NACIONAL

Dom Cláudio

Cardeal Hummes lança livro sobre Sínodo para a Amazônia

Por Fernando Geronazzo
05 de mai de 2019

Obra tem objetivo de divulgar a temática da Assembleia Especial do Sínodo dos bispos convocada pelo Papa para outubro

Luciney Martins/O SÃO PAULO

No sábado, 27 de abril, na Catedral da Sé, aconteceu o evento de lançamento do livro “O Sínodo para a Amazônia”, do Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo e Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam).

Publicada pela Paulus Editora, a obra trata da temática e preparação da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, que será realizada em outubro, no Vaticano, com o tema “Amazônia, novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”.

Um dos membros da comissão preparatória do sínodo, Dom Cláudio explicou que o objetivo é divulgar o máximo possível o Sínodo e sua importância. “Com certeza, esse evento eclesial iluminará não apenas a Igreja na Amazônia com seus povos, mas toda a Igreja universal”, afirmou.

 

NOVOS CAMINHOS

“Encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do povo de Deus, sobretudo dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta Amazônica, pulmão de importância fundamental para o nosso planeta.” Essa foi a finalidade principal apresentada pelo Papa Francisco ao convocar o Sínodo, em 15 de outubro de 2017, em Roma.

A assembleia sinodal contará com a participarão de representantes dos nove países que constituem a chamada Pan -Amazônia – Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela, incluindo a Guiana Francesa como território ultramar –, envolvendo sete conferências episcopais.

Desde a convocação, a Igreja na Amazônia tem realizado encontros para estudar e aprofundar a proposta do Sínodo. Foi elaborado um documento preparatório que serve como texto-base, o qual oferece uma análise de conjuntura atual da Amazônia e aponta percursos e novos caminhos para a Igreja a serviço da vida nessa região. O subsídio recolhe sugestões e propõe caminhos para uma preparação adequada da Assembleia.

 

CONTEXTO

O Cardeal Hummes ressaltou que o Sínodo para a Amazônia acontece no contexto da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, sobre o cuidado com a casa comum. “Por isso, este Sínodo não terá um significado só para a Amazônia, mas para o mundo, mencionando outros biomas que precisam ser preservados.”

Outro estímulo apontado por Dom Cláudio para esse Sínodo foi a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 21), realizada em Paris, na França, em 2015, quando foi publicado um acordo climático assinado por mais de 190 países.

 

CAUSAS DA CRISE

Entre as causas da crise climática, o Cardeal Hummes destacou a forma como o ser humano intervém na natureza, o que o Papa chamou de “globalização do paradigma tecnocrático”, resultante do atual “modelo dominante” de desenvolvimento.

“A tecnociência deu um poder enorme à humanidade. Mas, ao ser humano moderno, falta ‘uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que lhe ponham realmente um limite e o contenham dentro de um lúcido domínio de si’”, salientou Dom Cláudio, citando a Laudato Si’.

Como caminho para enfrentar essa crise, o Papa Francisco chama a atenção para a necessidade de uma ecologia integral. A partir dessa concepção, Dom Cláudio afirmou que surge a necessidade de novos modelos de desenvolvimento, que não sejam predatórios. “O Sínodo poderá estimular para que se encontrem novos modelos”, avaliou.

 

IGREJA AMAZÔNICA

Sobre os desafios da ação evangelizadora da Igreja na Pan-Amazônia, o Cardeal recordou a preocupação do Santo Padre para que a fé seja inculturada na Amazônia, na necessidade de “uma Igreja com o rosto amazônico e indígena”.

Sobre a falta de sacerdotes, o Cardeal destacou o drama que os católicos da Amazônia vivem com a falta dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, Reconciliação e Unção dos Enfermos, que são ministrados pelos padres e bispos.

“Esses são os sacramentos da vida cotidiana. Não podem faltar para essas comunidades. Muitas delas se reúnem para celebrar a Palavra, mas faltam os sacramentos. A Palavra me ilumina, mas são os sacramentos que dão força para pôr em prática a Palavra”, afirmou.

 

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