SÃO PAULO

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'Anjos’ a serviço da vida, juventude e famílias

Por Fernando Geronazzo e Júlia Cabral
16 de mai de 2017

Nova comunidade nascida de um grupo de jovens dedica-se à acolhida de famílias feridas

Comunidade Anjos da Vida

“Ser sinal de conversão para os do- entes da alma e caminho de reconciliação com Deus”. Assim a Comunidade Católica Anjos da Vida define seu carisma e missão, tendo nascido na Arquidiocese de São Paulo em 1998, por iniciativa do casal Regy e Vanusa Velasco.

Catequistas na Paróquia Santíssima Trindade, na Região Episcopal Santana, Regy e Vanusa sentiram-se chamados a se dedicar à evangelização junto aos jovens e suas famílias. Com o passar dos anos, o grupo paroquial de jovens cresceu e, em 2007, se tornou uma nova comunidade. Em 19 de setembro de 2015, a Anjos da Vida teve sua regra de vida aprovada canonicamente pelo arcebispo de São Pau- lo, Cardeal Odilo Pedro Scherer

Em saída

Atualmente, a comunidade realiza diversas atividades, como Catequese para as crianças, encontros de oração e evangelização da juventude e das famílias. Não obstante, sua missão não se limita ao âmbito interno da Igreja. Inspirada pela exortação apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, na qual ele propõe uma “Igreja em saída” e uma “cultura do encontro”, a Comunidade desenvolve a Intervenção Católica: trata-se de uma missão itinerante promovida por jovens em locais públicos da cidade, como praças, estações de metrô e terminais de ônibus, por meio de manifestações artísticas, pregações e abordagem pessoal.

 

Famílias

O apostolado da Comunidade Anjos da Vida com as famílias, em especial com os casais, é realizado pelo encontro para casais “Minha família” e o projeto de evangelização “Somos um” (S1). “Minha família” consiste em um encontro de “primeiro anúncio” (querigma) para casais, que aborda, por meio de uma vivência cristã, temas como o amor de Deus na família, o perdão e a reconciliação. O S1, por sua vez, é um projeto formado por diversos grupos de casais - chamados “decúrias” -, que tem como objetivo, por meio de visitas missionárias, acolher novos casais na vida eclesial com momentos de formação e espiritualidade.

Ambas as atividades estão abertas aos casais em segunda união e àqueles que apenas coabitam, ou seja, que não contraíram o sacramento do Matrimônio.

Os fundadores explicam que, a partir do carisma da comunidade e do que convida o Papa Francisco na exortação apostólica Amoris Laetitia, esses casais não podem ser enxergados somente a partir de sua situação irregular. “Pro- curamos, antes de tudo, ver cada um como uma pessoa que, como eu, precisa ser curada. E isso requer acolhimento misericordioso e acompanhamento paciente [...]. As pessoas sentem que tipo de olhar as oferecemos: de conde- nação ou de amor”, disse Vanusa.

A partir dessa proximidade misericordiosa e fraterna, a Comunidade consegue orientar cada casal em sua situação específica e inseri-lo na vida da Igreja. “E não se trata simplesmente de permitir a comunhão eucarística; a Eucaristia é alimento, mas não é porta de entrada, nem mesmo na vida sacramental ordinária, e sim o cume. Na Amoris Laetitia, o Papa indica o caminho: acolher, acompanhar, discernir, integrar”, acrescentou a fundadora.

 

Integrar

O diferencial do trabalho da Comunidade Anjos da Vida é que os casais em situações especiais são acompanha- dos desde o início junto aos demais casais. Os fundadores ressaltam que não existe uma metodologia de evangelização própria para os casais que têm o sacramento e outra para os que não o têm: “Não existe família que não tenha feridas. Cada família que chega a nós é inserida em um processo de cura, per- dão e reconciliação com a sua história, por meio da vida de oração, da comunhão espiritual e do acompanhamento pessoal; e logo elas são inseridas nos trabalhos de missão da Comunidade, o que é muito importante para que se sintam Igreja, de fato. A reconciliação com Deus passa pela reconciliação com a Igreja, o que não se pode reduzir a um ato jurídico, mesmo que este seja importante”, afirmou Vanusa.

Edmilson Bezerra Teixeira, 29, e Tatiane Shizido Leite, 34, estão juntos há nove anos, e têm dois filhos. Eles afirmam que chegaram à Comunidade feridos em sua vivência eclesial. “Sentíamo-nos excluídos de tudo. Pelo fato de eu já ter sido casado na Igreja em minha primeira união, fui impedido de participar dos trabalhos de minha paróquia”, explica Edmilson. Eles conheceram a Comunidade por meio de um dos encontros para oração do Terço, realizados semanalmente. “Fomos acolhidos com muito amor e oração. Chegamos muito machucados pelo que o mundo nos oferecia e hoje estamos passando por um processo de cura dia a dia”. O processo de verificação da nulidade matrimonial da primeira união de Edmilson está avançado. Uma vez declarada nula sua primeira união, ele poderá regularizar na Igreja sua situação com Tatiane. Sobre a participação na Eucaristia, Edmilson afirmou: “Sim, vamos à missa todos os domingos, e temos nosso momento de comunhão espiritual. Entendemos e acolhemos os ensinamentos da Igreja”, relatou.

 

Esperança

Renato Rodrigues Correa, 39, e Elisangela Rodrigues, 39, vivem juntos há 19 anos, têm três filhos, mas não celebraram o sacramento do Matrimônio. Eles conheceram a Anjos da Vida há dois anos por meio do encontro de casais. “Chegamos com muitos problemas em nosso casamento e desajustes em nossa vida pessoal. Não frequentávamos a Igreja e o Renato não tinha religião”, conta Elisangela. A família sofria com o alcoolismo de Renato, vício do qual conseguiu se libertar com apoio da Comunidade.

Por falta de informação sobre sua situação irregular em relação ao sacra- mento, Elisangela conta que comungava sacramentalmente nas missas. Com o auxílio da Comunidade, ela conheceu o ensinamento da Igreja a esse respeito, e compreendeu o que seria o melhor para eles naquele momento. “O Renato logo se interessou em fazer a Catequese para receber os sacramentos. Hoje entendemos o valor da missa para nós. É o nosso encontro pessoal com Deus”.

Renato e Elisangela estão de casa- mento marcado para maio. “A Comunidade foi de extrema importância para essa nossa decisão, pois foi por meio dela que nós viemos a conhecer a Palavra que liberta e que gera vida”, declarou Elisangela.

 

 

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