SÃO PAULO

Encontro do Clero

Cardeal Scherer: “O Espírito Santo nos ajudará a renovar a vida de nossa Arquidiocese”

Por Bruno Muta Vivas
29 de fevereiro de 2020

Arcebispo de São Paulo realiza encontro com clero arquidiocesano para início do ano pastoral na Igreja de São Paulo

Na manhã desta quinta-feira, 27, Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, esteve reunido com o clero para abertura do ano pastoral na Arquidiocese de São Paulo, em evento que reuniu mais de 300 presbíteros, além de diáconos e bispos auxiliares.
 
A realização deste evento é marcado pela preparação dos trabalhos evangelizadores a serem conduzidos durante todo o ano de 2020, sob o ritmo da vida litúrgica: “Cada ano pastoral é um tempo de graça e de evangelização no ritmo da Liturgia: de anúncio, celebração e testemunho dos Mistérios da Fé. Quanta coisa podemos fazer durante um ano! Melhor conseguiremos desempenhar nossa missão, se nos organizarmos e se estivermos atentos aos apelos de Deus que se fazem presentes a todo instante, no correr do ano”, ressaltou o Cardeal ao iniciar sua prédica.
 
O tema de seu discurso foi marcado pela renovação da Igreja, seja em âmbito universal, com o recente olhar do Papa sobre a região amazônica, com a publicação do Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Querida Amazônia”, e a realização dos Congressos Eucarísticos, que recordam a centralidade do Augusto Sacramento na vida dos cristãos, seja de forma local, com a reflexão da Campanha da Fraternidade de 2020 sobre o cuidado com a vida, e, de forma especial, com a realização da Assembleia Sinodal Arquidiocesana.
 
 
RENOVAÇÃO DA ARQUIDIOCESE
 
Convidando todos os presbíteros a participarem da Abertura dos trabalhos da Assembleia Arquidiocesana, a se realizar no próximo dia 29 de fevereiro, às 15h00, na Catedral Metropolitana, Dom Odilo chamou a uma reflexão acerca dos temas já levantados nas pesquisas de campo e discutidos nas assembleias paroquiais e regionais.
 
O Arcebispo afirmou que “a Igreja que continua viva e presente na cidade de São Paulo”, ainda que pareça estar no meio de uma crise. A renovação da Igreja diante das dificuldades, afirmou Dom Odilo, “sempre aconteceu através de provações e chamados à conversão a Cristo e ao genuíno caminho do Evangelho. A renovação da Igreja nunca aconteceu através da 'conformação com o mundo’, mas através da renovada fidelidade ao Espírito de Cristo e à missão. A Igreja deve entrar no mundo, mas o espírito do mundo não deve entrar na Igreja.”
 
Mais ainda, lembrou que a “renovação da Igreja, em outras épocas, sempre se deu através de um renovado impulso missionário. Missões populares, missões ad gentes, catequese e pregação genuína ao povo, reforma da formação e da vida do clero, reforma da Vida Consagrada, centralidade da Eucaristia na vida das comunidades, prática das obras de misericórdia e caridade para com os pobres e doentes.”
 
Do mesmo modo, o Cardeal Scherer relembrou que, embora a participação do clero seja essencial neste processo de renovação, não se deve centralizar tal ação como se fosse tarefa exclusiva dele: “A Igreja também contou com a participação dos fiéis leigos: na vivência cristã em família e no processo da transmissão da fé. Essa missão não pode ficar concentrada na mão do clero e de alguns especialistas. A Igreja inteira é um povo missionário e, com frequência, damos a entender que o clero carrega sozinho a responsabilidade pela vida e a missão da Igreja.”
 
 
RENOVAÇÃO NA UNIDADE
 
Dom Odilo ressaltou que tal renovação se dá sempre na unidade e comunhão próprias da Igreja: "Sem a genuína comunhão eclesial, a Igreja desperdiça suas energias em lutas internas, movidas na maioria das vezes por vaidades pessoais, soberba e ambições humanas, em uma palavra, movida pelo 'espírito mundano'. A unidade mística e espiritual em torno de Jesus Cristo, cabeça e senhor da Igreja, deve acontecer também de forma visível, em torno dos legítimos organismos e pessoas encarregadas de assegurar a unidade e a comunhão da Igreja. Sem comunhão verdadeira, nossa Igreja pode se tornar um agregado de seitas, que já não estarão mais animadas pelo mesmo Espírito de Cristo. São preocupantes as críticas ao Papa e as pretensões de 'magistério paralelo' vindas de dentro da própria Igreja Católica. Ouvir o Papa, respeitar e obedecer às suas diretrizes não é questão de simpatia ou de palpite: para nós, é questão de fé."
 
Tal unidade e comunhão se dão, além, no sentido de pertença com que cada fiel vive sua vida cristã. Como Dom Odilo afirma, "a maioria dos católicos olham a Igreja de longe, como se não fossem parte dela, ou se ela fosse uma realidade que pertence a alguém outro. É uma percepção individualista da fé e da vida cristã. Falta maior senso de identificação e de pertença à Igreja, à própria comunidade. Até mesmo para muitos católicos praticantes, a Igreja é vista na ótica do 'mercado', detentora de bens desejáveis e bons, que se buscam quando se tem necessidade ou desejo deles, mas sem se envolver com ela. Temos urgente necessidade de desenvolver o senso comunitário entre os nossos fiéis. Nossa Igreja não é uma instituição do 'mercado religioso', mas a comunidade dos discípulos de Cristo, unidos a ele e entre si por laços sobrenaturais profundos."
 
 
RENOVAÇÃO DA VIDA CRISTÃ
 
O Arcebispo Metropolitano revelou uma preocupação em torno da vida cristã dos fiéis, a queda na frequência aos Sacramentos. Afirma o Cardeal que "a frequente contraposição que se fez entre 'evangelização' e 'sacramentalização' não foi saudável e passou a impressão de que os Sacramentos não são importantes e até dispensáveis e que devemos dar todo o peso à evangelização, como se evangelização e sacramentos não fossem partes da mesma missão da Igreja. Não se pode diminuir a importância dos Sacramentos, que são sinais mediadores da ação de Deus através da ação da Igreja. Uma Igreja sem os Sacramentos desprezaria a pedagogia da encarnação, não seria mais a Igreja Católica e poderia passar a impressão de que nós mesmos, por nossas humanas capacidades, damos a eficácia à pregação e à ação da Igreja"
 
Como ponto de partida para tal renovação, Dom Odilo ofereceu três caminhos ao clero da Arquidiocese: consciência da identidade presbiteral, renovação do espírito sacerdotal, e o cuidado do esencial da missão:  "Tomarmos nova consciência de nossa identidade sacerdotal e da missão que nos foi dada pela Igreja. [...] Renovar-nos no espírito sacerdotal, como S. Paulo recomendou a Timóteo: 'não descuides o dom que está em ti e que te foi dado pela imposição das mãos' (cf 1Tm 4,14). Renovar-se também na valorização da própria vida sacerdotal, para não cair no ativismo estéril, no desânimo e no azedume paralisante."
 
Relembrando a missão específica dos padres, o Arcebispo os indagou sobre a sua atuação sacerdotal: "Quanto do nosso tempo e energias dedicamos ao povo para acolher, ouvir, visitar, confortar, alegrar? Temos missa todos os dias em nossas paróquias? Rezamos pessoalmente e com o povo, também fora da Missa? Atendemos as confissões regularmente? Visitamos e cuidamos dos doentes? Consolamos e confortamos os enlutados de nossa paróquia? Nos interessamos pelas famílias? Qual é a atenção que damos aos pobres? Acompanhamos pessoalmente a catequese? Preparamos os noivos para o casamento com interesse e dedicação? Preparamos bem as homilias? Temos outras iniciativas de formação cristã, além da Missa e da preparação aos Sacramentos? Dedicamos o nosso tempo à nossa missão principal, ou apenas uma sobrinha do nosso tempo?"
 
Ao encerrar seu discurso ao clero, Dom Odilo reafirmou a esperança de que o Espírito Santo nao falharia em auxiliar a Igreja neste caminho de comunhão, conversão e renovação missionária: "Confiamos na generosa boa vontade de todos e na ação do Espírito Santo, animador e guia da vida eclesial. Ele, que “renova a face da terra”, nos ajudará a renovar a vida de nossa Arquidiocese."
 
 
CONFIRA A ÍNTEGRA DO DISCURSO DE DOM ODILO PEDRO SCHERER AQUI.
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