NACIONAL

IGREJA

Campo aberto para a evangelização

Por Fernando Geronazzo
06 de setembro de 2019

Catequistas dão testemunho de sua missão evangelizadora de crianças, adolescentes, jovens e adultos nas comunidades da Arquidiocese

Os dados dos levantamentos da realidade religiosa e pastoral da Arquidiocese mostram não apenas os desafios, mas também as oportunidades para a animação bíblico-catequética na Igreja em São Paulo.  


Se, por um lado, a pesquisa de campo mostra que 55% dos entrevistados não católicos já professaram a fé católica um dia, por outro, 17% dos católicos afirmam ter um dia professado outra religião, o que confirma um movimento inverso de adesão ao catolicismo e, por isso, a importância da catequese. Outro dado que chamou a atenção é que a catequese de adultos aumentou 57% em dez anos. 


As questões referentes ao conhecimento dos católicos sobre a doutrina dos sacramentos e dos mandamentos da Lei de Deus também chamam a atenção para a necessidade de formação catequética: 23,87% dos entrevistados que se declararam católicos afirmaram não saber quais são os sete sacramentos e 11,45% desconhecem os Dez Mandamentos. O levantamento apontou, ainda, que 59,08% desses católicos não conhecem o Catecismo da Igreja Católica. 

URGÊNCIA
O levantamento também confirmou que existe um campo aberto para a evangelização e transmissão da fé, pois 63,54% dos católicos afirmaram que gostariam de conhecer melhor a fé católica. Já 34,83% acrescentaram que gostariam de participar de iniciativas voltadas para um maior conhecimento da fé católica. 


Dentre as iniciativas indicadas pelos entrevistados, destacam-se estudos bíblicos (59,27%), encontros de formação (42,12%) e catequese para adultos (37,31%). 
Tais números confirmam o que já é apontado pelo 12º Plano de Pastoral da Arquidiocese: “Temos necessidade urgente de retomar a catequese sistemática e as demais ações e metodologias voltadas à iniciação à vida cristã e ao testemunho da fé”. 

INICIAÇÃO 
Entende-se como iniciação à vida cristã o processo pelo qual uma pessoa é introduzida no mistério de Jesus Cristo e na vida da Igreja, por meio da Palavra de Deus e da mediação sacramental e litúrgica. Um dos principais modelos de iniciação é o catecumenato de adultos, que remonta à Igreja primitiva. 


Em 2017, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou o Documento “Iniciação à vida cristã: itinerário para formar discípulos-missionários”. 


Na ocasião do lançamento do documento, Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba (PR) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética, destacou que há bastante tempo se constata que o modelo atual de catequese não corresponde mais aos desafios do tempo presente. 


“Nossa catequese tem um estilo muito escolar. Não se trata apenas de conteúdos a ensinar, de disciplinas a propor, mas transmitir a pessoa de Jesus e proporcionar um encontro pessoal com Ele”, destacou o Arcebispo.

RICA
O grande referencial para a Igreja desse modelo de catequese é o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (Rica). O Documento da Santa Sé, publicado em 1972 a pedido do Concílio Vaticano II e reeditado no Brasil em 2001, descreve os ritos do catecumenato e retoma a unidade dos sacramentos da iniciação cristã: o Batismo, a Eucaristia e a Crisma.


O processo de iniciação é desenvolvido no Rica por meio de etapas que visam ao conhecimento e à adesão da pessoa à fé cristã: “tempo de conversão” (querigma, pré-catecumenato); “tempo da preparação” (catequese, eleição) e “tempo da recepção dos sacramentos” (purificação/iluminação/mistagogia). 


 “Há muitos católicos que precisam de uma ‘nova iniciação’. Isso não é somente para aqueles que ainda não receberam os sacramentos”, afirmou Dom Peruzzo. Essas pessoas não receberiam os sacramentos novamente, mas fariam um caminho de catequese semelhante ao dos catecúmenos em vista de um aprofundamento na fé e para uma renovação convicta de suas promessas batismais. (FG)

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