NACIONAL

VIDA CONSAGRADA

A vida consagrada ao longo dos séculos

Por Fernando Geronazzo
06 de fevereiro de 2020

Também surgiram grupos de viúvas cristãs que decidiram viver a castidade perpétua, por amor ao reino dos céus
 

Ainda nos tempos apostólicos, a vida consagrada surgiu quando inúmeras jovens se ofertavam inteiramente ao Senhor na consagração voluntária e perpétua da sua virgindade. Na mesma época, também surgiram grupos de viúvas cristãs que decidiram viver a castidade perpétua, por amor ao reino dos céus. 
Com o passar dos anos, essas mulheres começaram a se associar em grupos e a viverem em comunidade, dedicando-se à oração, à penitência, ao serviço aos seus irmãos e no trabalho apostólico. 

EREMITAS

No século III, alguns homens se retiravam para o deserto para viver como eremitas, na solidão, no silêncio, na oração, em meio aos trabalhos manuais para sua subsistência. Santo Antão (251-356) é considerado o patriarca da vida eremítica.
“Os eremitas manifestam o aspecto interior do mistério da Igreja que é a intimidade pessoal com Cristo. Oculta aos olhos dos homens, a vida do eremita é pregação silenciosa daquele a quem entregou a sua vida. Cristo é tudo para ele”, enfatiza o Catecismo.

MONGES 

Aos poucos, a vida eremítica começou a dar lugar à vida comunitária. Daí nasceram os primeiros mosteiros, onde os monges tinham uma vida semelhante à de um eremita, em comunidade, com a presença de um superior e sob uma regra comum.   
São Bento é considerado o pai do monaquismo no Ocidente. Nascido em Núrsia, na Itália, por volta de 480, viveu como eremita por três anos até que sua fama se consolidou e outros monges começaram a segui-lo. Anos depois, fundou seu primeiro mosteiro no Monte Cassino, nascendo, assim, a Ordem Beneditina. Lá ele escreveu a sua regra, que se espalhou por todo o Ocidente. 

ORDENS MENDICANTES 

Até o início do século XIII, começaram a surgir as chamadas ordens mendicantes, que reuniam homens que, inspirados no chamado do Evangelho, consagravam-se a Deus por meio de uma vida de oração, pregação e serviço da caridade para com os mais pobres. 
Dentre essas ordens mendicantes, destacaram-se os Franciscanos e os Dominicanos, que atraíram inúmeras vocações, que posteriormente se espalharam por todo o mundo. Dessas ordens, também nasceram os ramos femininos, estimulados pelo testemunho de consagradas como Santa Clara de Assis. 

CONTRARREFORMA

A vida religiosa consagrada também teve um papel importante diante da Reforma Protestante, no século XVI. Nesse período, surgiram religiosos como Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus (Jesuítas), e Santa Teresa d’Ávila, que reformou a Ordem Carmelita. 
Essas ordens eram caracterizadas pela humildade e incondicional obediência ao Papa, fortalecimento da ação evangelizadora, oração em favor da Igreja e busca da perfeição cristã. 

CONGREGAÇÕES 

A partir do século XIV, surgiram as chamadas congregações de vida apostólica, voltadas para o serviço pastoral segundo as necessidades locais, por meio das obras de misericórdia espirituais – como a educação, transmissão da fé e formação espiritual – ou corporais – atendimento aos enfermos, aos pobres e sofredores etc. 
Nas ordens masculinas, sempre existiram alguns de seus membros que eram ordenados sacerdotes para o atendimento da própria família religiosa e o serviço pastoral. Com o tempo, nasceram congregações formadas por sacerdotes que se reuniam para viver uma regra religiosa: os chamados clérigos regulares. 
A partir do século XX, surgiram novas formas de consagração, como as associações de vida apostólica e de voto simples, os institutos seculares e, mais recentemente, as novas comunidades, instituídas canonicamente como associações públicas ou privadas de fiéis, que também possuem entre seus membros leigos que se consagram por meio do celibato apostólico para o serviço ao Reino de Deus.

NOVO MILÊNIO 

Em 1996, São João Paulo II escreveu a Exortação Apostólica Pós-sinodal Vita Consecrata, fruto do Sínodo dos Bispos realizado em 1994, para aprofundar o significado e as perspectivas da vida consagrada diante do novo milênio. 
Nesse documento, o Pontífice convidou os consagrados a olhar para o futuro. “Fazei da vossa vida uma ardente expectativa de Cristo, indo ao encontro Dele como virgens prudentes que vão ao encontro do esposo [...]. Desse modo, sereis renovados por Ele, dia após dia, para construir com o seu Espírito comunidades fraternas, para Ele lavar os pés aos pobres e dar vossa insubstituível contribuição para a transfiguração do mundo”, exortou. 

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