Formação dos presbíteros: ‘Novos tempos exigem adequações no processo’

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11 de abril de 2018

Na primeira coletiva de imprensa da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na tarde desta quarta-feira, 11, no Centro de Evento Padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP), Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, falou das novas diretrizes para a formação dos presbíteros na Igreja do Brasil, tema central da Assembleia.

Dom Jaime explicou aos jornalistas que o objetivo da CNBB é adaptar as diretrizes em vigor, aprovadas em 2010, a partir das novas orientações da Congregação para o Clero intitulada Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis, publicada em 2016, levando também em conta o recente magistério do Papa Francisco.

Segundo o Arcebispo foi designada pelo conselho Permanente uma Comissão Especial para trabalhar uma proposta de texto para ser apresentado aos bispos e trabalhado ao longo na Assembleia.

O texto aborda a chamada formação inicial dos presbíteros, isto é, o período dos seminários que prepara os candidatos ao sacerdócio, mas também trata da formação permanente dos padres. “O documento abrange toda a vida do presbítero, desde que ele se apresenta como um possível candidato ao seminário até o momento de sua morte”.

Perguntado pelos jornalistas sobre o que mudaria na formação presbiteral com as novas diretrizes, Dom Jaime esclareceu que não se tratará necessariamente de mudanças, mas adaptações às transformações da sociais e culturais que influenciam os candidatos aos ministério ordenado. “Os tempos mudam, e as exigências são novas. Novos tempos exigem adequações no processo”.

Ainda se acordo com o Arcebispo, é sentida pelo episcopado, por exemplo, a realidade de muitos candidatos ao sacerdócio que vêm da realidade urbana, ao contrário do passado, quando a maioria dos vocacionados eram provenientes do mundo rural. Muitos também entravam no seminário muito jovens e até crianças, enquanto hoje a maioria dos candidatos iniciam a formação presbiteral na idade adulta. “Essa situação traz consigo desafios à formação. Muitas vezes, uma formação deficiente no ensino fundamental, médio”

Dom Jaime apontou, ainda, situações de candidatos que vêm de situações familiares difíceis que repercutem nos seminários. “Precisamos ir ao encontro desses jovens a fim de colaborar para que possam crescer no seu processo formativo e na sua formação de forma sadia”, destacou.

“Hoje nós acentuamos muito no processo formativo um acompanhamento personalizado de cada candidato. Talvez esse seja um dos aspectos aos quais devemos dar uma atenção especial”, acrescentou o Presidente da Comissão.

O texto que será trabalhado na Assembleia é a terceira versão elaborada pela Comissão do Tema Central, após receber as contribuições de bispos de todo o país. As diretrizes passarão por novas avaliações do episcopado antes de serem submetidas à aprovação.

Por Fernando Geronazzo

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Cardeal Scherer convida fiéis a unirem-se em oração com os bispos

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11 de abril de 2018

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, participa da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que começou nesta quarta-feira, 11, em Aparecida (SP) e vai até o dia 20.  

Dom Odilo participou do programa “Encontro com o Pastor”, que vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 12h, na rádio 9 de Julho. Ele destacou a importância da união dos bispos para as decisões que serão tomadas durante o encontro.

O QUE É UMA CONFERÊNCIA?

Segundo o Cardeal, os bispos do Brasil formam uma conferência e cada bispo é responsável por sua diocese. O responsável maior é o bispo, mas o cuidado da diocese se faz em parceria com todo o clero.

“Evidentemente que a diocese é formada por todos os batizados, todos os leigos, que de uma forma ou de outra têm ligação com a Igreja, mesmo que não participem diretamente, mas foram batizados e são parte da Igreja.”, afirmou Dom Odilo.

Desse modo, as Conferências Episcopais são esses organismos que ajudam a expressar a comunhão e a colegialidade episcopal. Isto é, cada bispo cuida da sua diocese, mas todos juntos cuidam desse conjunto de dioceses que é o Brasil inteiro.

Conferências Episcopais são expressão de comunhão dos pastores unidos ao Papa

ASSEMBLEIA GERAL

O tema central desta Assembleia é “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”. Além desse assunto, os Bispos vão tratar de vários outros temas que dizem respeito ao interesse da vida pastoral e do povo brasileiro.

“Nós vamos falar da formação do clero antes da ordenação sacerdotal e a formação que continua após a ordenação. Isto naturalmente não se diz respeito somente a uma diocese, mas diz respeito a todo Brasil. Por isso, juntos em assembleia nós vamos tomar decisões e elaborar um documento sobre as diretrizes da formação do clero para Igreja no Brasil”, destacou o Cardeal Scherer.  

POVO BRASILEIRO

Dom Odilo convidou o povo brasileiro, de maneira muito particular todos os católicos, a acompanhar a Assembleia com muito interesse, pois também serão tratados as questões que dizem respeito à sociedade brasileira.

“Nós somos bispos, somos pastores do povo. Portanto, vamos nos manifestar também sobre as angústias, os sofrimentos, as situações do povo brasileiro que requerem uma palavra e uma orientação da Igreja”, declarou o Arcebispo de São Paulo.

ORAÇÃO PELOS BISPOS

Por fim, o Cardeal pediu que os fiéis rezem pelos bispos que carregam a grande responsabilidade recebida por Deus e pelo Papa de serem pastores e cuidarem do rebanho, nas diversas dioceses do Brasil.

“O Evangelho é luz para o mundo, é sal para terra, e não é simplesmente do interesse privado e individual. Por isso mesmo, acolham meus amigos, meus irmãos, com muita fé, também as palavras dos bispos e com muito discernimento”, concluiu.

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Tem início, em Aparecida (SP), a 56ª Assembleia Geral da CNBB

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11 de abril de 2018

Às 9h15, começou, oficialmente, a 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, no pátio do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida recebe o episcopado brasileiro que conta, atualmente, com mais de 300 Bispos. Todo o trabalho de preparação para o encontro foi realizado sob a coordenação do secretário-geral, Dom Leonardo Steiner, que será substituído no comando da reunião por Dom Esmeraldo Farias, Bispo auxiliar de São Luís (MA).

A estrutura

Colaboradores da CNBB Matriz trabalharam vários meses para deixar prontos todos os documentos, o material de suporte e a logística para o encontro. Sob a coordenação do Padre Antônio Silva da Paixão, a equipe do Centro de Eventos se esmerou para deixar um espaço simples, mas iluminado e confortável para que os bispos possam enfrentar jornadas pesadas de trabalho. O plenário, adaptado no centro da quadra poliesportiva foi formatado de modo que todos os participantes tenham uma visão clara da mesa de coordenação dos trabalhos.

Na parte subterrânea do Centro de Eventos ficam localizadas as salas de trabalho para os grupos e o espaço onde os bispos podem conviver nos intervalos. Há ainda capela, escritórios e outras instalações necessárias para o funcionamento do encontro. A secretaria técnica da CNBB tem representantes com plantão permanente na assembleia. Além disso, há um suporte de funcionários que ajuda na execução dos serviços de TI e de reprografia.

Subsecretário Adjunto de Pastoral, Padre Deusmar Jesus da Silva, coordenou a preparação de encaminhamento da pauta oficial votada pelo Conselho Permanente da CNBB, em outubro de 2017. Coube a ele, a orientação do secretário-geral, a organização da pauta dos dias que os Bispos estarão reunidos em Aparecida.

Temas da assembleia

O tema central será: “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”. Além desse assunto, os bispos vão tratar de vários outros temas. Entre eles, estão: Texto sobre novas comunidades, Estatutos da CNBB, Pensando o Brasil: Estado laico, Ano do Laicato, Sínodo da Pan-Amazônia e indicações para as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) que serão renovadas em 2019.

Pauta do dia

Além da missa e da abertura solene, transmitidas pelas TVs de inspiração católica, os bispos se ocuparão nesta quarta-feira, 11 de abril, com algumas tarefas estatutárias antes de começarem os debates. A principal destas tarefas será a apresentação do relatório da presidência sobre as atividades desde a última assembleia geral, em maio do ano passado. O Cardeal Sergio da Rocha vai apresentar aos bispos os principais encontros e pronunciamentos da Conferência no último ano.

Consta ainda das tarefas do dia apresentação de uma análise de conjuntura eclesial e os primeiros informes sobre os próximos sínodos: dos jovens e da Pan-Amazônia.

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Dom Esmeraldo de Barreto será o coordenador dos trabalhos

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11 de abril de 2018

O Cardeal Sérgio da Rocha, Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nomeou segundo o regimento da CNBB, Dom Esmeraldo de Barreto Farias, Bispo auxiliar de São Luis (MA), como coordenador dos trabalhos da 56ª Assembleia Geral da CNBB, devido ausência do Secretário-Geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, por problemas de saúde.

Dom Esmeraldo contará com o auxílio de Dom João Justino, Arcebispo Coadjutor de Montes Claros (MG) na coordenação. O anúncio foi feito na abertura oficial da Assembleia, realizada da manhã desta quarta-feira, 11, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, no pátio do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Dom Esmeraldo de Barreto Farias

Dom Esmeraldo é natural de Santo Antônio de Jesus (BA). Nasceu em 4 de julho de 1949. Foi ordenado presbítero no dia 9 de janeiro de 1977, em sua cidade natal. Sua nomeação episcopal aconteceu em 22 de março de 2000, para a Diocese de Paulo Afonso (BA), onde permaneceu até 2007.

Foi bispo de Santarém (PA) de 2007 a 2011; presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, no quadriênio de 2007 a 2011. Em novembro de 2011, foi nomeado Arcebispo de Porto Velho (RO). No dia 18 de março de 2015, o Papa Francisco o nomeou Bispo auxiliar de São Luís (MA).

Dom João Justino de Medeiros Silva

Dom João Justino nasceu no dia 22 de dezembro de 1966 em Juiz de Fora (MG). Foi ordenado Padre em 13 de dezembro de 1992. O Papa Bento XVI o nomeou Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte no dia 21 de dezembro de 2011, recebeu a ordenação episcopal no dia 11 de fevereiro de 2012, na Catedral de Santo Antônio, em Juiz de Fora (MG).

Em 2015, Dom João foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação da CNBB e membro do Conselho Episcopal Pastoral (Consep). Também foi eleito presidente da Comissão Episcopal para a Educação, do Regional Leste 2 da CNBB (Minas e Espírito Santo). Em março de 2016, foi nomeado membro da Comissão de Cultura e Educação do Setor Universidades do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam), responsável pelas pastorais de Educação e Cultura no Cone Sul.

Pauta do dia

Os Bispos se ocuparão nesta quarta-feira, 11, com algumas tarefas estatutárias antes de começarem os debates. A principal destas tarefas será a apresentação do relatório da presidência sobre as atividades desde a última assembleia geral, em maio de 2017.

O Cardeal Sergio da Rocha vai apresentar aos Bispos os principais encontros e pronunciamentos da Conferência no último ano. Consta ainda das tarefas do dia apresentação de uma análise de conjuntura eclesial e os primeiros informes sobre os próximos sínodos: dos jovens e da Pan-Amazônia.

(Com informações de CNBB, Arquidiocese de São Luis (MA), Arquidiocese de Montes Claros (MG) e Arquidiocese de Belo Horizonte (MG))

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11 de abril de 2018

Aproximadamente 370 bispos de todo Brasil estão reunidos em Aparecida (SP), para a 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O Cardeal Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília (DF) e Presidente da CNBB, celebrou a Missa de abertura dos trabalhos no Santuário Nacional de Aparecida, na manhã desta quarta-feira, 11.

Durante a homilia, o Cardeal, questionou: mas por que alegrar-se em meio aos desafios e sofrimentos da vida?  “Porque o Senhor ressuscitou, proclama a nossa Igreja, porque a vida venceu a morte, o amor venceu o ódio, a esperança venceu o desânimo, a alegria venceu a tristeza. Por isso, nós nos alegramos. Unidos a Cristo e graças a Ele, nós também podemos superar os desafios e caminhar numa vida nova”, declarou.

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O Presidente da CNBB também falou da importância da oração de todos para o enfrentamento das dificuldades: “Para enfrentar desafios, nós necessitamos caminhar unidos. No mundo marcado por tantas divisões de conflitos, o testemunho de comunhão se torna ainda mais necessário”.

A missa foi concelebrada por Dom Murilo Krieger, pelo Arcebispo de Salvador (BA) e Vice-Presidente da CNBB; Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida (SP),  e pelos bispos de Santo André (SP), Dom Pedro Cipollini, de Lages (SC), Dom Guilherme Werlang e o coadjudor de Montes Claros (MG), Dom João Justino de Medeiros. Além do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello.

Dom Sérgio finalizou sua reflexão, dizendo que os todos são chamados e desafiados a serem cristãos por inteiro, a viverem a santidade sendo fiéis em todos os momentos, nas alegrias e nas dores. “Seja o nosso louvor Pascal manifestado com os lábios, com o coração e com a vida. Seja o nosso louvor Pascal acompanhado da busca da paz, jamais cedendo a tentação da agressividade, do ressentimento, da vingança em palavras ou atos”.

Programação

A 56ª Assembleia Geral da CNBB tem como tema central “Diretrizes para a formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”. Diariamente, a rotina dos bispos, até o próximo dia 20, deve ter com uma santa missa, duas sessões de trabalhos pela manhã, intervalo para o almoço, e mais duas sessões de trabalho à tarde. Às 15h, será realizada a coletiva de imprensa, quando três bispos designados pela Presidência da Assembleia irão expor os temas trabalhados durantes as sessões matutinas.

(Com informações de CNBB)

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Conferências Episcopais são expressão de comunhão dos pastores unidos ao Papa

 

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Conferências Episcopais são expressão de comunhão dos pastores unidos ao Papa

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11 de abril de 2018

Para compreender a natureza e missão da CNBB é preciso entender o que são as conferencias episcopais. Segundo o Código de Direito Canônico (CDC), conferência episcopal “é um organismo permanente, é uma reunião dos bispos de uma nação ou determinado território, que exercem conjuntamente certas funções pastorais em favor dos fiéis de seu território, a fim de promover o maior bem que a Igreja proporciona aos homens principalmente em formas e modalidades de apostolado devidamente adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar, de acordo com o direito” (cân. 447).

Nesse aspecto, também é importante compreender que, enquanto sucessores dos apóstolos, os bispos possuem na sua diocese, isto é, a porção do povo de Deus a ele confiada em um determinado território, a autoridade de, em comunhão com o Romano Pontífice, governar, ensinar e santificar. Assim, os bispos constituem o chamado Colégio Episcopal, tendo como chefe o Bispo de Roma.

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O Concílio Vaticano II, especialmente na Constituição Dogmática Lumen Gentium (LG), considera as conferências episcopais como expressão e prática do “afeto colegial”, que une os bispos organicamente entre si com o Bispo de Roma, o Papa, por vínculos fraternos, sacramentais e pastorais (LG 22-23). O Concílio afirma, ainda, que “as conferências episcopais podem hoje contribuir com múltipla e fecunda força, para que este afeto colegial seja levado a uma aplicação concreta (LG 23)”.

Por isso, a conferência episcopal não é uma realidade “supra-episcopal” ou intermediária entre o papa e os bispos, mas, sim, uma expressão de comunhão entre os bispos de terminado lugar. São expressão da colegialidade episcopal, mas não são o Colégio Episcopal universal.

Como o próprio nome diz, conferência é uma reunião de pessoas, no caso os bispos, para tratar de temas comuns. Por isso, ao contrário do que erroneamente é veiculado por alguns meios de comunicação, esse organismo não é uma “confederação” de bispos.

História

Desde meados do século XVI, realizavam-se encontros e conferências de bispos em alguns lugares. O número desses organismos aumentou nos séculos XIX e XX. O Código de Direito Canônico de 1917 concedia um reduzido papel às reuniões de bispos. 

O Concílio Vaticano II (1962 -1965) sistematizou o estabelecimento das conferências episcopais, especialmente pelo Decreto Christus Dominus [o.1] (CD), sobre o múnus pastoral dos bispos na Igreja. O documento explica que a conferência episcopal favorece a ação conjunta dos bispos, reunidos por território ou nação, de modo semelhante, mas não equivalente, aos sínodos, e concílios de nível metropolitano ou nacional (CD 37-38). “Pois enquanto os sínodos e concílios são convocados oportuna ou extraordinariamente, com assembleias definidas conforme a necessidade dos tempos e lugares, a conferência episcopal opera de modo estável e periódico, mediante instâncias regionais ou nacionais, em sintonia com sua assembleia geral”.

Após o Concílio, em 1966, o Papa Paulo VI ordenou, por meio do Motu proprio Ecclesiæ Sanctæ, a constituição das Conferências Episcopais nos lugares onde ainda não existiam e, aquelas que já estavam formadas, deviam redigir estatutos próprios. Alguns anos mais tarde, em 1973, o Diretório Pastoral dos Bispos voltou a lembrar que “a conferência episcopal foi instituída para ser possível oferecer, no tempo presente, uma contribuição variada e fecunda para a concretização do afeto colegial”.

O Código de Direito Canônico promulgado em 1983 estabeleceu uma regulamentação específica (câns.447-459), pela qual se determinam as finalidades e as competências das conferências episcopais e ainda a sua ereção, composição e funcionamento. “Compete exclusivamente à suprema autoridade da Igreja, após ouvir os bispos interessados, erigir, suprimir ou modificar as conferências episcopais” (cân. 449). É também a Santa Sé que reconhece os estatutos dessas conferências. Onde houver condições especiais, os bispos de várias nações podem constituir uma única conferência episcopal, como, por exemplo, em países que possuem uma pequena quantidade de bispos e possuem características culturais próximas.

Membros

Quando aos membros, o Direito Canônico estabelece que pertencem às conferências episcopais todos os ordinários locais (arcebispos e bispos diocesanos e prelados) de qualquer rito (exceto os vigários gerais), os coadjutores, os auxiliares, e outros bispos titulares que desempenhem um cargo especial confiado ou pela Sé Apostólica, ou pelas conferências dos Bispos. Os demais bispos titulares ou legados do romano pontífice, como os núncios apostólicos, não são, por direito, membros da conferência.

Os cânones também prescrevem que sejam realizadas assembleias gerais ao menos uma vez por ano e sempre que for necessário por circunstâncias especiais definidas pelos estatutos. Nessas assembleias, o voto deliberativo compete aos arcebispos, bispos diocesanos e coadjutores. Os votos dos bispos auxiliares e de demais bispos que pertencem à conferência podem ser deliberativos ou consultivos, de acordo com os estatutos de cada conferência. No caso do Brasil, tanto os bispos das Igrejas Católicas de rito oriental com funções equiparadas aos dos bispos diocesanos, coadjutores e auxiliares, são membros da CNBB em pleno direito. Já os bispos eméritos, embora convocados para as assembleias gerais, não possuem voto deliberativo, assim como o Núncio Apostólico.

Decisões

Na Carta Apostólica Apostolos Suos (1998) sobre a forma de Motu Proprio, que trata sobre a natureza teológica e jurídica das conferências episcopais, São João Paulo II esclarece que os bispos, tanto singularmente como reunidos em conferência, não podem, autonomamente, limitar o seu poder sagrado em favor da conferência episcopal, e, menos ainda, de uma parte dela, como comissões e conselhos. E adverte: “Nem a Conferência nem o seu presidente podem agir em nome de todos os bispos, a não ser que todos e cada um tenham dado o consentimento”. Isso reforça o fato de que a autoridade do exercício do magistério não está nas conferências, mas sim nos bispos que as constituem, unidos ao Papa. 

A Apostolos Suos ressalta, ainda, que para que as declarações doutrinais da Conferência dos Bispos “constituam Magistério autêntico, é necessário que sejam aprovadas por unanimidade dos membros bispos ou então, quando aprovadas na reunião plenária por dois terços dos prelados que pertencem à Conferência, com voto deliberativo e que obtenham a revisão (recognitio) da Sé Apostólica”. A Conferência não pode conceder às Comissões ou outros organismos constituídos no seu seio o poder de realizar atos de magistério autêntico.

Com exceção desses casos, as demais decisões são de inteira competência do bispo diocesano, legitima autoridade canônica, nas Igrejas particulares, em comunhão com o Romano Pontífice.  A nota da edição brasileira do Código de Direito Canônico referente ao cânon 455, que trata desta questão, salienta que “não há dúvida de que existe uma obrigação moral de acompanhar as decisões da conferência episcopal, a não ser que a elas se oponham razões muito fortes”. Em todo caso, o texto ressalta, ainda, que, em virtude do afeto colegial, os bispos deveriam abster-se de criticar publicamente os atos da Conferência legitimamente realizados.

Hoje, especialistas em Eclesiologia admitem que haja detalhes a precisar sobre a competência das Conferências nacionais em relação ao Colégio Episcopal universal. Enquanto o Sínodo dos Bispos de 1969 as considera expressão da colegialidade com função magisterial, o Código de Direito Canônico de 1983 (cân. 447) e o Sínodo dos Bispos de 1985 confirmam as conferências episcopais como instâncias de comunhão entre as Igrejas, mas atenuam suas competências magisteriais e orientam sua atuação ao âmbito da pastoral.

(Fonte: CNBB, Código de Direito Canônico e Dicionário do Concílio Vaticano II)

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Bispos brasileiros elaboram novas diretrizes para formação sacerdotal

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11 de abril de 2018

Entre os dias 11 e 20, aproximadamente 470 bispos brasileiros participam da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP). Este ano, o encontro terá como tema central as “Diretrizes para a Formação de Presbíteros”. O objetivo dos bispos será o de atualizar as diretrizes em vigor, aprovadas em 2010, por ocasião da 48ª Assembleia Geral da CNBB, para aplicar as novas orientações da Santa Sé contidas na Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis[o.1] , publicada em 2016.

Esta não é a primeira vez que o episcopado trata desse tema. Após a publicação da Ratio Fundamentalis anterior, em 1970, a CNBB elaborou e aprovou a adaptação das normas gerais à realidade nacional, que foram aprovadas pela Santa Sé em 1971. Em 1984, tendo presente a III Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho, realizada em Puebla (1979), e a publicação do novo Código de Direito Canônico (1983), foram elaboradas novas diretrizes básicas para a “Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”.  Posteriormente, em 1994, na Assembleia Geral da CNBB, foi elaborado um novo texto das “Diretrizes Básicas da Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”, que buscava  responder às indicações da Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis (1990) e às Conclusões da IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em São Domingo (1992). Em 2010, após um longo trabalho de preparação e discussão, a Assembleia Geral da CNBB aprovou novas Diretrizes, levando em consideração as novas situações da realidade formativa e a perspectiva missionária do documento conclusivo da V Conferência Gerald o Episcopado Latino-Americano e Caribenho, realizada em Aparecida (2007).

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Para Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre (RS) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, da CNBB, além da publicação da nova Ratio Fundamentalis, e tendo presente o magistério do Papa Francisco, a CNBB sente a necessidade de elaborar novas diretrizes para a formação os presbíteros no País. “Há de se considerar também as rápidas transformações sociais e culturais que influenciam os candidatos ao ministério ordenado. Os tempos mudam e exigem respostas condizentes às novas situações e desafios”, afirmou o Arcebispo em entrevista ao O SÃO PAULO.

Antes ir à plenária para votação do episcopado brasileiro, o texto passou por um longo processo. Um grupo formado por bispos e peritos se reuniu diversas vezes para consolidar o texto enviado aos bispos antes da assembleia. Os prelados enviaram suas últimas sugestões a uma equipe de síntese cujo papel foi fazer a sistematização final do texto que será apresentado à plenária da Assembleia.

Após a aprovação final pelo episcopado, o texto vai seguir para a Congregação para o Clero, do Vaticano, para ser referendado. Só então, o texto se tornará um documento da CNBB que vai orientar a formação de novos presbíteros no Brasil.

Cresce número de padres

Segundo pesquisas recentes, embora o número de católicos tenha diminuído no País, o número de padres cresceu na última década.

De acordo com o Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), organismo de pesquisa da Igreja no Brasil, nas 277 dioceses brasileiras, existem centenas de seminários de formação e cerca de 6 mil seminaristas em processo de formação. No censo publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, pouco mais de 64% dos brasileiros se disseram católicos. Em sua pesquisa mais recente sobre o tema, o Datafolha aponta que a população brasileira católica caiu de 66% para 50% entre 2005 e 2016.

Em 2005, eram 9.410 paróquias e 17.976 padres no Brasil. A estimativa do (Ceris) para 2018 é de 11.700 paróquias e 27.416 padres no Brasil.

O encontro vai tratar, ainda, de outras temáticas e de problemas emergentes da vida da Igreja e da sociedade sempre na perspectiva da evangelização, como a elaboração do subsídio da série Pensando o Brasil, que este ano terá como tema “Estado laico”.

Revisão do Estatuto

Outro assunto que estará em pauta na Assembleia Geral será a revisão do Estatuto Canônico da CNBB. Aprovado e publicado em 2001, a versão atual do documento passará por ajustes e atualizações. Para isso, foi constituída, em 2015, a Comissão de Reforma do Estatuto que trabalhou na revisão do texto cuja versão final será submetida à aprovação da Assembleia.

Segundo o Cardeal Raymundo Damasceno, Arcebispo Emérito de Aparecida (SP) e que preside o trabalho de revisão do Estatuto, a Comissão enviou uma correspondência aos bispos brasileiros pedindo suas contribuições. “Recebemos sugestões muito importantes e positivas. Fizemos uma análise destas e estamos aproveitando-as para atualizar o documento. Também as que, pelos anos de experiências na CNBB e nas comissões, julgamos oportunas inserir’, disse.

O texto ainda poderá receber sugestões e emendas dos bispos. Ao ser aprovado pela Assembleia, o Estatuto será encaminhado para a Congregação dos Bispos, no Vaticano, para aprovação final.

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(Com informações de CNBB)

 

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Missa marca envio de missionários para Moçambique

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22 de março de 2018

No domingo, 18, na Catedral Metropolitana de Campinas, o Arcebispo de Campinas e Presidente do Regional Sul 1 da CNBB, Dom Airton José dos Santos, presidiu a missa de envio do grupo missionário para a Diocese de Pemba, no norte de Moçambique. Eles vão integrar o Projeto Ad Gentes, Pemba, mantido pelo episcopado paulista.

Participaram também da celebração Dom José Luiz Bertanha, Bispo de Registro e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial do Regional Sul 1; Dom Pedro Luiz Stringhini, Vice-Presidente do Regional e Bispo de Mogi das Cruzes; Dom Julio Endi Akamine, Secretário-Geral do Regional Sul 1 e Arcebispo de Sorocaba; e Dom João Bosco Barbosa de Sousa, Bispo de Osasco.

Juntamente com Dom José Luiz Bertanha, embarcarão os diáconos Denis Aparecido Mendes Pereira e Rafael Ferreira de Santana, da Diocese de Osasco; a leiga Fernanda de Cassia Leal, da Diocese de Mogi das Cruzes, e seis membros da Fraternidade Missionária O Caminho: Padre Boaventura dos Pobres de Jesus, Frei Cléofas Filho do Monte Calvários, Irmã Hadassa do Amor Eucarístico, Irmã Nazareth Hóstia de Cristo, Irmã Séphora do Humilde Rei Jesus, e o leigo Leandro Martins Soares.

No contexto do Ano Nacional do Laicato, o Arcebispo salientou que todo o batizado deve se comprometer com a missão. Ele enfatizou: “Toda pessoa que se sente chamada a anunciar o Evangelho, é missionária onde Deus a colocou, seja dentro de sua família, no seu trabalho, em sua cidade.”

Na homilia, ele pediu que todos se comprometam com a missão para Pemba, materialmente e espiritualmente, sobretudo com orações, que serão o sustento e fortaleza dos missionários. Foi um grande convite: “Esforcemo-nos e sejamos generosos ajudando nossos missionários a continuarem anunciando o Evangelho e a serem testemunhas de Cristo onde serão enviados.”

O Arcebispo concluiu agradecendo a Deus por esta resposta à Igreja de Pemba: “Que o Senhor nos fortaleça, nos ajude e nos faça cada vez mais corajosos e generosos na partilha com os irmãos e irmãs que pouco ou nada tem para a sua vida cristã.”

O Bispo da Diocese de Pemba, o brasileiro Dom Luís Fernando Lisboa, CP, missionário passionista, também falou das expectativas em receber os missionários: “O Regional Sul 1 está dando um belo exemplo de como a Igreja é missionária na sua essência. Agradeço, de coração, todos os irmãos no episcopado deste imenso regional, pela abertura, cooperação e envio missionário. Aos missionários e missionárias que vêm em abril e aos que já estão, Deus os abençoe pela disponibilidade e generosidade. Sejam muito bem vindos. Deus os abençoe abundantemente!”.

A missa também marcou o lançamento da Campanha “Eu Ajudo Pemba”, em prol da ação missionária. Os fiéis receberam um panfleto com a Oração Missionária e informações para fazerem suas contribuições.

Os recursos arrecadados serão administrados pelo Fundo Missionário do Regional Sul 1. Os missionários viajarão em  5 de abril, quando embarcarão em voo para Johannesburgo e de lá seguirão para Pemba, localizada no norte de Moçambique na África.

(Com informações de Regional Sul 1 da CNBB)

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Dom Leonardo: “A verdade dos fatos deve ser apurada com justiça e transparência”

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20 de março de 2018

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner divulgou nota sobre a operação Caifás, deflagrada na segunda-feira, 19, pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) na diocese de Formosa (GO). No texto, o bispo manifesta solidariedade com o presbitério e os fiéis da diocese.

Confira, abaixo, a nota na íntegra:

Diante da prisão do bispo da Diocese de Formosa no estado de Goiás, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB manifesta a solidariedade com o presbitério e os fiéis da Diocese, recordando ao irmão bispo que a justiça é um abandonar-se confiante à vontade misericordiosa de Deus. A verdade dos fatos deve ser apurada com justiça e transparência, visando o bem da igreja particular e do bispo. Convido a todos os fiéis da Igreja a permanecermos unidos em oração, para sermos verdadeiras testemunhas do Evangelho.

 

Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário geral da CNBB

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Comissão da CNBB divulga Carta aberta à sociedade após missão em Roraima

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06 de março de 2018

A Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizou entre os dias 01 a 04 de março de 2018, nas cidades de Boa Vista e Pacaraima (RR), a missão “Fronteiras Brasil/Venezuela”.

Após a missão, o presidente da comissão enviou uma carta aberta à sociedade onde relata da situação dos imigrantes venezuelanos que precisam de tudo, desde itens básicos de alimentação, higiene e saúde, até emprego e condições dignas de abrigamento ou moradia.

“Esse cenário tão desolador nos interpela para ações e posicionamentos pessoais e coletivos de acolhida, solidariedade e incidência política de forma articulada em âmbito local, estadual e nacional. Por isso, em nome da CEPEETH fazemos um veemente apelo às igrejas e à sociedade a uma maior solicitude para com estes nossos irmãos e irmãs imigrantes e refugiados”, diz um trecho da carta.

Por causa da crise política, econômica e social na Venezuela e pela proximidade das fronteiras, os imigrantes e refugiados entram no Brasil pelo município de Pacaraima, em Roraima. De lá, a maioria segue para Boa Vista, a menor capital em número populacional do Brasil.

No pequeno município o que se encontrou foi a fome, famílias e mulheres grávidas vivendo nas ruas, desnutrição, crianças fora da escola, insalubridade nos abrigos, e xenofobia.

“Nosso coração sentiu: profunda indignação diante dessa desumana e injusta realidade ao constatar a ausência e descompromisso dos poderes constituídos em dar respostas; de averiguar que a preocupação com a beleza das praças tem mais importância que o cuidado à pessoa humana; de escutar expressões discriminatórias em relação aos migrantes e refugiados e de entender o quanto nos falta para viver o Projeto de Deus que nos faz todos irmãos e irmãs”, diz outro trecho da carta.

Leia a carta na íntegra:

Boa Vista – Roraima, 04 de março de 2018

Carta à sociedade Brasileira 

“Eu vi a opressão de meu povo, ouvi o grito de aflição diante dos opressores e tomei conhecimento de seus sofrimentos” (Ex 3,7-8).

Nós, integrantes da Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizamos entre os dias 01 a 04 de março de 2018, nas cidades de Boa Vista e Pacaraima (RR), a missão “Fronteiras Brasil/Venezuela”. A mesma teve como objetivo conhecer in loco a situação que envolve a imigração atual na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, em especial para verificar a ocorrência do tráfico humano e ser presença solidária e profética.

Foram realizadas visitas na fronteira Brasil/Venezuela, nos abrigos dos indígenas Warao em Pacaraima e Pintolândia, e Tancredo Neves em Boa Vista, abrigo para os venezuelanos; audiências com a Policia Federal e com a Governadora do Estado; reuniões com os bispos de Roraima, dom Mário Antônio Silva e o bispo de Santa Elena de Uiarén-Venezuela, dom Felipe González González e com o Pároco da Igreja Sagrado Coração de Jesus em Pacaraima, padre Jesús López Fernández; com as Pastorais Sociais, o Comitê Estadual de Enfrentamento a Exploração Sexual e Tráfico de Pessoas, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e outras organizações da Sociedade Civil. Infelizmente não conseguimos diálogo com a prefeita do município de Boa Vista.

Participamos, ainda, de entrevistas em programas de rádio e televisão. Na oportunidade, celebramos com as comunidades da Paróquia Nossa Senhora da Consolata e da Catedral de Cristo Redentor.

Essas atividades nos colocaram em contato com uma realidade cruel e desumana que grita por respostas rápidas, eficazes e articuladas das igrejas, do estado e da sociedade em geral.

Nossos olhos viram: longas filas de imigrantes e refugiados em busca de documentação, transporte, alimentação e trabalho; crianças famintas, desnutridas, doentes,  sem escola; juventude desocupada e sem perspectiva de futuro, exposta  à drogadição e todo tipo de vulnerabilidades; mulheres vítimas da violência, da exploração sexual e do trabalho laboral; pessoas inescrupulosas explorando a miséria dos irmãos e irmãs imigrantes e refugiados no trabalho e alterando os preços dos alimentos e outras mercadorias. Impressionou-nos sobremaneira a visita ao abrigo Tancredo Neves, o “Tancredão”, pelo estado de total abandono e degradação da dignidade humana.

Nossos ouvidos ouviram: lamentos de dor e denúncias de situações graves de violação dos direitos e falta de políticas públicas elementares como alimentação, saúde, higiene, segurança, educação; denúncias de violência policial, violência contra a mulher, exploração sexual e do trabalho, tráfico de drogas e de pessoas e de completa omissão do poder público.

Nosso coração sentiu: profunda indignação diante dessa desumana e injusta realidade ao constatar a ausência e descompromisso dos poderes constituídos em dar respostas; de averiguar que a preocupação com a beleza das praças tem mais importância que o cuidado à pessoa humana; de escutar expressões discriminatórias em relação aos migrantes e refugiados e de entender o quanto nos falta para viver o Projeto de Deus que nos faz todos irmãos e irmãs.

Em meio a esta gritante realidade também vimos e ouvimos com alegria e esperança muitas ações fraternas e solidárias de pessoas, famílias, grupos, igrejas e instituições da sociedade civil; apoio de instituições internacionais e uma grande abertura e dedicação da Igreja local assumindo de forma prioritária o serviço aos imigrantes e refugiados.

Esse cenário tão desolador nos interpela para ações e posicionamentos pessoais e coletivos de acolhida, solidariedade e incidência política de forma articulada em âmbito local, estadual e nacional.

Por isso, em nome da CEPEETH fazemos um veemente apelo às igrejas e à sociedade a uma maior solicitude para com estes nossos irmãos e irmãs imigrantes e refugiados. Nesse sentido conclamamos a todos para:

– Maior sensibilização e envolvimento com esses nossos irmãos e irmãs, através de práticas de serviços voluntários;

– Participação efetiva e generosa na campanha de solidariedade da CNBB em favor dos imigrantes e refugiados venezuelanos;

– Mobilização e incidência política junto aos órgãos públicos, nacionais, estaduais, municipais para que assumam seu papel de viabilizar as políticas públicas e a garantia dos direitos desses nossos irmãos e irmãs;

– Realizar e/ou participar de campanhas educativas permanentes sobre migração e tráfico humano no conjunto das organizações das igrejas e da sociedade.

A Palavra de Deus, ao afirmar que “somos todos irmãos e irmãs” (cf Mt 28,7) nos impele a vivermos a fraternidade como caminho de superação de todas as violências e desigualdades. Reconhecemos e agradecemos a grandeza de espírito das muitas pessoas que, sensíveis às dores desses nossos irmãos e irmãs imigrantes e refugiados, já estão dando sua contribuição.

Que Nossa Senhora Aparecida interceda junto a Deus por todos/as a fim de que nos empenhemos firmemente nessa missão de “acolher, proteger, promover e integrar” nossos irmãos e irmãs imigrantes e refugiados em nossa pátria.

Dom Enemésio Lazzaris
Bispo de Balsas (MA)
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano/CNBB

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