Frente o aumento da violência no Pará, bispo convoca cristãos a cultivar a cultura da paz

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13 de abril de 2018

Diante dos recentes casos de violência, como a morte de 21 presos em Belém (PA), dom Vital Corbelini, bispo de Marabá (PA) tem defendido que a Igreja não pode cruzar os braços. Segundo o religioso a violência tem aumentado no estado e isto acende uma luz de alerta. Além dos presos, o bispo denuncia que tem aumentado a violência contra pessoas simples, pobres, camponeses e de policiais militares no estado. O bispo atribui a desigualdade e a concentração de renda e da terra o avanço da violência na região.

“A violência está atingindo as nossas vidas, nossos ideais e projetos, sobretudo dos mais jovens que estão tendo suas vidas ceifadas”, disse. O prelado defende que a Igreja, neste contexto, tem o papel de cultivar uma cultura de paz e anunciar a civilização do amor como preconizou o papa Paulo VI. “A civilização do amor deve ser implantada entre nós. Jesus Cristo nos diz que devemos amar os inimigos e rezar por aqueles que nos perseguem”, disse.

O religioso tem defendido que é necessário que as autoridades façam seu trabalho no sentido de fazer cessar a violência com atitudes que favoreçam a paz na sociedade. Ele exorta que o povo não busque fazer justiça com as próprias mãos porque violência gera violência. A convocação, segundo o religioso, vem da própria Igreja no Brasil que em sua última campanha da fraternidade, realizada no período da quaresma deste ano, buscou apontar caminhos para a superação da violência.

O prelado falou também da necessidade de não estimular a violência pelas redes sociais e que a paz deve ser buscada dentro das famílias e também a partir das comunidades cristãs e católicas. “É necessário que busquemos a unidade em nossa própria família e em nossas comunidades, entre pastorais, movimentos e serviços. Que não haja divisões mas unidade entre o povo de Deus com seus padres e destes com seu povo e bispos. Tudo começa dentro de casa”, disse. Não podemos só lançar o problema aos outros, disse o bispo. “Também devemos assumir atitudes que possam favorecer o amor e a paz entre nós assim como fez Jesus Cristo”, disse.

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Dom Severino Clasen: “Os leigos não só pertencem à Igreja, mas são Igreja”

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13 de abril de 2018

A vivência do Ano do Laicato na Igreja do Brasil foi o tema do segundo Metting Point realizado durante a 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na manhã desta sexta-feira, 13, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP).

Para tratar do assunto com os jornalistas foram convidados dom Severino Clasen, bispo de Caçador (SC) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato e Marilza Schuina, presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (CNLB).

Dom Severino afirmou que é importante destacar a missão dos cristãos leigos como sujeitos na evangelização, na Igreja e na sociedade. “Vivemos um momento em que o protagonismo do laicato é convocado a testemunhar o Evangelho de jesus Cristo e até redescobrir quem é Jesus de Nazaré, este que nós queremos seguir e em quem depositamos nossa fé e esperança”, afirmou o Bispo.

Dom Severino chamou a atenção para três documentos da CNBB que ajudam a aprofundar a temática do Ano do Laicato: O Documento 100, “Comunidade de Comunidades – uma nova paróquia”; o Documento 105, “Cristãos leigos e leigas – sal da terra e luz do mundo na Igreja e na Sociedade”; e o Documento 107, “Iniciação à vida cristã – itinerário para formar discípulos missionários”.

Documento 105 – Tratando especialmente do Documento 105, o Bispo explicou que o seu texto nasceu a partir das decisões e inspirações do Concílio Vaticano II, sobretudo na Constituição Dogmática Lumen Gentium. “Os leigos não só pertencem à Igreja, mas são Igreja”, ressaltou dom Severino, que salientou, ainda, que, a partir do Batismo, não existem categorias superior e inferior de Cristãos, mas todos são “Igreja povo de Deus”.

De acordo com dom Severino, o Ano do Laicato conseguiu reafirmar a consciência da missão e identidade dos leigos. “Ao percorrer o Brasil, percebemos que os cristãos leigos e leigas aderiram ao Ano Nacional do Laicato por meio de tantas ações a programações que acontecem em todo o País”, destacou o Bispo.

Ao citar o lema “sal da terra e luz do mundo”, Dom Severino convidou para a reflexão: “Que gosto nós estamos dando à vida, que gosto o mundo pode também extrair de nós, cristãos, para sermos pessoas boas? Também é preciso brilhar, iluminar, irradiar. Mas a luz não é nossa. Cristo é a luz. Quanto mais estivermos ligados a ele, mais teremos brilho que tem que ser espalhado pelo mundo”.

Marilza ressaltou que “o protagonismo dos cristãos leigos é contribuir para que a unidade e a comunhão seja vivenciada na sua plenitude em nossa Igreja, povo de Deus”.

“Que possamos aprofundar a identidade, vocação, espiritualidade e missão dos cristãos leigos e leigas. Que toda a Igreja realmente reconheça e confirme a vocação dos leigos como sujeito eclesial”, acrescentou a Presidente do CNLB.

Dentre as atividades programadas para a celebração do Ano do Laicato, estão sendo programados 16 seminários em diversos regionais da CNBB sobre temas relacionados à atuação dos leigos na vida eclesial e âmbitos da sociedade, como na política, educação, cultura, trabalho e família.

Outra atividade prevista é a Semana Missionária Igreja em Saída, de 22 a 29 de julho. “A Semana Missionária quer ser um grande retiro popular para que as comunidades se encontrem não só para círculos bíblicos, oração, mas onde também possamos atingir os diversos espaços onde o leigo e a leiga atuam e trabalham”, explicou Marilza, acrescentando que esses eventos não aconteçam apenas nas igrejas ou nas casas, mas nos ambientes de atuação dos leigos, como os locais de trabalho.

Na conclusão do Ano do Laicato, entre dos dias 22 e 25 de novembro, acontecerá a Assembleia Nacional dos Organismos do Povo de Deus, em Aparecida. Além da CNBB e do CNLB, entidades como a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Comissão Nacional dos Diáconos (CND), a Comissão Nacional de Presbíteros (CNP) e a Conferência Nacional dos Institutos Seculares estão na organização do evento que tratará a temática da sinodalidade e o protagonismo dos leigos na Igreja. No encerramento dessa Assembleia, acontecerá a Romaria do Laicato.

Por fim, Marilza reforçou que o Ano do Laicato deve ser um “impulsionador para que toda a Igreja no Brasil continue a pensar e refletir a vocação, identidade, espiritualidade e missão própria dos leigos”.

O próximo Meeting Point será na segunda-feira, 16, às 9h, com Dom Pedro José Conti, bispo de Macapá (AP), e Dom Ricardo Hoepers, bispo de Rio Grande (RS), sobre a experiência da Igreja local nos extremos do país. O encontro será transmitido pelo portal A12.com.

Por Fernando Geronazzo

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Dom Odilo: O padre deve desempenhar sua missão de acordo com a Igreja

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12 de abril de 2018

A 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), está no seu segundo dia. Até o próximo dia 20, mais de 350 bispos participam do encontro que ocorre no espaço principal do Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, no Santuário Nacional de Aparecida (SP).

Entre os participantes está o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, que nesta quinta-feira, 12, falou sobre os assuntos que estão sendo tratados na Assembleia durante o programa “Encontro com o Pastor”, que vai ao ar de segunda-feira a sábado, às 12h, na rádio 9 de Julho.

FORMAÇÃO DOS PRESBITEROS

O tema central da Assembleia - “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil” - já começou a ser discutido pelos bispos. “A Santa Sé faz normas e diretrizes para toda Igreja, que precisam ser adequadas para as situações de casa País. Por isso, as conferências episcopais fazem as adequações necessárias das normas universais, para os seus respectivos países”, declarou o Cardeal.

Ele lembrou que a formação dos padres é muito semelhante em todo mundo, passando pelo período de seminário, estudo de Filosofia e Teologia, diaconato, estágio pastoral, até chegar a sua ordenação sacerdotal. Porém, a formação precisa ser continua, mesmo após o sacerdote iniciar a sua missão: “É uma exigência do povo de Deus e da boa missão da igreja, que o Padre continue a se formar em todos os sentidos, tanto religioso como humano, teológico, espiritual e pastoral”.

NOVAS DIRETRIZES

A Igreja no Brasil contará em breve com novas Diretrizes para Formação de Presbíteros. O objetivo principal do encontro é atualizar as que estão em vigor. A Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis é um dos documentos considerados pelos bispos e peritos e que dá pistas para a formação de seminaristas e do clero da Igreja.

Publicado no dia 8 de dezembro de 2016, o documento atualiza as orientações de 1985 e explicita às Igrejas locais como realizar a formação dos futuros presbíteros e a necessidade de formação permanente.

As atuais Diretrizes para a Formação Presbiteral foram aprovadas na 48ª Assembleia Geral da CNBB, em 2010, e já visavam enriquecer a formação espiritual, humana, intelectual e pastoral dos futuros sacerdotes.

FORMAÇÃO DE PADRES

No caso da Igreja Católica, somente os bispos das dioceses e superiores religiosas das congregações e institutos religiosos devidamente reconhecidos pela Santa Sé tem a autorização para formação. E é muito importante para Igreja que haja bons padres, e que eles estejam bem formados.

“Ser padre não é simplesmente uma profissão que cada um exerce do jeito que quer. Ser padre é desempenhar a sua missão de acordo com a Igreja. Tem que estar em união e comunhão com a Igreja, e fazer o seu trabalho em nome da Igreja”, afirmou Dom Odilo.

REZAR PELAS VOCAÇÕES

O Cardeal concluiu falando da importância da Pastoral Vocacional nas paróquias, nas quais deve haver o despertar para as vocações e rezar por elas: “Os padres saem de nossas paróquias e comunidades, são filhos de nossas familias. Saem de nossos movimentos e das nossas pastorais. Portanto, são homens que participam e estão com o coração dentro da vida da igreja”.

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2º dia da Assembleia Geral da CNBB: entrevista com o Cardeal Scherer

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12 de abril de 2018

Teve início na manhã de ontem (11/04) a 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O primeiro ato dos trabalhos foi a Santa Missa presidida pelo arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, no Santuário Nacional de Aparecida.

Cerca de 400 bispos participaram da Celebração Eucarística de abertura, no Altar Central do Santuário.

O principal evento da Igreja Católica no país reune até o dia 20 de abril, cardeais, arcebispos, bispos administradores de dioceses, arquidioceses e prelazias para a discussão de importantes temas como a situação dos seminários, traçando diretrizes para a formação de novos presbíteros e a formação permanente dos sacerdotes.

Encontro na "Casa da Mãe"

Durante a Missa de abertura da Assembleia, Dom Sérgio da Rocha enfatizou a importância de iniciar o encontro dos Bispos na Casa da Mãe Aparecida com uma Eucaristia, que é sustento da vida de todo o cristão. “Essa Celebração Eucarística é o primeiro ato da Assembleia Geral e assinala a recordação que a Eucaristia é o sustento da nossa vida e a fonte da comunhão desses dias da Assembleia e de toda a nossa vida, afim de que nossas ações sejam realizadas em Deus”.

O presidente da CNBB também lembrou que é por meio da oração que os desafios para a realização da missão da Igreja nos dias de hoje serão superados, enfatizando que “Não podemos desanimar... as dificuldades não devem impedir o anúncio da Palavra de Deus”.

Com a conclusão das discussões da 56ª Assembleia Geral a expectativa é que as percepções integrem um texto base que será apresentado à Congregação para o Clero do Vaticano, onde deve ser referendado, e se tornará um documento da CNBB que orientará a formação dos novos presbíteros no Brasil.

Sínodo dos Bispos

Ainda durante a Assembleia haverá a eleição dos delegados e suplentes para a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, marcada para outubro deste ano, no Vaticano.

Após a Santa Missa os bispos se reuniram para a sessão de abertura, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, local onde os trabalhos se realizarão ao redor do tema central da formação dos presbíteros na Igreja do Brasil.

Durante a sessão de abertura, Dom Sérgio da Rocha destacou que a Assembleia é sempre uma experiência privilegiada de oração, partilha fraterna, estudo e reflexão para fortalecer a comunhão entre os bispos, para melhor servir as Igrejas particulares, ou seja, um tempo especial de participação em vista da missão da Igreja no Brasil.

Ele também ressaltou que o Papa, em audiência pessoal, disse para “continuarmos firmes na missão, confiando a esperança e permanecendo unidos”. “Agradecemos o Papa pelo apreço à Conferência brasileira e pela última Exortação Apostólica ‘Gaudete et Exsultate’. Convivamos na santidade”.

Valorizar a missão da Igreja

Dom Sérgio não deixou de lembrar que a 56ª AG, realiza-se no Ano do laicato, buscando valorizar sempre mais a missão dos leigos na Igreja, como sal da terra e luz do mundo.” Buscamos apoiar cada vez mais a vocação e a missão dos leigos, pois precisamos de um laicato atuante na Igreja e na sociedade”.

O Cardeal também recordou outros temas que serão debatidos, como, por exemplo a realidade social, as eleições no país e a eleição dos delegados para o sínodo dos bispos em Roma, que tratará de jovens, fé e discernimento vocacional.

O presidente da CNBB, fez questão de pedir orações pela restauração da saúde do secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, e informou a nomeação do bispo auxiliar de São Luis do Maranhão, Dom Esmeraldo Barreto de Farias, como coordenador dos trabalhos, auxiliado pelo arcebispo-coadjutor de Montes Claros, Dom João Justino de Medeiros Silva.

Presente também na abertura dos trabalhos, Dom Giovane Danielli, Núncio Apostólico no Brasil.

Nesta quinta-feira  teremos a análise da Conjuntura social e eclesial e a apresentação do tema central.

Temas da Assembleia

O tema central: “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”. Além desse assunto, os bispos vão tratar de vários outros temas. Entre eles, estão: Texto sobre novas comunidades, Estatutos da CNBB, Pensando o Brasil: Estado laico, Ano do Laicato, Sínodo da Pan-Amazônia e indicações para as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) que serão renovadas em 2019.

Sobre os trabalhos e a situação atual no Brasil nós conversamos com o arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Scherer.

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Formação dos presbíteros: ‘Novos tempos exigem adequações no processo’

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11 de abril de 2018

Na primeira coletiva de imprensa da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na tarde desta quarta-feira, 11, no Centro de Evento Padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP), Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, falou das novas diretrizes para a formação dos presbíteros na Igreja do Brasil, tema central da Assembleia.

Dom Jaime explicou aos jornalistas que o objetivo da CNBB é adaptar as diretrizes em vigor, aprovadas em 2010, a partir das novas orientações da Congregação para o Clero intitulada Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis, publicada em 2016, levando também em conta o recente magistério do Papa Francisco.

Segundo o Arcebispo foi designada pelo conselho Permanente uma Comissão Especial para trabalhar uma proposta de texto para ser apresentado aos bispos e trabalhado ao longo na Assembleia.

O texto aborda a chamada formação inicial dos presbíteros, isto é, o período dos seminários que prepara os candidatos ao sacerdócio, mas também trata da formação permanente dos padres. “O documento abrange toda a vida do presbítero, desde que ele se apresenta como um possível candidato ao seminário até o momento de sua morte”.

Perguntado pelos jornalistas sobre o que mudaria na formação presbiteral com as novas diretrizes, Dom Jaime esclareceu que não se tratará necessariamente de mudanças, mas adaptações às transformações da sociais e culturais que influenciam os candidatos aos ministério ordenado. “Os tempos mudam, e as exigências são novas. Novos tempos exigem adequações no processo”.

Ainda se acordo com o Arcebispo, é sentida pelo episcopado, por exemplo, a realidade de muitos candidatos ao sacerdócio que vêm da realidade urbana, ao contrário do passado, quando a maioria dos vocacionados eram provenientes do mundo rural. Muitos também entravam no seminário muito jovens e até crianças, enquanto hoje a maioria dos candidatos iniciam a formação presbiteral na idade adulta. “Essa situação traz consigo desafios à formação. Muitas vezes, uma formação deficiente no ensino fundamental, médio”

Dom Jaime apontou, ainda, situações de candidatos que vêm de situações familiares difíceis que repercutem nos seminários. “Precisamos ir ao encontro desses jovens a fim de colaborar para que possam crescer no seu processo formativo e na sua formação de forma sadia”, destacou.

“Hoje nós acentuamos muito no processo formativo um acompanhamento personalizado de cada candidato. Talvez esse seja um dos aspectos aos quais devemos dar uma atenção especial”, acrescentou o Presidente da Comissão.

O texto que será trabalhado na Assembleia é a terceira versão elaborada pela Comissão do Tema Central, após receber as contribuições de bispos de todo o país. As diretrizes passarão por novas avaliações do episcopado antes de serem submetidas à aprovação.

Por Fernando Geronazzo

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Cardeal Scherer convida fiéis a unirem-se em oração com os bispos

 

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Cardeal Scherer convida fiéis a unirem-se em oração com os bispos

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11 de abril de 2018

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, participa da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que começou nesta quarta-feira, 11, em Aparecida (SP) e vai até o dia 20.  

Dom Odilo participou do programa “Encontro com o Pastor”, que vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 12h, na rádio 9 de Julho. Ele destacou a importância da união dos bispos para as decisões que serão tomadas durante o encontro.

O QUE É UMA CONFERÊNCIA?

Segundo o Cardeal, os bispos do Brasil formam uma conferência e cada bispo é responsável por sua diocese. O responsável maior é o bispo, mas o cuidado da diocese se faz em parceria com todo o clero.

“Evidentemente que a diocese é formada por todos os batizados, todos os leigos, que de uma forma ou de outra têm ligação com a Igreja, mesmo que não participem diretamente, mas foram batizados e são parte da Igreja.”, afirmou Dom Odilo.

Desse modo, as Conferências Episcopais são esses organismos que ajudam a expressar a comunhão e a colegialidade episcopal. Isto é, cada bispo cuida da sua diocese, mas todos juntos cuidam desse conjunto de dioceses que é o Brasil inteiro.

Conferências Episcopais são expressão de comunhão dos pastores unidos ao Papa

ASSEMBLEIA GERAL

O tema central desta Assembleia é “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”. Além desse assunto, os Bispos vão tratar de vários outros temas que dizem respeito ao interesse da vida pastoral e do povo brasileiro.

“Nós vamos falar da formação do clero antes da ordenação sacerdotal e a formação que continua após a ordenação. Isto naturalmente não se diz respeito somente a uma diocese, mas diz respeito a todo Brasil. Por isso, juntos em assembleia nós vamos tomar decisões e elaborar um documento sobre as diretrizes da formação do clero para Igreja no Brasil”, destacou o Cardeal Scherer.  

POVO BRASILEIRO

Dom Odilo convidou o povo brasileiro, de maneira muito particular todos os católicos, a acompanhar a Assembleia com muito interesse, pois também serão tratados as questões que dizem respeito à sociedade brasileira.

“Nós somos bispos, somos pastores do povo. Portanto, vamos nos manifestar também sobre as angústias, os sofrimentos, as situações do povo brasileiro que requerem uma palavra e uma orientação da Igreja”, declarou o Arcebispo de São Paulo.

ORAÇÃO PELOS BISPOS

Por fim, o Cardeal pediu que os fiéis rezem pelos bispos que carregam a grande responsabilidade recebida por Deus e pelo Papa de serem pastores e cuidarem do rebanho, nas diversas dioceses do Brasil.

“O Evangelho é luz para o mundo, é sal para terra, e não é simplesmente do interesse privado e individual. Por isso mesmo, acolham meus amigos, meus irmãos, com muita fé, também as palavras dos bispos e com muito discernimento”, concluiu.

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Tem início, em Aparecida (SP), a 56ª Assembleia Geral da CNBB

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11 de abril de 2018

Às 9h15, começou, oficialmente, a 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, no pátio do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida recebe o episcopado brasileiro que conta, atualmente, com mais de 300 Bispos. Todo o trabalho de preparação para o encontro foi realizado sob a coordenação do secretário-geral, Dom Leonardo Steiner, que será substituído no comando da reunião por Dom Esmeraldo Farias, Bispo auxiliar de São Luís (MA).

A estrutura

Colaboradores da CNBB Matriz trabalharam vários meses para deixar prontos todos os documentos, o material de suporte e a logística para o encontro. Sob a coordenação do Padre Antônio Silva da Paixão, a equipe do Centro de Eventos se esmerou para deixar um espaço simples, mas iluminado e confortável para que os bispos possam enfrentar jornadas pesadas de trabalho. O plenário, adaptado no centro da quadra poliesportiva foi formatado de modo que todos os participantes tenham uma visão clara da mesa de coordenação dos trabalhos.

Na parte subterrânea do Centro de Eventos ficam localizadas as salas de trabalho para os grupos e o espaço onde os bispos podem conviver nos intervalos. Há ainda capela, escritórios e outras instalações necessárias para o funcionamento do encontro. A secretaria técnica da CNBB tem representantes com plantão permanente na assembleia. Além disso, há um suporte de funcionários que ajuda na execução dos serviços de TI e de reprografia.

Subsecretário Adjunto de Pastoral, Padre Deusmar Jesus da Silva, coordenou a preparação de encaminhamento da pauta oficial votada pelo Conselho Permanente da CNBB, em outubro de 2017. Coube a ele, a orientação do secretário-geral, a organização da pauta dos dias que os Bispos estarão reunidos em Aparecida.

Temas da assembleia

O tema central será: “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”. Além desse assunto, os bispos vão tratar de vários outros temas. Entre eles, estão: Texto sobre novas comunidades, Estatutos da CNBB, Pensando o Brasil: Estado laico, Ano do Laicato, Sínodo da Pan-Amazônia e indicações para as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) que serão renovadas em 2019.

Pauta do dia

Além da missa e da abertura solene, transmitidas pelas TVs de inspiração católica, os bispos se ocuparão nesta quarta-feira, 11 de abril, com algumas tarefas estatutárias antes de começarem os debates. A principal destas tarefas será a apresentação do relatório da presidência sobre as atividades desde a última assembleia geral, em maio do ano passado. O Cardeal Sergio da Rocha vai apresentar aos bispos os principais encontros e pronunciamentos da Conferência no último ano.

Consta ainda das tarefas do dia apresentação de uma análise de conjuntura eclesial e os primeiros informes sobre os próximos sínodos: dos jovens e da Pan-Amazônia.

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Dom Esmeraldo de Barreto será o coordenador dos trabalhos

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11 de abril de 2018

O Cardeal Sérgio da Rocha, Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nomeou segundo o regimento da CNBB, Dom Esmeraldo de Barreto Farias, Bispo auxiliar de São Luis (MA), como coordenador dos trabalhos da 56ª Assembleia Geral da CNBB, devido ausência do Secretário-Geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, por problemas de saúde.

Dom Esmeraldo contará com o auxílio de Dom João Justino, Arcebispo Coadjutor de Montes Claros (MG) na coordenação. O anúncio foi feito na abertura oficial da Assembleia, realizada da manhã desta quarta-feira, 11, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, no pátio do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Dom Esmeraldo de Barreto Farias

Dom Esmeraldo é natural de Santo Antônio de Jesus (BA). Nasceu em 4 de julho de 1949. Foi ordenado presbítero no dia 9 de janeiro de 1977, em sua cidade natal. Sua nomeação episcopal aconteceu em 22 de março de 2000, para a Diocese de Paulo Afonso (BA), onde permaneceu até 2007.

Foi bispo de Santarém (PA) de 2007 a 2011; presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, no quadriênio de 2007 a 2011. Em novembro de 2011, foi nomeado Arcebispo de Porto Velho (RO). No dia 18 de março de 2015, o Papa Francisco o nomeou Bispo auxiliar de São Luís (MA).

Dom João Justino de Medeiros Silva

Dom João Justino nasceu no dia 22 de dezembro de 1966 em Juiz de Fora (MG). Foi ordenado Padre em 13 de dezembro de 1992. O Papa Bento XVI o nomeou Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte no dia 21 de dezembro de 2011, recebeu a ordenação episcopal no dia 11 de fevereiro de 2012, na Catedral de Santo Antônio, em Juiz de Fora (MG).

Em 2015, Dom João foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação da CNBB e membro do Conselho Episcopal Pastoral (Consep). Também foi eleito presidente da Comissão Episcopal para a Educação, do Regional Leste 2 da CNBB (Minas e Espírito Santo). Em março de 2016, foi nomeado membro da Comissão de Cultura e Educação do Setor Universidades do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam), responsável pelas pastorais de Educação e Cultura no Cone Sul.

Pauta do dia

Os Bispos se ocuparão nesta quarta-feira, 11, com algumas tarefas estatutárias antes de começarem os debates. A principal destas tarefas será a apresentação do relatório da presidência sobre as atividades desde a última assembleia geral, em maio de 2017.

O Cardeal Sergio da Rocha vai apresentar aos Bispos os principais encontros e pronunciamentos da Conferência no último ano. Consta ainda das tarefas do dia apresentação de uma análise de conjuntura eclesial e os primeiros informes sobre os próximos sínodos: dos jovens e da Pan-Amazônia.

(Com informações de CNBB, Arquidiocese de São Luis (MA), Arquidiocese de Montes Claros (MG) e Arquidiocese de Belo Horizonte (MG))

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Cardeal Sérgio da Rocha: Caminhar unidos para enfrentar desafios

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11 de abril de 2018

Aproximadamente 370 bispos de todo Brasil estão reunidos em Aparecida (SP), para a 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O Cardeal Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília (DF) e Presidente da CNBB, celebrou a Missa de abertura dos trabalhos no Santuário Nacional de Aparecida, na manhã desta quarta-feira, 11.

Durante a homilia, o Cardeal, questionou: mas por que alegrar-se em meio aos desafios e sofrimentos da vida?  “Porque o Senhor ressuscitou, proclama a nossa Igreja, porque a vida venceu a morte, o amor venceu o ódio, a esperança venceu o desânimo, a alegria venceu a tristeza. Por isso, nós nos alegramos. Unidos a Cristo e graças a Ele, nós também podemos superar os desafios e caminhar numa vida nova”, declarou.

CNBB: 65 anos de história

O Presidente da CNBB também falou da importância da oração de todos para o enfrentamento das dificuldades: “Para enfrentar desafios, nós necessitamos caminhar unidos. No mundo marcado por tantas divisões de conflitos, o testemunho de comunhão se torna ainda mais necessário”.

A missa foi concelebrada por Dom Murilo Krieger, pelo Arcebispo de Salvador (BA) e Vice-Presidente da CNBB; Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida (SP),  e pelos bispos de Santo André (SP), Dom Pedro Cipollini, de Lages (SC), Dom Guilherme Werlang e o coadjudor de Montes Claros (MG), Dom João Justino de Medeiros. Além do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello.

Dom Sérgio finalizou sua reflexão, dizendo que os todos são chamados e desafiados a serem cristãos por inteiro, a viverem a santidade sendo fiéis em todos os momentos, nas alegrias e nas dores. “Seja o nosso louvor Pascal manifestado com os lábios, com o coração e com a vida. Seja o nosso louvor Pascal acompanhado da busca da paz, jamais cedendo a tentação da agressividade, do ressentimento, da vingança em palavras ou atos”.

Programação

A 56ª Assembleia Geral da CNBB tem como tema central “Diretrizes para a formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”. Diariamente, a rotina dos bispos, até o próximo dia 20, deve ter com uma santa missa, duas sessões de trabalhos pela manhã, intervalo para o almoço, e mais duas sessões de trabalho à tarde. Às 15h, será realizada a coletiva de imprensa, quando três bispos designados pela Presidência da Assembleia irão expor os temas trabalhados durantes as sessões matutinas.

(Com informações de CNBB)

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Bispos brasileiros elaboram novas diretrizes para formação sacerdotal

Conferências Episcopais são expressão de comunhão dos pastores unidos ao Papa

 

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Conferências Episcopais são expressão de comunhão dos pastores unidos ao Papa

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11 de abril de 2018

Para compreender a natureza e missão da CNBB é preciso entender o que são as conferencias episcopais. Segundo o Código de Direito Canônico (CDC), conferência episcopal “é um organismo permanente, é uma reunião dos bispos de uma nação ou determinado território, que exercem conjuntamente certas funções pastorais em favor dos fiéis de seu território, a fim de promover o maior bem que a Igreja proporciona aos homens principalmente em formas e modalidades de apostolado devidamente adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar, de acordo com o direito” (cân. 447).

Nesse aspecto, também é importante compreender que, enquanto sucessores dos apóstolos, os bispos possuem na sua diocese, isto é, a porção do povo de Deus a ele confiada em um determinado território, a autoridade de, em comunhão com o Romano Pontífice, governar, ensinar e santificar. Assim, os bispos constituem o chamado Colégio Episcopal, tendo como chefe o Bispo de Roma.

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O Concílio Vaticano II, especialmente na Constituição Dogmática Lumen Gentium (LG), considera as conferências episcopais como expressão e prática do “afeto colegial”, que une os bispos organicamente entre si com o Bispo de Roma, o Papa, por vínculos fraternos, sacramentais e pastorais (LG 22-23). O Concílio afirma, ainda, que “as conferências episcopais podem hoje contribuir com múltipla e fecunda força, para que este afeto colegial seja levado a uma aplicação concreta (LG 23)”.

Por isso, a conferência episcopal não é uma realidade “supra-episcopal” ou intermediária entre o papa e os bispos, mas, sim, uma expressão de comunhão entre os bispos de terminado lugar. São expressão da colegialidade episcopal, mas não são o Colégio Episcopal universal.

Como o próprio nome diz, conferência é uma reunião de pessoas, no caso os bispos, para tratar de temas comuns. Por isso, ao contrário do que erroneamente é veiculado por alguns meios de comunicação, esse organismo não é uma “confederação” de bispos.

História

Desde meados do século XVI, realizavam-se encontros e conferências de bispos em alguns lugares. O número desses organismos aumentou nos séculos XIX e XX. O Código de Direito Canônico de 1917 concedia um reduzido papel às reuniões de bispos. 

O Concílio Vaticano II (1962 -1965) sistematizou o estabelecimento das conferências episcopais, especialmente pelo Decreto Christus Dominus [o.1] (CD), sobre o múnus pastoral dos bispos na Igreja. O documento explica que a conferência episcopal favorece a ação conjunta dos bispos, reunidos por território ou nação, de modo semelhante, mas não equivalente, aos sínodos, e concílios de nível metropolitano ou nacional (CD 37-38). “Pois enquanto os sínodos e concílios são convocados oportuna ou extraordinariamente, com assembleias definidas conforme a necessidade dos tempos e lugares, a conferência episcopal opera de modo estável e periódico, mediante instâncias regionais ou nacionais, em sintonia com sua assembleia geral”.

Após o Concílio, em 1966, o Papa Paulo VI ordenou, por meio do Motu proprio Ecclesiæ Sanctæ, a constituição das Conferências Episcopais nos lugares onde ainda não existiam e, aquelas que já estavam formadas, deviam redigir estatutos próprios. Alguns anos mais tarde, em 1973, o Diretório Pastoral dos Bispos voltou a lembrar que “a conferência episcopal foi instituída para ser possível oferecer, no tempo presente, uma contribuição variada e fecunda para a concretização do afeto colegial”.

O Código de Direito Canônico promulgado em 1983 estabeleceu uma regulamentação específica (câns.447-459), pela qual se determinam as finalidades e as competências das conferências episcopais e ainda a sua ereção, composição e funcionamento. “Compete exclusivamente à suprema autoridade da Igreja, após ouvir os bispos interessados, erigir, suprimir ou modificar as conferências episcopais” (cân. 449). É também a Santa Sé que reconhece os estatutos dessas conferências. Onde houver condições especiais, os bispos de várias nações podem constituir uma única conferência episcopal, como, por exemplo, em países que possuem uma pequena quantidade de bispos e possuem características culturais próximas.

Membros

Quando aos membros, o Direito Canônico estabelece que pertencem às conferências episcopais todos os ordinários locais (arcebispos e bispos diocesanos e prelados) de qualquer rito (exceto os vigários gerais), os coadjutores, os auxiliares, e outros bispos titulares que desempenhem um cargo especial confiado ou pela Sé Apostólica, ou pelas conferências dos Bispos. Os demais bispos titulares ou legados do romano pontífice, como os núncios apostólicos, não são, por direito, membros da conferência.

Os cânones também prescrevem que sejam realizadas assembleias gerais ao menos uma vez por ano e sempre que for necessário por circunstâncias especiais definidas pelos estatutos. Nessas assembleias, o voto deliberativo compete aos arcebispos, bispos diocesanos e coadjutores. Os votos dos bispos auxiliares e de demais bispos que pertencem à conferência podem ser deliberativos ou consultivos, de acordo com os estatutos de cada conferência. No caso do Brasil, tanto os bispos das Igrejas Católicas de rito oriental com funções equiparadas aos dos bispos diocesanos, coadjutores e auxiliares, são membros da CNBB em pleno direito. Já os bispos eméritos, embora convocados para as assembleias gerais, não possuem voto deliberativo, assim como o Núncio Apostólico.

Decisões

Na Carta Apostólica Apostolos Suos (1998) sobre a forma de Motu Proprio, que trata sobre a natureza teológica e jurídica das conferências episcopais, São João Paulo II esclarece que os bispos, tanto singularmente como reunidos em conferência, não podem, autonomamente, limitar o seu poder sagrado em favor da conferência episcopal, e, menos ainda, de uma parte dela, como comissões e conselhos. E adverte: “Nem a Conferência nem o seu presidente podem agir em nome de todos os bispos, a não ser que todos e cada um tenham dado o consentimento”. Isso reforça o fato de que a autoridade do exercício do magistério não está nas conferências, mas sim nos bispos que as constituem, unidos ao Papa. 

A Apostolos Suos ressalta, ainda, que para que as declarações doutrinais da Conferência dos Bispos “constituam Magistério autêntico, é necessário que sejam aprovadas por unanimidade dos membros bispos ou então, quando aprovadas na reunião plenária por dois terços dos prelados que pertencem à Conferência, com voto deliberativo e que obtenham a revisão (recognitio) da Sé Apostólica”. A Conferência não pode conceder às Comissões ou outros organismos constituídos no seu seio o poder de realizar atos de magistério autêntico.

Com exceção desses casos, as demais decisões são de inteira competência do bispo diocesano, legitima autoridade canônica, nas Igrejas particulares, em comunhão com o Romano Pontífice.  A nota da edição brasileira do Código de Direito Canônico referente ao cânon 455, que trata desta questão, salienta que “não há dúvida de que existe uma obrigação moral de acompanhar as decisões da conferência episcopal, a não ser que a elas se oponham razões muito fortes”. Em todo caso, o texto ressalta, ainda, que, em virtude do afeto colegial, os bispos deveriam abster-se de criticar publicamente os atos da Conferência legitimamente realizados.

Hoje, especialistas em Eclesiologia admitem que haja detalhes a precisar sobre a competência das Conferências nacionais em relação ao Colégio Episcopal universal. Enquanto o Sínodo dos Bispos de 1969 as considera expressão da colegialidade com função magisterial, o Código de Direito Canônico de 1983 (cân. 447) e o Sínodo dos Bispos de 1985 confirmam as conferências episcopais como instâncias de comunhão entre as Igrejas, mas atenuam suas competências magisteriais e orientam sua atuação ao âmbito da pastoral.

(Fonte: CNBB, Código de Direito Canônico e Dicionário do Concílio Vaticano II)

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