NACIONAL

SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

Brasil: ainda há muito o que melhorar na saúde

Por Nayá Fernandes
12 de abril de 2019

Êxitos e desafios do Sistema Único de Saúde fazem parte do cotidiano de milhões de brasileiros, que vivem situações complicadas e, muitas vezes, se sentem desamparados nessa temát

Wilson Dias/Agência Brasil

No dia 7 de abril, em todo o mundo, comemora-se o Dia Mundial da Saúde. Uma data oportuna para pensar a respeito dos avanços e desafios da saúde no Brasil, sobretudo no que se refere à saúde pública e às políticas públicas nessa área, no âmbito do tema da Campanha da Fraternidade 2019, “Fraternidade e Políticas Públicas”.

O Brasil escolheu aproveitar a ocasião para fazer um alerta sobre a importância da vacinação e da imunização para evitar a volta de doenças já erradicadas no mundo. Recentemente, um surto de sarampo no País aconteceu devido ao fato de muitos pais ou responsáveis decidirem não vacinar seus filhos.

A vacinação contra o sarampo atingiu um pico em 2003, porém vem caindo ano a ano, até chegar próximo a 80% em 2018, patamar longe da meta de, no mínimo, 95% de taxa de imunização.

Importante recordar que o sistema de imunização do Brasil é referência mundial no que se refere a campanhas de vacinação. Aliás, se há um aspecto das políticas públicas que deve ser elogiado no País é justamente o da imunização. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente 19 vacinas, prevenindo contra 18 doenças, proporcionando proteção que se inicia ainda nos recémnascidos, podendo se estender por toda a vida. São mais de 300 milhões de doses de vacinas aplicadas por ano.

 

AS PÉROLAS DO SUS

É importante falar acerca das vacinas do SUS, porque, além de gratuitas, todas são seguras. Elas passam, desde o processo de produção, por avaliação de qualidade e segurança por meio de agências reguladoras e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Programa Nacional de Imunizações do Brasil é internacionalmente reconhecido e seu sucesso favoreceu a redução das desigualdades sociais e a proteção contra uma série de doenças, contribuindo significativamente para diminuir os índices de mortalidade em menores de 5 anos.

Outros programas, como os centros de referência para controle de HIV/AIDS, também são exemplo para outros países, bem como as farmácias de alto custo do SUS, a legislação de genéricos e o acesso a medicamentos de uso contínuo.

 

CUIDADO CONSTANTE

Pessoas com doenças graves e que precisam de medicamentos excepcionais, ou seja, de uso contínuo ou de alto custo, podem também contar com o SUS para obtê-los. O caminho a ser percorrido nem sempre é fácil e os beneficiados passam por uma espécie de triagem, além de terem o dever de estar em dia com consultas e receitas.

Esses medicamentos são usados no tratamento de doenças crônicas e raras e distribuídos em farmácias específicas para esse fim. Por representarem custo elevado, sua distribuição obedece a regras e critérios específicos. O Programa de Medicamentos Excepcionais foi criado em 1993 e ampliado pelo SUS.

Rita dos Santos Medina, 64, vai todos os meses à Farmácia da Vila Mariana, na zona Sul de São Paulo, que atende, por mês, cerca de 28 mil pacientes, de acordo com dados fornecidos pelo próprio site do estabelecimento. Rita usa mais de um medicamento para osteoporose, que trata há mais de oito anos, e afirma que, se não obtivesse os medicamentos gratuitamente, não conseguiria se manter e pagar os remédios.

“Penso sempre nas pessoas que não têm acesso, que moram em cidades afastadas ou nem sabem que têm esse direito. Na verdade, mesmo sendo difícil, pois atravesso a cidade para vir aqui, é muito bom que exista este programa”, contou Rita.

 

GENÉRICOS

Outra conquista no que se refere ao acesso à saúde foi a legislação dos medicamentos genéricos, aprovada em 1999.

O processo começou ainda na década de 1970, mas só foi concluido com a Lei 9.787, de 10/02/1999. Após a Lei, foram criadas as condições para a implantação de medicamentos genéricos, em consonância com normas adotadas pela Organização Mundial da Saúde.

 

QUANDO O SISTEMA NÃO VAI TÃO BEM...

Embora existam aspectos que devam ser reconhecidos por sua abrangência e eficiência, o SUS está longe de funcionar perfeitamente. São muitos os problemas pelos quais os brasileiros passam todos os dias quando recorrem ao sistema público e, em alguns casos, até mesmo em sistemas privados, sobretudo nos convênios médicos.

São comuns nos noticiários cenas de pessoas sendo atendidas nos corredores dos hospitais ou reportagens sobre a falta de médicos nas unidades. E não só de médicos, mas de profissionais de forma geral, de equipamentos e de vagas. Enfim, quando o assunto é saúde pública, a lista de problemas e desafios parece não ter fim.

O caso da pequena Alícia, que nasceu em abril de 2018, no Hospital Municipal Vereador José Storopolli (popularmente conhecido como Vermelhinho), na zona Norte de São Paulo, é um desses exemplos em que a defasagem do sistema foi crucial para o desenrolar dos fatos.

Na noite seguinte ao nascimento, a recém- -nascida começou a apresentar os primeiros sintomas de síndrome da Hipoplasia, uma condição rara do coração, que requer um procedimento cirúrgico logo após o nascimento.

Não havia, porém, vaga para a cirurgia no hospital em que se encontrava.

Talyta Amaral, tia de Alícia, começou uma busca por vagas nos hospitais e levou o caso à mídia, para tentar que a sobrinha fizesse o procedimento. No entanto, mesmo diante de muito esforço e mobilização de várias pessoas, a recém-nascida não conseguiu a vaga e não resistiu, vindo a falecer 19 dias após o nascimento.

“Nosso coração chora. Chora porque nós perdemos nossa princesa por culpa de um sistema inútil, que não ampara aqueles que não podem pagar. Nosso País chegou ao caos, nossos direitos só existem no papel. Enquanto isso, outros usam nosso dinheiro para benefício próprio”, escreveu Talyta na ocasião.

 

RAPIDEZ É ESSENCIAL

Recentemente, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em São Paulo, foi questionado por ter passado por uma série de mudanças que, segundo especialistas, pode piorar um sistema que já estava deficiente.

Em fevereiro de 2019, a Secretaria Municipal da Saúde anunciou o fechamento de 31 das 58 bases do Samu. Com isso, os funcionários passaram a trabalhar em locais como Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e hospitais. Segundo a Prefeitura, tal mudança permitiu ampliar os pontos de atendimento para 78.

O que está em jogo é justamente o tempo do atendimento. De acordo com padrões internacionais, o tempo máximo é de 12 minutos para a chegada do socorro quando a vítima corre o risco de morrer. Na Capital Paulista, um socorro dessa modalidade demora, em média, 30 minutos, e as pessoas se queixam do extenso protocolo, ou seja, de todas as perguntas que têm de ser respondidas quando da solicitação do serviço, o que atrasa ainda mais o atendimento. O sistema se defende, afirmando que o protocolo foi criado devido ao alto número de trotes.

Em reportagem publicada pela Câmara Municipal de São Paulo, no dia 13 de março, a Prefeitura disse ainda que vai economizar R$ 600 mil por mês e que a economia será reinvestida no Samu. O diretor do Samu, Marcelo Takano, afirmou que os médicos vão sentir a mudança a partir de abril.

O Samu recebe cerca de 5 mil ligações diariamente. Esse total inclui chamados múltiplos para a mesma ocorrência, trotes e solicitações de informações que não se enquadram nas características do serviço. Em média, são realizados 600 despachos de viaturas para atendimento de ocorrências de urgência e emergência.

UMA MÃE E UM MILAGRE

Orney da Silva e Janete Simplício da Silva são casados há 21 anos e têm três filhos: Iago Simplício da Silva, 14; Yuri Simplício da Silva, 10, e o pequeno Mikael, que completa 4 meses de vida em abril.

Em 17 de dezembro de 2018, Janete foi internada no Hospital Geral da Vila Nova Cachoeirinha para uma cesariana e o nascimento do terceiro filho. No dia seguinte, o esposo, Orney, ligou no hospital para saber quando poderia visitá-la e foi informado que não seria possível, pois ela ainda estava à espera de um quarto.

“Então, no dia 19, liguei novamente e pedi esclarecimentos, pois não era normal que eu ficasse dois dias sem contato com ela. Quando finalmente consegui, vi minha esposa entubada, apagada e fiquei em choque”, contou Orney.

Janete teve complicações durante a cesariana, passou por duas cirurgias, que duraram seis horas, teve hemorragia e chegou a perder o útero. “Segundo os médicos, devido à hemorragia, o sangue atingiu o pulmão e ela não conseguia respirar”, disse o esposo.

Aos 39 anos, Janete teve uma tromboembolia pulmonar e ficou 34 dias em coma, sendo que nesse período sua respiração era feita 100% por aparelhos.

“Todos os dias, ia visitá-la e os médicos diziam que a possibilidade de ela sobreviver era menos de 1%. Então, a única coisa que eu podia fazer era rezar e pedir a Deus que a salvasse. E assim fizemos: eu, minha família e a comunidade”, contou Orney, que participa da Comunidade São Pedro, do Jardim Paraná, pertencente à Paróquia São José Operário, na Região Episcopal Brasilândia.

Mikael agora passeia no colo da mãe e, acompanhado pelos irmãos e o pai, vai à missa na Comunidade que tanto rezou pela recuperação de Janete. “Foi um milagre de Deus, não há explicação. Até os médicos ficaram surpresos com a recuperação dela”, disse, emocionado, Orney.

Janete teve complicações durante a cesariana, passou por duas cirurgias, que duraram seis horas, teve hemorragia e chegou a perder o útero. “Segundo os médicos, devido à hemorragia, o sangue atingiu o pulmão e ela não conseguia respirar”, disse o esposo.

Aos 39 anos, Janete teve uma tromboembolia pulmonar e ficou 34 dias em coma, sendo que nesse período sua respiração era feita 100% por aparelhos.

“Todos os dias, ia visitá-la e os médicos diziam que a possibilidade de ela sobreviver era menos de 1%. Então, a única coisa que eu podia fazer era rezar e pedir a Deus que a salvasse. E assim fizemos: eu, minha família e a comunidade”, contou Orney, que participa da Comunidade São Pedro, do Jardim Paraná, pertencente à Paróquia São José Operário, na Região Episcopal Brasilândia.

Mikael agora passeia no colo da mãe e, acompanhado pelos irmãos e o pai, vai à missa na Comunidade que tanto rezou pela recuperação de Janete. “Foi um milagre de Deus, não há explicação. Até os médicos ficaram surpresos com a recuperação dela”, disse, emocionado, Orney


 

DIA MUNDIAL DOS ENFERMOS

Em 11 de fevereiro, a Igreja celebra o Dia Mundial dos Enfermos. A data, instituída em 1992 por São João Paulo II, acontece anualmente em comunidades, paróquias, dioceses e conferências episcopais de todo o mundo no dia de Nossa Senhora de Lourdes.

Este ano, o tema do Dia Mundial dos Enfermos foi “Recebestes de graça, dai de graça” (Mt 10,8). Na mensagem, o Papa Francisco recorda que a vida é dom de Deus. “Precisamente porque é dom, a existência não pode ser considerada como mera possessão ou propriedade privada, sobretudo à vista das conquistas da Medicina e da Biotecnologia, que poderiam induzir o homem a ceder à tentação de manipular a ‘árvore da vida’” (cf. Gn 3,24).

“Mãe de todos os seus filhos, mas com uma solicitude especial pelos doentes”, a Igraja, escreve o Papa, lembra que o caminho mais credível de evangelização são os gestos de um dom gratuito como os do bom samaritano. A atenção para com os doentes precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples.

 

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