamos, presenciamos e experimentamos atos de violência e de morte. Como outrora no paraíso violado pelo ódio e o desamor, hoje também do chão do nosso Estado do Rio de Janeiro, eleva-se ao céu um clamor pela superação da violência e o cuidado pela vida. E o Pai nos interpela: “Onde está o teu irmão?” (Gn 4,9)
  5. Bem sabemos que as variadas faces da violência resultam de múltiplos fatores, em cuja raiz está o pecado, gerador de todos os males, dentre os quais encontram-se a injustiça social e o desrespeito à vida, que, neste momento da história brasileira, manifestam-se acentuados e palpáveis. Por isso, proclamamos que a paz é fruto da justiça (cf. Is 32,17)! Reiteramos que o fim da violência passa pelo exercício da cidadania na organização da sociedade e pelo compromisso de honestidade de cada cidadão. Passa também pelo cultivo de uma nova maneira de olhar o mundo, promovendo uma cultura de paz que ajude a superar extremismos, evitar polarizações e ressignificar sentimentos e comportamentos.
  6. A cada ano, durante o tempo da Quaresma, a Igreja Católica propõe aos seus fiéis, e a todos quantos queiram aderir, a Campanha da Fraternidade, chamando a uma conversão que reoriente nossa existência em âmbito pessoal, comunitário e social. É o tempo de preparação à Páscoa do Senhor, que deu livremente a sua vida para nos libertar da morte. Ele é a nossa Paz (Ef. 2,14) e proclama bem-aventurados os que promovem a paz (cf. Mt 5,14).
  7. Assim, nós, Bispos do Regional Leste1 da CNBB, com voz forte e amor pastoral, e para que a superação da violência se faça verdade no meio de nós, em nome de Cristo, anunciamos: “Vós sois todos irmãos!”
  8. E ao nosso Pai comum roguemos pelo fim da injustiça que gera violência e pela construção de um mundo de paz:
  • Pela vida das crianças e adolescentes: clamamos, Senhor!
  • Pela juventude seduzida pelo nefasto tráfico de drogas: clamamos, Senhor!
  • Pelos pais e mães que choram a morte violenta de seus filhos e filhas: clamamos, Senhor!
  • Pelas mulheres violentadas e pelo fim do feminicídio: clamamos, Senhor!
  • Pelas vítimas de qualquer tipo de discriminação que existe na sociedade: clamamos, Senhor!
  • Pelos profissionais da segurança assassinados: clamamos, Senhor!
  • Pelos trabalhadores explorados na cidade e no campo: clamamos, Senhor!
  • Pela dignidade e a salvaguarda dos direitos dos indígenas e quilombolas: clamamos, Senhor!
  • Pela superação da intolerância religiosa praticada contra todos os credos: clamamos, Senhor!
  • Pela inclusão social de todas as pessoas exploradas e marginalizadas: clamamos, Senhor!
  • Pela superação de todas as formas de violência e corrupção: clamamos, Senhor!
  • Por uma cultura do encontro, do diálogo, da fraternidade e da paz: clamamos, Senhor!

Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 2018

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CNBB divulga calendário de atividades anuais

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30 de janeiro de 2018

os destaques do primeiro semestre é a 56ª Assembleia Geral da CNBB, que como de costume reunirá o episcopado brasileiro a partir da segunda semana da Páscoa, entre os dias 11 e 20 de abril, em Aparecida (SP). Além disso, as reuniões dos órgãos de orientação e acompanhamento da atuação da entidade e dos organismos a ela vinculados se mantém, como é caso do Conselho Permanente e do Conselho Episcopal Pastoral, o Consep.

A primeira reunião do Conselho Permanente, que tem em sua composição a presidência da CNBB, presidentes das 12 Comissões Episcopais Pastorais e presidentes dos 18 regionais da entidade está programada para acontecer nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro. Antes dela, deverá ocorrer também o primeiro retiro do Grupo de Assessores das Comissões Episcopais entre os dias 5 e 9 de fevereiro. Na sequência, em maio, acontecerá a primeira reunião do Conselho Episcopal Pastoral, o Consep, nos dias 22 e 23. Este órgão é formado somente pelos presidentes das Comissões Episcopais, que ao todo são 12.

No segundo semestre de 2018, o destaque é a primeira reunião dos secretários executivos dos 18 regionais da CNBB, que deverá ocorrer entre os dias 16 e 20 de julho. A proposta do encontro é facilitar a comunicação e o desenvolvimento das atividades gerais da entidade em cada regional. Além dos secretários executivos também participam da reunião os assessores das Comissões Episcopais e os membros do secretariado-geral da CNBB. Até o final do ano ainda estão programadas outras reuniões tanto do Conselho Permanente como do Conselho Episcopal Pastoral.

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Faleceu Dom Antônio Agostinho, Bispo emérito de Presidente Prudente (SP)

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29 de janeiro de 2018

Faleceu na manhã de domingo, 28, às 10h07 o Bispo emérito de Presidente Prudente (SP), Dom Antônio Agostinho Marochi, aos 92 anos. Seu corpo foi velado na Catedral de São Sebastião.

O sepultamento foi realizado na cripta da Catedral, na segunda feira, 29, após a Missa de despedida, realizada às 15h00, Presidida por Dom Benedito Gonçalves dos Santos, Bispo de Presidente Prudente, concelebrada por Bispos e sacerdotes presentes.

Dom Benedito pede a todos que, assim como a vida de Dom Agostinho foi toda na simplicidade, que ao invés de enviarem coroas de flores, façam oferta aos pobres, aos quais tivera tanto apreço.

Conheça um pouco de sua trajetória.

Filho de Francisco Marochi e Judith Viesser Marochi, Dom Antônio Agostinho Marochi, 3º Bispo Diocesano da Diocese de Presidente Prudente-SP nasceu aos 28 de agosto de 1925, na Colônia Italiana denominada Antônio Rebouças, no Município de Campo Largo-PR. Ingressou no Seminário São José, em Curitiba, no ano de 1939, onde, completou seus estudos de Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Em 1947, foi concluir seus estudos superiores de filosofia em São Leopoldo-RS e, posteriormente, em São Paulo, no Seminário Central do Ipiranga concluiu os estudos de teologia. Recebeu a Ordenação Presbiteral no dia 06 de dezembro de 1953. Foi padre na Arquidiocese de Curitiba, Diretor das Obras das Vocações Sacerdotais, Membro do Conselho de Presbíteros, Professor no Colégio Sion, Vigário Professor do Colégio Militar de Curitiba, Diretor de Diversas Obras Sociais, Coordenador Pastoral, Coordenador do Clero, Presidente da Associação Nossa Senhora de Fátima.

Foi ordenado Bispo na Catedral Metropolitana de Curitiba aos 06 de dezembro de 1973 e designado Bispo Auxiliar do Arcebispado de Londrina. Em Londrina exerceu as funções de Encarregado da Linha 06 no Regional Sul II e Secretário da Província Eclesiástica de Londrina. Em 02 de fevereiro de 1976, foi nomeado Bispo Diocesano de Presidente Prudente, tomando posse aos 02 de abril de 1976. Seu Mandato Episcopal foi o mais longo entre todos, até os dias atuais, se tornando Bispo Emérito em 07 de abril de 2002.

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Quais os maiores desafios em 2018 para as dioceses do sul do Brasil?

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08 de janeiro de 2018

Os Bispos que presidem os Regionais Sul 2, 3 e 4 da CNBB, que abrange, respectivamente, as dioceses nos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina comentaram, em entrevista à rádio 9 de Julho, os principais desafios para este ano.

“Temos o grande desafio pastoral de uma Igreja em saída, de ir às periferias, aos lugares mais distantes” afirmou Dom Mauro Aparecido dos Santos, Arcebispo Metropolitano de Cascavel (PR) e Presidente do Regional Sul 2.

Segundo o Bispo, a Igreja no Paraná é dividida em quatro províncias eclesiásticas muito diversificadas. Após visitas pastorais, os bispos constataram que um dos principais desafios do Regional é o êxodo rural, pois muitas familias estão deixando o campo e, assim, muitas capelas estão sendo fechadas: “O êxodo rural faz com que os municípios não tenham essa população. Nós temos municípios com cerca de 4 habitantes, isto é comum aqui no Paraná.”

Uma das prioridades pastoral é intensificar os trabalhos com a Pastoral Carcerária. A Igreja vem trabalhado para que a justiça restaurativa seja implantada em todas as penitenciárias para que os encarcerados sejam recuperados: “Formar aquele que está preso, para que ele possa retornar à sociedade, reconhecendo seu erro com o propósito de não cometer. Mas, infelizmente, essa é uma grande dificuldade que nós, Igreja no Paraná, estamos enfrentando nos presídios estaduais”, concluiu Dom Mauro.

O Regional Sul 3 da CNBB, que abrange 18 dioceses em território gaúcho, trabalha para a implantação de uma proposta da iniciação à vida cristã, segundo Dom Jaime Spengle, Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre e Presidente do Regional Sul 3.

“Certamente, todos nós sabemos o desafio que representa a transmissão da fé às novas gerações. Com isso, nós temos o sempre atual desafio da animação bíblica da pastoral. Estamos convencidos que a palavra domina, orienta, dá norte, corrige.”, afirmou.

Outro desafio do Regional Sul 3 são as vocações, seja para a vida consagrada ou para o ministério ordenado. Em parceira com os regionais do Sul do Brasil, será promovida a campanha: “Em cada comunidade uma nova vocação”, que será lançada oficialmente na Quinta-feira Santa de 2018.

“Esperamos criar um clima vocacional em todas as nossas comunidades. Hoje, sentimos uma crise que preocupa e por isso precisamos promover uma vigorosa pastoral vocacional. Seja por meio da oração, seja pelo testemunho de mulheres e homens consagrados”, destacou Dom Jaime.

Por fim, o Arcebispo de Porto Alegre lembrou um desafio sempre presente nas comunidades: a formação de novas lideranças. Por isso, serão promovidos cursos de atualização para as lideranças leigas e também para os ministros ordenados e para os membros da vida consagrada.

No Regional Sul 4 da CNBB, que abrange a Arquidiocese de Florianópolis e mais 9 dioceses do Estado de Santa Catarina, o crescimento da consciência missionaria com a realização de missões populares nas dioceses e paróquias foi destacada por Dom João Francisco Salm, Bispo da Diocese de Tubarão e Presidente do Regional Sul 4 da CNBB.

Dom João comentou as conquistas que estão ocorrendo no Regional. “Há um esforço grande e uma experiência bonita na dinamização da Pastoral da Juventude. Estamos empenhados no projeto da iniciação à vida cristã com inspiração catecumenal. Tem se promovido a capacitação dos músicos e instrumentistas para que favoreçam a participação plena e consciente do povo na liturgia. Tem ocorrido, ainda, uma acolhida e integração com os imigrantes.” afirmou o Bispo à Rádio 9 de julho

Diante do aumento da intolerância religiosa e do medo do diferente, um desafio será à criação de espaços de diálogo ecumênico e de diálogo inter-religioso. A escuta dos jovens, visando o Sínodo da Juventude em 2019, e o diálogo com o poder público tendo em mente uma maior atenção as minorias, também serão prioridade, segundo o Bispo.

Outros desafios serão a evangelização nas escolas, universidades e as necessidades de uma ecologia humana e integral, visando a evangelização do mundo urbano. O Bispo concluiu afirmando que “O Ano Nacional do Laicato promete ser uma grande graça para todos nós.”

(Redação: Flavio Rogério Lopes/ com informações da rádio 9 de Julho).

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Dom Mário Antonio fala sobre desafios pastorais na Amazônia

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08 de janeiro de 2018

Dom Mário Antônio da Silva, Bispo de Roraima e Presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende as dioceses localizadas nos estados do Amazonas e de Roraima, comentou, em entrevista à rádio 9 de Julho, sobre os três principais desafios do Regional este ano.

“Primeiro: percorrer as distâncias pelos rios ou estradas, para atender as comunidades do interior; Segundo: oferecer formação permanente para cristãos leigos e leigas, na coordenação das comunidades e das pastorais; terceiro, ser presença da Igreja, através do padre, ou religiosos e religiosas, nas comunidades mais distantes dos centros urbanos.”

Ao lado dos desafios, o Bispo de Roraima recordou as preocupações com as causas comuns na Amazônia: a questão socioambiental, que precisa ser inserida na vida das comunidades eclesiais por meio de debates; o apoio e o fortalecimento do povo indígena.

A terceira preocupação é com a migração e o tráfico de pessoas: “É preciso intensificar a rede e ações de acolhimento e defesa dos direitos dos migrantes, e denunciar aos órgãos públicos, por meio das instituições e redes, as violações de direitos humanos, para que adotem uma ação mais intensa no combate ao tráfico humano”, afirmou Dom Mário.

Por fim, o Presidente do Regional Norte 1 da CNBB disse que o Ano Nacional do Laicato, celebrado em 2018, visa uma Igreja em saída, mais missionária e solidaria: “Quero afirmar, em comunhão com a Igreja no Brasil, que estamos avançando na implantação do processo de iniciação à vida cristã, na criação e fortalecimento dos conselhos de leigos e leigas, nesse Ano Nacional do Laicato.”

Atualmente, a sede do Regional Norte 1 fica em Manaus (AM). O contato pode ser feito pelo e-mail cnbbnorte1@gmail.com.

(Redação: Flavio Rogério Lopes/ com informações da rádio 9 de Julho).

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Comissão para Amazônia se encontra para avaliação de 2017

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21 de dezembro de 2017

O presidente, os bispos e a assessora que integram a Comissão Episcopal Especial para a Amazônia se reuniram na terça-feira, 19, na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para fazer um balanço das ações em 2017 e projetar as iniciativas de 2018, ano que antecederá o Sínodo para a Pan-Amazônia, anunciado pelo Papa Francisco.

De acordo com o Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e Presidente da Comissão especial para a Amazônia, 2017 foi um ano com um programa muito intenso para a Pan-Amazônia e não apenas da Amazônia brasileira.

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“Tivemos um contato muito especial com os bispos da África sobre a Rede da Bacia do Rio Congo. Eu pessoalmente avalio como um bom trabalho que a equipe fez e também de todas as pessoas que eles movimentaram, sobretudo dos seminários realizados sobre a Laudato Si’, disse Dom Claudio à CNBB.

Segundo o Cardeal, todo o trabalho desenvolvido tanto pela Comissão para a Amazônia quando da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) foram decisivos para sensibilizar o Papa Francisco a realizar o Sínodo especial dos bispos sobre a Pan-Amazônia, em 2019.

(Com informações de CNBB)

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