INTERNACIONAL

China

Chantagens contra bispo católico após acordo entre China e Vaticano

Por José Ferreira Filho
17 de abril de 2019

Até poucos meses atrás, Dom Guo Xijin era o Bispo de Mindong, reconhecido pelo Vaticano, mas não pelo governo comunista

ACI

Padre Bernardo Cervellera, sacerdote missionário, denunciou as chantagens que Dom Vincenzo Guo Xijin sofre das autoridades da China. Em nota recente, o Presbítero disse que Dom Guo Xijin corre o risco de não concelebrar a Missa Crismal de Quinta-feira Santa, porque o Departamento de Assuntos Religiosos do País não o reconhece como bispo.

Até poucos meses atrás, Dom Guo Xijin era o Bispo de Mindong, reconhecido pelo Vaticano, mas não pelo governo comunista. Após o acordo provisório assinado em 2018 entre a Santa Sé e a China para a nomeação de bispos, o Prelado concordou em ser nomeado como Bispo Auxiliar de Mindong para que o Bispo Titular seja Dom Zhan Silu, cuja excomunhão foi levantada pelo Papa Francisco por causa do acordo.

No entanto, apesar de ter concordado em se tornar Bispo Auxiliar, as autoridades chinesas não reconhecem Dom Guo Xijin e consideram que o seu ministério é “ilegal”, porque não está inscrito na Associação Patriótica Católica Chinesa, controlada pelo governo e que quer alcançar uma “Igreja independente” da Santa Sé. Dom Zhan Silu é o atual vice-presidente nacional da Associação Patriótica Católica Chinesa.

O Padre disse ainda em seu artigo que, “em muitas dioceses, a Associação Patriótica e o Departamento de Assuntos Religiosos continuam exigindo que todos os sacerdotes se inscrevam na Associação e mantenham a ‘Igreja independente’. A esse respeito, o Vaticano manifestou uma tímida reserva em uma entrevista do Cardeal Fernando Filoni concedida ao jornal L’Osservatore Romano, destacando que a pertença à Associação, segundo a lei chinesa, deveria ser facultativa.

“Na Diocese de Mindong, o Departamento de Assuntos Religiosos está chamando todos os sacerdotes clandestinos ou subterrâneos (fiéis à Santa Sé), que são a maioria, um por um, e exigindo que se inscrevam na Associação Patriótica. Caso contrário, devem deixar suas paróquias e seu ministério”, afirmou o Sacerdote.

A Diocese de Mindong tem mais de 90 mil católicos. Destes, pelo menos 80 mil são da Igreja clandestina, na qual servem 45 sacerdotes, 200 religiosas, 300 leigas consagradas e centenas de leigos catequistas; enquanto os sacerdotes “oficiais” são apenas 12. “Esses números são o suficiente para entender que o Departamento de Assuntos Religiosos busca destruir a Igreja diocesana, afastando os sacerdotes que não querem aderir” [à Associação Patriótica], assinalou. Para pressionar a inscrição, o Departamento oferece uma recompensa de até 200 mil yuanes, cerca de 30 mil dólares. Até agora, nenhum sacerdote aceitou a oferta.

(Fonte: Notícias Católicas)
 

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