NACIONAL

POR UM MUNDO MAIS IGUAL

A inclusão é um ato de amor e de fraternidade com o que é diferente

Por Jenniffer Silva
12 de junho de 2019

Instituições vêm buscando maneiras para que haja o acolhimento de diferentes necessidades

Reprodução da Internet

O dicionário Aurélio traz para a palavra inclusão diferentes significados. Um deles exprime o próprio verbo incluir, transformando a palavra em uma ação efetiva de envolvimento e aproximação. Mais do que buscar no volumoso livro de significados um sentido para este termo, o que de fato é essencial sobre o assunto é utilizar-se do verbo, agindo para a envoltura de relações com quem nasceu especialmente incomum.

UMA CONTRUÇÃO A VÁRIAS MÃOS

Foi a partir do projeto de mestrado da pesquisadora Elaine Seiffert, sob orientação do professor Doutor Douglas Paulesky Juliani, que nasceu o portal educaçãoinclusiva.org. em Florianópolis (SC). A plataforma on-line prevê agrupar diferentes práticas educacionais inclusivas.

Após a concepção do site, foram convidados outros membros para compor o projeto, que ainda precisou de um ano para a finalização de seu desenvolvimento. Atualmente, o projeto passa pela fase de coleta de experiências educacionais inclusivas, quando educadores que atuam nesta abordagem podem acessar a plataforma e relatar os trabalhos desenvolvidos, explorando a metodologia, quantidade de alunos que participaram, a temática e conteúdo da aula e materiais utilizados.

“O projeto nasceu de uma dissertação de mestrado, mas depois nós temos um trabalho orgânico, muitas pessoas têm se colocado como voluntários, pessoas de fora de Florianópolis. É muito gratificante ver o projeto se tornar um movimento da sociedade”, reiterou Douglas.

DIFICULDADES EM AVANÇAR COM O TEMA

O professor falou à reportagem, que mesmo que existam avanços quanto a educação inclusiva, e que uma legislação garanta esse direito, os profissionais ainda apresentam uma certa dificuldade: “É uma temática recente, até certo ponto, um tanto quanto polêmica e, culturalmente, a nossa sociedade tem um certo desconhecimento em lidar com as singularidades presentes nos espaços formativos”, continuo.

Para ele, a manutenção desta plataforma é também motivada para construir uma mudança cultural na sociedade, quanto ao preconceito, até mesmo dos próprios pais que têm filhos com necessidades especiais e, que por isso, acreditam que estas crianças não possuem condições de frequentar diferentes espaços, fomentando cada vez mais o estímulo da diferença: “Abrindo cada vez mais os nossos espaços à diversidade, a questão da empatia, em todos esses aspectos para de fato incluir os nossos estudantes”, falou.

Por fim, o professor fez um convite a todos os educadores que trabalham com educação inclusiva para disponibilizarem no site do projeto suas experiências, para que desta forma, uma grande rede de compartilhamento seja desenvolvida.

ACOLHIMENTO EM DIVERSOS IDIOMAS

A rede CNA de ensino de idiomas iniciou um trabalho de inclusão, quando em 2008, elaborou um material didático em Braile, lançado pela editora CNA. No decorrer desses nove anos, outras demandas surgiram e, por isso, no fim do mês de maio aconteceu o lançamento do primeiro volume da série “Entender para incluir”, que apresenta um material formativo sobre déficit de atenção e imperatividade, dislexia, autismo e Síndrome de Down.

Marcelo Barros, que há 30 anos é professor e diretor de educação da CNA, falou à reportagem que não se sabe, ainda, a periodicidade e quantos edições do material serão lançados.

O diretor, porém, rememorou a revista Entornos e Contornos, publicada pela primeira vez em 2007: “Nós pensamos que seria uma coisa bastante curta e para se ter uma ideia, nós já estamos no 10º volume. Acreditamos que o ‘Entender para incluir’ seguirá um caminho bastante parecido. Ele irá existir enquanto for útil para ampliar o conhecimento acadêmico e escolar sobre essas necessidades especiais”.

Para dar identidade ao projeto, foram convidados especialistas que já tenham lidado com alguma dessas necessidades na educação e, partir disso, construir os próximos volumes do guia.

O material é todo disponibilizado para download no portal público do CNA, que é o cna.com.

Barros reconheceu que este tema, é, porém, pouco trabalhado entre as escolas de idiomas, com isto, torna-se ainda mais necessário chamar a atenção para aquilo que é também um dos valores da rede de escolas, o protagonismo e a ousadia e, desta forma, estar atento para as novas demandas que surgem frequentemente.

EVANGELIZAÇÃO

O Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizará o segundo Simpósio sobre Catequese Inclusiva em 24 de agosto. O Padre Alexander Silva, Articulador da Catequese Inclusiva no Regional Sul 1 da CNBB, salientou que o encontro contará com a presença de catequistas de todo o estado de São Paulo.

Padre Alexandre explicou, ainda, que Dom Ricardo Hoepers, Bispo de Rio Grande (RS) e referencial da Comissão para Família da CNBB Nacional, é um dos convidados. Além disto, afirmou que o dia de atividades contemplará uma palestra cujo tema é “Metodologia: Aspectos Pastorais e Familiares para uma viver a Catequese Inclusiva” e oficinas sobre diferentes necessidades especiais.

As inscrições podem ser feitas pelo site da CNBB do Regional Sul 1. O valor é de R$ 25,00, incluindo café e almoço.

As atividades se iniciam às 8h e seguem até às 16h30, no Centro Pastoral São José, na Região Episcopal Belém da Arquidiocese de São Paulo.

O evento está sendo organizado pela Equipe de Catequese Inclusiva do Regional Sul 1, em parceria com a Comissão de Animação Bíblico-Catequética do regional, que tem como referencial Dom Milton Kenan Junior, Bispo de Barretos (SP). O coordenador da Comissão de Animação Bíblico-Catequética é o Padre Marcelo Machado.

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