SÃO PAULO

ESPORTE

Brasil muda de postura para conquistar a América

Por Flavio Rogério Lopes
12 de julho de 2019

Seleção Brasileira conquista a Copa América pela 9ª vez e mantém tradição de sempre vencer o torneio quando disputado em seus domínios

Lucas Figueiredo/CBF

A eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, não foi facilmente digerida pela Seleção Brasileira de Futebol, principalmente pelo técnico Tite, que ficou ainda mais pressionado. Mas a derrota para a Bélgica por 2 a 1 fez com que o treinador repensasse seus próprios métodos e percebesse que era preciso realizar mudanças, que resultaram na conquista da Copa América, no último domingo, dia 7, no estádio do Maracanã, diante do Peru, pelo placar de 3 a 1, com gols brasileiros de Everton, Gabriel Jesus e Richarlison. 

O QUE A COPA ENSINOU

O próprio técnico Tite declarou que o maior aprendizado que tirou da Copa da Rússia foi o de não ter medo de reagir mais rápido para mexer na equipe caso avalie necessário, principalmente em torneios curtos. A insistência em alguns jogadores que não tiveram um bom rendimento esperado marcou o Mundial.

Os amistosos que foram realizados entre a eliminação na Copa do Mundo e a Copa América mostraram que, mesmo que lenta, houve uma evolução na Seleção. O Brasil venceu todos os dez jogos que realizou entre as competições, fez 25 gols e tomou apenas dois, apesar de ter enfrentado seleções fracas tecnicamente, com exceção de Argentina e Uruguai, ambos vencidos por 1 a 0.

“O time do Brasil melhorou, embora podemos ver que a equipe estava apresentando com menos frequência uma atuação convincente. Tínhamos aquela sensação de que o Brasil iria viver um grande momento na Copa América, porque vinha jogando bem, embora em 2018, nos amistosos, o Brasil já tivesse encontrado algumas dificuldades táticas”, avaliou o jornalista esportivo Lincoln Chaves, em entrevista ao programa Camisa 9 da rádio 9 de Julho.

CONFIANÇA NO ELENCO 

Os dois amistosos com o elenco convocado para a Copa América, contra Qatar e Honduras, mostraram que Tite estava engajado em encontrar uma equipe forte para a disputa, sobretudo após o corte de Neymar. Todos os jogadores de linha foram utilizados nos dois jogos em que o Brasil venceu o Catar por 2 a 0 e goleou Honduras por 7 a 0. 

Tite pensou ter achado uma solução para vaga de Neymar nos dois primeiros jogos da Copa América com Richarlison e David Neres, mas a equipe não engrenou, o que fez o treinador escalar Everton “Cebolinha” e Gabriel Jesus, que estavam em ascensão. O técnico viu o time ficar mais rápido e incisivo, como mostrou a goleada contra o Peru na última rodada da fase de grupos por 5 a 0. Os dois atletas voltaram a fazer gols na final de domingo.

“O Brasil apresentou uma melhora porque algumas peças que não vimos em 2018 estão nesse time, como o Artur, um jogador que o Brasil não tinha naquela competição e que hoje auxilia muito em fazer a bola girar”, afirmou Lincoln Chaves.

SELEÇÃO SEM NEYMAR

O Brasil jogou a Copa América sem Neymar, um dos principais jogadores da equipe, segundo o próprio Tite, mas não uma peça insubstituível. Neymar, em 13 jogos depois da Copa do Mundo, só participou de cinco completos, pois contra Camarões e Catar saiu machucado ainda no primeiro tempo. 

A lesão no tornozelo que tirou Neymar da competição não foi o único adversário que o camisa 10 precisou enfrentar nesse período. Problemas extracampo também atrapalharam a preparação para Copa América, além da sua condição física ser questionada após uma nova lesão no pé direito.

‘’Tecnicamente, é imprescindível, sim. Quando a gente fala imprescindível, isso não quer dizer insubstituível. É imprescindível pela qualidade no grupo. Mas insubstituível ninguém é, em lugar nenhum, em nenhum posto’’, disse Tite em coletiva de imprensa na Granja Comary, sobre a ausência de Neymar no grupo.

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