NACIONAL

ÍDOLO BRASILEIRO

Ayrton Senna: 25 anos de legado dentro e fora das pistas

Por Flavio Rogério Lopes
01 de mai de 2019

O piloto estreou na Fórmula 1 em 1984 e passou pelas equipes Toleman e Lotus até chegar à McLaren, em 1988, para correr ao lado do francês bicampeão mundial

Norio Koike ASE

Há exatos 25 anos, o maior ídolo do automobilismo brasileiro e tricampeão mundial de Fórmula 1 deu sua última volta na pista. A morte trágica de Airton Senna, no dia 1º de maio de 1994, ao colidir seu carro em uma mureta de proteção durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália, deixou o mundo transtornado.

PILOTO COMPLETO 

Nascido em 21 de março de 1960, em São Paulo, a carreira de Senna no automobilismo começou no kart, como a maioria dos pilotos. Na década de 1980, transferiu-se para a Europa, onde se tornou bicampeão da Fórmula Ford (1981 e 1982) e conquistou a Fórmula 3 Britânica em 1983.

“Ayrton era um piloto completo, pois era rápido nos treinos classificatórios e durante as corridas. Em pista seca, ele corria muito bem e era um fenômeno em pista molhada”, disse o jornalista Sergio Quintanilha, editor do Guia do Carro, em entrevista ao O SÃO PAULO.

O piloto estreou na Fórmula 1 em 1984 e passou pelas equipes Toleman e Lotus até chegar à McLaren, em 1988, para correr ao lado do francês bicampeão mundial, Alain Prost. Nos cinco anos seguintes, eles travariam uma das mais acirradas disputas na história da categoria. Senna conquistou seu primeiro título mundial em 1988 e venceu as temporadas de 1990 e 1991, tornando-se o mais jovem tricampeão da Fórmula 1, aos 31 anos.

DEPOIS DA TRAGÉDIA...

O brasileiro transferiu-se para a Williams em 1994. O GP de San Marino foi o último da carreira do tricampeão. Foram 161 corridas, com 65 positians, 19 voltas mais rápidas e 41 vitórias. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) se empenhou em melhorar a segurança dos carros após a tragédia.

“O maior legado do Ayrton foi a segurança: quando ele morreu, naquele fim de semana fatídico que teve mais mortes e acidentes, fazia dez anos que não havia um acidente fatal na Fórmula 1. Infelizmente, não havia tanta segurança quanto se imaginava. Depois da morte do Ayrton, o automobilismo investiu muito para aumentar a segurança”, reiterou Quintanilha, que acompanhou de perto a carreira do piloto.

O BRASIL APÓS SENNA

Mesmo sendo o detentor de oito títulos mundiais de F1, distribuídos entre Senna (3), Nelson Piquet (3) e Emerson Fittipaldi (2), hoje o Brasil não conta com piloto algum na maior categoria do automobilismo mundial.

“Muitos brasileiros chegaram à Fórmula 1 e havia uma expectativa muito grande sobre eles. A própria mídia que cobria as corridas tinha a esperança de que pudesse surgir um novo Senna, porém não surge um Senna a todo momento”, concluiu Quintanilha.

FORA DAS PISTAS

“Dois meses antes do acidente em Ímola, ele compartilhou com a minha mãe (Viviane Senna) o desejo de fazer algo relevante pelo futuro dos brasileiros, em especial pelas crianças e jovens. Foi assim que nasceu o projeto da criação do Instituto Ayrton Senna e que seria concretizado ainda em novembro de 1994”, disse Bianca Senna, sobrinha de Senna, à reportagem.

Hoje, o Instituto Ayrton Senna alcança anualmente 1,5 milhão de crianças e jovens, forma 45 mil educadores e impacta aproximadamente 600 municípios em 16 Estados brasileiros.

“O Ayrton sonhava com um País em que todos tivessem a oportunidade de se desenvolver-se plenamente, assim como ele pôde. Sonhava com um Brasil onde seria possível ter um futuro melhor. Ele sabia que essa possibilidade estava distante da maioria dos brasileiros e ousou sonhar em mudar essa realidade”, disse.

HOMENAGEM NO VATICANO

O Papa Francisco recebeu, no dia 17 de abril, no Vaticano, um busto e um capacete do tricampeão mundial de Fórmula 1. O busto foi confeccionado pela sobrinha do piloto e artista plástica, Paula Senna, e entregue ao Pontífice por Bianca Senna. A obra ficará exposta no Museu do Vaticano.

“Foi um dia muito emocionante. Foi uma honra poder ir ao Vaticano e ainda encontrar o Papa Francisco, justamente na semana da Páscoa, para lhe entregar uma obra tão especial como essa escultura, que chamamos de ‘Meu Ayrton’ e foi feita pela minha irmã Paula”, lembrou Bianca.

Paula confeccionou a escultura usando fotos e memórias como referência, e contou com a ajuda de familiares para dar vida a aspectos da anatomia de Ayrton que as imagens não captavam.

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