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América Latina precisa de ‘uma política boa e nobre’

Por Fernando Geronazzo
07 de dezembro de 2017

Encontro, em Bogotá, discutiu a participação dos leigos católicos na vida política

Celam

A participação dos leigos católicos na vida política foi o tema de um encontro internacional realizado em Bogotá, na Colômbia, entre os dias 1º e 3. O evento foi promovido pela Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) e pelo Conselho Episcopal Latino-americano (Celam). Arcebispos, bispos, senadores, prefeitos, ministros, ex-presidentes, embaixadores e responsáveis de estruturas nacionais de diversos países participaram do encontro convocado pelo Papa Francisco, que enviou uma vídeo-mensagem para o evento. 

Entre os 95 convidados estavam Felipe de Jesus Calderón Hinojosa, Ex-Presidente do México; José María Leyes, Prefeito de Cochabamba, na Bolívia; Felipe Pérez Martí, Ex-Ministro do Planejamento e Desenvolvimento da Venezuela; Yamila Johanny Osorio Delgado, Governador Regional de Arequipa, no Peru; e Bernardo Bátiz Vázquez, fundador do Partido Morena de México. Também participaram o Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos e Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina; o Cardeal Rubén Salazar, Arcebispo de Bogotá e Presidente do Celam; o Cardeal Gregorio Rosa Chávez, Bispo Auxiliar de San Salvador, em El Salvador; o Cardeal José Francisco Robles Ortega, Arcebispo de Guadalajara, no México; o Cardeal Sergio da Rocha, Arcebispo de Brasília (DF) e Presidente da CNBB; e o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e membro da CAL.

 

Mártires do bem comum

Considerada a maior de seu Pontificado, a vídeo-mensagem do Papa Francisco, com cerca de 20 minutos, iniciou-se a partir da citação de seus predecessores, que se referiam à política como uma “alta forma de caridade”, ou seja, um serviço inestimável de dedicação ao bem comum da sociedade. 

O Pontífice ressaltou, ainda, que “a política é, antes de tudo, serviço”, não de ambições e interesses pessoais ou de prepotência de facções e nem de autocracia e totalitarismos. Segundo Francisco, os políticos devem imitar o exemplo de Jesus que “veio para servir e não para ser servido”. Segundo o Papa, esse serviço, às vezes, requer sacrifício e dedicação dos políticos, a ponto até de serem considerados “mártires” do bem comum. 

Tal serviço, na avaliação do Pontífice, não deve se contrapor ao poder, mas, ao contrário, o poder deve tender ao serviço. Por isso, é preciso cultivar o verdadeiro senso interior da justiça, do amor e do serviço. “Sentimos a necessidade de reabilitar a dignidade da política”, acrescentou Francisco, recordando o grande descrédito popular em relação à política e aos partidos políticos, por causa da corrupção, como também a falta de formação e inclusão de novas gerações políticas, para prestar, com paixão, serviço aos povos.

 

Política boa e nobre

O Bispo de Roma insistiu na necessidade de novas forças políticas que brilhem pela sua ética e cultura; que façam uso do diálogo democrático; que conjuguem a justiça com a misericórdia e a reconciliação; e que sejam solidárias com os sofrimentos e esperanças dos povos latino-americanos. 

“Quanto precisamos, hoje, na América Latina, de uma política boa e nobre! Quanto precisamos de protagonistas!”, exclamou o Papa, salientando que “o continente latino-americano necessita da defesa do dom da vida, em todas as suas fases e manifestações; precisa de crescimento industrial e tecnologia sustentável; precisa de políticas corajosas para enfrentar o desafio da pobreza, da desigualdade, da exclusão e do subdesenvolvimento”. 

O Santo Padre citou, ainda, a falta de uma educação integral e o restabelecimento do tecido familiar e social; de uma nova cultura do encontro e de uma democracia madura, que possa combater a corrupção, as colonizações ideológicas; de maior cuidado com a nossa casa comum; de uma maior integração econômica, cultural e política; e de respeito dos direitos humanos, da paz e da justiça. 

Citando o trecho conclusivo do Documento de Aparecida, sobre uma das grandes preocupações do episcopado latino-americano, Francisco destacou “a grande ausência, no âmbito político, de vozes e iniciativas de líderes católicos, de personalidade forte e de dedicação generosa, que sejam coerentes com suas convicções éticas e religiosas".

O Papa concluiu sua vídeo-mensagem exortando aos leigos católicos a não permanecerem indiferentes na vida pública. Neste sentido, a Igreja caminha ao seu lado, com suas diretrizes em prol da dignidade humana, animando e promovendo a caridade e a fraternidade, o desejo do bem, da verdade e da justiça.

 

Cultura do encontro 

O Cardeal Marc Ouellet apontou para a necessidade de sincronizar recursos espirituais, intelectuais e materiais para uma cultura do encontro, de tal maneira que a política tenha assistência da Igreja pelo compromisso pastoral, para uma irradiação maior da comunhão católica no continente, pela multiplicação de experiências de diálogo entre pastores e políticos.

Ainda segundo o Presidente da CAL, é hora de uma América Latina ad extra , em saída, para estender o testemunho do continente cristão e garantir que o continente latino-americano não se deixe colonizar pelas ideologias e pela ideologia de gênero em particular, mas que tenha uma estratégia criativa, propositiva, a partir de famílias reais, unidas, verdadeiras igrejas domésticas.

 

Diálogo sincero

Para o Presidente do Celam, o evento foi uma oportunidade de políticos e bispos realizarem um diálogo sincero. “Estabeleceram-se linhas para o diálogo, o encontro e a comunhão sobre a base da justiça, a igualdade, o respeito aos direitos humanos, o desenvolvimento genuíno e a paz dos povos, que foram alguns dos assuntos abordados na discussão de três dias em espírito fraterno”, afirmou o Cardeal Salazar.

(Com informações do Celam e rádio Vaticano)

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