SÃO PAULO

Liberdade Religiosa

Arquidiocese se une ao Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos

Por Fernando Geronazzo
10 de agosto de 2017

Na Catedral da Sé, missa marcou o Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos, promovido pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

No domingo, 6, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu uma missa na Catedral da Sé pelo Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos, iniciativa promovida pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN, na sigla em inglês). A data surgiu em referência à fuga de milhares de cristãos do Norte do Iraque, em 2014, expulsos pelos extremistas do grupo Estado Islâmico. A região concentrava 25% dos cristãos do país e também reunia algumas minorias muçulmanas ameaçadas. Este ano, as intenções não se concentram apenas nos cristãos do Oriente Médio, mas se estendem às perseguições em todo o planeta.

Antes da celebração, foram exibidos vídeos realizados nos países onde há perseguição religiosa, com imagens e relatos dos cristãos que conseguiram escapar e sobreviver aos ataques extremistas. “Aqueles que não morreram continuam a ser perseguidos única e exclusivamente porque acreditam em Nosso Senhor Jesus Cristo. Trata-se de uma situação em que somos chamados a transformar ódio em amor e, como nos ensina o Papa Francisco, a rezar, porque a oração é o que nós temos de mais forte”, afirmou Valter Callegari, Diretor Executivo da ACN no Brasil.

De acordo com as estatísticas do Center for Study of Global Christianity, em 2016, um cristão foi morto a cada seis minutos simplesmente por professar a sua fé. O Oriente Médio e o Norte da África continuam como a região onde a perseguição é mais cruel. Segundo recente relatório da Catholic Near East Welfare Association (CNEWA), os cristãos do Oriente Médio que vivem entre Chipre, Egito, Iraque, Israel, Jordânia, Líbano, Cisjordânia, Gaza, Síria e Turquia são 14,5 milhões. Em 2010, o número era de 200 mil pessoas a mais.

 

Confiantes na vida eterna

“Queremos unir a nossa oração na intenção de todos os cristãos que sofrem perseguição, discriminação, violência e martírio”, afirmou Dom Odilo no início da celebração.

Na homilia, o Cardeal Scherer partiu do relato da Transfiguração do Senhor, festa litúrgica do dia, para refletir que é a fé na glória celeste que dá força e coragem aos cristãos para permanecerem fiéis, apesar de tantos sofrimentos. “Olhando para Jesus Cristo, lembramos que participamos do seu sofrimento nesta vida e, se permanecemos firmes com Ele, por outro lado, participaremos também da promessa da sua glória, da vida eterna”, afirmou Dom Odilo.

 

Hiperextremismo

Em novembro de 2016, a ACN publicou a 13ª edição do relatório Liberdade Religiosa no Mundo, que avalia a situação da liberdade religiosa em 196 países, incluindo o Brasil. O período de análise do relatório foi de junho de 2014 a junho de 2016, e baseou-se em pesquisas de jornalistas, acadêmicos e clérigos. O levantamento alerta para o impacto global de um novo tipo de violência religiosa, denominada “hiperextremismo”: trata-se de uma tentativa generalizada de substituir o pluralismo por uma monocultura religiosa. 

O relatório definiu o “hiperextremismo” islâmico como um processo sem precedentes de radicalização intensificada. A maior radicalização faz-se notar nas seguintes características: sistema radical de lei e governo; tentativas sistemáticas de aniquilar ou afastar todos os grupos que não concordem com a sua perspectiva, incluindo correligionários mais moderados e aqueles com diferentes tradições; tratamento cruel das vítimas; uso das redes sociais mais recentes, principalmente para recrutar seguidores e intimidar os opositores por meio da exibição de violência; impacto global, tornado possível por meio de grupos extremistas filiados e de redes de apoio com bons recursos. 

Esse novo fenômeno tem tido um impacto na liberdade religiosa em todo o mundo. Desde meados de 2014, ocorreram ataques islâmicos violentos em um de cada cinco países do mundo, desde a Suécia à Austrália, incluindo 17 países africanos. Em alguns países do Oriente Médio, incluindo a Síria e o Iraque, o hiperextremismo está eliminando todas as formas de diversidade religiosa e está ameaçando fazê-lo igualmente em países da África e da Ásia Meridional.

Ainda segundo o relatório, o extremismo e o “hiperextremismo”, observados em países que incluem o Afeganistão, a Somália e a Síria, tem sido um fatorchave na repentina explosão de refugiados que, de acordo com os números das Nações Unidas para o ano de 2015, aumentou em 5,8 milhões, chegando a um novo número máximo de 65,3 milhões. 

 

Esperança

Apesar dos números alarmantes, a Ajuda à Igreja que Sofre tem se esforçado para mudar esse cenário de perseguição. “Há algum tempo, era corrente a ideia de que em breve não teríamos mais cristãos nas terras onde nasceu o Cristianismo. Muito embora a situação permaneça crítica, alguns sinais de esperança estão surgindo. Na planície de Nínive, cristãos já estão voltando para as suas casas. Nós da ACN estamos ajudando. Aos poucos, lentamente, eles estão superando o trauma que viveram, afirmou Valter Calllegari.

“Na Síria, estamos levando leite para as crianças; no Líbano, alimentando os refugiados; na Nigéria, ajudando as viúvas e órfãos do Boko Haram a construírem novamente as suas vidas”, continuou o Diretor da ACN, ressaltando a força da oração e da generosidade dos cristãos. “Nós acreditamos que alguns desses sinais de esperança possam ser frutos de nossas orações. Estamos aqui reunidos para que Deus nos ajude a rezar pelos nossos irmãos. Eles, que são exemplos para nós, sejam abençoados e possam cumprir sua missão”. 
fernando 

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